Aceitar ou converter?

Aceitar ou converter?

Um amigo meu iria levar a filha para o trabalho. Não o fazia muitas vezes, porque eram apenas dez minutos de caminhada. Porém, naquele dia começava a chover a fazia frio. Desceu do apartamento para a garagem e encontrou o seu carro bloqueado pelo carro do vizinho. Subiu e tocou a porta do vizinho. Ninguém atendia. Nada. Nenhuma resposta. A filha teve que caminhar até o trabalho para não chegar atrasada. O meu amigo ficou furioso com a situação. Um tempo depois o vizinho aparece pedindo desculpas pelo inconveniente. O que fazer? Olhou para a esposa e decidiu não se incomodar com algo que já não poderia modificar. Criticar não ajudaria em nada. De todas as formas, o casal aproveitou para sair de casa e ir ao supermercado.

Todas as situações apenas são o que são. A interpretação daquilo que elas significam depende de cada um. Com o bloqueio do veículo e não poder levar a filha ao trabalho gerou a emoção de raiva num primeiro instante. Entretanto, o pai e a mãe optaram por aceitar aquilo que já não poderia ser mudado. Aceitar pode ser entendido como receber algo, como concordar com uma situação ou como resignar-se com aquilo que não pode ser mudado. Ao sair para ir ao supermercado, contornaram o edifício e quando passavam em frente da portaria viram a entregadora de uma empresa de encomendas tocando a campainha. Pararam e perguntaram:

– Para quem é a entrega?

A moça deu o nome da filha que havia feito uma compra pela internet. A compra estava programada para ser entregue dali a dois dias, porém a empresa se adiantou. Dessa forma, os pais puderam receber o pedido que a filha havia feito e que aguardava com ansiedade. Nesse momento, a situação se converteu num presente, porque caso não houvesse ocorrido o bloqueio do carro pelo vizinho a entregadora não encontraria ninguém em casa, o que geraria transtorno e frustração para a filha. Aceitar para converter as dificuldades e os desafios em oportunidades pode nos trazer paz de espírito e tranquilidade. Não se trata de negar nem de rejeitar o ocorrido e, muito menos, se ressentir. Trata-se de entender que o fato uma vez ocorrido não há como voltar atrás. É clichê. É óbvio. Por que então gastamos tanto tempo e energia com aquilo que não pode ser mudado? Por isso, aceitar é um convite para receber determinadas situações com a consciência de que posso concordar ou não e que posso resignar-me com aquilo que não pode ser mudado para converter a situação numa oportunidade. Esse pode ser um movimento consciente de aceitar algo aparentemente ruim para entendê-lo como uma oportunidade, ainda que as emoções como a raiva, o medo, a tristeza, a surpresa e o nojo surjam no momento em que ocorre a situação. O movimento é a ação de não ficar capturado pelas emoções e bloqueado no fato, mas usá-lo como aprendizagem e oportunidade. Gastar tempo e energia martirizando-se com a culpa, alimentando a raiva, remoendo arrependimentos ou afligindo-se com as preocupações é improdutivo e irracional. Desse modo, aceitar e converter é uma maneira de olhar mais uma vez para ver novas oportunidades.

Aceitar ou converter? No caso do meu amigo bastou ele aceitar que a vida já tratou de converter uma situação aparentemente chata em uma oportunidade, num presente. O simples fato de não se deixar levar pelas emoções preservou a sua relação com o vizinho e ainda lhe proporcionou receber uma entrega que criaria outros incômodos. Imagine fazer o movimento consciente de aceitar e converter, muito mais do que aceitar ou converter, é REAPRENDER ao mudar o seu olhar sobre aquilo que já sabíamos. Fazer o movimento consciente de aceitar e converter igualmente permite REDESCOBRIR sem preconceitos fazendo da vida uma eterna aventura de descobertas. Finalmente, o movimento de aceitar e converter é a capacidade de RESSIGNIFICAR para transformar e ser transformado como um ato de amor a si mesmo e aos outros.

O que você pode aceitar para converter em oportunidades? Olhe mais uma vez…

O FISEC está na porta!

Moacir Rauber

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ECOS DA PALAVRA – Ação e Intenção produzindo resultados!

A Inteligência Positiva e a Espiritualidade na Comunicação AFETIVA para ser EFETIVO

Ação e Intenção produzindo resultados! 

“Bem-aventurados aqueles que usam com sabedoria as ferramentas de desempenho vindas do conhecimento.” 

EU AFETO O MUNDO. O MUNDO ME AFETA. 

COM AFETO O MUNDO É MELHOR! 

Conhecimento, ferramentas ou sabedoria? 

Conhecimento: a ciência para organizar e compartilhar teoria e prática 

Ferramentas: para operacionalizar a ciência 

Sabedoria: a espiritualidade que permite usar as Ferramentas vindas do Conhecimento.

 Um curso de 12h para explorar:

  1. Inteligência Positiva para o autoconhecimento 
  1. Comunicação Não-Violenta para Resultado Efetivos. 
  1. Ação e intenção para produzir resultados: bem-aventurados os alinhados.

O resgate da Espiritualidade a partir da Inteligência Positiva e do uso da Comunicação Não-Violenta tem a pretensão de levar os participantes a alcançar a satisfação pessoal e os resultados esperados por meio do alinhamento da espiritualidade com as competências socioemocionais e técnicas. Para isso é essencial: 

PAUSAR para OBSERVAR. O que vejo? 

PAUSAR para SENTIR. O que sinto? 

PAUSAR para identificar as NECESSIDADES. O que necessito? 

PAUSAR para PEDIR. Como e o que peço? 

Uma PAUSA para escutar o MESTRE dos MESTRES! 

Eu AFETO o mundo. O mundo me AFETA. Com AFETO o mundo é melhor. 

A quem você saúda?

FISEC: REAPRENDER, REDESCOBRIR E RESSIGNIFICAR PARA INOVAR

FISEC: REAPRENDER, REDESCOBRIR E RESSIGNIFICAR PARA INOVAR

A quem você saúda?

Muitas vezes, cuidamos do carro e não cuidamos do corpo, da mente e do espírito (https://facetas.com.br/2022/05/27/voce-cuida-do-seu-carro/). A reflexão do nosso grupo de trabalho resgatou a analogia do carro, falando sobre a espiritualidade. O meu amigo (Rosan) indagou:

– A quem você saúda quando levanta a mão ao cruzar com outro carro?

A resposta é óbvia, principalmente em cidades pequenas onde quase todos se conhecem entre si. A saudação vai para a pessoa do outro lado e não para o veículo, pouco importando se é uma BMW ou um Fusca. Na analogia usada, o modelo do carro é a aparência e o condutor a essência. Este não faz parte do carro. Na comparação com um ser humano o corpo é a aparência, mas onde está a essência? A essência é a alma, o espírito ou o coração, porque é tudo aquilo que uma máquina não é. Portanto, estar num evento que se propõe ser inovador a partir de elementos como reaprender, redescobrir e ressignificar faz todo o sentido. Para reaprender, muitas vezes, é necessário desaprender para dar espaço ao aprender. Para redescobrir é preciso revisitar caminhos já percorridos e identificar aquilo que é essencial descobrir de novo. Por fim, ressignificar é se reencontrar com a essência de cada um que está além da aparência de um cargo, de um papel social ou de um carro. A essência pode ser vista nos olhos da criança que cada um foi e na importância daquilo que se faz hoje para a pessoa que cada um imagina que vá terminar a sua jornada. Portanto, use uma foto de quando você tinha cinco anos, olhe nos olhos e encontre a sua essência. Veja a beleza, a pureza e os sonhos dessa criança. Aí está o verdadeiro condutor do seu carro. Depois avance para aquele que você imagina que irá terminar a jornada. Quantos anos, oitenta ou noventa? Não se sabe, mas se pergunte: qual a importância daquilo que você faz hoje no final da sua jornada? Os sentimentos, como as dores e as alegrias? O trabalho e a função profissional? As relações pessoais e as contribuições sociais? O que disso tudo que você exibe hoje realmente importa ao final da vida? Essa reflexão pode ajudar o condutor a reaprender, a redescobrir e a ressignificar hábitos, costumes e rituais internalizados que o levam a somente cuidar ou a descuidar da aparência. É preciso fazer a manutenção do carro? Sim, é fundamental manter o veículo em dia e bem cuidado na sua parte externa, porém é indispensável cuidar da essência, o condutor. Fala-se do corpo, a parte visível, e principalmente do espírito e da mente, a parte invisível. A busca pelo sentido da vida nos leva a reaprender, a redescobrir e a ressignificar a essência ao nos entendermos como seres humanos e divinos. Enfim, o carro vai para onde o condutor determinar. Para onde você quer ir?

Vá para o FISEC! É importante seguir na vida aprendendo e reaprender é uma estratégia de inovação. É relevante seguir na vida descobrindo e redescobrir é um processo de inovação. É fundamental seguir em busca do sentido da vida e ressignificar é essencial para a inovação. Ressignificar para resgatar a essência da criança na convergência com a sabedoria do ancião que determine a tua ação a partir da intenção mais profunda. Um processo que tem o poder de transformar o velho em novo na redescoberta é inovador. Uma estratégia que permite reaprender para tirar algo bom daquilo que aparentemente não é, é inovadora. Com isso, sempre que nos cruzarmos com outra pessoa teremos o discernimento para saudar o condutor, pouco importando se ele está numa BMW ou num Fusca. Seja no ambiente pessoal ou profissional, por trás daquele veículo está um menino que pretende chegar à ancianidade e que carrega perguntas como: quem sou eu? Onde estou? De onde vim? Para onde vou? É o condutor que vai ditar o rumo com o espírito e a mente. Para onde você quer ir?

Moacir Rauber

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VOCÊ CUIDA DO SEU CARRO?

Você cuida do seu carro?

Temos um grupo de trabalho de desenvolvimento pessoal que explora a saúde do corpo e do espírito, além de enfatizar a performance e a conexão entre as partes. Os caminhos podem ser diferentes, mas a busca final é a mesma. São reflexões distintas que conduzem aos mesmos dilemas: quem sou eu? Onde estou? De onde vim? Para onde vou e como vou, se é que vou? Qual é o sentido da vida? São perguntas que nos lembram da condição humana de todos e da condição divina que muitos creem. Enfim, propor-se a desenvolver uma fala para quem fala sobre o tema é desafiador. Na primeira intervenção feita pela pessoa que trabalha com saúde do corpo, foi usada uma analogia sobre como cuidamos de um carro, objeto inanimado, na comparação em como descuidamos do corpo, organismo vivo. A analogia foi apreciada por todos, exceto por mim. Tinha uma rejeição a ela. Expressei que não me sentiria bem de usá-la para o programa que atende a Roda da Vida nas suas diferentes áreas. Depois, veio-me a frustração. Por que? Porque havia perdido a oportunidade de exercitar aquilo que digo que ensino quando nos confrontamos com ideias diferentes. O que eu poderia ter feito?

As teorias para tratar das divergências de ideias são muitas. A prática é outra coisa. A psicologia positiva, a inteligência emocional, a inteligência positiva, a comunicação não-violenta e outras abordagens tem ferramentas para aproveitar situações similares. Faz tempo que estudo e trabalho com o tema. Por que então não pude ver a oportunidade? A explicação que daria a partir da Inteligência Positiva é que no momento da minha reação o meu sábio estava sequestrado por um dos meus sabotadores, o controlador. A partir da Comunicação Não-Violenta poderia dizer que a minha manifestação foi a expressão trágica de uma necessidade não atendida. Qual seria a necessidade? Talvez a de coerência, porque mantive o foco no conceito internalizado por mim de que as máquinas são tentativas imperfeitas de reproduzir um organismo quase perfeito, o ser humano. Tranquei-me em meu casulo de segurança das crenças que embotou a minha inteligência e consumiu a sensibilidade nas minhas certezas. Com isso, ao não compreender a ambiguidade daquilo que presenciava perdi a oportunidade de aprender e contribuir. Bastava ter pensado na analogia com a mente aberta e fazer o exercício do “sim… e…”. O exercício consiste em não julgar nenhuma ideia ou proposição, ainda que te pareça infundada, e encontrar nela algum gatilho para sugerir melhorarias. Tivesse eu dito “Sim, o que eu gosto na sua ideia é …” e em seguida “E acrescento …”. Tivesse praticado o não julgamento eu teria percebido que a comparação não era de um ser humano para com um carro inanimado. A analogia ressaltava os cuidados que temos para com um carro, objeto inanimado, e que não temos com o nosso corpo, o organismo vivo, que abriga a nossa mente e o espírito. O carro limpamos regularmente, a nossa mente nem tanto. O carro abastecemos com gasolina boa, o nosso corpo alimentamos com qualquer coisa. Assim seguimos com os descuidos com o nosso corpo ao dormir pouco e nos exercitarmos menos ainda. Talvez seja essa falta de cuidado que faça com que haja tantas pessoas desconectadas daquilo que é essencial. Para evoluir é fundamental conectar-se com o essencial. Segundo a raposa do Pequeno Príncipe, o essencial é invisível aos olhos, assim como o são a mente e o espírito.

Você cuida do seu carro? Creio que a evolução passa pela responsabilidade de não descuidar das máquinas que nos servem, mas priorizando a mente e o espírito. O corpo e as máquinas são o resultado visível daquilo que é invisível, a mente e o espírito. A reconexão com o essencial pede que se veja com o coração para seguir a jornada rumo a um mundo melhor. Trata-se de um movimento circular e complementar entre as diferentes áreas da Roda da Vida. Afinal, ela, a Vida, é integral!

Moacir Rauber

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RENUNCIAR PARA SER FELIZ. ¿CÓMO?

Así, pues, cualquiera de vosotros que no renuncia a todo lo que posee, no puede ser mi discípulo (Lucas, 14, 33).

¡Renuncia para ser feliz!

Era el viernes por la tarde. Como hago regularmente, terminé exhausto mi entrenamiento de remo. La sensación de cansancio y satisfacción en un movimiento circular y complementario se hicieron presentes en mí. La actividad física mejora el cuerpo, relaja la mente y eleva el espíritu. Al terminar el ejercicio, como siempre, abrí la heladera y saqué una cerveza para beber con la conciencia de que ésta sería diferente. ¿Por qué diferente si era algo que hacía regularmente? Porque sería la última que tomaría en las próximas tres semanas. Así, con plena conciencia, saboreaba cada sorbo y cada sensación que me producía el hecho de tomar la cerveza. El sabor estaba diferente. Todo estaba más resaltado. ¿Qué más hacemos sin conciencia de lo que hacemos?

Para recuperar la conciencia de lo que hacemos, cómo lo hacemos y por qué lo hacemos, existe un ejercicio llamado “¡Renuncia y sé feliz!”, propuesto por la Universidad de Berkeley. Parece nuevo, pero no lo es. Jesús renunciaba y ayunaba y les pedía a los apóstoles que lo hicieran. Los santos renunciaron a muchas cosas para tener la conciencia de la presencia de Dios. Los monjes siguen ayunando y renunciando para mantenerse en el camino de la espiritualidad. Así, el ayuno y la renuncia consciente pueden ser una herramienta para desfrutar de la vida y de las elecciones. ¿En qué consiste? Aquí se propone una actividad sencilla. Consiste en renunciar a algo durante un tiempo determinado para que se pueda evaluar si lo que se está haciendo tiene sentido. Si tiene sentido, el incentivo es disfrutarlo con la conciencia del privilegio de poder hacerlo. Además, es posible identificar si lo que se hace responde a un deseo o a una necesidad. El deseo se entiende como una aspiración o un capricho que tiende a hacer la vida más placentera y divertida, al menos momentáneamente. Un celular de última generación es un deseo, la conexión que produce es una necesidad. Una hermosa casa es un deseo, mientras que el abrigo es una necesidad. Así, muchas veces confundimos el deseo con la necesidad, haciendo de la vida un carrusel frenético en busca de satisfacer los deseos sin haber identificado la verdadera necesidad. Se interpreta necesidad como aquella que produce bienestar fisiológico, mental, emocional y espiritual, como el alimento, el descanso, el amor y la paz, entre otras. Por ello, la actividad “Renunciar para ser feliz” propone que elijamos algo que solemos hacer y a lo que tengamos acceso ilimitado, como una comida, una bebida o un programa de televisión y renunciemos voluntariamente durante un tiempo determinado. De esta forma, cada uno puede valorar si lo que hace, casi siempre en modo automático, es un deseo o una necesidad. Además, permite a todos evaluar si están disfrutando con conciencia de lo que tienen acceso ilimitado. Asimismo, es posible identificar qué se aprecia en estas actividades y cómo te hacen sentir. Si hablamos de bebida, ¿la cerveza es un deseo o una necesidad? Se entiende que la necesidad es de agua y la cerveza es un deseo. Cuando se habla de comida, ¿la pizza que muchos comen cada semana es un deseo o una necesidad? La pizza se considera un deseo y la comida una necesidad. Cuando se habla de un programa de televisión que se ve regularmente, ¿es un deseo o una necesidad? Nuevamente, se puede inferir que ver televisión es un deseo, ya que la necesidad es de diversión. Cada una de las necesidades anteriores se puede satisfacer de otras maneras, no necesariamente con las que elegimos y hacemos de forma regular. ¿Disfrutas conscientemente de lo que haces?

Finalmente, renunciar a algo para ser feliz es una invitación a tomar conciencia de cómo vivimos y del sentido de lo que hacemos. ¿Qué haces, tiene sentido? De lo contrario, ¿por qué haces lo que haces? Cuando se habla de hábitos de alimentación, bebida y entretenimiento, se sabe que estas necesidades pueden ser satisfechas con diferentes estrategias. Es fundamental ser consciente de lo que haces como si fuera la última vez, porque algún día lo será. Hoy cumplo el período de renuncia estipulado por mí y pretendo disfrutar de todas las sensaciones de tomar una cerveza con la conciencia de que satisfacer una necesidad alineada con un deseo hace la vida más hermosa. ¿La espiritualidad? Todavía hay un largo camino por delante.

Moacir Rauber

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RENUNCIAR PARA SER FELIZ. COMO?

Renunciar para ser feliz!

Era sexta-feira final de tarde. Como regularmente faço, terminei meu treino no remo ergômetro transpirado. A sensação de cansaço e de satisfação num movimento circular e complementar estavam presentes em mim. A atividade física melhora o corpo, relaxa a mente e eleva o espírito. Ao final do exercício, como quase sempre, abri a geladeira e peguei uma cerveja para tomar com a consciência de que aquela seria diferente. Por que diferente se era algo que fazia regularmente? Porque ela seria a última que eu tomaria nas próximas três semanas. Dessa forma, com a consciência plena degustei cada gole e cada sensação produzida pelo prazer que ela me proporcionava sabendo que não o faria tão rapidamente. O gosto é outro. Estava tudo mais ressaltado. O que mais fazemos sem a consciência daquilo que fazemos?

Para retomar a consciência daquilo que fazemos, como fazemos e porque fazemos há uma ação chamada “Renuncie e seja Feliz!”, sugerida pela Universidade de Berkeley. Em que consiste? Consiste em renunciar a algo por um tempo determinado para que cada um possa avaliar se aquilo que faz tem sentido. Se faz sentido, o incentivo é que se desfrute com a consciência do privilégio. Além disso, pode-se identificar se aquilo que se faz atende a um desejo ou a uma necessidade. Entenda-se desejo como uma vontade, uma aspiração e até um capricho que tende a tornar a vida mais prazerosa e divertida, pelo menos momentaneamente. Um celular de última geração é um desejo, a conexão que ele produz é a necessidade. Uma casa linda é um desejo, enquanto o abrigo é a necessidade. Assim, muitas vezes, confundimos desejo com necessidade fazendo da vida um carrossel alucinado em busca de satisfazer desejos sem ter identificado a real necessidade. Interprete-se necessidade como aquilo que nos produz o bem-estar fisiológico, mental, emocional e espiritual, como por exemplo alimento, descanso, amor e paz, entre outras. Portanto, a atividade “Renuncia e Seja Feliz” propõe que se escolha algo que se faz habitualmente ao qual tenhamos acesso ilimitado, como uma comida, uma bebida ou um programa de televisão e renuncie voluntariamente por um determinado período de tempo. Desse modo, cada um pode avaliar se o que faz, quase sempre no modo automático, é um desejo ou uma necessidade. Além disso, permite que cada um avalie se está gozando daquilo a que tem acesso em abundância. Igualmente, é possível identificar o que se aprecia nessas atividades e como elas o fazem se sentir. Se falamos de bebida, a cerveja é um desejo ou uma necessidade? Entende-se que a necessidade é de água e a cerveja é um desejo. Ao falar de comida, a pizza que muitos comem toda a semana é um desejo ou uma necessidade? Considera-se a pizza um desejo e o alimento a necessidade. Ao falar de um programa de televisão que se assiste regularmente é um desejo ou uma necessidade? Outra vez, pode-se depreender que ver TV é um desejo, uma vez que a necessidade é a diversão. Cada uma das necessidades citadas acima pode ser satisfeita de outras formas, não necessariamente com aquelas que escolhemos e fazemos com regularidade. Você desfruta conscientemente daquilo que faz?

Enfim, renunciar a algo para ser feliz é um convite a tomada de consciência de como vivemos e o sentido daquilo que fazemos. O que você faz, faz sentido? Senão, por que você faz aquilo que faz? Ao falar de hábitos alimentares, bebidas e de diversão, sabe-se que essas necessidades podem ser atendidas com estratégias diferentes. Ressalta-se o essencial de se ter consciência daquilo que se faz como se fosse a última vez, porque um dia será. Hoje concluo o período de renuncia por mim estipulado e pretendo desfrutar todas as sensações de tomar uma cerveja com a consciência de que atender uma necessidade alinhada com um desejo deixa a vida mais linda!

Moacir Rauber

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PARO TUDO!

PARO TUDO!

A candidata entrou e cumprimentou o entrevistador, sentando-se no lugar indicado. Ela já havia por outras etapas no processo seletivo e faltava a entrevista. A vaga exigia um alto nível de qualificação, uma vez que era numa empresa de tecnologia para desenvolver um produto inovador. A entrevista abordou aspectos técnicos daquilo que ela teria que desenvolver. A candidata, aparentemente, conhecia muito mais do que se esperava que conhecesse sobre a área. Mas conhecimentos técnicos tão somente não bastam. Precisa-se de algumas competências de comportamento humano, a resiliência, a empatia, a curiosidade, a compaixão e a compreensão, por exemplo. Os entrevistadores queriam ter uma ideia de como o futuro colaborador imagina que vá se comportar numa situação de estresse, de conflitos ou de pressão por resultados com prazos e indicadores de qualidade e produtividade. Por isso, um dos entrevistadores comentou sobre algumas típicas situações ocorridas na empresa e em seguida perguntou:

Como você reage frente a um situação de muita pressão num ambiente stressante? 

A entrevistada abriu bem os olhos, pensou um pouco e disse com a maior naturalidade: 

Eu paro tudo, saio correndo, dou um grito e volto…

A resposta foi diferente e inusitada. A área de Recursos Humanos é abundante em situações difíceis e também divertidas. Por um lado, são os contratos temporários que estão tomando conta de grande parte das relações de trabalho que terminam por nem serem relações. Não que eu seja contra contratar pessoas para desenvolver um determinado projeto com data de término de vínculo estipulada. Não é isso. No final, somos todos temporários. Sou contra a forma como se dá a relação com as pessoas que supostamente não trabalham para a empresa porque tem vínculo temporário. O comportamento demonstrado pelos que são efetivos (como se fosse possível) com relação àqueles que tem contrato por prazo determinado é mesquinho, porque os tratam como cidadãos de segunda classe. Da mesma forma, as entrevistas realizadas sem retorno para os candidatos me causam irritação, porque vejo que é um desrespeito para com as pessoas por trás dos candidatos. Sabe-se que as pessoas que estão se candidatando a uma vaga, normalmente, ficam ansiosas e querem mostrar o seu melhor. Geralmente são muitos candidatos para poucas vagas. São situações difíceis. Desse modo, aquele que tem a responsabilidade de fazer a entrevista deve ter em mente que a situação poderia ser inversa. O fato de agora estar entrevistando e não sendo entrevistado é simplesmente circunstancial.

Por outro lado, a área de RH tem momentos divertidos e fazer as entrevistas de seleção é um  deles. A entrevista acima demonstra bem isso. Foi divertido ouvir a resposta e foi de fundamental importância o aprendizado que ele deixou. A resposta trazia na sua espontaneidade muita maturidade emocional para fazer dos conflitos e dos momentos de estresse uma oportunidade de crescimento. Nos dias de hoje são vendidos cursos para que as pessoas, diante de uma situação difícil, não reajam diretamente a ela. As orientações vindas das ciências comportamentais, como os estudos de inteligência emocional e psicologia positiva, ou das diferentes linhas de espiritualidade seguem na direção da atitude da entrevistada.

Nas ciências comportamentais, um exemplo vem da inteligência positiva. Ela sugere que se façam micro pausas para retomar o contato com a realidade e evitar os sabotadores internos e não reagir no modo automático ainda conectados ao instinto primitivo de sobrevivência. No campo da espiritualidade, o Novo Testamento traz inúmeros momentos em que pausas curtas e prolongadas são feitas para que as ações estejam alinhadas com as intenções. A pausa permite avaliar o que está acontecendo e somente depois tomar uma atitude. Exatamente o que a entrevistada fez.

Ela foi contratada! 

Moacir Rauber

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PONTES DE AMOR!

Pontes de Amor!

A descrição feita pelo facilitador dizia:

– A madeira tem dois metros e trinta e quatro centímetros de comprimento, quinze centímetros de largura e quinze centímetros de grossura e é de oliveira.

Aparentemente se trata de uma descrição informativa que permite àquele que ouve entender sobre o que se fala. A descrição traz elementos comuns a uma comunidade biolinguística, possibilitando a que todos cheguem a uma mesma conclusão. Será tão simples? Todos que escutaram visualizaram em sua mente o mesmo objeto?

No nosso grupo, o aspecto comum se limitou as dimensões do objeto, porém ao avançar sobre as características e o sentido do que foi descrito eram poucas as concordâncias. As características da oliveira não eram iguais as da madeira apresentada ao final da atividade. As divergências ficaram ainda mais evidentes quando as perguntas avançaram sobre o sentido para cada um da madeira descrita. Para alguns ela seria útil para fazer uma cerca, para outros serviria para construir uma passarela. Enfim, cada pessoa na sala daria um uso diferente para madeira. Imagine, se temos dificuldades de chegar a um consenso sobre um objeto inanimado como uma madeira, o que dizer de pessoas? Ainda assim, nós agimos e atuamos, e julgamos, com os outros, porque a nossa vida somente tem sentido na presença das pessoas. Essa é uma das belezas da vida, porque nada está assegurado nas relações e nos negócios.

Há que se arriscar, se expor e cuidar para que as relações se mantenham e os negócios prosperem. Muitos dizem que o mundo é volátil e frágil; incerto e ansioso; complexo e não-linear; e ambíguo e incompreensível. Vejo que essas são características humanas com relação ao mundo que simplesmente é! Portanto, para interagir com as pessoas que dão essa configuração ao mundo, cabe desenvolver algumas estratégias que nos podem auxiliar no processo de respeitar, de cuidar e se cuidar, entre elas a Pausa. Uma noite de sono é uma pausa biológica indispensável para recompor as energias do corpo, da mente e do espírito. A meditação pela manhã é uma estratégia para alinhar a intenção com as pretensas ações do dia. As curtas paradas de um ou dois minutos entre uma atividade e outra nos ajudam a nortear aquilo que levamos e deixamos pelos lugares que circulamos. As ciências comportamentais sugerem as micro pausas como elemento de manutenção de contato com a realidade para não incorrer em ações desalinhadas com a intenção.  Porém, há que se lembrar que isso também é senso comum. “Antes de responder Conte até Dez” é um ditado comum e presente em diferentes culturas, além de ser bíblico. Jesus fazia pausas e micro pausas. Na cena bíblica em que os fariseus lhe apresentam uma mulher flagrada em adultério, Jesus se agachou e começou a escrever na terra. Em seguida disse, “Aquele que não tiver pecado que atire a primeira pedra…” Jesus contou até dez. Ele se agachou e (0) pausou para (1) observar com claridade; para (2) sentir com autenticidade; para (3) identificar aquilo que estava acontecendo; para se (4) manifestar com respeito e cuidado; e para alinhar as suas (5) ações e intenções na prática. Foi a micro pausa que permitiu a Jesus cuidar da mulher e de se cuidar. Desse modo, entende-se que a pausa é uma estratégia para resgatar o Sábio do domínio dos Sabotadores.

Enfim, reconectar-se com a realidade por meio da pausa é uma estratégia de desempenho, de resultados, de produtividade, de competitividade, de respeito, de cuidado e de autocuidado nas relações pessoais e organizacionais. É um Exercício Espiritual! Na sua comunidade, nas relações familiares e de amizade, como você está usando as suas madeiras? As pausas e as micro pausas nos permitem entender que alguns podem pensar na madeira de que dispõe como pontes, outros como caminho e outros ainda como abrigo ou proteção. Não há julgamento nisso. Existem as escolhas que cada um faz com os recursos que tem. Jesus usou a madeira com a qual o crucificaram para construir uma ponte de amor entre o céu e a terra.

Existem milhões de mulheres s que constroem Pontes de Amor com as suas madeiras. FELIZ DIA DAS MULHERES!

Moacir Rauber

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