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Quero falar com alguém da mecânica

Meu carro estava com um pequeno problema. Liguei para a agência, onde fui atendido por uma secretária. Tudo normal. Pedi para falar com alguém da mecânica. O telefone chamou por algumas vezes e fui atendido outra vez por uma mulher. Fiquei um pouco irritado, porque, afinal, havia pedido a transferência da chamada para a mecânica. Um pouco entediado falei:
– Quero falar com alguém da mecânica?
E ouvi a resposta:
– Sim, é a Fabiana da mecânica.
Perdi um pouco o rebolado e, ainda meio desconfiado, comentei o provável problema do veículo. A réplica da Fabiana veio repleta de hipóteses e alternativas, com o uso de jargões e palavras típicos de alguém que conhece muito de carros. E, realmente, era o caso. Nos contatos subsequentes a este primeiro telefonema a Fabiana demonstrou grande intimidade, conhecimento e prazer no seu trabalho de chefe da oficina daquela agência autorizada de uma marca famosa de veículos.
O caso revela, apenas, que o pré conceito era meu, em função do estereótipo criado de que para entender de carros deve-se ser homem. O preconceito prejudica quem o carrega, que pode deixar de ver soluções simples para os seus problemas. Por outro lado, o preconceito prejudica, principalmente, aqueles que dele são objeto.

Flexibilidade no olhar

Moacir Jorge Rauber
O preconceito é real, é cruel e é prejudicial para quem o sofre e para quem o carrega, uma vez que ele se origina da falta de conhecimento sobre aquilo que se pré-julga. Três anos antes de sofrer o acidente que me deixou em cadeira de rodas vivi uma situação preconceituosa, que se tornou marcante para mim. No meu círculo de conhecidos, um amigo não tão próximo, foi acometido por uma enfermidade que o deixou paraplégico. Ele, à época, tinha 19 anos. Ficou com febre durante alguns dias, o que fez com que procurasse tratamento médico. Acompanhado por familiares, ele entrou no hospital caminhando para sair de lá e nunca mais voltar andar. A notícia se espalhou entre os vizinhos e amigos. Muitos se organizavam para visitá-lo, passar um domingo com ele para dar-lhe apoio, expressar a amizade e também desejar que se recuperasse. Convidaram-me para visitá-lo também. Neguei sob o argumento de que eu não saberia como enfrentá-lo, uma vez que eu o conhecia como um andante e não como um cadeirante. Foi esta a minha reação frente ao desconhecido. O preconceito manifestava-se em mim, fazendo com que eu deixasse de apoiar um amigo e, ao mesmo tempo, tornando-se um fardo, que, nos recônditos da alma, incomodava-me. Eu não sabia olhar mais uma vez.
Jamais poderia imaginar que dali a três anos eu viria a estar na mesma situação, vítima de um acidente automobilístico. Deste modo, de preconceituoso eu passava a estar na condição de ser vítima dele. Agora eu teria que olhar mais uma vez. Dei-me conta que o preconceito não surge pela maldade das pessoas, mas, sim, pela falta de conhecimento. Com essa consciência pude colocar-me numa situação em que eu procurava demonstrar para as pessoas que não havia a necessidade de temer-me ou de evitar-me, porque a essência do ser humano continuava a mesma. Depois de reabilitado, passei a circular mais em público do que fazia antes. Algumas vezes doía-me, porque, inicialmente, algumas pessoas me estranhavam, mas rapidamente me aceitavam pelo que sou.
Este comportamento ajudava a romper com o meu preconceito para comigo, assim como dos demais com relação a mim e também para com outras minorias. Entrava, desta maneira, num ciclo virtuoso de quebra de preconceitos, fazendo com que muitos rompessem com as amarras impostas pela falta de conhecimento sobre as pessoas com deficiência. Para mim o resultado também era favorável, porque eu podia ajudar e ser ajudado. Todo o apoio recebido de familiares e amigos foi despoletado pela disponibilidade em recebê-lo. A abertura que eu dava permitia que as pessoas se aproximassem e percebessem que no íntimo somos todos iguais. Permitia que olhassem mais uma vez, entendendo que os sonhos, os desejos e as aspirações eram as mesmas, independentemente da condição física, social, étnica ou outra que, aparentemente, possa nos diferenciar.
Não vou negar que a condição de cadeirante me fez passar por inúmeras situações constrangedoras, mas, por outro lado, as situações positivas as superam largamente. Por isso, o preconceito inicial que eu tinha com relação as pessoas com deficiência terminou por ser uma oportunidade de crescimento pessoal sem comparação. Como todo indivíduo tenho minhas convicções e meus conceitos, mas estes passaram a ser muito mais flexíveis, por entender que sempre tenho a oportunidade de olhar mais uma vez!

Gestão, quando o discurso e a prática estão a quilômetros de distância

Moacir Jorge Rauber
Há dois anos resolvi fazer um mestrado na área de gestão, mais especificamente em recursos humanos. Isto porque na minha formação académica anterior detinha um mestrado em Engenharia de Produção, com ênfase em gestão da qualidade. As minhas atividades profissionais, amparadas no conhecimento académico, baseavam-se em melhorar processos, em reorganizar layouts organizacionais, assim como o fluxo de produção e organização do trabalho. Entretanto, com o passar dos anos, ressenti-me de alguma formação mais humana, porque entendi que não existem processos ou produtos que não sejam feitos pelas pessoas ou para as pessoas.

De início cumpri com as unidades curriculares de Comportamento Organizacional, Gestão Estratégica, Operacional e Internacional de Recursos Humanos, Comunicação, Negociação e Gestão de Conflitos, Formação e Desenvolvimento de Recursos Humanos, Gestão da Mudanças nas Organizações, Gestão de Competências e Igualdade de Oportunidades e Gestão da Diversidade nos Recursos Humanos, todas enfatizando a necessidade de um alinhamento entre as necessidades das pessoas e da organização. Senti-me revigorado, porque toda esta teoria fundamentaria uma nova visão no retorno ao mundo do trabalho, isto porque também as organizações não existem sem as pessoas, assim como os processos. Ou seja, na organização em que se priorizam as pessoas, depreende-se que os processos igualmente recebem a atenção devida. Esta orientação deveria ocorrer sem, contudo, perder de vista a produtividade, a agilidade e a flexibilidade, necessárias para que haja complementaridade entre pessoas e processos, onde a evolução destas favorece os outros e vice-versa. Porém, toda esta visão caiu por terra antes mesmo de eu sair da universidade, pois ela própria tratou de enterrar os conceitos que ensina, por meio de processos que existem para atender a demanda da organização e não das pessoas. Deste modo, apesar da autonomia de gestão universitária, na prática ela é regida pelo ponto, pela vírgula, pelo chamegão e pelo carimbo, que refletem as exigências da burocracia dos processos criados e não para beneficiar o público objeto da sua existência.
Isto fica patente quando se nota a diferença entre a conclusão de uma dissertação de mestrado, o seu protocolo nos serviços acadêmicos e a data para a defesa da mesma perante o júri que a aprovaria ou não. Casos há em que a entrega do trabalho foi feita em Outubro e a defesa se deu em Março do ano seguinte. Apesar de saber desta demora era algo que não me preocupava, uma vez que não tinha nenhuma urgência na conclusão do mestrado. Neste meio tempo, entretanto, uma proposta de trabalho fez com que tivesse que desolocar-me para outro país rapidamente. Com essa nova configuração em mente tratei de acelerar a entrega da versão final da dissertação, já que minha viagem estava marcada para dali 50 dias. Protocolei a entrega da versão final nos serviços académicos, que rapidamente enviaram a versão final para o departamento ao qual eu estava ligado. Depois disto falei com a minha orientadora que acreditou haver tempo suficiente, pois ainda restavam mais de 40 dias. Falei com o diretor do curso que achou ser difícil, mas que faria o possível. Falei com a secretária do departamento que se dispôs a redigir e encaminhar os ofícios para a convocação da apresentação pública de um dia para o outro. Restava apenas cumprir com a rotina de passar pela reunião do conselho científico, marcada para o mês seguinte. Sabe-se que a citada aprovação no conselho não passa de mera formalidade, pois os nomes apresentados pelos orientadores levam a sua chancela. A situação seria complicada, porém possível. A orientadora e o diretor de curso já haviam, informalmente, eleito o arguente para antecipar a leitura da versão final. Mas chegada a data da reunião do conselho científico recebo um e-mail dizendo que a mesma fora adiada por motivo de falta de agenda da presidente. Não havia mais nada a fazer. Eu não conseguiria defender minha dissertação antes de viajar. Entretanto, quando faltavam apenas cinco dias para que eu viajasse, a orientadora conseguiu a aprovação da defesa por meio de uma reunião virtual. Defendi no dia anterior a minha viagem.
Da forma como a situação foi descrita até parece que o processo foi agilizado de uma forma extraordinária. Afinal, eu consegui defender minha dissertação num tempo recorde. Considerando-se o dia do protocolo de entrega da versão final nos serviços académicos e a data da defesa haviam decorrido apenas 40 dias!!! No atual formato não deixou de ser impressionante, pois para que isso fosse apenas imaginável tive que contar com a boa vontade de todas as partes envolvidas. Lamentavelmente, rotinas arcaicas ainda imperam no meio académico, uma vez que o atendimento desta demanda genuína somente foi possível pelo bom senso das partes envolvidas e não pela prática da instituição.
Analise-se a situação sob a ótica de que a organização existe para atender as pessoas e não ao contrário. Deste modo, o prazo de 40 dias para tramitar a defesa de uma dissertação ser considerado um recorde chega a ser deprimente. Considere-se, por exemplo, a pretensão da universidade de internacionalizar as suas ofertas de cursos de graduação e pós-graduação, passando a contar com a presença de muitos estudantes estrangeiros. Assim sendo, o aluno que conclui o seu mestrado terá que permanecer no estrangeiro por pelo menos 60 dias, período em que este terá que continuar a pagar aluguel e todas as despesas associadas a sua estadia no exterior. Ou, caso contrário, adquirir uma passagem ao seu país de origem, aguardar a data e retornar especialmente para a ocasião da defesa. Não me parece ser inteligente, produtivo, flexível, estratégico ou qualquer outro adjetivo que esta lacuna de tempo representa. Mas, principalmente, não me parece adequado termos tamanha lerdeza nos processos justamente na área de gestão, que ensina e alardeia a necessidade de se melhorar os níveis de competitividade. Trata-se de um contra-senso enorme que reflete os quilómetros de distância entre o discurso e a prática de gestão em algumas universidades. Com tantos recursos tecnológicos à disposição um departamento de gestão, este, ao não resolver o problema, ao não oferecer alternativas viáveis para um questão tão simples é parte do problema da baixa competitividade de países em desenvolvimento, estando muito distante de ser parte da solução.

No meu tempo…

Conforme os anos vão passando mais comum se torna ouvir, “No meu tempo tudo era diferente!”. Ao refletir sobre a expressão até parece que estou conversando com alguém que aqui já não mais está. Dá-me certa tristeza perceber que muitas pessoas abrem mão de manter o tempo como seu enquanto aqui estão. Acredito que sempre é “nosso tempo”, bastando estar vivo para tal. A idade? Pouco importa se estamos com 10 ou com 100 anos…

Assim, desfrute do seu tempo!

Oportunidades e sonhos, o preço e o valor

Moacir Jorge Rauber
Preço e valor sempre são tratados sob a ótica da empresa, com seu produto ou serviço, e do cliente. Entenda-se, assim, como preço sendo aquilo que você paga por algo e valor aquilo que, no seu entendimento, você leva. As oportunidades que te levam a realizar um sonho podem ser analisadas sob a mesma perspectiva. O preço das oportunidades pode ser medido em dinheiro, em tempo, em dedicação, em esforço, em trabalho, enfim, indicadores palpáveis que o permitem dimensioná-las. Depois disto parte-se para o entendimento do valor que o aproveitamento das oportunidades representam para você. Ou seja, se os benefícios trazidos, como sentimentais, afetivos, emocionais, financeiros, de status ou outros forem maiores do que o preço, normalmente, as pessoas estão dispostas a pagar o preço cobrado.
O preço de buscar o conhecimento, o preço de desenvolver as habilidades e o preço de exibir as atitudes que os transformem em competência prática estão diretamente ligados ao valor que a realização do sonho tem para o sonhador. Obter os conhecimentos em determinada área permite a criação de uma empresa, ou que se exerça uma profissão, ou ainda que o remador reme o seu barco. Desenvolver as habilidades provenientes do conhecimento faz com que empresa sobreviva, que o profissional se mantenha no cargo e que o remador conduza seu barco. Entretanto, apenas as atitudes fazem com que o empresário seja bem-sucedido, com que o profissional conquiste seu espaço no mercado de trabalho e com que o remador alcance um lugar no pódio. E as atitudes serão tão mais determinadas quanto maior for o valor das oportunidades rumo a realização do sonho em comparação com o preço que se paga por elas. E este valor é determinado por você que sabe o quanto vale o seu sonho. Olhe mais uma vez e veja o quanto você está disposto a pagar pelas oportunidades que o levam até o seu sonho.

A Bela e o Paparazzo

Mas os pinguins ficam até sábado…
Excelente a comédia romântica portuguesa A Bela e o Paparazzo!!! Um filme despretensioso, porém com profundidade para gosta de ler nas entrelinhas.
O filme apresenta de forma cómica o grande amor dos portugueses para com Portugal, disfarçado em desamor. É comum ouvir em Portugal, nosso país é atrasado, os políticos são corruptos, entre outras tantas reclamações contra tudo e contra todos. No filme um dos personagens expressa esses sentimentos em suas falas e também na iniciativa que toma de proclamar a independência de seu prédio de Portugal. No final reincorpora-se a demonstrando todo o patriotismo dos portugueses que pode ser encontrado em palavras de sentido oposto. Nas relações do dia-a-dia também se nota muito disso. Nem sempre quando alguém está reclamando o faz de verdade.
O casal protagonista descreve um improvável romance entre um paparazzo e uma atriz de destaque. A trama se desenvolve espelhando a nossa superficialidade ao procurar nas fofocas das vidas das estrelas luzes para a nossa insignificância. O filme termina dando-nos a impressão de que alguém melhorou como pessoa, contudo, sai-se com a certeza de que nada mudará.
Em meio a todas as situações há uma expressão que se repete, Não se preocupe, os pinguins ficarão até sábado. No final o personagem que usa o bordão explica o sentido para o protagonista, contando que quando era garoto pinguins foram trazidos a Lisboa e ele gostaria muito de vê-los. Todo o dia ele pedia para que seu pai o levasse para vê-los, obtendo sempre a mesma resposata, Não se preocupe, os pinguins ficarão até sábado! Antes de chegar o sábado, porém, o pai abandonou a família. Não protele aquilo que deseja fazer.

Assim, caso queira ver um filme agradável não espere até sábado, pois os pinguins podem não estar mais lá. Além disso, consegue-se rir “a brava”!

Mensagens pela internet…

Fico feliz ao receber diariamente e-mails, alguns deles tratam de temas interessantes e outros nos deixam mensagens maravilhosas. Outros tão somente são piadas ou pornografia. O que me deixa fulo são aqueles e-mails que se propõem a deixar uma mensagem, mas no final, invariavelmente, são apelativos, por vezes, ridiculamente, invocam um castigo ou rogam uma praga sobre quem não os reenviar.

Obrigar, castigar e prender por meio de correntes só pode ser reflexo de mentes dominadoras. E em todo lugar onde elas estiverem presentes não pode ser bom.

Você é estratégico ou apenas mais barato?

Moacir Jorge Rauber
Havia um reconhecido empresário brasileiro da década de 1950 que dizia, “Para que uma pessoa trabalhe para mim há que atender um requisito, que conheça mais do que eu sobre aquilo para o qual foi contratado!”. Parece uma condição simples, considerando-se que todos nós somos únicos, o que, supostamente, nos garantiria um diferencial natural em relação a qualquer outro ser humano. Entretanto a nossa unicidade não se manifesta sempre expondo um diferencial atrativo para a organização na qual estamos. Eis aí o grande desafio.
Assim, tornar a nossa característica de ser únicos relevantes para a organização passa a ser importante para aqueles que pretendem se destacar neste cenário. Relembrando a nossa unicidade pode-se afirmar que em nenhum momento eu estou competindo em igualdade de condições com alguém, porque não somos iguais. A diferença pode ser física, em que o biótipo de um favorece mais do que o de outro para exercer determinada atividade; pode ser genética, em que alguns fatores se sobressaem gerando uma vantagem competitiva em relação ao outro; pode ser experiencial, em que os conhecimentos adquiridos anteriormente promovem um ganho; enfim, pode ser nos diferentes níveis de inteligência de que dispomos, ajustando-se melhor a um ou outro tipo de função. Na verdade nós sequer competimos com alguém de dentro da nossa organização ou da nossa equipe, assim como não competimos com ninguém de fora. A nossa competição é conosco mesmo, procurando dar significância ao que temos de melhor. E uma vez que esse nosso melhor seja importante para a organização na qual estamos inseridos alcançaremos êxito. Conhecer estas diferenças e delas tomar partido, transformando-se em um elemento estratégico para a nossa organização é a nossa alternativa. Pode-se fazê-lo desenvolvendo e aprimorando nossa competência básica diferencial, elevando-a a um nível superior, assim como acrescer novas competências em domínios menos comuns, ampliando o nosso leque de relevância.
Isto se aplica em qualquer atividade, seja na esfera pessoal ou profissional. Nos esportes o remo é um exemplo, pois divide-se em fases distintas, entre a pegada, a puxada, a finalização da remada e a recuperação. Este conjunto de fases, sendo realizado de forma harmônica, é que fará com que o remador e a sua equipe alcancem a vitória. Assim, uma remada básica requer a aplicação de técnica e de força que se repetem ao longo do percurso da prova, fazendo com que cada músculo trabalhe e seja importante para o resultado final. A pegada é o movimento com a musculatura ainda relaxada, em que o tronco se flexiona em busca do melhor ângulo para a execução da puxada. Envolve-se neste movimento todo um conjunto de técnicas para favorecer o movimento seguinte que é a puxada. Sabe-se que este é o movimento que impulsiona o barco em direção a linha de chegada, mas a puxada também é subdividida em diferentes fases. A potência das pernas é de suma importância, representando aproximadamente 65% da força que impulsiona o barco. O movimento do corpo faz com que o carrinho deslize corretamente dando um adequado aproveitamento de todo o conjunto. E o movimento de braços e troncos completa a puxada, em que os músculos da parte superior do corpo se contraem para finalizá-la. Depois vem a finalização da remada, em que se procura extrair o máximo de eficiência do movimento, com a extensão completa dos músculos em consonância com a tração na água. Por fim, a última parte de uma remada é a recuperação, em que os braços são empurrados para longe do corpo em direção a pegada. Reinicia-se todo o ciclo rumo a linha de chegada.
Pode-se extrair de uma remada uma série de comparações com o nosso dia-a-dia organizacional, porque em nenhum momento há competição entre os músculos de um mesmo indivíduo. Há cooperação, assim como deve ser numa organização. Apesar de saber que a puxada é que impulsiona o barco, sendo assim a parte mais visível do sucesso do movimento, ela não diminui ou anula a importância das outras fases, porque todas estão intrinsecamente ligadas. Caso a pegada não seja adequada, a puxada falhará. Caso a finalização não seja realizada a contento, compromete-se a recuperação, que prejudica a pegada e, consequentemente a puxada. Cada fase é distinta, cada movimento é único e cada músculo movimentado é importante, mas tudo deve acontecer de forma integrada e em cooperação. Da mesma forma como nós devemos ser importantes numa organização pelo trabalho em si, mas principalmente pela cooperação com os demais. E neste ponto vem o entendimento de que a remada também está inserida em algo maior, que é a regata. E esta, por sua vez, é o objetivo do atleta, do técnico e do clube ou do país. É o objetivo de uma equipe, que deve ser internalizado por cada um dos seus componentes, assim como na vida organizacional. Porém, cabe a nós sabermos ser distintos, únicos e importantes em nossas organizações, contribuindo para desenvolver o movimento adequado na sua totalidade. Isto requer esforço e dedicação para conciliar os objetivos organizacionais e individuais. Entretanto, muitos remadores adquirem hábitos perniciosos e não executam o movimento na íntegra, normalmente atendendo a lei do menor esforço, comprometendo o resultado do trabalho de uma equipe. Isto também está presente na realidade organizacional, em que muitos colaboradores não conseguem ver o movimento como parte de um todo, comprometendo o resultado e diminuindo a sua própria relevância.
Por outro lado, cabe à organização identificar e valorizar os seus “músculos”, sob pena de ignorar conhecimentos e habilidades que comprometerão o seu desempenho. Logo, a organização deve estimular e manter as condições para que cada integrante da equipe desenvolva todo o seu potencial. Quando a organização opta por contratar pessoas que conhecem muito sobre determinado ofício, como no exemplo do empresário citado, deve também possibilitar que este colaborador continue aprimorando suas competências. Isto beneficia o indivíduo e a organização.
Deste modo, com um indivíduo disposto a desenvolver-se e uma organização que fomenta esta postura todos estarão mais próximos dos seus objetivos, sejam individuais ou organizacionais. Caso não seja assim, nós só estaremos na organização porque somos mais baratos e não porque somos estratégicos, enquanto a organização manterá um quadro de “músculos viciados” e não eficientes. E tudo isto define-se pelas atitudes.

Oportunidades, as atitudes nos permitem aproveitá-las!

Falando em Portugal sobre oportunidades!

Em função dos colegas do Mestrado em Gestão de Recursos Humanos, especificamente a Sandra, pude interagir com empresários e formadores de Portugal por meio de uma palestra com o título Desafios e oportunidades: Atitudes geram resultados. A abordagem é eminentemente motivacional, com uma apresentação que procura identificar oportunidades em diferentes situações, sejam elas positivas ou, aparentemente, negativas. No início faz-se uma comparação entre as oportunidades que as pessoas tinham no ano 1000 da era cristã com as da nossa geração, levando-os a entender que o nosso momento é muito melhor. Pode-se ter problemas, mas isto não anula o fato de termos oportunidades.

Em dado momento faço uma relação com a minha condição de cadeirante. Destaco que isso nunca foi um fator limitador, muito pelo contrário, deu-me várias oportunidades, como estudar, viajar e trabalhar com muitas pessoas em diferentes situações. Deu-me a oportunidade especial de ser um atleta de alto rendimento aos 40 anos de idade, espaço conquistado com dedicação a um esporte onde a sorte não tem influência. Pelos resultados alcançados pude participar dos Campeonatos Mundiais em 2004, 2006 e 2007.

Neste ponto ressalto que oportunidades existem em todos os lugares e para todos. Você quer ser um bom empresário? Você pretende ser um bom profissional em qualquer área? A partir daí trabalha-se o que e como fazer para ver e aproveitar as oportunidades .

Apesar de considerar o fator positivo que exercem, teço uma crítica aos livros de auto-ajuda, notadamente aqueles que estimulam demasiadamente a ideia do pensamento positivo, dando-nos a impressão que isso basta, sem destacar a importância de se fazer as coisas efetivamente. Estimulam a sonhar alto, esquecendo-se de que para alcançar tais sonhos devemos ser capazes de executar atividades aparentemente insignificantes. Procuro lembrá-los que a vida não se compõe somente de sonhos, porque senão fica como aquele namorado romântico do post abaixo.

Destaco a importância de sonhar com a lua, mas friso que é muito mais importante cruzar a rua.

E isto acontecer aqui em Portugal tem sido uma Grande Oportunidade!!!