FACETAS!
Somos únicos.
Somos múltiplos.

By Moacir Rauber
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Quem está no comando da sua vida?

O homem seguia com seu cavalo por uma estrada e ao passar por outro homem que estava sentado à beira, este lhe perguntou:

– Para onde o senhor está indo?

– Pergunte ao cavalo… Respondeu o primeiro.

É uma história antiga sobre como as pessoas não assumem o protagonismo da própria vida. Existem muitos cavalos em nossas vidas que podem nos levar para lugares que não queremos ir, entre eles as emoções. E são muitas as pessoas que deixam o cavalo das emoções dar o rumo da sua vida. As pessoas que se orgulham de falar, de expressar e de demonstrar tudo o que sentem no momento que sentem entregaram o comando da vida ao cavalo das emoções. Quando estão com raiva gritam, esperneiam e agridem, acreditando que são autênticas. Não são. Elas estão deixando o cavalo dar a direção da sua vida, porque reagem sem a racionalidade de um ser humano. Quando estão com medo atacam, fogem ou paralisam. Outra vez é o cavalo dando o rumo ao não controlar uma emoção natural. Quando estão alegres cantam, pulam e abraçam. Não se importam com os outros, porque o cavalo continua no comando. Quando estão tristes se lamentam, acusam e choram. Mais uma emoção natural, mas se quisermos fazer de nossa vida algo melhor não podemos deixar que o cavalo a comande.

Não tem nada de errado com nenhuma das emoções, como a raiva, o medo, a alegria ou tristeza. Elas são básicas do ser humano e acontecem com aqueles que nascem na Índia, no Japão, na Austrália, no Canadá ou no Brasil. Essas emoções existem em qualquer ser humano. A diferença está com aquilo que cada um faz com as emoções que o acometem. Ao enfrentarmos uma situação de injustiça que nos produz a raiva é natural que façamos algo. Porém, ao reagirmos imediatamente gritando, esperneando e agredindo, não temos tempo para agirmos em conformidade com a racionalidade de que dispomos. O mundo pode não ser justo, mas nós podemos ser justos ao dominarmos o nosso cavalo da raiva. Ao vivenciarmos uma situação que nos provoque medo, o momento em que paramos e respiramos fundo permitirá que assumamos o controle do cavalo para avaliarmos qual é a melhor ação a ser tomada. Muitas vezes, o medo sequer é real, ele é apenas resultado de um cavalo assustado. Ao experimentarmos momentos de alegria a reação resultante também pode demonstrar quem está no comando do cavalo da sua vida. Extravasar cantando, pulando e abraçando é muito bom, porém é importante saber se os cascos do cavalo não machucam aqueles que de repente não estão no mesmo momento que você está. Enfim, ao passar por um quadro de tristeza é natural se lamentar, chorar e até acusar, porém como e quando se vai fazer é que mostrará quem dá a direção da sua vida: você ou o cavalo da tristeza.

Desse modo, entendo que o protagonismo da vida depende de como cada um doma o cavalo das próprias emoções. Sentir raiva, medo, alegria e tristeza é natural para cada pessoa, porém, deixar-se levar ou domar o cavalo das emoções é uma escolha. Como nós agimos com as emoções quando nos deparamos com situações que as desencadeiam é que dará a dimensão de quanto nós dirigimos o nosso cavalo ou é ele que nos leva. Portanto, é o controle das reações e o domínio das ações que vai determinar se é você ou é o cavalo quem está no comando da sua vida.

Quem está no comando da sua vida?

 

Moacir Rauber

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De onde vem a felicidade?

Era o aniversário de um amigo. Os presentes estavam na casa dos 40 e 50 anos. Todos já tinham passado por algum casamento frustrado, por algumas experiências dolorosas e lembravam de muitos dos equívocos cometidos. Assim como é normal na vida de qualquer um que tinha se arriscado a viver e buscar a felicidade. Porém, na vida o erro faz parte. As divagações e as histórias se sucediam. Foi nesse momento que um dos presentes comentou que havia cometido um erro quando tinha quinze anos.

Ela disse:

– Casei-me com quinze anos, depois que fiquei grávida… e contou a sua história.

Certamente o fato de ela ter se casado e ter tido uma filha aos quinze anos de idade pode ter sido considerado um erro por muitos e, talvez, por ela mesma. Eu não queria ter ouvido tudo o que ela ouviu dos outros, como os comentários e julgamentos, tendo sempre um dedo apontado na sua direção. Não queria ter tido todos os diálogos internos que ela teve consigo mesma. Entretanto, ela também falou do orgulho e do prazer de ter uma filha com mais de trinta anos de idade antes mesmo dos seus cinquenta anos. Uma filha que foi criada com carinho, com dedicação e com amor que valeu e vale cada momento difícil vivido por ela. Uma filha insubstituível! Para aquela mãe, assim como para a maioria das mães e dos pais, não há nada no mundo que possa substituir o que um filho representa.

Foi então que um amigo fez o comentário:

– É verdade. “Um erro também traz felicidade! (by Gica)”

Ficamos em silêncio. Um comentário aparentemente simples, mas que trazia em si uma profundidade tocante. O comentário se referia ao exemplo da nossa amiga, mas certamente o Gica falava a partir de si mesmo, assim como cada um sempre fala da própria perspectiva. Na memória, devem ter lhe ocorrido algumas escolhas que poderiam representar erros no passado, mas que hoje são fontes de dádivas, de bênçãos e de alegrias. Por isso, escolhas, aparentemente, equivocadas podem trazer felicidade. E essa percepção esteve na alma de todos os presentes, pelo silêncio que indicava o momento de reflexão. Acredito que cada um olhou para dentro de si, para trás e para o presente e pode identificar escolhas, decisões e juízos sobre eventos difíceis do passado que hoje são fontes de felicidade. Também eu naquele momento voltei para o meu passado e lembrei de inúmeras escolhas que fiz e que foram dolorosas, mas sem as quais eu não seria eu nos dias de hoje. Foram erros no passado e que hoje são fonte de inspiração, de motivação e de felicidade que formam a minha identidade.

Desse modo, acreditar que uma escolha ou uma opção feita, ainda que de maneira equivocada, também pode nos trazer felicidade, retira-nos um peso das costas. Afinal, as decisões que tomamos no momento em que as tomamos usam os dados e as informações que temos para que sejam feitas as melhores escolhas. Assim, a ideia de que sempre temos que tomar a decisão correta é que é um conceito equivocado. A única certeza que temos é a de que escolhemos o que escolhemos para que seja o mais adequado. Certo ou errado? Difícil de saber, mas se elas forem tomadas em conformidade com os valores que são importantes para cada um, um dia a felicidade virá. E no futuro, mesmo que não tenha sido a melhor escolha no passado, ainda assim poderemos ser felizes com isso.

A felicidade vem dos acertos ou dos erros? De onde ela vem tanto faz, porque ser feliz é a verdadeira escolha!

Moacir Rauber

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Qual é a sua luta? Luto a favor!

Naquele dia decidi que não lutaria contra a discriminação, o preconceito, a corrupção ou qualquer outra injustiça.

A minha luta seria a favor!

Depois de quatro anos indo todos os dias para a universidade, finalmente chegou o dia da formatura. Tinha sido um grande orgulho para mim, como usuário de cadeira de rodas, ter conseguido frequentar autonomamente a universidade. Agora a comissão de formatura estava escolhendo o local onde seria realizada a entrega dos diplomas. Optaram pelo local mais bonito e mais tradicional da cidade. Porém, tinha uma questão: o local não era acessível. A comissão se reuniu e me convidou. Obviamente, coloquei-me contra a escolha e sugeri a mudança de local. Não fazia sentido frequentar a universidade autonomamente durante todo o curso e no dia da entrega do diploma escolher um local não acessível. Teria que ser carregado por outras pessoas para retirar o meu diploma. Seria um retrocesso. Três representantes da comissão concordaram que era importante mudar de local para marcar um posicionamento de acessibilidade e de inclusão. Entretanto, teve uma pessoa que queria permanecer com o local tradicionalmente usado, argumentando que não seria justo que por causa de uma pessoa o brilho da sua formatura e das demais pessoas fosse diminuído. Foi um choque para mim. Que tipo de brilho seria esse se para que ele acontecesse alguém deveria ser apagado, discriminado? E mais, a pessoa que se posicionou contra a mudança de local era de um curso que trabalharia com questões sociais, sendo uma de suas pautas a luta contra a discriminação social. Naquele dia decidi que não lutaria contra a discriminação, o preconceito, a corrupção ou qualquer outra injustiça. A minha lutar seria a favor!

Explico. Trata-se de um ponto de vista. Particularmente acredito que a nossa luta como pessoas deveria dar mais ênfase naquilo que se quer, o que automaticamente elimina aquilo que não se quer. Quando se fala tanto em diminuir a discriminação, o foco deveria ser o de incentivar a inclusão/integração. Quando se aponta tanto a necessidade de lutar contra o preconceito, a direção apontada deveria ser o aumento da tolerância. Quando se dá tanto destaque ao combate à corrupção, o foco talvez devesse ser o estímulo à honestidade. Acredito que muita energia tem sido despendida no combate da eliminação daquilo que não se quer, porém defendo que se deveria direcionar a luta para aquilo que se quer. Por isso, a luta a favor me parece muito mais lógica e produtiva. No exemplo citado, a pessoa que depois de formada teria como missão o combate à discriminação e ao preconceito não percebeu a oportunidade diante de seus olhos. Ao concordar em mudar de um local glamouroso para um local acessível ela estaria lutando a favor daquilo que ela prometia defender pelo curso que ela estava concluindo. A escolha pela mudança de local seria a prática da integração/inclusão e da tolerância o que seria um ato de honestidade entre a teoria e a prática do compromisso com a defesa de um mundo mais justo.

Entendo perfeitamente que ações de mitigação da discriminação, do preconceito e da corrupção sejam necessárias. Porém, acredito que o maior combate aos fatores negativos se dá pelo estímulo aos comportamentos positivos. Desse modo, no dia em que me coloquei contra a escolha de um local não acessível para realizar uma formatura pública eu lutei a favor. Sim, eu lutei a favor da integração/inclusão, da tolerância e da honestidade entre a teoria e a prática para que tenhamos um mundo mais justo. Defendo que todos possam brilhar e que ninguém precise ser apagado por isso.

Qual é a sua luta?

Moacir Rauber

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