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Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

IV JORNADAS SALUDABLES – sembrando conciencia

https://globalpsy.org.ar/index.php/2021/11/03/jornadas-saludables-sembrando-conciencia/

Nos dias 18, 19 e 20 de novembro – das 9h às 18h – serão realizadas na cidade de La Plata a “IV Jornada da Saúde; semeando consciência”, gratuitas e abertas à comunidade.

A intenção é reunir especialistas em Pesquisa, Psicologia Positiva e Psiquiatria, Educação Emocional e Alimentação Consciente, entre outras disciplinas, em um mesmo espaço, para que possam contribuir com insights, perspectivas, ferramentas e estratégias para o cuidado individual à saúde e o desenvolvimento pessoal e social.

GRATUITO (EN ESPAÑOL)

Personalidade forte ou mal-educado?

Personalidade forte ou mal-educado?

Escutava a menina dizer que constantemente tinha desentendimentos com uma colega de trabalho, porque ambas eram intensas e inflexíveis sobre os temas em questão. Dessa maneira, os desentendimentos, muitas vezes, avançavam um conflito que se tornava agressivo. Nada bonito, disse ela. Concluiu:

– Acho que nós somos muito parecidas, temos caráter e personalidade fortes…

Escutei sem nada dizer, embora me tenha vindo à mente a frase, “não justifique a sua má educação com ter caráter e personalidade fortes”. Por que esse pensamento? Creio que, em parte, representa um julgamento meu. Isso me leva a entender que ambientes de trabalho têm se tornado tóxicos, amizades têm sido desfeitas e relações familiares se deterioram porque adolescentes, adultos e anciãos têm usado essa justificativa para serem mal-educados. Acredito que tudo que precise ser dito possa ser dito, mas depende de como é dito. Por isso, é importante entender a diferença entre personalidade e caráter. Parte-se da ideia de que personalidade é o conjunto de formas como uma pessoa age, reage e interage com as demais pessoas, as suas características marcantes. Ser intenso não quer dizer ser agressivo e ser inflexível pode revelar outra personalidade, não exatamente força. Desse modo, quando uma pessoa exibe constantemente determinados comportamentos, ela revela os traços de sua personalidade. Por outro lado, caráter está mais relacionado com a índole da pessoa que a levam a tomar determinadas atitudes frente a situações que exigem uma escolha moral. Nada justifica ser mal-educado. Caso usemos as cinco personalidades do modelo Big Five, acredito que uma pessoa possa demonstrar a sua força ao exibir a personalidade de (1) estabilidade emocional com menos pensamentos e emoções negativas, sem a necessidade de entrar em embates ofensivos; creio que a pessoa possa ser forte pela (2) extroversão de quem tem as habilidades interpessoais para não criar conflitos onde não há necessidade; igualmente suponho que uma pessoa possa expor a sua força com a (3) abertura de quem aprende e cria com a flexibilidade para aproveitar os pensamentos divergentes, não provocando uma guerra por isso; presumo que uma pessoa possa ser quem a sua personalidade diz que é com a força da (4) agradabilidade de transformar e ser transformado sem que isso seja motivo de divergências insuperáveis; enfim, considero que uma pessoa possa ser forte com a personalidade da (5) conscienciosidade, superando atitudes conflitantes negativas. A psicologia positiva reforça o posicionamento ao enfatizar o impacto das forças de caráter no desenvolvimento das virtudes em que os conflitos e as divergências existem, mas não necessariamente são negativas. Desse modo, entendo que muitas pessoas têm usado a falsa justificativa de ter caráter e personalidade fortes para serem agressivas, deseducadas e faltarem com o respeito.

Enfim, a desculpa de ter caráter e personalidade fortes têm sido usadas pessoas de todas as idades para ocultar a falta de educação ou de recursos para lidar melhor com a situação. Os adolescentes devem lembrar que o mundo não existe para os servir, mas que eles devem servir ao mundo; aos adultos cabe lembrar que o mundo não lhes pertence, mas que eles fazem parte do mundo; e aos anciãos é essencial recordar que o mundo não lhes deve nada, oxalá não estejam em dívida com o mundo. Porque o mundo, independentemente de nossa presença, é!

Qual é a sua personalidade? Enfim, suponho que temos conhecimento suficiente para que cada um desenvolva os recursos de personalidade e de caráter para fazer deste um mundo melhor. Senão, qual a razão de estarmos nele?

Moacir Rauber

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TREM DA VIDA

Hoje é um dia em que o Trem da Vida faz sentido, porque nos lembramos que cedo ou tarde vamos desembarcar. Este ano, do meu vagão desembarcaram pessoas muito especiais, que deixaram lembranças inesquecíveis e que um dia espero encontrar na Estação Principal.

O texto abaixo foi traduzido de um áudio do Pe. Jorge Nardi que vale a pena ler.
Abraço.

O TREM DA VIDA!

Existe um texto que compara a vida com uma viagem de trem. Uma comparação interessante quando bem interpretada. Interessante porque a nossa vida é como uma viagem de trem com embarques e desembarques, com pequenos acidentes no caminho, surpresas agradáveis e com algumas subidas e descidas tristes.

Quando nascemos e subimos ao trem encontramos duas pessoas queridas que nos farão conhecer nossa viagem, o nossos pais. Lamentavelmente, em algum ponto eles vão desembarcar para não subir mais. Ficaremos órfãos do seu carinho, da sua atenção e do afeto. Mas apesar da sua ausência a viagem deve continuar. Conheceremos outras pessoas interessantes na longa viagem, entre eles nossos irmãos, amigos e conhecidos. Muitos deles realizarão conosco somente um curto passeio. Outros estarão sempre ao nosso lado compartilhando alegrias e tristezas. No trem também estarão outras pessoas que andarão de vagão em vagão ajudando a quem necessite. Muitos baixarão e deixarão recordações inesquecíveis. Outros estarão presentes ocupando assentos sem que ninguém perceba que estão ali sentados.

É curioso ver como alguns passageiros que queremos decidem se sentar longe de nós, em outros vagões, o que nos obriga a viajar separados deles. Mas isso não nos impede, mesmo que com mais dificuldades, de nos aproximarmos deles. O difícil é aceitar de que apesar de estarmos próximos não podemos estar juntos, pois muitas vezes outras são as pessoas que nos acompanham.

Esta viagem é assim. Cheia de atropelos, sonhos, fantasias, esperas, chegadas e partidas. Sabemos que este trem somente realiza a viagem de ida. Então tratemos de viajar o melhor possível, tentando manter uma boa relação com todos os passageiros. Procurando o melhor de cada um deles. Lembrando, sempre, que em algum momento da viagem alguém pode perder as suas forças e devemos entender isso. Também nos vai acontecer isso. Certamente alguém o entenderá e nos ajudará.

O grande mistério dessa viagem é que não sabemos em qual estação será a nossa vez de desembarcar. Penso: quando tenha que baixar do trem terei saudades? A minha resposta é sim, porque deixar os meus filhos viajando sozinhos será muito triste e separar-me dos amores de minha vida será doloroso. Mas tenho a esperança de que em algum momento voltaremos a nos encontrar na estação principal. E terei a emoção de vê-los chegar com muito mais experiência do que tinha ao iniciar a viagem. Serei feliz ao pensar que em algo pude ajudar para que eles tenham crescido como pessoas.

Agora neste momento o trem diminui a velocidade para que subam e baixem pessoas. A minha emoção aumenta conforme o trem vai parando. Quem subirá? Quem baixará? Quem será? Gostaria que você pensasse que o desembarcar do trem não é somente uma representação da morte ou o término de uma história que duas pessoas construíram e que por motivos íntimos deixaram desmoronar. Estou feliz de ver como certas pessoas, como nós, têm a capacidade de reconstruir para voltar a começar. Isso é sinal de luta e garra. E saber viver é saber ver o melhor de todos os passageiros.

Quem escreveu tudo isso disse, agradeço a Deus porque estamos realizando essa viagem juntos, ainda que as vezes os nossos assentos não estejam próximos, certamente o vagão em que vamos e o maquinista são os mesmos.

(Traduzido do áudio Pe Jorge Nardi)

CASO OU COMPRO UMA BICICLETA?

Caso ou compro uma bicicleta?

O ir e vir para o trabalho era uma necessidade. A distância não era grande, mas fazer o trajeto a pé todos os dias demandaria muito tempo. A opção para usar o transporte coletivo não se aplicava. Usar aplicativo de viagem seria muito caro. A solução seria uma bicicleta que uniria o útil ao agradável: fazer o percurso num tempo razoável e uma atividade física. Porém, faltava o dinheiro para comprá-la. As novas estavam caríssimas e as usadas não eram baratas. Finalmente, um amigo disse que tinha uma e que a emprestaria por tempo indeterminado, praticamente um presente. Solução perfeita para ela que tinha como prioridade economizar dinheiro para realizar o sonho de viajar para conhecer outros lugares e, quem sabe, outros países. Assim, cada centavo economizado a aproximaria desse objetivo. Depois de um mês com a bicicleta presenteada, um colega de trabalho ofereceu-lhe uma bicicleta por um preço razoável. Para ela, parecia um bom negócio. Chegou em casa e comentou com a mãe que não se mostrou muito animada com a ideia. A filha contra-argumentou:

– Está barata, mãe. A bicicleta é boa!

– É que você tem uma bicicleta.

– Mas não é minha…

A conversa seguiu e se transformou numa acalorada discussão em que se podia identificar ressentimento e/ou enfado na posição da filha. Eu observava buscando entender a situação. Quais os fatos? Qual era a necessidade da filha que talvez não estivesse sendo atendida? Os fatos são percebidos como algo observável e que podem ser interpretados de igual forma por qualquer pessoa que acompanhe a descrição, uma vez que não há juízo de valor na observação. Dessa forma, pude observar que a filha tinha uma bicicleta para ir e vir do trabalho que atendia a necessidade de movimento. O movimento era uma necessidade e a bicicleta era a estratégia que fazia com que ela fosse alcançada. Por isso, é importante diferenciar as estratégias das necessidades, porque a confusão entre uma e outra pode desviar a pessoa daquilo que realmente busca. Assim, o acrônimo PRATO faz uma diferenciação didática daquilo que não é necessidade. O “P” se refere a pessoas que não são necessidades, a companhia pode ser. O “R” se reporta a regiões ou lugares que não são necessidades, um abrigo pode ser. O “A” se dirige as ações e atividades que não são necessidades, a saúde decorrente do exercício pode ser. O “T” alude ao tempo que não é uma necessidade, a conexão pela presença pode ser. O “O” tem a ver com objetos, como uma bicicleta, que não são necessidades, o movimento pode ser. Desse modo, se a necessidade de movimento da filha estava sendo atendida, por que ela se mostrava ressentida e/ou enfadada? Esses possíveis sentimentos, ocultariam alguma necessidade de aceitação e/ou de reconhecimento da filha? Era essa a minha percepção ao presenciar a cena.

“Não sei se caso ou se compro uma bicicleta” parece engraçado, porém traz em si uma verdade profunda:

…nós não conhecemos as nossas necessidades. Muitas vezes, aquilo que queremos não é o que necessitamos.

Dentro da Comunicação Não-Violenta proposta por Marshall isso fica evidente: as (1) observações não fidedignas geram (2) sentimentos equivocados a partir de (3) necessidades mal identificadas que se expressam em (4) pedidos mal formulados que terminam em conflitos. Portanto, identificar as necessidades envolvidas em uma situação e a sua prioridade vai contribuir para que cada um saiba se casa ou se compra uma bicicleta.

E a filha, compra ou não a bicicleta? E você, quais as suas necessidades?

Moacir Rauber

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