
Autoconhecimento



Basta acessar a internet e as diferentes mídias sociais para se encontrar inúmeras informações sobre cursos que preconizam o milagre do autoconhecimento. Os autoproclamados magos do autoconhecimento prometem maior produtividade, uma grande competitividade, pessoas com alto desempenho, além de uma vida saudável em que as emoções permanecem sob controle criando uma vida equilibrada beirando a perfeição.
E são tantas as pessoas que se propõem a ensinar aos outros sobre como conhecer a si mesmo que, muitas vezes, fico na dúvida se aqueles que ensinam entenderam o conceito daquilo que é autoconhecimento.
Pode ser autoconhecimento o conhecimento que é dirigido para os outros?
Pode alguém ensinar sobre autoconhecimento quando não consegue entender a si mesmo ou a viver em conformidade com aquilo que ensina?
São essas perguntas que me fazem questionar o milagre do autoconhecimento.
Acredito que a realização pessoal e uma vida satisfatória passam pelo autoconhecimento. Ressalte-se que essa é uma busca milenar, existencial e individual que acompanha o ser humano desde o questionamento de qual é o real sentido da vida. Geração após geração pensadores se propõem a explicar o sentido da vida a partir de um autoconceito da própria vida. Por isso, é importante entender o que é auto? “Auto é um prefixo ou um elemento composicional que permite designar aquilo que é próprio ou que funciona por si mesmo” (https://conceito.de/auto). A partir desse prefixo surgiram inúmeras palavras compostas pelo prefixo, referindo-se à ação resultante daquele que agi sobre si mesmo. As palavras autossuficiente e autointoxicação indicam alguém que se mantém por si mesmo e outro que se infligiu uma intoxicação.
Portanto, se é auto é da pessoa para consigo mesma. Além disso, se somos únicos e singulares, tudo que é auto sobre alguém que é único e singular não poderia ser praticado por outros que também são únicos e singulares.
Avancemos então para o conhecimento, entendido como sendo o ato de conhecer algo. Ao juntar a palavra conhecimento com o prefixo auto iniciamos uma jornada interior única e singular para dentro de um ser único e singular. Por isso, entendo ser difícil definir fórmulas para algo que é único e singular como o autoconhecimento. Desse modo,
…como alguém que não seja “Eu” pode praticar algo por mim?
O conceito por trás da palavra composta autoconhecimento, segundo a psicologia, reporta que a prática de se conhecer proporcione a que cada um tenha um maior controle sobre as suas emoções, sejam elas positivas ou negativas (http://bit.ly/3aP1LcX). O controle emocional derivado do autoconhecimento tende a contribuir para que a pessoa melhore a sua autoestima e diminua os prejuízos da ansiedade ao manter um equilíbrio emocional benéfico. Esse controle emocional pode ser alcançado pelo autoconhecimento, gerando bem-estar e fazendo com que a pessoa seja produtiva de maneira consciente, independentemente da variedade de problemas. É uma busca natural e humana. Porém, pergunto-me: as pessoas que falam de autoconhecimento sabem o que isso significa? Se ele realmente é auto, por que é necessário fazer um curso de autoconhecimento? Particularmente, não acredito em pessoas que tem a pretensão de ensinar para os outros sobre os outros. A frase “quando ouço Pedro falar de Paulo ouço muito mais de Pedro do que de Paulo” faz sentido nesse cenário. Muitas pessoas que querem ensinar técnicas e fórmulas para o autoconhecimento, oferecendo-se como magos do autoconhecimento, estão falando de si mesmos e da experiência vivida. Destaco que eu acredito na importância do autoconhecimento como um movimento de tomada de consciência individual. Nesse cenário, a presença de pessoas que já percorreram uma jornada interna que os capacite para que auxiliem a que outras pessoas realizem a sua jornada interna única e singular é essencial. Só assim para que o conceito de autoconhecimento seja respeitado.
Eis aí o papel da gestão de pessoas ou da gestão com pessoas. Proporcionar a que as pessoas percorram a sua jornada de autoconhecimento e encontrem sentido naquilo que fazem dando sentido à própria vida.
Autoconhecimento é para si mesmo e, portanto, cada um vai realizar o seu caminho, podendo contribuir com o outro com aquilo que faz ou deixa de fazer.
Moacir Rauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com


Quando se tem 19 anos de idade as pessoas esquecem os óculos num canto, perdem a chave do carro no quarto, aparecem em salas de aula erradas, entre outras tantas gafes cometidas em função das falhas da memória. Situações parecidas acontecem com pessoas que estão na faixa dos setenta ou oitenta anos quando elas vão ao mercado e não se lembram onde estacionaram o carro, ao perder o horário de uma consulta ou ao se esquecerem do aniversário da esposa ou do filho.
Qual é a diferença entre a situação do jovem e do idoso, além da idade? Para Daniel J. Levitin em seu livro “Envelhecimento bem-sucedido” a diferença pode estar nas histórias que nós nos contamos, internamente.
Qual a história que o jovem conta para si mesmo pelas suas gafes? Segundo Levitin, o jovem ao perder um compromisso ou se esquecer de algo se justifica internamente dizendo que está com tantas coisas na cabeça que é natural que se confunda ou se esqueça de algo. Qual a história que o idoso se conta para os seus esquecimentos? O idoso se coloca na posição de vítima criando justificativas de auto recriminação em que se culpa ao atribuir os seus esquecimentos à perda da memória como resultado do envelhecimento. Como se pode ver as situações são muito semelhantes e acontecem com todos, independentemente da faixa etária. A diferença está nas explicações e justificativas internas de um e de outro. Enquanto o jovem acredita ser normal se esquecer de algo, não se martiriza e muito menos pensa que está com um tumor no cérebro, o idoso se martiriza e acredita que está com Alzheimer. Não quer dizer que não se deva prestar atenção aos sinais do corpo para as questões de saúde, porém uma diferença de perspectiva para a mesma situação pode mudar o nosso comportamento.
Segundo Levitin, para que possamos envelhecer mantendo a capacidade cerebral uma das estratégias seria a de mudar as histórias que nos contamos ao modificar a postura diante de situações que se repetem ao logo da vida.
O que fazer? Tomar consciência das histórias que nos contamos e estar abertos para novas experiências.
Tomar consciência dos nossos diálogos internos e estar aberto para novas experiências são opções válidas para pessoas de qualquer idade e em qualquer ambiente. É importante para quem trabalha em organizações como gestor de pessoas ter isso em mente. Primeiro, tomar consciência das histórias que cada um se conta, incluindo-se na análise, é que permitirá que as pessoas se abram para novas experiências. A tomada de consciência é fundamental para que a pessoa possa avaliar qual atitude tomar.
Fiz algo que não deu certo? A consciência permite que se faça de maneira diferente. Tem algo que não sei? A consciência permite que eu peça ajuda. Tem algo que faço muito bem? Ter a consciência das próprias competências é que levará a pessoa a ser proativa possibilitando a que o outros membros da equipe contem e recontem as suas histórias.
Para modificar as histórias que nos contamos, além da consciência, é importante estar aberto para as novas experiências. Não tem nada a ver com fazer loucuras potencialmente perigosas. Estar aberto as novas experiências, segundo Levitin, “é estar disposto a tentar coisas novas e estar aberto a novas ideias e a maneiras de fazer as coisas… … Não coisas perigosas, mas coisas novas”.
Enfim, quais as histórias que você está se contando sobre as experiências que têm? Você está aberto para experiências diferentes e novas ideias? Segundo Levitin, esta capacidade é que nos ajudará a ter um envelhecimento de qualidade com a capacidade de desfrutar da vida até o seu limite. E cabe aos gestores de RH ter essa consciência por questões humanas e de produtividade.
Moacir Rauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com
(Re) Criar a Humanização no trabalho com Afeto (www.esarh.com.br)
Eu AFETO o mundo. O mundo me AFETA. Com AFETO o mundo é melhor.

(Re) Criar a Humanização no trabalho com Afeto (www.esarh.com.br)
Eu AFETO o mundo. O mundo me AFETA. Com AFETO o mundo é melhor.


Eu AFETO o mundo. O mundo me AFETA. Com AFETO o mundo é melhor.

Muitas pessoas têm trabalhos entendidos como difíceis e que estão ligados as distintas fases da história de vida das pessoas. Muitos profissionais trabalham com adolescentes. Outros trabalham com adultos no auge de suas vidas. Um grupo menor de profissionais trabalha com a chegada de novas vidas. E um grupo de profissionais ainda menor, que surgiu mais recentemente, trabalha com pessoas que estão se despedindo desta vida. Com o envelhecimento da população em famílias cada vez menores o surgimento de casas para abrigar idosos tem crescido. Porém, não basta uma casa, é necessário que se tenham profissionais qualificados para atender a demanda das pessoas idosas que não têm suas necessidades atendidas no seio familiar. Não basta somente profissionais e sim seres humanos que sejam humanos, porque são tantas as pessoas que ao se aproximar do momento da partida não tem, ou não querem ter, arrimo familiar. Muitos estão debilitados. Sua estrutura física e mental, muitas vezes, está fragilizada. Uma leve queda pode ocasionar uma fratura. Ao despertar não se recordam quem são. Ao dormir estão com medo de não acordar. E, para muitas pessoas, os idosos já viveram aquilo que poderiam ter vivido, dando-nos a impressão de que é um trabalho de menor satisfação. Ainda mais.
Diferentes das crianças, que quando nascem começam a desenvolver novas habilidades e precisam cuidados, os idosos começam a perder as habilidades e, por isso, precisam de ainda mais cuidados.
Seria este um trabalho menos gratificante? Aí que está o grande engano, porque depende do sentido que cada um dá àquilo que faz.
Em novembro, conversava com uma mulher que trabalha como cuidadora de idosos. Ela atende duas senhoras acima dos oitenta anos. Uma está lúcida, é extremamente inteligente e conectada com a realidade, porém está quase surda. A outra, apesar da inteligência e da presença de espírito, muitas vezes, está completamente desconectada, porque o espírito a abandona por causa do mal de Alzheimer. Ao escutar a minha amiga explicar sobre a beleza do seu trabalho fiquei realmente comovido. Ela falava da conexão que havia criado com ambas as senhoras e sabia da importância da sua presença na última fase de vida delas. Para a primeira, o trabalho da cuidadora representava a presença e a importância da companhia, uma escolha da idosa que marcava a sua independência, mas precisava da interdependência com outras pessoas. A sua escolha foi a de não dar trabalho para os filhos. Para a segunda, o trabalho da cuidadora representava a dependência no movimento da interdependência no cuidado que as pessoas precisam ter entre si. Dizia a cuidadora, que muitas vezes, deixava a sua idosa na sexta para reencontrá-la na segunda, tendo que se reapresentar porque ela se esquecera dela. Além disso, ela tinha todas as dificuldades que têm um bebê, porque não era somente a ausência do espírito que traía a idosa, o seu corpo nem sempre a obedecia. O que me marcou, entretanto, foi a não traição do afeto e do amor no trabalho da cuidadora. Ela amava as suas duas “meninas”.
Eu realmente estava extasiado com a humanização de um trabalho que pode parecer difícil para muitos, incluindo a um dos presentes que logo perguntou:
– Caramba, isso é complicado. E eles pagam bem?
A cuidadora deu um sorriso complacente antes de responder que ela era paga para isso, porém a sua dedicação não era medida em dinheiro.
Ela fazia o que fazia porque sabia que era importante ser amorosa e afetuosa com aquelas pessoas que estavam escrevendo o último capítulo de sua história.
E ela fazia parte disso. Ela soube dar sentido ao trabalho que faz, porque entendeu que ela AFETA o mundo e com AFETO o mundo é melhor. “Isso é utopia”, podem pensar alguns. “Não funciona numa organização”. Discordo, porque…
Entendo que o AFETO é a Força da Esperança no Trabalho Orientado pelo Amor ao entender o sentido daquilo que se faz. Quem entender o mundo dessa forma terá maior desempenho, as suas equipes serão mais produtivas e as suas organizações mais competitivas num movimento de evolução humanizada.
Lembrando da cuidadora entendi que quanto mais ela ama as pessoas mais competente ela é. Quanto mais ela se dedica ao seu trabalho mais produtiva ela é. Porque ela entendeu que ela afeta o mundo e afetar com AFETO deixa o mundo melhor.
Moacir Rauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com
