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Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

Até que de repente…

De repente, do nada, fica-se sabendo que um amigo se sagra campeão olímpico. Outro conseguiu um emprego sensacional. Um terceiro tem uma empresa de sucesso. A maioria das pessoas se espanta e muitas delas até pensam, Mas que sujeito de sorte. Nasceu com aquilo virado pra lua mesmo!!! Entretanto,…
Veja mais:

quase nunca as pessoas se lembram que o “de repente” foi construído gradativamente.

Aprofundando-se um pouco na história de como a pessoa chegou até onde está ou realizou a sua conquista, uma medalha olímpica, por exemplo, pode-se entender que o “de repente” pode ser dividido em anos de treinamento e dedicação. Esses anos são divididos em meses, em semanas, em dias e em sessões com horas intermináveis de repetições dos mesmos exercícios. O “de repente” que os outros veem não passa de uma rotina diária que leva a pequenos ganhos gradativos. São exercícios para ganho muscular, força e resistência. São outros exercícios para melhorar a técnica. São os estudos para acompanhar a reação do próprio organismo frente aos diferentes tipos de treinos. São as análises para a acertar a regulagem dos equipamentos, em esportes como o remo que usam barcos. É a busca constante de informações sobre novas técnicas e os índices dos outros atletas. Essa rotina somente é sabida por quem se dispõe a percorrê-la. E isso se aplica àquele que conquistou o emprego sensacional e àquele que viabilizou a sua empresa. Nada aconteceu “de repente”. Tudo aconteceu gradativamente até que de repente se estava diante de uma conquista.

Por isso, a superação não é extraordinária. A superação é resultado de atividades ordinárias e de uma prática diária que resultam num resultado extraordinário. Isso é a história da superação e é nela que se revela a força do Ser Humano!

Os pequenos passos da superação…

Fui falar sobre superação e voltei tendo recebido aulas sobre o tema…

Na semana passada fui a cidade de Constantina-RS para falar sobre superação. A palestra teria cunho motivacional, além da minha clara intenção de desmistificar a imagem atrelada a palavra superação. Normalmente associa-se esta palavra a fatos e conquistas grandiosas, embora no meu entendimento ela esteja ligada as ações ordinárias que na sua soma geram resultados extraordinários. Fui falar sobre superação e voltei tendo recebido aulas sobre o tema.

A primeira está descrita no texto Muito orgulho de ter um amigo assim!. Nele relato um momento especial pelo qual passa um grande amigo meu que reside naquela cidade. A segunda esteve a cargo do trabalho realizado pelo Rotary da cidade. Após o evento da noite, um dos integrantes do Rotary, ofereceu-se para me mostrar para onde seriam destinados os recursos obtidos com aquela promoção, além de outros que normalmente arrecadam: a APAE da cidade.

Ao chegar fui conhecer as instalações da escola, mantidas com zelo. Também visitamos as pessoas, os alunos em sua maioria com síndrome de down. Alguns imersos em seus mundos, isolados dentro de si mesmos. Outros alegres e comunicativos a sua maneira. Nem sempre a linguagem é totalmente compreensível para nós, mas ela é exuberante e transparente. Ficam felizes em mostrar o seu progresso e a sua evolução. Naquele dia alguém conseguiu desenhar uma vela. É motivo de alegria. O outro desenhou um ramo de pinheiro. É motivo de comemoração. Ao final se fez um cartão de Natal. Motivo de orgulho e satisfação de todos, alunos, professores e mantenedores. Motivo de felicidade minha que recebi esse gesto de carinho.

A maioria das pessoas pode acreditar que se tratam de pequenos passos, porque são atividades tão simples e corriqueiras que sequer representariam uma evolução. Aí é que está o engano. Caso se tome a métrica de cada um, considerando o nível intelectual individual e as habilidades físicas natas, certamente o caminho percorrido por aqueles alunos é muito, mas muito maior do que nós podemos imaginar. São ações e atividades que podem parecer simples para alguns, mas não para todos. Assim, poderíamos fazer as comparações ao nos perguntarmos o quanto me movi considerando o ponto de partida e o apoio que tive? Quantas oportunidades que recebi que sequer dependiam de mim? Quais aproveitei? Quantos empurrões e incentivos que ganhei que até já esqueci? De onde saí e onde estou? Nessa comparação nós levaríamos um banho…

Onde estou e o que sou é o resultado. A superação é o caminho percorrido para ali chegar e ser o que se é. Diária e constantemente. Por isso, aqueles alunos da APAE são exemplos claros de superação, porque se medíssemos o deslocamento entre o ponto de partida e onde estão considerando a métrica individual, certamente a distância percorrida pela maioria deles é muito maior do que a alcançada pela maioria de nós. São ações ordinárias gerando resultados extraordinários para aquelas pessoas.

Agradecimento ao Rotary de Constantina em nome do Presidente Paulo Garbin; ao Neodi Brandão e a sua esposa Rosane que me convidaram e me receberam em sua casa; ao Eduardo, a Cleusa e a Mari pela visita na APAE; e a todos com quem compartilhei uma noite especial na cidade de Constantina-RS.

Veja fotos e uma entrevista do evento em Constantina-RS.

Muito orgulho em ter um amigo assim!

Receber uma notícia dura, como a existência de  um tumor na região abdominal, pode ser fonte de abatimento, desequilíbrio e depressão. Um grande amigo meu recebeu esse diagnóstico. O nome proferido tem um estigma enorme. Gera-nos calafrios só de lembrar. A reação dele foi natural. Desânimo e revolta inicial… Veja mais:
Questionamentos mil ao querer entender Por que isso agora? Por que eu? Porém, vale destacar que as suas ações, logo após as primeira reações, foram e são admiráveis. Exemplo de pura superação.

Para a alegria de todos trata-se de um tumor localizado. Foi estirpado por uma cirurgia bem sucedida, mas requer um tratamento prolongado, penoso e invasivo: a quimioterapia. Da primeira, sessão realizada trinta dias após a cirurgia, resultaram efeitos colaterais atrozes, como os enjoos. Dois dias em que, segundo o seu relato, muitas vezes se tinha vontade de desistir. Vontade que deu e passou. No dia da segunda sessão eu estive em sua casa quando ele retornou do hospital. Normalmente as pessoas ficam internadas durante os dois dias em que o soro é ministrado. Não o meu amigo. Ele não quis ficar, afinal a vida segue. Trouxe pendurado em seu peito um pequeno frasco com o líquido que lhe seria injetado na veia nos próximos dias. Ao chegar na sua casa por volta das 16h, depois de ter saído às 6h da manhã, demonstrou toda a sua força. Cumprimentou-me com a alegria de sempre. Rapidamente me explicou o que estava acontecendo para em seguida entrarmos em assuntos da rotina de qualquer cidadão. Falamos de planos, projetos e ideias de melhorias para a vida das pessoas. Incrível como a sua preocupação sempre tem o foco naqueles que estão a sua volta. A conversa se estendeu até o momento em que tínhamos o nosso compromisso à noite. Fomos, cumprimos o nosso dever, jantamos e retornamos até a sua casa, onde ainda conversamos por mais uma hora antes de irmos dormir. Na manhã seguinte, quando eu levantei por volta das 8h, ele e sua esposa já haviam saído para cumprir com as suas rotinas de trabalho. Almoçamos juntos, despedimo-nos e retornei para a minha casa. Trouxe comigo a certeza da amizade, mas muito mais do que isso. Trouxe comigo a força daquilo que pode ser entendido como superação.

Naquela situação e frente à dureza de um tratamento quimioterápico, qualquer pessoa teria todos os motivos para se jogar na cama e dela tão cedo não sair. A maioria de nós, simples mortais, se entregaria ao abatimento e à revolta, reação normal pela notícia recebida. Mas o meu amigo não. Ele, mais do que nunca, dedicou todo o seu tempo e energia para continuar a sua batalha na luta pelos objetivos nos quais acredita. Ações ordinárias que na soma resultam num sujeito extraordinário. Isso é exemplo de Superação.

Muito orgulho em ter um amigo assim!

Para Neodi Antônio Brandão

Cegueira…

Quase sempre que assistimos a eventos, shows, jogos ou peças de teatro os aplausos acontecem ao final. Porém, sempre que aqueles que estão à frente do espetáculo se esquecem de que eles estão onde estão por causa das pessoas os aplausos tendem a ser de alívio… Veja mais:
Quando aqueles que conduzem a apresentação passam a acreditar que são estrelas perdem a humildade, ultrapassam a linha da assertividade e se tornam arrogantes. O suposto brilho os ofusca, tirando-lhes a visão. 

Não ver por causa do brilho é a pior cegueira, porque mesmo cego acredita-se estar vendo…

Onde…

A moça estava sentada sozinha na mesa de um bar, bem lá no cantinho.O rapaz, todo cheio de charme e estilo, aproxima-se  dela, prepara aquele olhar sedutor e diz:
– Onde você esteve durante toda a minha vida?

Ela lhe devolve o olhar e logo responde:
– Escondendo-me de você…

Nem sempre a autoconfiança é tudo. Saber analisar o ambiente, observar e respeitar podem muito mais.

É de graça…

O turista se aproxima do taxista e pergunta:

– Quanto custa a corrida para me levar até o aeroporto?

–  São R$ 35,00… responde o taxista.

– E quanto custa para levar a bagagem?

– Ah, a bagagem é de graça.

– Então tá… Por favor, leve a bagagem que eu vou a pé.

As perguntas podem ser capciosas, mas dependem exclusivamente da intenção de quem a faz.

Seja autêntico! Pergunte para aprender, para ensinar e para fazer fluir!


Olhe mais uma vez e você verá que na compra dos livros:
  • Perguntar não ofende… 
  • Olhe mais uma vez! Em cada situação novas oportunidades 


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É o “canal…”

Chegamos na Pousada onde passaríamos os próximos cinco dias. Fomos recebidos com muita cordialidade, embora pudéssemos notar o ar um pouco assustado daquele jovenzinho que nos recebia. Não tinha nada a ver com o fato de eu ser usuário de cadeira de rodas, mas percebia-se a falta de familiaridade com a rotina do ambiente da própria pousada onde trabalhava. Logo percebemos que era novo na empresa. Apresentamos a nossa reserva feita com vários meses de antecedência pelo booking. Ele pegou o papel e começou a tentar localizar a reserva. A tela do computador no balcão também nos permitia ver as informações. Ele clicava num campo e noutro e nada de aparecer nossos nomes. Via-se que ele estava ficando mais nervoso. Olhou-nos meio de lado e disse:
– Não acho o nome de vocês, mas sem lugar para dormir ninguém vai ficar. Deu uma risadinha e complementou. A Pousada está quase vazia…
E continuava tentando localizar a nossa reserva. Eu disse:
– Tudo bem. Não tem problema. Nós só queríamos que nos fosse dado um quarto adaptado, de fácil acesso…
Ele rápida e orgulhosamente disse:
– Aqui no térreo todos os quartos são adaptados… E depois emendou: – Eu sou novo aqui. Não consigo encontrar a reserva. Vou ligar para o chefe…
Logo o ouvimos perguntando:
– Como eu localizo uma reserva feita pelo booking?
Obteve uma resposta e fez outra pergunta:
– O cliente é um cadeirante… e olhou-me como que pedindo confirmação se havia dito a palavra certa ao se referir a mim. – Será que você dizer qual apartamento é “o canal” pra ele?
Minha esposa e eu nos entreolhamos e rimos do uso daquela gíria. Notamos que a pessoa do outro lado não havia entendido a pergunta. O atendente a refez:
– Qual quarto é o melhorzinho para ele?

Melhorzinho… Pensei. Não sabemos o que o chefe disse do outro lado, mas nós rimos muito da inexperiência do atendente revelada no uso das palavras. As palavras também revelaram a falta de um treinamento adequado para o pessoal que mantém contato direto com o clientes. Para nós, estava tudo bem. Estávamos de férias mesmo. Era “o canal” estarmos ali. Para empresa, entretanto, “o canal” seria dedicar um tempo a mais de treinamento aos colaboradores antes de jogá-los na água para nadar. O canal pode ser turbulento e levar todos ao fundo…

O seu trabalho lhe é trabalhoso?


Prontinho para embarcar. O ônibus encosta e logo vejo o sinal de acessibilidade na porta. Mas eu sei que a acessibilidade é limitada. O motorista desce, olha e me vê. Muitas vezes, motoristas de ônibus e taxistas quando veem um usuário de cadeira de rodas já ficam apreensivos. Não me pareceu o caso… Ele faz um cumprimento com a cabeça, enquanto é abordado por outros passageiros. A agonia para entrar logo no ônibus é impressionante. Não é só em ônibus. Onde quer que haja uma porta, um acesso ou a indicação que se pode passar, logo que o primeiro se para em frente a fila se forma. Mas não é disso que vou falar… Minha esposa e eu continuamos a observar a muvuca. Vimos pessoas alegres. Vimos pessoas serenas. E vimos outras tantas com aquele ar nervoso, irritado e estressado. O motorista, porém, era saudado com alegria por quase todos. Percebia-se que muitos o conheciam. Tratavam-no com simpatia, porque assim ele os recebia. O seu semblante transmitia a mensagem de que o trabalho que fazia não lhe era trabalhoso. Os estranhos, acredito, eram contaminados por aquele jeito brincalhão e terminavam por se descontrair também. Vi que ele olhou novamente em nossa direção. Aproveitei para me aproximar e dizer:
– Fica tranquilo, pode embarcar os demais que no final nós subimos.
O motorista deu um sorriso, fez um sinal de positivo e continuou o seu trabalho. O rapaz que nos havia vendido as passagens estava ajudando os passageiros com as malas. Era ágil e também exibia o comportamento de que o seu trabalho era algo fácil. Percebia-se que muitas malas pesavam muito, mas não lhe parecia pesado. Quase todos já haviam entrado e nós ali observando. Comentei com a Andréia:
– Como será que vai ser melhor para subir? Eu me arrastar ou pedir para que me subam? Dá uma olhada, a escada tá bem suja… 
– É, disse ela, acho que eles vão nos ajudar. Eu posso carregar as tuas pernas e eles te pegam nas costas.
Logo chegou a nossa vez. O motorista e o seu ajudante se aproximaram. Para quebrar o gelo fiz um brincadeira:
– Bom, ainda sobrou uma mala pra vocês… Referindo-me a mim.
Eles sorriram e me perguntaram se eu tinha algum movimento. Como disse que não eles pediram como queria que eles me ajudassem.
– Um pode pegar nas pernas, aqui na região dos joelhos, e o outro terá que me pegar por trás…
Fez-se silêncio. Brinquei:
– Pode pegar, mas com todo respeito, viu?
Todos rimos. O motorista então falou:
– Ô, Amado Batista, vê se não ri aí. A esposa do homem tá aqui junto…
E assim subimos e nos acomodamos na primeira fileira daquele ônibus que saía de São Paulo para Campos do Jordão. O motorista não estava isolado dos passageiros. Assim nós o víamos e podíamos observar como ele interagia com as pessoas que subiam e desciam do ônibus. Para cada passageiro que descia uma despedida simpática. Para cada passageiro que subia um desejo de boa viagem. A sua cordialidade era algo fenomenal. Percebia-se que todos gostavam, porém, quem mais se realizava era ele mesmo. Sentimos que ele se sentia feliz em fazer a viagem dos seus passageiros melhor.

Chegamos a São José dos Campos. Lá o ônibus ficou lotado. No caminho para a próxima cidade ele não podia carregar mais ninguém. Porém, no ponto onde havia alguém esperando ele parava e dizia:
– Desculpe-me, não posso levá-lo. Estou lotado. Mas daqui a 30 minutos vem o próximo…

As pessoas até faziam muxoxo, mas logo retribuíam com um agradecimento a disponibilidade do motorista em informá-los. Ficavam felizes com o respeito demonstrado. E o motorista era respeitado por isso.

Poderia ter sido uma viagem chata e aborrecida, porque fizemos muitas paradas. Entramos em várias cidades. Mas o ambiente não poderia ser melhor. Depois de 4h, para percorrer os 170km do trajeto, descemos em Campos do Jordão.

Ao nos despedirmos do motorista, falei:
– Parabéns! Foi muito bom viajar contigo. É muito bom ver alguém fazendo o que gosta de fazer.
Ele agradeceu. Certamente recebia muitos elogios diariamente, mas nós não poderíamos deixar de fazê-lo. Afinal, era real.

Para muitas pessoas, talvez o trabalho de ser um motorista de ônibus possa parecer difícil, assim como tantas outras profissões. Quantas vezes não pegamos um ônibus em que se observam motoristas e ajudantes irritados, estressados e rabugentos. Uma simples pergunta sobre qualquer assunto que seja já os tira dos eixos. E isso se repete em muitas profissões. Isso nos faz refletir que uma pessoas pode se realizar como motorista de ônibus, cobrador, ajudante ou qualquer outra profissão que escolha exercer, porque a decisão de gostar do que faz ou não é de cada um.

Por isso, pode-se deduzir que gostar do que se faz depende muito mais de quem faz do daquilo que se faz.

E você, gosta do que faz? O seu trabalho lhe é trabalhoso? A decisão é sua…

Foto com o motorista Zé Carlos em Campos do Jordão.
Por meio dela estendo a minha homenagem ao Luiz Alberto, Amado Batista, ao rapaz que emitiu as passagens no Aeroporto de Guarulhos e a todas as pessoas que compõem a empresa Pássaro Marron que deram um exemplo de respeito e humanidade. Parabéns!