Vamos trocar de lado?

Lá estavam os dois amigos sentados um ao lado do outro. Um tinha 72 e o outro 71 anos e mantinham uma amizade que havia começado na faculdade. De repente o primeiro  fala ao segundo:
– Ô, José,  vamos trocar de cadeira. Senta você desse lado.
– Ah, pois. Havia esquecido. Sim, o meu ouvido bom é o esquerdo e o seu o direito…

Trocaram de lugar para que cada um pudesse ouvir o outro melhor.

Com o passar dos anos as nossas deficiências vão se manifestando com mais força. É a audição que diminui, é a visão que enfraquece , assim como a mobilidade é afetada. Porém, para cada contratempo uma solução.

Fiquei feliz em ver a solução encontrada pelos dois amigos.


Boca fechada não entra mosquito…

– Pois é, acho que a professora deixou a desejar. Ela até pode ter competência, mas não está conseguindo passar muito para nós. Pelo menos é o que eu penso… Disse um dos dois alunos que estavam comigo no buffet do restaurante.

O outro colega concordou meneando a cabeça. Eu não disse nada, não porque não quisesse, mas porque não conseguia expressar exatamente aquilo que eu pensava. O diálogo transcorria em inglês e o meu domínio da língua é ainda muito limitado. Terminamos de nos servir e fomos até a mesa. Continuamos nossa conversa durante o almoço. Mais algumas críticas e outros tantos elogios ao programa e aos professores. Após a refeição principal, pegamos a sobremesa, tomamos um café, pagamos a conta e estávamos passamos pelo buffetem direção à saída do restaurante quando vimos, muito próxima a ele, a professora objeto da primeira crítica. Nós não a havíamos visto antes porque ela estava de costas para o buffet. Gelamos com o pensamento de que ela pudesse nos ter ouvido. A professora quase que nos deu a certeza quando disse:
– Olá, tudo bem? Eu bem que pensei ter reconhecido a voz de vocês antes… 

Silêncio constrangedor. A professora prosseguiu de forma muito simpática:
– Como foi o almoço?

Respondemos que estivera ótimo, porém ficamos visivelmente constrangidos. Rapidamente nos despedimos e saímos do restaurante. O meu colega que havia feito as críticas mais duras estava arrasado. O outro tentava minimizar a questão dizendo que provavelmente ela não entendera o conteúdo. Eu até estava aliviado porque não havia falado nada. Entretanto, frustrei-me ao entender que não falei não por ser sábio, mas porque eu não tivera competência o suficiente para fazê-lo em inglês.

Em boca fechada realmente não entra mosquito, ainda que seja por incompetência ao não saber abri-la.


Vindima – a colheita da uva

A vindima já foi uma questão de sobrevivência.

Sem muitos recursos tecnológicos as pessoas trabalhavam em mutirão para a colheita da uva. Conforme elas maturavam os grupos se dirigiam para uma chácara ou outra. Eram os parentes e os vizinhos mais próximos que formavam uma legião de trabalhadores. O ditado, “a união faz a força” era exercido ao pé da letra durante a vindima.

A vindima também era motivo de celebração, porque após um longo e duro dia de trabalho havia a diversão: comidas, bebidas e dança. A vindima transformava-se em festa, quase uma despedida do verão.

Nos dias de hoje, a vindima continua sendo uma festa, mas muito mais por turismo do que por necessidade. A sobrevivência já não é a razão principal para a sua realização, mas a vindima se mantém como tradição.


Fica uma pergunta: por onde será que anda a colaboração? Ficou quase como uma vaga lembrança de um tempo em que a colaboração nos garantia a sobrevivência…


Foi uma experiência única na quinta do Zé Manuel e Maria Alice. Muito obrigado!

É um brinde. Você tem que aceitar!

Ei, onde está o alicate? Indagava aquele que parecia ser o chefe.
– Não sei, eu não peguei nele hoje… Respondeu o mais jovem.
– Mas eu o vi aqui na sala, agorinha. Mas que m… Onde foi parar? Vamos, se mexe, dá uma olhada por aí! Resmungava o suposto chefe.
O clima estava tenso, porque a dona da casa era quem os observava. Nessa toada ficaram uns dez minutos procurando por um alicate que não teria como se perder dentro de uma sala que estava ocupada somente por um sofá de três lugares e uma estante, atrás da qual seria instalado o ponto de TV a cabo. Olhavam para um lado e para outro. Ergueram o sofá. Olharam nas prateleiras da estante. Nada. O bendito alicate simplesmente sumira. O jovem saiu da casa e foi até o carro de apoio que estava estacionado em frente ao prédio. Voltou angustiado porque não conseguia ajudar o seu chefe. Disse:
– Nada, nem sinal. E não temos nenhum alicate reserva.
O chefe ficou com o olhar perdido. Cruzou as mãos por trás das costas e teve um sobressalto. Apalpou rapidamente o bolso traseiro de sua calça macacão e deu com o alicate dentro dele. Alívio geral.

Agora poderiam continuar o trabalho que consistia em simplesmente religar uma conexão de TV a cabo naquela residência. Alguns minutos depois a primeira parte estava concluída. Ligaram a televisão na estante. Lindas imagens e todos os canais funcionando. Testaram o telefone fixo. Perfeito. Conectaram o notebook da moradora no sistema de wireless. Impecável. Tudo testado e explicado. Senhas anotadas. Por fim, o chefe se empertigou todo para dar a grande boa notícia:
– Muito bem. A senhora agora vai receber um brinde de nossa operadora. A senhora pode escolher qualquer lugar na casa para que nós instalemos mais um ponto para outra televisão. É um brinde da nossa empresa!
Logo após a sua fala ele exibiu um sorriso. O jovem ao seu lado o acompanhava nas expressões e movimentos. Era literalmente o seu fiel escudeiro. Certamente se imaginava um dia sendo ele o chefe com um ajudante. O dois estavam felizes, apesar de terem gasto mais tempo em trapalhadas do que em trabalho. A moradora revelava em seu semblante um ponto de interrogação, O quê? Brinde? Mais um ponto de televisão? Eram os seus pensamentos. Depois de um curto período ela respondeu:
– Olha, não quero mais um ponto de televisão.
– Como? Perguntou quase indignado o chefe de instalação.
– Não, não quero, porque a casa não é minha… E também no quarto eu não quero televisão.
Os sorrisos do chefe e de seu ajudante desapareceram. Eles não estavam acreditando na recusa de um brinde oferecido pela empresa. As pessoas fazem gato, puxam fio de lá pra cá, fazem gambiarras para ter mais um ponto de televisão e essa senhora não quer? Como assim? Deveriam ser os pensamentos na cabeça daqueles prestadores de serviço. Por fim, um chefe quase exaltado disse:
– É um brinde. Um presente. Não vai custar nada. A senhora tem que aceitar!
A moradora vendo o quase desespero dos dois. Ponderou um pouco e disse:
– E se nós instalarmos outro ponto junto com o primeiro, pode ser? Eu não quero mexer no restante da casa. Ela não é minha…
Os dois imediatamente relaxaram um pouco. O chefe disse:
– Sim, pode ser.
Logo instalaram o novo ponto ao lado do primeiro. Depois se despediram e saíram felizes, porque afinal haviam prestado o serviço e ainda dado o brinde para a cliente. Assim, a moradora tem o benefício de poder por uma televisão ao lado da outra na estante da sala.
A cena descrita ocorreu no final de setembro. A situação da perda do alicate pode ter sido simplesmente um ato falho, uma distração. Porém, a segunda situação, ao não saber tratar com a recusa de um brinde revela que a empresa não entendeu inteiramente o que o cliente quer. Ou melhor, que cada cliente pode querer algo diferente e o que é um brinde para um pode não o ser para o outro.
Fica a pergunta: você realmente sabe o que o seu cliente quer?

Fonte: Kátia Muck.

Como as pessoas se sentem com você?

Quando conversamos nós perguntamos, pedimos, ofertamos, prometemos, agradecemos e nos desculpamos, fazendo com que as coisas aconteçam. Assim, muito mais do que falar com chefes, supervisores, diretores, clientes ou colegas de trabalho, o profissional atual precisa saber estar para saber conversar; saber conversar para saber perguntar; saber perguntar para fazer fluir. Ao fazer fluir, provavelmente, se terá criado um ambiente positivo.

As pessoas se sentem bem com você?



http://www.olhemaisumavez.com.br/index.php/loja

Viver dá trabalho?

Antes de viajar tínhamos que tomar uma vacina antitetânica, exigência legal do nosso destino. Lá fomos nós, a Andréia e eu, para tomarmos a vacina. Aproximamo-nos do balcão e a recepcionista, muito solicitamente, atendeu-nos. Explicamos a situação, ela pensou um pouco e nos informou:
– Vou fazer uma fichinha aqui e depois vocês vão para o segundo andar. Lá vocês dizem que é para a vacina e se faltar alguma informação voltem aqui…

O trabalho dela consistia em atender e fazer uma triagem para onde encaminhar as pessoas. Exibia um sorriso natural que demonstrava a pessoa de bem que estava por trás daquele rosto. Já não era mais jovem, entretanto tinha uma vitalidade invejável. Estávamos felizes por termos sido atendidos tão bem. Juntamos nossos documentos e começamos a nos mover em direção ao elevador, quando ouvimos uma voz:
– Ei, ei, só um momentinho. Se vocês precisarem de algo você não precisa vir não (disse apontando para mim). O senhor fica lá sentadinho quietinho na sua cadeirinha. Pode vir somente ela tá. O senhor fica lá!

Nós ficamos um pouco atordoados com as palavras, mas tudo bem. Ela somente estava sendo gentil. Ainda pudemos ouvir ela dizer para a atendente ao seu lado:
– Coitadinho, deve dar muito trabalho…

A Andréia e eu rimos muito, porque nós sabemos que em prédios, calçadas e outros pisos planos um usuário de cadeira de rodas pode ser muito mais rápido do que um andante convencional. E mais. Cuidar da saúde, fazer esportes e caminhar, ou rodar, é viver.


E viver não dá trabalho!

Dia do profissional de Secretariado

No dia do profissional de Secretariado destaco uma das suas competências essenciais: 
a RESILIÊNCIA. 
O texto foi extraído do livro Perguntar não ofende… Uma abordagem de coaching para o profissional de Secretariado. 

Parabéns a todos os profissionais de Secretariado e Boa leitura!!!

Resiliência, uma competência essencial para o profissional de Secretariado

Rauber, Moacir & Rauber, Andréia
Perguntar não ofende… Uma abordagem de coaching para o profissional de Secretariado. Toledo, PR : Mundo Hispânico, 2013. 

O ambiente organizacional é altamente competitivo, resultando em situações de grande pressão sobre os colaboradores. Para os profissionais de Secretariado a situação não é diferente, podendo ser até mais contundente como citado anteriormente. Para suportar tamanha pressão a resiliência é uma competência essencial. Usamos a reportagem “Uma questão de fibra” da revista Você SA, edição 166 – abr 2012, que aponta a resiliência como a principal competência a ser exibida pelos profissionais da primeira metade do século 21 para fundamentar a nossa visão. Lendo o artigo, fizemos diferentes associações com a competência, incluindo o profissional de Secretariado. Começamos lembrando que nossos avós e bisavós eram exemplos de resiliência, reforçados por uma firmeza emocional que beirava a obstinação. Naquele tempo, considerando as condições de vida da época, tratava-se de uma competência comum à grande maioria da população. Por outro lado, nos dias atuais, podemos dizer que muitos de nós somos menos resilientes, comparando as nossas condições de vida e a inconstância emocional vigente. Assim, acreditamos que perdemos parte dessa competência, o que a tornou tão valorizada. Porém, destacamos que não há como ser um profissional de Secretariado sem ser altamente resiliente.

Por gerações e gerações, as pessoas foram criadas de uma forma em que se tornavam naturalmente resilientes. Basta analisar como viveram nossos avós e bisavós. A grande maioria deles eram moradores do campo sem grandes recursos financeiros ou tecnológicos como dispomos hoje. Para eles, ter fibra era uma questão de honra, de rijeza e de caráter. A gestão das emoções era uma prerrogativa para se adentrar no mundo dos adultos. Saber o que se queria e o preço a ser pago para que se pudesse alcançar fazia parte da educação dos jovens daquelas gerações. Saber que havia um tempo de preparação e de espera era parte do jogo e todos estavam aptos para aguentar. A resiliência fazia parte da formação dos indivíduos que nasciam, cresciam, tinham o compromisso social de formar família e a ela sustentar. Não dispunham de telefone, internet, celulares ou outros meios sofisticados de comunicação. Tinham em mente a clareza daquilo que queriam. Faziam os planos, os projetos e se lançavam para aventuras além mar, lembrando dos milhões de pessoas que cruzaram o Atlântico em busca de uma vida melhor para os seus descendentes. Viagens de meses rumo a um destino incerto. A grande maioria sabia que jamais voltaria a ver aqueles que deixaram para trás, entre eles pais, tios, primos e amigos. Aqui no Brasil, podemos citar como exemplo os colonizadores que se embrenhavam pelos sertões sem contar com nenhum apoio tecnológico ou de infraestrutura. Planejavam com os recursos que tinham, partiam e faziam aquilo que deveria ser feito em busca dos objetivos traçados. Muitos certamente não alcançaram o que se propuseram, mas fibra jamais lhes faltava. Eram naturalmente resilientes. Nesse cenário podemos facilmente identificar os nove fatores que compõem a resiliência na escala da FGV (Fundação Getúlio Vargas), presentes na reportagem da Você SA, que são 1) autoeficácia, 2) competência social, 3) empatia, 4) flexibilidade mental, 5) tenacidade, 6) solução de problemas, 7) proatividade, 8) temperança e 9) otimismo. Algo similar ocorre no ambiente em que atua o profissional de Secretariado. Muitas vezes sem os recursos necessários e sem a autoridade formal requerida são levados a trabalhar em situações em que somente podem contar com a sua capacidade de organização e execução para fazer com que as ações continuem a fluir. Muitas vezes, sofrem uma pressão desproporcional às suas responsabilidades. Desse modo, também esses profissionais devem ser naturalmente resilientes.

Ao falar de autoeficácia, os desbravadores detinham grande capacidade de organização, planejamento e execução. Sem o uso de GPS ou guias Quatro Rodas percorriam milhares de quilômetros em estradas de terra batida em busca do sonho. Eram altamente proativos e solucionavam problemas que sequer poderiam imaginar que enfrentariam, não tendo a menor possibilidade de recorrer a psicoterapeutas para solucionar eventuais crises existenciais. Era fazer ou fazer. Isso também é comum no ambiente do profissional de Secretariado. Apesar de hoje podermos contar com recursos tecnológicos que nos auxiliam a encontrar as soluções adequadas que não existiam em tempos passados, muitas vezes nós, os profissionais da área, não dispomos da autonomia necessária. Com isso, a pressão psicológica pode ser grande, porque os resultados são esperados. Assim, a agilidade requerida exige que a autoeficácia se revele nas diferentes situações. Lembrando o caso descrito na Seção 2.1: poderia a Secretária Executiva daquela organização esperar as duas semanas em que o diretor saiu de férias para tomar uma decisão? Não, a autoeficácia era uma competência daquela profissional que fez uso dela na situação exposta. A resiliência estava presente.

A competência social também era natural àqueles desbravadores. Quando saíam rumo a terras inexploradas, criava-se uma rede de apoio e interdependência entre aqueles que buscavam novos horizontes. Não bastava que um alcançasse a terra prometida, era fundamental que todos que partiram lá chegassem, porque a derrocada de um poderia significar a de todos. Assim, em um núcleo que dispunha de poucos recursos, todos tinham que contribuir e receber ajuda de forma integrada. Exibir essas competências era necessário por uma simples questão de sobrevivência. A situação se repete no ambiente de trabalho do profissional de Secretariado. A necessidade de exibir a competência social dentro da organização, permitindo que o profissional entenda o todo organizacional, passa pela capacidade de desenvolver as competências de escuta ativa. Como demonstrado no exemplo da Seção 2.1, a capacidade de articulação da Secretária Executiva fez com que todos os diretores entendessem o que estava em jogo. Tanto ela quanto eles sabiam da interdependência existente, levando-os a tomar uma decisão para o bem da organização. Destacamos ainda que, hoje, além das competências nas quais somos excelentes, podemos e devemos desenvolver as competências que julgamos não deter no nível exigido, e podemos obtê-las por meio de cursos e programas de formação. Tudo está ao nosso alcance. Não há desculpas para não desenvolvê-las.

A empatia, competência entendida como a habilidade de compreender o outro a partir dos seus modelos mentais, também era encontrada nas situações vividas naqueles tempos pelos nossos antepassados. Essa competência, que envolvia respeito e abertura no convívio entre as pessoas do grupo, era obrigatória. Identificamos aqui também a flexibilidade mental, que abarca a tolerância e a criatividade. Como não seriam tolerantes os integrantes de um grupo que saía em uma viagem de 60 ou 90 dias com destino a uma terra desconhecida no interior do país lá pelos idos de 1940 ou 1950? Não havia a mínima possibilidade de desenvolver a flexibilidade mental em cursos de yôga ou outra técnica oriental como temos disponível nos dias de hoje. Havia a necessidade da convivência pacífica em um ambiente limitado e muitas vezes hostil. As mesmas competências são exigidas do profissional de Secretariado, que deve saber compreender que os diretores têm diferentes modelos mentais, levando-os a reagir nas situações organizacionais segundo eles próprios e não como nós reagiríamos. Para isso, o profissional deve também desenvolver a tolerância e a criatividade buscando conhecimentos, habilidades e competências onde necessário for. O recurso apresentado na seção anterior, descrito nos passos de reação frente a um feedback negativo, pode ser uma alternativa. Existem outras. Há que ser resiliente para isso.

No cenário dos desbravadores, a flexibilidade cruzava-se diretamente com a tenacidade, que é a capacidade de conviver em situações consideradas adversas. Trata-se de um quesito em que não há como questionar o que aquelas pessoas suportaram, porque eles ficavam dias, semanas, meses, anos e muitas vezes uma vida sem notícias das pessoas queridas. Sim, os nossos bisavós eram tenazes e também criativos para solucionar problemas, outra das habilidades integrantes da competência chamada de resiliência. Eles viviam em um ambiente estranho e adverso em que as condições mudavam constantemente. Eles se desenrascavam das dificuldades com aquilo que dispunham, pois eram autossuficientes na solução dos seus problemas. Aquelas gerações eram tenazes, assim como devem ser os profissionais de Secretariado que vivem em um ambiente semelhante. Normalmente, atendem a um diretor, a um coordenador, a uma área ou a um departamento, mas sempre estão em contato com pessoas diferentes do ambiente interno e externo. E nem sempre as relações são cordiais ou amistosas, muitas vezes resultado de problemas de relacionamento do superior hierárquico. Flexibilidade, sem ser volúvel, é uma necessidade para o profissional de Secretariado. E isso significa ser resiliente.

Nessa sequência, a proatividade era intrínseca às pessoas daqueles tempos, pois se não a tivessem sequer se atreveriam a sair de suas casas. Não havia um processo de coaching com o qual pudessem contar para melhorar as suas competências. O coaching deles era a própria vida, isso tudo associado à temperança e ao otimismo. Temperança para não perder o equilíbrio emocional frente às adversidades diárias de um ambiente novo. Otimismo não precisava ser descrito para aqueles aventureiros, eles simplesmente acreditavam naquilo a que se propunham. Da mesma forma, os profissionais de Secretariado precisam apresentar e desenvolver constantemente o seu arsenal de competências que são traduzidas em temperança e otimismo. Nós, como profissionais de Secretariado, devemos exibir a temperança para não perder o equilíbrio emocional frente às mais difíceis situações. Deveríamos seguir o passo a passo apresentado na seção anterior para sabermos como reagir frente a um feedback negativo que pode despertar em nós emoções negativas. Não há como impedir o surgimento das emoções, porém podemos aprender o que fazer com elas e dar o devido encaminhamento a partir de uma visão positiva e otimista ao participar de um projeto no qual se acredita.


Podemos fazer uma comparação entre aquelas gerações de desbravadores e os profissionais de Secretariado: resiliência não é uma opção, é uma necessidade. Isso se entendermos resiliência no ambiente organizacional como a capacidade que os indivíduos têm de suportar a pressão em situações de grande estresse, mantendo e retomando o equilíbrio emocional.
Rauber, Moacir
Rauber, Andréia S.

Vai demorar um pouco… O senhor se importa em esperar?

Entrei no salão para cortar o cabelo acompanhado de minha esposa. Era a primeira vez que cortaria o cabelo desde que fora morar naquela cidade. Havia escolhido um salão e fui até ele. Ao abrir a porta, as pessoas voltaram a cabeça para dar aquela olhada, como naturalmente se faz. Porém, a olhada ficou um pouco mais demorada, porque a presença de um homem, e ainda usuário de cadeira de rodas, naquele ambiente, provavelmente, não era algo muito comum. Tudo bem, tudo bem… pensei comigo mesmo para me acalmar. São quase trinta anos usando a cadeira de rodas e ainda fico um pouco temeroso ao entrar em ambientes desconhecidos, embora isso também seja comum para quase todos. Minha esposa estava atrás de mim. Eu olhei para quem se aproximou para me atender e perguntei:
– Alguém tem disponibilidade para cortar o cabelo?
A atendente olhou-me e disse que sim. Era ela também a própria cabeleireira que cortaria o meu cabelo. Assim perguntou:
– Como você quer cortar?
– Olha, pode ser com a máquina número 3, por favor?
– Em toda a cabeça? Disse ela olhando para a minha esposa. Logo pensei, Será que ela vai começar a falar com ela em vez de falar comigo?
– Sim, respondi. Pode passar a máquina em tudo.
Ela assentiu e pediu para que eu me posicionasse frente a um espelho. Ainda fiz uma brincadeira de que mereceria um desconto, uma vez que eu trouxera a minha cadeira. Ela sorriu e respondeu que se eu quisesse sentar na cadeira do salão ela daria um jeito. Ficamos nessa brincadeira enquanto ela foi buscar a máquina. Aproximou-se e colocou o lençol a minha volta e começou a cortar o cabelo. Via e observava os seus movimentos manuseando a máquina. Pude perceber que era alguém que ainda não estava completamente à vontade com ela. Deve ser nova aqui… Pensei isso porque durante os últimos seis ou sete anos eu mesmo cortei os meus cabelos com uma máquina que tinha em casa. A minha esposa fazia os arremates do corte. Gostava do ritual. Continuei a observar e parecia-me que a máquina era demasiadamente silenciosa. Escutei com mais atenção e percebi que se tratava de pouca potência. Dava-me a impressão de que a máquina pararia a qualquer momento… E não é que parou mesmo? Olhando pelo espelho vi uma expressão que misturava medo e pânico no rosto da cabeleireira. Ela olhou para a máquina e bateu-lhe suavemente. Silêncio. Ligou e desligou o botão. Nada. Olhou a sua volta buscando socorro em suas amigas. O silêncio foi constrangedor. A tagarelice tão comum em salões desapareceu por completo. Por fim, ela olhou para mim pelo espelho e disse:
– Acabou a bateria. Vou ter que carregar a máquina. Vai demorar um pouco… O senhor se importa em esperar? A voz quase sumindo, porque ela estava completamente constrangida.
Logicamente que eu esperaria, porque tampouco poderia sair com a cabelo cortado somente em metade do cocoruto. Ainda mais vendo o desespero da mulher, sair seria a última ação que tomaria. Disse-lhe com suavidade e também certa descontração que não havia problema, que eu estava sem pressa. Aparentemente ela se tranquilizou, colocou a máquina para carregar a bateria e ficou a minha volta. Estava nervosa. Atordoada. Para piorar ainda mais a situação uma colega passou por perto e disse:
– Ainda bem que a dona não está aqui agora, porque você seria demitida hoje…
O apoio que ela esperara das amigas, da sua equipe, foi uma ameaça. Nada de amparo. Nenhuma máquina sobressalente, alternativa ou alguma história para tirar a tensão do ambiente. Apenas o silêncio e a clara sensação de que a haviam relegado a sua própria sorte. Depois de um tempo, o zumbido das conversas paralelas voltou para aliviar a situação. Passaram-se mais ou menos cinco minutos e ela pegou a máquina novamente. Recomeçou a cortar o cabelo. O ruído estava mais alto, com mais potência. O sorriso estava de volta ao seu rosto, porém durou poucos segundos. A máquina parou mais uma vez. O silêncio constrangedor. Os olhares acusadores. A solidão em meio a tantas pessoas conhecidas e, talvez, até amigas. E a cena se repetiu mais três vezes até que, enfim, ela conseguiu terminar o corte.
Disse-lhe:
– Fica tranquila, não tem problema não. Eu estava com tempo mesmo. Quanto lhe devo?
Ela não teve tempo para responder porque foi interrompida por uma outra cabeleireira que, provavelmente, tinha mais tempo de casa:
– Não, o senhor não deve nada. Nós é que lhe pedimos desculpas e agradecemos muito a sua compreensão.
Ao meu lado, a cabeleireira se encurvou num movimento corporal claro de autoproteção. Ainda sorriu timidamente e também se desculpou por não ter a máquina com a bateria carregada. Finalizei dizendo:
– Bom, vocês têm mais um cliente garantido. E vou torcer para que na próxima vez acabe a bateria novamente, assim não precisarei pagar.
Saímos rindo. Por outro lado, fiquei pensando, Caramba, quantas vezes nós não estamos preparados nem para aquilo que nos propusemos a fazer, o que dizer de estar preparado para uma nova oportunidade? E o trabalho em equipe onde ficou?

Diante da situação, a imagem da mulher vai rapidamente desaparecer de minhas memórias, mas a lembrança do estabelecimento, a percepção da incapacidade de ação e a sensação da ausência de cooperação que demonstraram a clara falta de entendimento daquilo que representa trabalhar em equipe vão me acompanhar por muito tempo.

Por isso a pergunta: quem realmente sabe trabalhar em equipe?

Quais as perguntas que você faz?

Uma conversa pode ser iniciada dando uma opinião. Ao emiti-la, lembre-se que na sua frente pode estar alguém que tem uma opinião divergente da sua. Lembre-se também que a sua verdade nem sempre é a verdade dos demais. Uma conversa também pode ser entabulada comentando um fato. Seja habilidoso para escolher algo que possa ser do interesse do seu interlocutor, despertando-o para o aprofundamento da conversa. Da mesma forma, uma conversa pode ser iniciada com uma pergunta. Destacamos que o objetivo de uma pergunta deve ser o de contribuir com a situação em que estamos envolvidos, demonstrando genuíno interesse nos objetivos da conversa.

Cada indivíduo tem como inteligentes as suas opiniões e não sente nenhum prazer em vê-las denegridas. Por isso, numa conversa, a contestação pode ser o caminho para o descaminho. A pergunta deve ser feita para transformar a conversa em um quadro em que todos possam contribuir. Por isso, ao fazermos uma pergunta, também devemos lembrar dos limites da intimidade que gozamos com quem conversamos.

Quais os tipos de perguntas que você faz? Construtivas? Genuínas?

Saiba mais…


Somos únicos. Somos múltiplos.