O que você tem feito para que os outros saibam o que você faz?

Não se trata de afirmar que o mundo seja sempre injusto, mas não se pode esperar que ele seja sempre justo. Não é que se afirme que os méritos não serão reconhecidos, mas também não se pode ficar sempre à espera do reconhecimento. Por isso, muitas vezes é preciso que não se espere pela justiça e pelo reconhecimento, mas que se faça justiça ao reivindicar o reconhecimento. A reivindicação pode ser boa, justa e produtiva, porque as pessoas gostam de estar ao lado de quem faz e é reconhecido por isso. Aqueles que o observam, ao se darem conta de que você não tem o seu triunfo reconhecido, não vão ficar ao seu lado, fazendo com que o insucesso organizacional seja uma possibilidade real. Por isso, apenas fazer o que deve ser feito não basta, deve-se fazer com que os outros também o saibam. Isso também é uma forma de ajudar e ser ajudado deixando o mundo mais justo!
O que você tem feito para que os outros saibam o que você faz?


Poder, porque alguns têm? Jeffrey Pfeffer

Discrimine você também 2!

– Mas você não precisaria ter vindo para São Paulo… Para obter esse documento você poderia ter ido para Curitiba. Teria sido bem mais perto…
Foi o que ouvi da mulher que me atendeu naquela repartição no momento em que viu o meu endereço. Fiquei com o queixo caído e falei:
– Sério? Li as informações no site e pelo que entendi havia sido centralizado tudo aqui em São Paulo. Não entendo…
– Ah, pode ser. Houve algumas alterações no site, mas há um campo em que você pode indicar para que o atendimeto seja feito em outros lugares. O problema principal é que agora você iniciou o atendimento aqui, assim você terá que voltar mais uma vez para pegar o documento. Hoje é apenas a entrevista…
Eu estava incrédulo com o que acontecia. Nao acredito nisso, pensei. Voltar para São Paulo só para buscar um documento. Ninguém merece… Além das despesas de uma viagem, de hospedagem e de alimentação, havia todo o transtorno do deslocamento em si e a perda de no mínimo um dia útil. Porém, fazer o que? Eu precisava daquele documento. O jeito era se sujeitar as normas da repartição.
Não respondi nada e não argumentei para que dessem um jeito. Fiquei na minha, inclusive dando a entender que se é assim, assim faria. A mulher que me atendeu chamou outra pessoa com quem trocou algumas palavras sobre a situação que se apresentava. O senhor que havia chegado, olhando para mim, disse:
– Não garanto nada, mas vou falar com a chefia. Considerando que você é cadeirante vou comentar com ela sobre a possibilidade de que nós enviemos o documento via SEDEX para você. Pode ser?
Concordei imediatamente. Qualquer alternativa que eles me sugerissem que pudesse evitar mais uma viagem seria bem-vinda.
Ele se afastou e a mulher continuou o atendimento. Finalizamos todos os formulários e a mulher me disse:
– Você apenas espere aqui ao lado até que nós tenhamos uma resposta sobre o envio pelo correio. Acho que vai dar certo!
Despedi-me dela e me posicionei no local indicado para aguardar a resposta. Passados mais ou menos dez minutos ela se aproximou de mim para informar que estava tudo certo. Eu não precisaria voltar para São Paulo, porque eles me enviariam os documentos pelo correio. Agradeci a ela sinceramente, porque realmente o atendimento fora rápido, profissional e simpático, mas principalmente discriminatório. Concorda comigo?
Considerando que discriminar quer dizer diferenciar ou mesmo tratar alguém de modo desigual eu fui descaradamente discriminado. Caso eu fosse um andante comum teria que ter feito mais uma viagem para São Paulo, simplesmente para buscar um documento. Assim, como sou usuário de cadeira de rodas fui tratado de forma diferente, tendo sido “vítima” de discriminação positiva. Não se prejudicou ninguém. Muito pelo contrário. Criou-se uma alternativa que poderia ser aplicada para as demais pessoas.

Vou discriminar os meus clientes e os meus amigos. Vou tratá-los melhor ainda.

Discriminar positivamente pode ser bom!

Discrimine você também!

– Você deveria ver. Percebi de cara que estava sendo discriminado. Logo que eles me viram mudaram o seu comportamento…
Essas palavras ouvi do meu sogro contando como ele fora atendido numa empresa. Continuou:
– No telefone eles não sabiam que eu era um idoso, mas quando eles viram a minha cabeça branca quase me pegaram pela mão para me atender. Me atenderam muito bem! concluiu feliz da vida.
Eis aí um caso explícito de discriminação positiva. Um comportamento que poderia ser adotado em todas as nossas interações humanas. Sempre!

Discrimine você também!

Blog FACETAS! Múltiplas faces de uma mesma pessoa

Pensar diferente não é o problema, o problema é não pensar!
Neste mês, 40.000 acessos!!!
Foram publicações longas, curtas, reflexivas e humorísticas, mas todas elas retratando uma interpretação individual de mundo:
Abaixo listo as publicações do mês.
Você é curioso? dia 18-07-14
O moço de carrinho dia 20–07-14

Você está correndo atrás?.

“Correr atrás…” é uma expressão popular que pode identificar um aspecto peculiar enraizado em nossa cultura. Quase sempre estamos “correndo atrás do prejuízo”. Nada contra
correr atrás para perseguir um objetivo, assim como o leão corre atrás de sua presa para garantir o almoço. Mas essa corrida faz parte do planejado. O ruim é que nós, quase sempre, estamos correndo atrás de algo por falta de planejamento, por “levarmos a vida na flauta”. Adotamos comportamentos parecidos com os da cigarra na fábula com a formiga. A primeira canta no verão enquanto a segunda trabalha para ter recursos no inverno. A formiga planeja e executa com antecedência. A cigarra faz festa e deixa tudo para a última hora. Assim somos muitos de nós. Quase sempre acreditamos que podemos “dar um jeitinho” e que na hora “h” vai dar tudo certo. Em alguns casos ou por algum tempo pode até ser, mas na grande maioria das vezes o sujeito vai ficar feito a cigarra pedindo arrego para a formiga. Essa postura revela um país de bravateiros, que preferem levar a vida na flauta cantando as glórias que não existem ao invés de se dedicar a um esforço real.

Você está correndo atrás? Pois é, lamentavelmente, muitas vezes, eu estou…

Ei, preciso falar com você…

Eles chegaram, sentaram-se numa mesa ao lado e pediram o seu almoço. Logo após o pedido cada um voltou para o seu smartphone. Teclavam freneticamente. Um sorrisinho, uma interrupção, olhar fixo na tela e um novo rompante nas tecladas. O tempo passava e eles não trocaram nenhuma palavra entre si. O prato pedido chegou. Cada um começou a se servir, mas o smartphoneestava colocado cuidadosamente ao lado do prato, ao alcance da mão e dos olhos. Entre uma garfada e outra uma rápida teclada. Era um olho no gato e outro no peixe, como diz o ditado. Às vezes o sorriso desaparecia de suas faces. Dava a impressão de que assuntos de vida e morte estavam sendo tratados enquanto eles almoçavam. Cada um imerso em seu mundo. Quarenta minutos depois terminaram o almoço. O primeiro se levantou e já estava se dirigindo para a saída do restaurante enquanto o segundo ainda teclava em seu aparelho. De modo meio atabalhoado, entre parar de teclar e se levantar para acompanhar o amigo, ele disse:
– Ei, ei, espera um pouco. Eu preciso falar com você…
Observei e perguntei-me frente aquilo que presenciei, Como? Preciso falar com você? E o tempo todo que estiveram um frente ao outro? Qualquer semelhança não é mera coincidência, é comportamento!

Retrato de seres humanos, seres estranhos, não é?

Cresceu até morrer…

Viveu e morreu crescendo, o que não quer dizer que tenha morrido de tanto crescer.
Inquietude, curiosidade, obstinação, inteligência, sagacidade e vivacidade são qualidades que permitem expandir a mente. Todas elas estavam presentes na vida e na obra de Ariano Suassuna e foi por isso que ele cresceu até morrer!
A vida nos traz a morte como final, embora, no seu percurso, o crescimento seja opcional.

Você é um aprendiz? Pode ser professor…

Não, não dá. Essa tecnologia toda, internet pra lá e pra cá. Eu não uso e não quero saber. Outro dia vieram com um tal de “tablete” pra mim. Eu falei que não quero! Quero dar a aula e pronto… E continuou discorrendo sobre a sua revolta com o atual mundo da tecnologia. Eu fiquei ouvindo e me perguntando, E pode ser um professor? Questionei-me porque, na minha opinião, alguém que quer ensinar também deve estar disposto a aprender.

O surgimento de novos aplicativos tecnológicos para usos em áreas tão diferentes como a saúde, a comunicação, a educação e o lazer é uma realidade objetiva que não está mais ao alcance do indivíduo alterar. Não está mais no controle de um ou de outro, seja do professor que fez o seu desabafo, do meu ou do seu. A tecnologia vai continuar no ritmo de desenvolvimento determinado pelas pessoas que a usam e que são a grande maioria. O que está no controle de cada um é o que se vai fazer com ela. Muitos ainda dizem, É, as pessoas não têm noção. Exageram. Fazem fotos no velório para postar… É verdade. Mas bom senso não é questão da tecnologia. A falta de noção sempre existiu e vai continuar existindo, dependendo exclusivamente das pessoas. Por isso, entender, conhecer, saber, diferenciar, escolher e disciplinar o uso da tecnologia depende de cada um, assim como manter a mente aberta para a aprendizagem.

A resistência à aprendizagem nada tem a ver com o surgimento da tecnologia, isso é um movimento de oposição de indivíduos que querem que tudo se mantenha como está. Para muitos, aprender dá trabalho e estes ficarão perdidos transformando-se rapidamente em analfabetos funcionais. Melhor qualidade de vida terão aqueles que acreditarem que aprender é um prazer, entre eles professores e formadores.


No meu ponto de vista, aqueles que pretendem atuar como instrutores, professores, consultores ou outras profissões que trabalham com a formação de pessoas deveriam ser os primeiros no processo de disponibilidade para a aprendizagem. Não quer dizer sair por aí enchendo-se de penduricalhos tecnológicos, mas sim saber dos potenciais, do uso e abrir-se para a sua intuitividade. Você quer ensinar? Sim. Você está disposto a aprender? O “sim” deveria ser uma obrigação. Eric Hoffer, falecido em 1983, já dizia, “Em tempos de mudança, os aprendizes sobreviverão, enquanto aqueles que acham que sabem muito estarão preparados para um mundo que já não existe.” Pensando nisso, um aprendiz pode ser professor, mas um professor, obrigatoriamente, deve ser um aprendiz. E um aprendiz pode ser o que quiser…


O moço de carrinho…

Era o aniversário de número 85 da avó da minha esposa. Uma festança. Estavam reunidos netos, tios, tias, primos e alguns conhecidos para festejar com a matriarca. Entrei no salão com a minha esposa. Muitas pessoas a reconheceram imediatamente. A mim não, porque era a primeira vez em quinze anos de relacionamento que eu participava de uma festa da família dela. Todos que olhavam para ela, logo saudavam-na e a abraçavam. Quando dava, para algumas pessoas, ela me apresentava. Festa de família é isso. Eu fiquei por ali, quase só observando. Nisso vejo a minha sogra se aproximando da filha. Percebi que não conseguiram se cumprimentar porque havia uma roda de primos a volta da minha esposa. Assim, a sogra veio até mim. Atrás dela vi uma senhorinha bem velhinha com um olhar alegre e faceiro. Bastante idosa, mas parecia ser bem serelepe. A minha sogra me cumprimentou com um abraço. A velhinha ficou olhando. De repente eu a vejo abrir os braços para também me dar um abraço, mas antes ouvi:
– Mas quem é esse moço de carrinho?

Essa foi a imagem na minha cabeça quando fui chamado de “O moço de carrinho…”

A palavra “carrinho” fora dita referindo-se a minha cadeira de rodas. Creio ter ficado com a cara um pouco entediada, mas recebi o abraço, pensando, Já começou. O que mais vou ouvir hoje…A minha sogra explicou para a senhorinha, amiga da família, que eu era o genro dela. Ela somente expressou um Ah… e seguiu toda alegre pelo salão. O dia foi lindo e a festa maravilhosa. Ao final  da festa todos se despediram de todos, mas principalmente da avó. Afinal era o aniversário dela…
Um ano se passou e a avó continua firme e forte. Isso é motivo para mais uma festa, agora para o 86° aniversário.
Chegamos no salão e toda aquela muvuca outra vez. Minha esposa sendo cumprimentada pelos primos, amigos e parentes. Desta vez eu já estava enturmado. Também os cumprimentava. Olhei em volta e vi a minha sogra se aproximando. Ela nos cumprimentou com um forte abraço. Olho para o lado e vejo a mesma senhorinha do ano anterior de braços abertos para também me dar um abraço. Pensei, Olha só, quem está aí… Antes que eu pudesse falar qualquer coisa ouço-a dizer:
– Mas quem é esse moço de carrinho?

Senti-me preso no Feitiço do Tempo, descrito no filme de 1993, em que o personagem vive inúmeras vezes o mesmo dia. Veremos como será a festa no próximo ano…

A situação nos serve para uma reflexão: quantas vezes nós somos vítimas do feitiço do nosso próprio tempo? Quantas vezes ficamos presos aos nossos conceitos, ideias, medos, amores e rancores? Podemos e devemos avançar, embora nem sempre seja fácil. Entretanto, estar disposto a desaprender para aprender de novo é parte da construção de um novo caminho, como já dizia Gonzaguinha na música Eterno Aprendiz.

Você é curioso?

Muitas vezes, ao assistir uma entrevista ou uma reportagem pergunto-me por que os repórteres fazem tão poucas perguntas? São inúmeras as situações que o jornalista responsável dá a sua versão do fato, que é mera opinião, dá a sua resposta e deixa ao final uma interrogação. As entrevistas coletivas dadas por jogadores e treinadores durante a Copa do Mundo exemplificaram a situação. 
Lembro-me de uma pergunta feita a um técnico:
– Você não acha que na última derrota se nós não tivéssemos encarado eles de igual para igual, assumindo que são mais fortes, e tivéssemos povoado o meio de campo (expressão da moda) nós teríamos obtido um resultado melhor?

Pergunto: isso é uma pergunta? No meu ponto de vista não. O repórter mencionou o fato, fez a análise e deu a resposta. Caso o técnico tivesse dito “Sim” ou “Não” poderia ter encerrado a questão. O repórter usou a forma interrogativa para expressar a sua opinião. Às vezes, deve-se lembrar que a pergunta é uma ferramenta útil para aqueles que querem investigar, descobrir e aprender quando usada com genuína curiosidade.
Você tem sido genuinamente curioso?

Somos únicos. Somos múltiplos.