01-11-10 Em cada situação, novas oportunidades foi o foco da palestra de formação para os colaboradores da empresa EBS na sede da Associação Comercial e Industrial de Quatro Pontes no Paraná. Foram realizadas atividades para fomentar o espírito de equipe com destaque para a importância de se conhecer o todo organizacional.
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A tecnologia no ensino de idiomas
A tecnologia no ensino de idiomas foi o tema do Seminário Pedagógico Hispano no auditório da PUC-Toledo no dia 30-10-10, que foi encerrado com a palestra e pré-lançamento do livro Olhe mais uma vez! Em cada situação, novas oportunidades.
Novas tecnologias, mudanças, paradigmas educacionais, imigrantes e nativos digitais foram os temas abordados. No encerramento foi destacada a importância de olhar mais uma vez para essa nova realidade e dela extrair oportunidades, assim como mostrá-las para aqueles que são objeto das nossas atividades.
Motivação e oportunidades em Ijuí-RS
O Impacto da motivação nos resultados foi o tema da palestra proferida na Faculdade América Latina de Ijuí-RS. Além dos aspectos teóricos e práticos abordados durante o evento ficou clara a necessidade de estarmos com o outro para vermos as oportunidades, podendo cooperar e alcançar os resultados esperados.
O Portal de Notícias Ijuí.com apresenta uma matéria escrita sobre o evento e também disponibiliza um pod cast no link http://www.ijuhy.com/noticia-ler.php?id=22195.
Terceirização da observação!
A observação é uma das melhores ferramentas de aprendizagem desenvolvida pelo ser humano. Foi a partir da observação dos fenômenos naturais circundantes que o homem aventurou-se por todas as regiões do planeta. A observação permitiu-lhe entender o fenômeno do dia e da noite, o formato da terra, a rotação sobre o seu eixo, as regiões de frio e de calor, a chuva, a neve, o vento entre outros tantos fenômenos que estão ao alcance da inteligência do ser humano hoje. O ser humano passou a entender, a explicar e a dissecar a natureza ao seu redor permitindo-lhe desenvolver estratégias que garantissem a sobrevivência da espécie. Também foi por meio da observação que se entenderam e se estabeleceram as principais leis da física, avançando-se para campos e áreas de conhecimento até então inexplorados e que tem levado a humanidade a um desenvolvimento tecnológico sem precedentes. Nessa esteira, a grande maioria das invenções também surgiu a partir da observação realizada por algum perito ou mesmo por um cidadão comum. O fogo, a roda, a caravela, o arado, a cesta, a escrita, os números, entre outras invenções sem as quais o mundo não seria o que é hoje se deram a partir da observação.
Considere-se, segundo os conceitos encontrados em diferentes dicionários, observação como sendo o ato de ver ou de olhar com atenção, de considerar, de examinar e de notar. Observação também pode ser o ato de examinar miudamente, de olhar mais uma vez e de estudar. Entretanto, a observação pode-se se dar de uma forma passiva ou ativa. Na sua forma passiva o fenômeno simplesmente é observado, sem contudo, tirarem-se conclusões a partir dele. Observa-se, mas não se questiona, não se pergunta, não se duvida e não se interroga como e por que ocorre o fenômeno observado. Não se procura entender para poder melhorar aquilo que se observa. Por outro lado, a observação ativa é aquela em que o fenômeno não só é observado, mas é entendido, é explicado e, continuamente, melhorado. Olha-se mais uma vez!
Lamentavelmente, muitas pessoas têm perdido a capacidade da observação dos fenômenos que as circundam. Tem-se muitos observadores passivos, que padecem do resultado das conquistas obtidas derivadas da observação, sejam elas invenções ou conhecimento. Tem-se as horas, mas já não são entendidas, pois estão disponíveis em quase todos os aparelhos tecnológicos de que dispomos. Tem-se o fogo, mas também já não se sabe produzi-lo sem os apetrechos criados. Esse reflexo também está presente em nosso dia-a-dia como indivíduos ou como membros organizacionais.
Como indíviduos terceirizamos nosso autoconhecimento. Não mais nos observamos com o fim de nos entender e de melhorarmos, preferimos ir a um psicólogo ou psiquiatra. Nas escolas e nos estudos cada vez menos somos observadores com a calma e a paciência necessária para que a observação gere conhecimento profundo. Fazemos cursinhos, contratamos professores particulares, consultamos a internet ou outra fonte rápida de conhecimento. Nas organizações tem-se as pessoas e os processos, mas aquelas por não entenderem o todo não observam estes, porque sabem que alguém ou algum software o controla. Desse modo, mais e mais tem-se terceirizado a observação, seja como indivíduo ou nas organizações. Já não se observa o todo para entender, explicar e melhorar as partes que se refletem na sua composição. Não se olha mais uma vez. Para esse fim, terceiriza-se. Contrata-se uma figura externa que, muitas vezes, conhece muito menos acerca do problema, da atividade ou do produto sobre o qual ele é contratado para opinar do que aqueles que o contratam. Simplesmente porque perdeu-se parte da capacidade de observar o que se faz.
No meio empresarial, esse fenômeno criou a figura do consultor, minha profissão. O nicho de mercado é enorme, simplesmente porque as pessoas tem observado cada vez menos aquilo que fazem e por que o fazem. Na grande maioria dos casos o consultor aponta um caminho que já foi trilhado pelas próprias organizações, uma vez que elas não sabem como chegaram até o ponto em que se encontram. Perdem-se nos próprios passos. Assim, contratam consultores para observar aquilo que de melhor fazem em suas empresas. E você, quais os problemas que está terceirizando? Observe-os e veja se a solução não está no seu próprio conhecimento. E a sua organização? Observe os seus processos e os seus produtos e verá que sempre há uma forma melhor de fazê-lo. Olhe mais uma vez!
Em cada situação, novas oportunidades
Iniciativa!
Criatividade!
Flexibilidade!
Descubra como buscar conhecimentos, desenvolver habilidades e exibir atitudes que contribuam para o alcance dos seus propósitos, alinhados com os objetivos da sua organização.
Indivíduos e Organizações representados numa equipe em busca dos mesmos resultados!
E-mail: mjrauber@gmail.com
Velho demais…

A tão esperada evolução do departamento de pessoal para uma área de Gestão Estratégica de Recursos Humanos enfrenta desafios, muitas vezes, de postura daqueles que o conduzem. Deixar de ser simplesmente um processador de folha de pagamento e um cumpridor das rotinas legais que estão presentes na administração das pessoas de uma organização, muito mais do que uma visão organizacional, passa pela forma como as pessoas que na área trabalham encaram a sua missão. Numa das tirinhas de Dilbert, Gatoberto, o Diretor de Recursos Humanos está pensando em contratar uma pessoa. Ele descreve as exigências do cargo: “O candidato deve ter um QI de 300 e 200 anos de experiência!”. Finalmente aparece um candidato que preenche os pré-requisitos ao apresentar seu teste de QI e também a experiência exigida. O candidato afirma ter a experiência em função de ter inventado uma maneira de ser imortal. O Diretor de Recursos Humanos o analisa e solta a frase derradeira: “São muitas palavras para velho demais!”. Num globo a parte aparece o verdadeiro pensamento de Gatoberto: “90% do meu trabalho é convencer as pessoas de que elas não merecem o delas!”
A situação é caricata, mas não deixa de ser verdadeira em muitas organizações. Ainda são comuns gestores da área de recursos humanos usarem seu cargo muito mais para criar rotinas e exigências que respaldem sua presumida importância, do que para realmente contratar pessoas certas para os papéis adequados. Muitos destes gestores tratam de diminuir as pessoas para se sobressaírem pela autoridade, quando deveriam criar formas de elevá-las, destacando a sua real relevância organizacional. Estes gestores se preocupam em parecer importantes ao procurar convencer as pessoas que gerem de que estas não o fazem por merecer. Devem, entretanto, tomar cuidado porque organização sem pessoas não existe, mas organização sem área de gestão de recursos humanos não é tão incomum. Devem lembrar-se, sempre, de que quem pode estar “velho demais” não é a pessoa que se pretende contratar, mas a postura daquelas que organizam o órgão que o deveria fazer.
E como anda a gestão de recursos humanos da sua organização?
Está “velha demais” preocupando-se demasiadamente com o próprio papel ou tem dado ênfase ao papel das pessoas?
Há que tomar cuidado para que não esteja tão somente no organograma…
Onde está o abridor?
Na última semana recebi a visita de um amigo meu de Florianópolis, o Marquinhos, também cadeirante. Até Pelotas são mais de 700km, que ele fez sozinho em seu carro. Por aqui fizemos vários passeios na cidade e na região. Em uma de nossas saídas fomos até a Praia do Cassino. O dia estava lindo, céu azul e a praia praticamente deserta. Um ou outro pescador na areia quebrava a monotonia do infindável vaivém das ondas. Andamos de carro na areia dura da praia para observar os molhes e depois percorrer quilômetros até o antigo navio encalhado. Linda a paisagem!
Mas estranhamente o que marcou a visita foi uma experiência inusitada, principalmente para quem é da área de gestão, além da comédia que a antecedeu. Não foi nada relacionado com grandes oportunidades de negócios que todo forasteiro vê em terras alheias, como um hotel diferenciado ou um restaurante exótico para uma praia tão linda. Mas teve a ver com um restaurante. Inicialmente, foi difícil encontrar um que estivesse aberto, pois era baixa temporada. Logo, quando encontramos um foi um burburinho só. Manobrei para estacionar o carro bem próximo ao meio-fio, facilitando a saída do Marquinhos para a cadeira de rodas. Em seguida, comecei a montar a minha cadeira. Neste momento alguns curiosos já se aproximaram para ver o que estava acontecendo. Certamente, mentalmente, devem ter criticado o meu amigo por ele não descer do carro para me ajudar. Depois, fui até a traseira do carro e retirei dali a cadeira do meu amigo. O número de curiosos aumentou, podendo se ouvir a voz surda dos comentários murmurados entre os espectadores. Ele saiu do carro e fomos até a porta do restaurante. Algumas perguntas, conversa e muita curiosidade por parte do grupo de curiosos. Um deles se acercou e perguntou ao Marquinhos: “Foi acidente?”, recebendo a concordância como resposta. Na sequência fez uma dedução lógica muito engraçada: “Vocês se acidentaram juntos?” obtendo mais uma vez a concordância do Marquinhos que acrescentou: “Ele estava dirigindo!”, apontando em minha direção. O seu interlocutor exclamou: “Mas é um cara-de-pau!”, numa clara demonstração de irritação com a situação. Como não sabia sobre o que conversavam dirigi-me a porta do restaurante, onde havia um degrau. Prontamente recebemos a ajuda do proprietário, assistidos pelo grupo, que se desfez assim que entramos.
O serviço do restaurante era de buffet livre. Nós nos servimos e nos dirigimos para uma mesa. A garçonete, que devia ser filha do dono, aproximou-se de nossa mesa, perguntando se queríamos beber algo. Dissemos que sim e o Marquinhos perguntou-lhe que tipo de cerveja ela tinha. Nós escolhemos uma e ficamos esperando. Percebemos que a garçonete se movimentava de um lado ao outro atrás do balcão. Saiu, passou por nós com uma garrafa de cerveja na mão. Foi até o proprietário. Retornou com a garrafa ainda na mão e uma expressão de choro no rosto. Ouvimos o barulho de gavetas e de talheres. Passaram-se mais alguns minutos e a garçonete se aproximou da mesa dizendo: Desculpe-me, eu não encontro o abridor de garrafas. Não consigo abrir a cerveja…” Nós nos entreolhamos e rimos. Depois eu disse: “Então traga-nos um refrigerante. Em lata, por favor!”.
E a sua empresa mantém o abridor de garrafas sempre à mão?
Quero falar com alguém da mecânica
Meu carro estava com um pequeno problema. Liguei para a agência, onde fui atendido por uma secretária. Tudo normal. Pedi para falar com alguém da mecânica. O telefone chamou por algumas vezes e fui atendido outra vez por uma mulher. Fiquei um pouco irritado, porque, afinal, havia pedido a transferência da chamada para a mecânica. Um pouco entediado falei:
– Quero falar com alguém da mecânica?
E ouvi a resposta:
– Sim, é a Fabiana da mecânica.
Perdi um pouco o rebolado e, ainda meio desconfiado, comentei o provável problema do veículo. A réplica da Fabiana veio repleta de hipóteses e alternativas, com o uso de jargões e palavras típicos de alguém que conhece muito de carros. E, realmente, era o caso. Nos contatos subsequentes a este primeiro telefonema a Fabiana demonstrou grande intimidade, conhecimento e prazer no seu trabalho de chefe da oficina daquela agência autorizada de uma marca famosa de veículos.
O caso revela, apenas, que o pré conceito era meu, em função do estereótipo criado de que para entender de carros deve-se ser homem. O preconceito prejudica quem o carrega, que pode deixar de ver soluções simples para os seus problemas. Por outro lado, o preconceito prejudica, principalmente, aqueles que dele são objeto.
Flexibilidade no olhar
Moacir Jorge Rauber
O preconceito é real, é cruel e é prejudicial para quem o sofre e para quem o carrega, uma vez que ele se origina da falta de conhecimento sobre aquilo que se pré-julga. Três anos antes de sofrer o acidente que me deixou em cadeira de rodas vivi uma situação preconceituosa, que se tornou marcante para mim. No meu círculo de conhecidos, um amigo não tão próximo, foi acometido por uma enfermidade que o deixou paraplégico. Ele, à época, tinha 19 anos. Ficou com febre durante alguns dias, o que fez com que procurasse tratamento médico. Acompanhado por familiares, ele entrou no hospital caminhando para sair de lá e nunca mais voltar andar. A notícia se espalhou entre os vizinhos e amigos. Muitos se organizavam para visitá-lo, passar um domingo com ele para dar-lhe apoio, expressar a amizade e também desejar que se recuperasse. Convidaram-me para visitá-lo também. Neguei sob o argumento de que eu não saberia como enfrentá-lo, uma vez que eu o conhecia como um andante e não como um cadeirante. Foi esta a minha reação frente ao desconhecido. O preconceito manifestava-se em mim, fazendo com que eu deixasse de apoiar um amigo e, ao mesmo tempo, tornando-se um fardo, que, nos recônditos da alma, incomodava-me. Eu não sabia olhar mais uma vez.
Jamais poderia imaginar que dali a três anos eu viria a estar na mesma situação, vítima de um acidente automobilístico. Deste modo, de preconceituoso eu passava a estar na condição de ser vítima dele. Agora eu teria que olhar mais uma vez. Dei-me conta que o preconceito não surge pela maldade das pessoas, mas, sim, pela falta de conhecimento. Com essa consciência pude colocar-me numa situação em que eu procurava demonstrar para as pessoas que não havia a necessidade de temer-me ou de evitar-me, porque a essência do ser humano continuava a mesma. Depois de reabilitado, passei a circular mais em público do que fazia antes. Algumas vezes doía-me, porque, inicialmente, algumas pessoas me estranhavam, mas rapidamente me aceitavam pelo que sou.
Este comportamento ajudava a romper com o meu preconceito para comigo, assim como dos demais com relação a mim e também para com outras minorias. Entrava, desta maneira, num ciclo virtuoso de quebra de preconceitos, fazendo com que muitos rompessem com as amarras impostas pela falta de conhecimento sobre as pessoas com deficiência. Para mim o resultado também era favorável, porque eu podia ajudar e ser ajudado. Todo o apoio recebido de familiares e amigos foi despoletado pela disponibilidade em recebê-lo. A abertura que eu dava permitia que as pessoas se aproximassem e percebessem que no íntimo somos todos iguais. Permitia que olhassem mais uma vez, entendendo que os sonhos, os desejos e as aspirações eram as mesmas, independentemente da condição física, social, étnica ou outra que, aparentemente, possa nos diferenciar.
Não vou negar que a condição de cadeirante me fez passar por inúmeras situações constrangedoras, mas, por outro lado, as situações positivas as superam largamente. Por isso, o preconceito inicial que eu tinha com relação as pessoas com deficiência terminou por ser uma oportunidade de crescimento pessoal sem comparação. Como todo indivíduo tenho minhas convicções e meus conceitos, mas estes passaram a ser muito mais flexíveis, por entender que sempre tenho a oportunidade de olhar mais uma vez!
Gestão, quando o discurso e a prática estão a quilômetros de distância
Moacir Jorge Rauber
Há dois anos resolvi fazer um mestrado na área de gestão, mais especificamente em recursos humanos. Isto porque na minha formação académica anterior detinha um mestrado em Engenharia de Produção, com ênfase em gestão da qualidade. As minhas atividades profissionais, amparadas no conhecimento académico, baseavam-se em melhorar processos, em reorganizar layouts organizacionais, assim como o fluxo de produção e organização do trabalho. Entretanto, com o passar dos anos, ressenti-me de alguma formação mais humana, porque entendi que não existem processos ou produtos que não sejam feitos pelas pessoas ou para as pessoas.
De início cumpri com as unidades curriculares de Comportamento Organizacional, Gestão Estratégica, Operacional e Internacional de Recursos Humanos, Comunicação, Negociação e Gestão de Conflitos, Formação e Desenvolvimento de Recursos Humanos, Gestão da Mudanças nas Organizações, Gestão de Competências e Igualdade de Oportunidades e Gestão da Diversidade nos Recursos Humanos, todas enfatizando a necessidade de um alinhamento entre as necessidades das pessoas e da organização. Senti-me revigorado, porque toda esta teoria fundamentaria uma nova visão no retorno ao mundo do trabalho, isto porque também as organizações não existem sem as pessoas, assim como os processos. Ou seja, na organização em que se priorizam as pessoas, depreende-se que os processos igualmente recebem a atenção devida. Esta orientação deveria ocorrer sem, contudo, perder de vista a produtividade, a agilidade e a flexibilidade, necessárias para que haja complementaridade entre pessoas e processos, onde a evolução destas favorece os outros e vice-versa. Porém, toda esta visão caiu por terra antes mesmo de eu sair da universidade, pois ela própria tratou de enterrar os conceitos que ensina, por meio de processos que existem para atender a demanda da organização e não das pessoas. Deste modo, apesar da autonomia de gestão universitária, na prática ela é regida pelo ponto, pela vírgula, pelo chamegão e pelo carimbo, que refletem as exigências da burocracia dos processos criados e não para beneficiar o público objeto da sua existência.
Isto fica patente quando se nota a diferença entre a conclusão de uma dissertação de mestrado, o seu protocolo nos serviços acadêmicos e a data para a defesa da mesma perante o júri que a aprovaria ou não. Casos há em que a entrega do trabalho foi feita em Outubro e a defesa se deu em Março do ano seguinte. Apesar de saber desta demora era algo que não me preocupava, uma vez que não tinha nenhuma urgência na conclusão do mestrado. Neste meio tempo, entretanto, uma proposta de trabalho fez com que tivesse que desolocar-me para outro país rapidamente. Com essa nova configuração em mente tratei de acelerar a entrega da versão final da dissertação, já que minha viagem estava marcada para dali 50 dias. Protocolei a entrega da versão final nos serviços académicos, que rapidamente enviaram a versão final para o departamento ao qual eu estava ligado. Depois disto falei com a minha orientadora que acreditou haver tempo suficiente, pois ainda restavam mais de 40 dias. Falei com o diretor do curso que achou ser difícil, mas que faria o possível. Falei com a secretária do departamento que se dispôs a redigir e encaminhar os ofícios para a convocação da apresentação pública de um dia para o outro. Restava apenas cumprir com a rotina de passar pela reunião do conselho científico, marcada para o mês seguinte. Sabe-se que a citada aprovação no conselho não passa de mera formalidade, pois os nomes apresentados pelos orientadores levam a sua chancela. A situação seria complicada, porém possível. A orientadora e o diretor de curso já haviam, informalmente, eleito o arguente para antecipar a leitura da versão final. Mas chegada a data da reunião do conselho científico recebo um e-mail dizendo que a mesma fora adiada por motivo de falta de agenda da presidente. Não havia mais nada a fazer. Eu não conseguiria defender minha dissertação antes de viajar. Entretanto, quando faltavam apenas cinco dias para que eu viajasse, a orientadora conseguiu a aprovação da defesa por meio de uma reunião virtual. Defendi no dia anterior a minha viagem.
Da forma como a situação foi descrita até parece que o processo foi agilizado de uma forma extraordinária. Afinal, eu consegui defender minha dissertação num tempo recorde. Considerando-se o dia do protocolo de entrega da versão final nos serviços académicos e a data da defesa haviam decorrido apenas 40 dias!!! No atual formato não deixou de ser impressionante, pois para que isso fosse apenas imaginável tive que contar com a boa vontade de todas as partes envolvidas. Lamentavelmente, rotinas arcaicas ainda imperam no meio académico, uma vez que o atendimento desta demanda genuína somente foi possível pelo bom senso das partes envolvidas e não pela prática da instituição.
Analise-se a situação sob a ótica de que a organização existe para atender as pessoas e não ao contrário. Deste modo, o prazo de 40 dias para tramitar a defesa de uma dissertação ser considerado um recorde chega a ser deprimente. Considere-se, por exemplo, a pretensão da universidade de internacionalizar as suas ofertas de cursos de graduação e pós-graduação, passando a contar com a presença de muitos estudantes estrangeiros. Assim sendo, o aluno que conclui o seu mestrado terá que permanecer no estrangeiro por pelo menos 60 dias, período em que este terá que continuar a pagar aluguel e todas as despesas associadas a sua estadia no exterior. Ou, caso contrário, adquirir uma passagem ao seu país de origem, aguardar a data e retornar especialmente para a ocasião da defesa. Não me parece ser inteligente, produtivo, flexível, estratégico ou qualquer outro adjetivo que esta lacuna de tempo representa. Mas, principalmente, não me parece adequado termos tamanha lerdeza nos processos justamente na área de gestão, que ensina e alardeia a necessidade de se melhorar os níveis de competitividade. Trata-se de um contra-senso enorme que reflete os quilómetros de distância entre o discurso e a prática de gestão em algumas universidades. Com tantos recursos tecnológicos à disposição um departamento de gestão, este, ao não resolver o problema, ao não oferecer alternativas viáveis para um questão tão simples é parte do problema da baixa competitividade de países em desenvolvimento, estando muito distante de ser parte da solução.

