Todos os posts de Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

Cegueira…

Quase sempre que assistimos a eventos, shows, jogos ou peças de teatro os aplausos acontecem ao final. Porém, sempre que aqueles que estão à frente do espetáculo se esquecem de que eles estão onde estão por causa das pessoas os aplausos tendem a ser de alívio… Veja mais:
Quando aqueles que conduzem a apresentação passam a acreditar que são estrelas perdem a humildade, ultrapassam a linha da assertividade e se tornam arrogantes. O suposto brilho os ofusca, tirando-lhes a visão. 

Não ver por causa do brilho é a pior cegueira, porque mesmo cego acredita-se estar vendo…

Onde…

A moça estava sentada sozinha na mesa de um bar, bem lá no cantinho.O rapaz, todo cheio de charme e estilo, aproxima-se  dela, prepara aquele olhar sedutor e diz:
– Onde você esteve durante toda a minha vida?

Ela lhe devolve o olhar e logo responde:
– Escondendo-me de você…

Nem sempre a autoconfiança é tudo. Saber analisar o ambiente, observar e respeitar podem muito mais.

É de graça…

O turista se aproxima do taxista e pergunta:

– Quanto custa a corrida para me levar até o aeroporto?

–  São R$ 35,00… responde o taxista.

– E quanto custa para levar a bagagem?

– Ah, a bagagem é de graça.

– Então tá… Por favor, leve a bagagem que eu vou a pé.

As perguntas podem ser capciosas, mas dependem exclusivamente da intenção de quem a faz.

Seja autêntico! Pergunte para aprender, para ensinar e para fazer fluir!


Olhe mais uma vez e você verá que na compra dos livros:
  • Perguntar não ofende… 
  • Olhe mais uma vez! Em cada situação novas oportunidades 


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É o “canal…”

Chegamos na Pousada onde passaríamos os próximos cinco dias. Fomos recebidos com muita cordialidade, embora pudéssemos notar o ar um pouco assustado daquele jovenzinho que nos recebia. Não tinha nada a ver com o fato de eu ser usuário de cadeira de rodas, mas percebia-se a falta de familiaridade com a rotina do ambiente da própria pousada onde trabalhava. Logo percebemos que era novo na empresa. Apresentamos a nossa reserva feita com vários meses de antecedência pelo booking. Ele pegou o papel e começou a tentar localizar a reserva. A tela do computador no balcão também nos permitia ver as informações. Ele clicava num campo e noutro e nada de aparecer nossos nomes. Via-se que ele estava ficando mais nervoso. Olhou-nos meio de lado e disse:
– Não acho o nome de vocês, mas sem lugar para dormir ninguém vai ficar. Deu uma risadinha e complementou. A Pousada está quase vazia…
E continuava tentando localizar a nossa reserva. Eu disse:
– Tudo bem. Não tem problema. Nós só queríamos que nos fosse dado um quarto adaptado, de fácil acesso…
Ele rápida e orgulhosamente disse:
– Aqui no térreo todos os quartos são adaptados… E depois emendou: – Eu sou novo aqui. Não consigo encontrar a reserva. Vou ligar para o chefe…
Logo o ouvimos perguntando:
– Como eu localizo uma reserva feita pelo booking?
Obteve uma resposta e fez outra pergunta:
– O cliente é um cadeirante… e olhou-me como que pedindo confirmação se havia dito a palavra certa ao se referir a mim. – Será que você dizer qual apartamento é “o canal” pra ele?
Minha esposa e eu nos entreolhamos e rimos do uso daquela gíria. Notamos que a pessoa do outro lado não havia entendido a pergunta. O atendente a refez:
– Qual quarto é o melhorzinho para ele?

Melhorzinho… Pensei. Não sabemos o que o chefe disse do outro lado, mas nós rimos muito da inexperiência do atendente revelada no uso das palavras. As palavras também revelaram a falta de um treinamento adequado para o pessoal que mantém contato direto com o clientes. Para nós, estava tudo bem. Estávamos de férias mesmo. Era “o canal” estarmos ali. Para empresa, entretanto, “o canal” seria dedicar um tempo a mais de treinamento aos colaboradores antes de jogá-los na água para nadar. O canal pode ser turbulento e levar todos ao fundo…

O seu trabalho lhe é trabalhoso?


Prontinho para embarcar. O ônibus encosta e logo vejo o sinal de acessibilidade na porta. Mas eu sei que a acessibilidade é limitada. O motorista desce, olha e me vê. Muitas vezes, motoristas de ônibus e taxistas quando veem um usuário de cadeira de rodas já ficam apreensivos. Não me pareceu o caso… Ele faz um cumprimento com a cabeça, enquanto é abordado por outros passageiros. A agonia para entrar logo no ônibus é impressionante. Não é só em ônibus. Onde quer que haja uma porta, um acesso ou a indicação que se pode passar, logo que o primeiro se para em frente a fila se forma. Mas não é disso que vou falar… Minha esposa e eu continuamos a observar a muvuca. Vimos pessoas alegres. Vimos pessoas serenas. E vimos outras tantas com aquele ar nervoso, irritado e estressado. O motorista, porém, era saudado com alegria por quase todos. Percebia-se que muitos o conheciam. Tratavam-no com simpatia, porque assim ele os recebia. O seu semblante transmitia a mensagem de que o trabalho que fazia não lhe era trabalhoso. Os estranhos, acredito, eram contaminados por aquele jeito brincalhão e terminavam por se descontrair também. Vi que ele olhou novamente em nossa direção. Aproveitei para me aproximar e dizer:
– Fica tranquilo, pode embarcar os demais que no final nós subimos.
O motorista deu um sorriso, fez um sinal de positivo e continuou o seu trabalho. O rapaz que nos havia vendido as passagens estava ajudando os passageiros com as malas. Era ágil e também exibia o comportamento de que o seu trabalho era algo fácil. Percebia-se que muitas malas pesavam muito, mas não lhe parecia pesado. Quase todos já haviam entrado e nós ali observando. Comentei com a Andréia:
– Como será que vai ser melhor para subir? Eu me arrastar ou pedir para que me subam? Dá uma olhada, a escada tá bem suja… 
– É, disse ela, acho que eles vão nos ajudar. Eu posso carregar as tuas pernas e eles te pegam nas costas.
Logo chegou a nossa vez. O motorista e o seu ajudante se aproximaram. Para quebrar o gelo fiz um brincadeira:
– Bom, ainda sobrou uma mala pra vocês… Referindo-me a mim.
Eles sorriram e me perguntaram se eu tinha algum movimento. Como disse que não eles pediram como queria que eles me ajudassem.
– Um pode pegar nas pernas, aqui na região dos joelhos, e o outro terá que me pegar por trás…
Fez-se silêncio. Brinquei:
– Pode pegar, mas com todo respeito, viu?
Todos rimos. O motorista então falou:
– Ô, Amado Batista, vê se não ri aí. A esposa do homem tá aqui junto…
E assim subimos e nos acomodamos na primeira fileira daquele ônibus que saía de São Paulo para Campos do Jordão. O motorista não estava isolado dos passageiros. Assim nós o víamos e podíamos observar como ele interagia com as pessoas que subiam e desciam do ônibus. Para cada passageiro que descia uma despedida simpática. Para cada passageiro que subia um desejo de boa viagem. A sua cordialidade era algo fenomenal. Percebia-se que todos gostavam, porém, quem mais se realizava era ele mesmo. Sentimos que ele se sentia feliz em fazer a viagem dos seus passageiros melhor.

Chegamos a São José dos Campos. Lá o ônibus ficou lotado. No caminho para a próxima cidade ele não podia carregar mais ninguém. Porém, no ponto onde havia alguém esperando ele parava e dizia:
– Desculpe-me, não posso levá-lo. Estou lotado. Mas daqui a 30 minutos vem o próximo…

As pessoas até faziam muxoxo, mas logo retribuíam com um agradecimento a disponibilidade do motorista em informá-los. Ficavam felizes com o respeito demonstrado. E o motorista era respeitado por isso.

Poderia ter sido uma viagem chata e aborrecida, porque fizemos muitas paradas. Entramos em várias cidades. Mas o ambiente não poderia ser melhor. Depois de 4h, para percorrer os 170km do trajeto, descemos em Campos do Jordão.

Ao nos despedirmos do motorista, falei:
– Parabéns! Foi muito bom viajar contigo. É muito bom ver alguém fazendo o que gosta de fazer.
Ele agradeceu. Certamente recebia muitos elogios diariamente, mas nós não poderíamos deixar de fazê-lo. Afinal, era real.

Para muitas pessoas, talvez o trabalho de ser um motorista de ônibus possa parecer difícil, assim como tantas outras profissões. Quantas vezes não pegamos um ônibus em que se observam motoristas e ajudantes irritados, estressados e rabugentos. Uma simples pergunta sobre qualquer assunto que seja já os tira dos eixos. E isso se repete em muitas profissões. Isso nos faz refletir que uma pessoas pode se realizar como motorista de ônibus, cobrador, ajudante ou qualquer outra profissão que escolha exercer, porque a decisão de gostar do que faz ou não é de cada um.

Por isso, pode-se deduzir que gostar do que se faz depende muito mais de quem faz do daquilo que se faz.

E você, gosta do que faz? O seu trabalho lhe é trabalhoso? A decisão é sua…

Foto com o motorista Zé Carlos em Campos do Jordão.
Por meio dela estendo a minha homenagem ao Luiz Alberto, Amado Batista, ao rapaz que emitiu as passagens no Aeroporto de Guarulhos e a todas as pessoas que compõem a empresa Pássaro Marron que deram um exemplo de respeito e humanidade. Parabéns!


O papagaio…

Havia um homem que viajava o mundo regularmente. De quase cada cidade visitada ele comprava algo e enviava para a sua mãe. Numa determinada cidade ele encontrou um papagaio que falava mais de trinta línguas. Imediatamente ele o comprou enviando-o para a sua mãe. Alguns dias depois o homem ligou para saber se ela havia gostado do presente. Perguntou:
– E então, mãe, gostou do papagaio?
Ela respondeu:
– Sim, sim. Ele estava delicioso!
– O que? Delicioso? Você comeu o papagaio? Ele não era para comer. O papagaio falava mais de trinta línguas…
A mãe ficou em silêncio por alguns instantes e disse:
– Mas por que ele não disse nada?

Muitas vezes, ninguém vai adivinhar as suas habilidades e competências se você não falar e demonstrar o que sabe. Para isso, transforme o seu potencial em talento deixando-o trabalhar para você e para a comunidade onde você está inserido. Assim, além de saber fazer é necessário fazer saber.



Anedota extraída:

Uma cadeira com asas…

No último final de semana me permiti algo que muitas vezes não imaginava estar ao meu alcance. Com o pretexto de levar o meu sobrinho ao Beto Carrero, minha esposa e eu também fomos. Compramos os passes. No site não havia nenhuma informação ou publicidade sobre a acessibilidade do local. Mesmo assim fui. Certamente banheiros adaptados existiriam…
Lá chegando o primeiro brinquedo a ser procurado por nós foi a montanha russa convencional. Ao nos aproximarmos da fila uma simpática atendente nos interpelou:
­- Vocês querem ir na montanha russa?

– Sim, disse eu. Posso ir também?Com a dúvida estampada na cara se seria possível para um usuário de cadeira de rodas entrar na montanha russa…

– Claro disse ela. Vocês podem entrar pela saída. O acesso é melhor.
E seguimos a menina. Em mais alguns minutos lá estava eu sentindo os calafrios e as sensações estranhas que esses brinquedos provocam. Saímos extasiados do primeiro desafio. Seguimos em frente. Fomos para a montanha russa invertida. Continuava me perguntando, Será que posso ir?revelando a construção da crença de que aquilo não era para mim. Certamente resultado de uma história de exclusões a que muitas pessoas aceitam e são submetidas por um  ou outro motivo.
Chegamos ao novo brinquedo e o mesmo atendimento nos foi dispensado. Todo o cuidado com a minha condição física, bem como com as pessoas que me acompanhavam. Procuravam nos colocar juntos para que assim pudéssemos “curtir” aqueles momentos. Mais alguns instantes e já estava dependurado na cadeira daquela montanha. O chão desapareceu. Ela começou a se mover lentamente. A velocidade aumentou. O primeiro looping foi dado. Eu já não sabia onde estava. Um turbilhão de sensações se misturavam. Emocionei-me com o fato de estar fazendo algo que julgava não ser possível porque talvez os equipamentos não fossem adaptados. Passei pelos brinquedo mais radicais num sequência bastante rápida. Tá certo que não repeti, porque já estava ficando mareado… Cabe destacar que no parque tudo funciona para todos.
Esse foi o ponto que mais me chamou a atenção. A naturalidade com que as pessoas são tratadas, com ou sem deficiência. Ela já se revela no site. Não há “publicidade” sobre responsabilidade social ao se oferecer acesso às pessoas com deficiência. Ela simplesmente existe. É assim que deveria ser.
Foi um final de semana para levar na memória por muito tempo. A companhia da minha esposa (Andréia) e do meu sobrinho (Wagner) num ambiente que dá possibilidades. Visitar o Beto Carrero foi muito mais do que dar asas a imaginação. Também a cadeira me tirou do chão. Deu-me uma cadeira com asas!
É, aqui as emoções já estavam ficando um pouco fortes demais…

Faça tudo…

  • “Viva cada dia de sua vida como se fosse o último, pois um dia desses vai ser mesmo.” Alfred E. Newman ,…mas lembrando que há grandes chances que você ultrapasse os 80 anos!

  • Por isso, faça tudo que você possa compartilhar com seus pais, desfrutar com os seus amigos e falar para os seus filhos!