Todos os posts de Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

Você é das humanas ou das exatas?

Nos últimos dias viajei por muitos lugares apresentando o livro Ladrão de si mesmo. A receptividade foi boa. A mensagem estava sendo passada. O mensageiro não é o mais importante, porque o que realmente importa é a mensagem. O mensageiro é humano e a mensagem pode ser divina. Entre uma apresentação e outra os diálogos são um gostoso exercício de reflexão. As pessoas, logo que leem o título, identificam-se com o ladrão de si mesmo. Elas sempre têm uma história em que se lembram de uma autossabotagem. Aí está o roubo de si mesmo. Às vezes é um empreendimento não feito. Outras vezes é uma faculdade não concluída. Também pode ser uma relação rompida. E por aí vai. Teve um amigo meu que também manifestou aquilo que ele entende estar roubando de si mesmo. Conversávamos após o evento e ele me dizia:
– Estou cansado da área de exatas. Não aguento mais a falta de humanidade, a necessidade de resultados sempre tão atrelada aos números. Isso está me matando. Vou sair da área de exatas. Vou migrar para as humanas…

Esse meu amigo havia dedicado os últimos vinte anos de sua vida, pessoal e acadêmica, para as Ciências Exatas. Ele era realmente um ícone da área na sua universidade e no país. Escutei o seu desabafo. Ele continuou comentando sobre as suas realizações na área. O desabafo rapidamente se transformou em orgulho. Via nele o brilho nos olhos ao falar de tudo o que alcançara e realizara nas exatas, ao mesmo tempo em que me lembrava que ele havia dito que queria mudar de área. Ele ainda estava descrevendo um projeto no qual se havia envolvido recentemente. De repente ele parou e eu perguntei:
– O que o leva a querer sair das exatas?

A própria parada que ele havia dado já indicava que ele havia identificado o contrassenso daquilo que ele recém havia dito. Ele parara no momento em que expressava a maior paixão sobre aquilo que fazia. Com a pergunta que eu lhe dirigi ele levantou os olhos. Via nele a dúvida. Via nele o desejo de realmente mudar algo, entretanto sentia que não era exatamente de área que ele queria mudar. Ele me olhou e respondeu:
– Pois é, realmente não sei. Eu não aguento mais a falta de humanidade nas relações. A falta de respeito entre as pessoas. A necessidade de números e mais números. Parece que as pessoas não se importam com as outras pessoas. Não sei… Vejo que nas humanas o discurso da preocupação com o outro existe. Na nossa área não.
– Assim você acredita que mudar de área vai resolver o problema?
– Não, não na verdade não. Talvez eu devesse…

Foi assim que o meu amigo confirmou o quanto ele realmente gostava da sua área. A saída não estava em sair da área de exatas. A saída não passava por mudar o cachorro de lugar. A saída era a de eliminar as pulgas do cachorro. E as pulgas, na área do meu amigo, estavam representadas pela falta de humanidade nas relações. Não se tratava da falta de interesse pelo que fazia. 

Assim, a questão não era sair das exatas para as humanas. A questão era a de humanizar as exatas. Isso porque toda e qualquer ciência, humana, exata ou aplicada, é feita pelas pessoas e para as pessoas. Alertei o meu amigo que também existem muitos departamentos de ciências humanas completamente desumanizadas pelas disputas pessoais. Quem transforma as ciências, as organizações e os ambientes sociais em mais ou menos humanos são as pessoas.

Como está o seu ambiente?

O mundo que se vê

Quando se olha para fora todos veem as mesmas coisas. As mesmas paisagens, as mesmas construções, as mesmas flores e os mesmos jardins. Porém, cada um os enxerga de maneira diferente.

Quando se olha para dentro também todos são iguais. Os mesmos órgãos, como pulmões, rins e coração. Porém, cada um sente diferente, traz outros desejos e mantém distintos valores.

Aquilo que você enxerga fora depende do que você sente, traz e mantém dentro.

O mundo que se vê está dentro de você!!!

50 ANOS: mais do que esperava

50 ANOS:

Os otimistas diziam que eu chegaria aos trinta. A vida me deu os quarenta e agora os cinquenta. 

Ela me deu mais do que eu poderia imaginar…

A vida me deu pais extraordinários e eu nem sempre retribuí da mesma forma.(Noêmia e Egídio – in memoriam)

A vida me deu irmãos incríveis e eu talvez não tenha sido tão incrível para com eles. 

A vida me deu parentes e amigos inesquecíveis e que muitas vezes eu os esqueci.

Para mim, meu aniversário de cinquenta anos na semana passada foi um marco na trajetória de dias e na lembrança de pessoas especiais.
Alguns dias foram mais intensos, outros menos, mas nenhum foi igual ao outro.
Lembrei de tantas pessoas especiais com as quais tive o privilégio de conviver e de compartilhar momentos únicos. Com algumas convivi e compartilhei mais, com outras menos, mas não encontrei ninguém que fosse igual entre si.
Agradeço por cada dia vivido e a cada pessoa que deixou um pouco de si na minha vida.
É isso que faz a vida valer a pena ser vivida.
Tudo sempre é novo de novo!
Muito obrigado!!!


O seu atendimento é bom ou excelente?

Nos últimos meses, desloquei-me por vários estados, cidades e hotéis, que em geral têm oferecido um bom serviço. Porém, pergunto: qual a diferença entre um bom e um excelente serviço? A diferença pode estar nos detalhes.

Para quem se desloca de um lado a outro com frequência e usa os serviços dos hotéis já existe certa rotina na ausência da rotina. São muitos os profissionais que enfrentam o ritual de arrumar a mala, viajar, chegar ao hotel, preencher e assinar a ficha de entrada na recepção e ir até o quarto desarrumar para arrumar o que será preciso para a curta estada. Depois do compromisso cumprido, retorna para o hotel, arruma a mala, faz o check oute reinicia-se o processo em outra cidade e em outro hotel. Há um desconforto na necessidade de busca pelo conforto. Foi assim a minha rotina. Foram inúmeros os hotéis, diferentes pessoas na recepção e quase sempre uma dificuldade a mais porque sou usuário de cadeira de rodas. Todos os hotéis tinham acessibilidade boa o suficiente para não gerar nenhum constrangimento. Porém, dentre todos eles um se destacou pelo excelente atendimento, uma vez que foi genuinamente humano.
Fui até o quarto acompanhado pelo recepcionista. Boa conversa, orgulho do trabalho, do hotel e da cidade onde mora. Mostrou-me as instalações indicando o banheiro adaptado. Logo perguntou:
– Está tudo ok. Você precisa de algo mais?
Olhei para o banheiro e comentei:
– Se possível prefiro uma daquelas cadeiras de plástico mesmo. Pode ser?
Ele respondeu que sim. Em menos de cinco minutos chegou ao quarto a camareira com a cadeira pedida. Posicionou-a no banheiro. Ela olhou para mim observando a minha condição de cadeirante, olhou para os meus pés e para o chão do banheiro. Logo perguntou:
– O senhor gostaria de um tapetinho para por no banheiro? Para os seus pés?
– Sim, sim. Gostaria muito.
Não sei como ela se apercebeu dessa necessidade. Para mim um tapete emborrachado no chão faz muita diferença. Não tenho força nas pernas, assim sempre que os pés tocam o chão molhado eles escorregam para um lado e outro. O tapete emborrachado evita esse transtorno. Alguns minutos depois ela voltou com o tapete e o colocou no chão do banheiro.
Fiquei dois dias no hotel e fui para outra cidade. Alguns dias depois retorno para o mesmo hotel. Cheguei à recepção e fui atendido pelo nome. Fiz a ficha, subi para o quarto e o recepcionista já disse:
– Ah, a cadeira de plástico, né?
Logo depois chegou a camareira com a cadeira de plástico. Colocou-a no banheiro e, para a minha surpresa, colocou em frente o tapete emborrachado para os meus pés.
O atendimento que já era bom, no meu entendimento, passou a ser excelente. Emocionei-me, porque percebi que eles me trataram como uma pessoa muito além de um cliente. Eles cumpriram com todos os procedimentos padrões que garantem a qualidade do bom serviço. Sabe-se que existem técnicas e método para isso. Mas eles foram além. Eles viram o ser humano e me ofereceram o tapete que lhes garantiu a classificação de um serviço excelente. Eles estão servindo as pessoas!

Qual é o tapete do seu cliente?

Saindo de fininho

Uma mesa com quatro rapazes. Eles já haviam consumido umas quantas cervejas cada um. Não pagaram. De repente vão se levantando um a um e começam a sair de fininho. O que vai pensar o garçom? Chama os seguranças, fala com o gerente. Chama a polícia! Os caras vão dar o nó! Pensa o garçom desesperado. Não. Nada disso. Na verdade todos eles eram fumantes e somente saíram para fumar o seu cigarrinho. Dali a pouco voltaram e pediram mais uma rodada.

Ah, como seria bom se sempre fosse assim…
Fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/red/2009/09/453635.shtml