Todos os posts de Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

A CARNE É FRACA! sERÁ?

A carne é fraca?…

A discussão se aproximava de um possível ponto de ruptura na relação conjugal. Ele se desculpava. Ela o lembrava de que não era a primeira vez que ele deixava de cumprir com o compromisso assumido com ela por meio do casamento. A cena se repetia. Ele argumentou:

– Perdão, meu amor, é que a carne é fraca!

Ela não falou nada. Não precisava. A pergunta que se faz: será verdade que a carne é fraca? A expressão tem origem bíblica (Marcos 14:38) e, quase sempre retirada de contexto para se justificar pelos comportamentos divergentes dos compromissos assumidos. Trata-se de uma desculpa para aqueles que tem o caráter, a mente, e o espírito fracos. A expressão afasta da pessoa a responsabilidade pelas escolhas feitas e pelas decisões tomadas. Por isso, “a carne é fraca” quando você assume o compromisso da fidelidade num relacionamento conjugal e não o cumpre, revelando um caráter frouxo. “A carne é fraca” tão logo você se compromete a entregar determinados resultados numa organização e não os entrega, mostrando a falta de empenho como característica. “A carne é fraca” no momento em que a pessoa afana, rouba, assalta ou desvia recursos de outros para saciar desejos privados, deixando a integridade em segundo plano não querendo arcar com o ônus do ato. “A carne é fraca” sempre e quando confundimos as necessidades humanas com os desejos mundanos, justificando-nos pelas escolhas feitas em detrimento de compromissos espontaneamente assumidos. Desse modo, usar somente parte da expressão como justificativa de uma escolha mal feita, reforça o entendimento de que “a carne é fraca” para quem não tem o caráter forte. A expressão completa encontrada no versículo citado é “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. Aqui resgata-se a autonomia, o livre arbítrio ou o poder de escolha que cabe a cada um juntamente com as responsabilidades inerentes. Podemos falar de Inteligência Positiva para resgatar o nosso sábio, porque vigiar para não se deixar levar pelas tentações de não cumprir com os compromissos é o trabalho de diminuir a influência dos sabotadores. A pausa é essencial para observar sem culpar o outro e sem se culpar para manter a escolha feita. A pausa é fundamental para registrar os sentimentos próprios e os alheios pelas decisões tomadas. A pausa faz toda diferença para identificar as necessidades sem confundi-las com os desejos. Enfim, a Pausa é que te dará a opção de se expressar autenticamente, agindo em conformidade com as escolhas e os fatos sem tirar de contexto uma expressão para justificar, por vezes, o injustificável.

Depois de ouvir a justificativa de que “a carne é fraca” ela ficou em silêncio. Fez uma pausa. Observou. Sentiu. Soube o que queria. E respondeu:

– Foi uma escolha tua. Respeito. Agora assuma as consequências…

Ela se expressou com a sabedoria de quem conseguiu dominar os seus sabotadores internos para fazer a sua escolha. Ela soube naquele momento que uma pessoa não é uma necessidade, mas que a presença, a companhia e a conexão são necessidades essenciais para ela que devem estar acompanhadas de integridade, honestidade, lealdade e fidelidade. Desse modo, sempre que for usar a justificativa de que a carne é fraca é essencial lembrar que o espírito deve ser preparado para estar pronto para vigiar e assumir as responsabilidades pelas escolhas feitas. Por fim, entendo que “a carne é fraca quando o caráter não é forte”!

Moacir Rauber

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DEMASIADAMENTE HUMANOS!

“Demasiadamente Humanos” revela uma busca diária e ininterrupta pelo sentido da vida na relação humana com a centelha divina.

Somos Únicos. Somos Múltiplos.

Somos Singulares. Somos Plurais.

Somos Humanos. Somos Divinos.

Enfim, entendo que é a nossa Humanidade que nos aproxima do Divino.

No sábado (08-10-22) fui convidado para conversar com a Pepita Soler e o Prof. Jefferson Sampaio. Seria uma reunião rápida. A Pepita já me havia despertado a curiosidade, porque disse que haveria uma surpresa. Que surpresa? Ora, é surpresa! Assim começou nossa conversa. Assunto daqui e dali, até que enfim revelaram a surpresa: o livro “Demasiadamente Humanos”. O Jefferson escolheu os textos, fez a diagramação, a edição e a introdução. A Pepita dispôs a estrutura, o apoio e os textos publicados em seu site. O resultado um livro que traduz o título lindamente criado pelo Jefferson.

Fica o convite para baixarem e lerem o livro (link: https://pepitassecretariesclub.com/ebooks/e-book-demasiadamente-humano-por-moacir-rauber/), retroalimentando-nos com as suas contribuições humanas, oxalá com a inspiração divina. Porque…

EU AFETO O MUNDO. O MUNDO ME AFETA. COM AFETO O MUNDO É MELHOR!

Muito Obrigado minha amiga Pepita e toda a força do Pepitas Secretaries Club!!!

Muito obrigado meu caro Jefferson Sampaio!!!

Muito obrigado com o compromisso público de fazer algo de concreto para um mundo melhor!

NÃO FALE TUDO, GRITE!

Não fale tudo, GRITE!

A coragem de se falar tudo o que se pensa, muitas vezes, é motivo de orgulho para alguns, razão de preocupação para outros e um desafio para muitos. Nós ouvíamos o diretor da empresa falar com o peito estufado pelo orgulho de que ele falava o que pensava e não lhe importava quem estivesse presente. Ele falava! Nós estávamos ali com nossa presença física, não necessariamente o escutávamos. Ele arrematou:

– Falo tudo o que me vem à cabeça!

Naquele momento, necessitávmos da sua aprovação para que o projeto seguisse, assim silenciamos, sem dizer se concordávamos ou não. Creio que se vive um momento em que a autoridade não se sustenta mais por um cargo ou uma função que alguém ocupa, ainda que tenha sido legitimamente conquistada. Tampouco se trata de questionar por questionar o papel que cada um ocupa nas diferentes interações sociais. Entretanto, entendo que não há mais espaço para que as relações não tenham como base o respeito entre as pessoas, independentemente de sua posição hierárquica ou social. Isso porque nenhuma posição hierárquica ou social é real, embora seja real a responsabilidade pelas ações derivadas dessa posição. Assim, as ações deveriam ser decorrentes das intenções que deveriam trazer em seu âmago o respeito por si e pelo outro. Por isso, aquele que falar tudo o que lhe vem à cabeça e da forma como vem, desrespeita o respeito. Além disso, entendo que seguidamente falar tudo o que vem à cabeça pode revelar alguém que tem baixa autoconfiança, uma limitada autoestima e um orgulho arrogante que o distancia da coragem. Muitas vezes, esse falar sempre revela alguém com pouco equilíbrio emocional, porque em determinadas situações há que ter coragem para silenciar. Silenciar seria o caminho? Não. Santa Catarina de Sena (1347 – 1380) dizia, “Basta de silêncio! Gritem com mil línguas. Foi por terem os homens calado que o mundo hoje está apodrecido.” Desse modo, julgo que algumas questões devem ser consideradas para que falar tudo seja viável, possível e realizável, sem que seja um sinal de pouco equilíbrio. Preocupar-se por falar tudo o que se pensa é sinal de consciência sobre um mundo que cada um carrega. Assim como desejar falar tudo o que se pensa no tempo apropriado é uma busca de quem tem a consciência de que há um caminho a ser percorrido entre aquilo que se pensa e aquilo que se fala. Para mim, sinal de evolução. Assim, como falar tudo o que se pensa? (0) Faça uma pausa e conte até dez. (1) Observe o que é fato. (2) Sinta e averigue o que o outro poderia estar sentindo. (3) Avalie o que realmente importa. (4) Expresse-se com respeito por si e pelo outro. (5) Repita o processo diante de situações aparentemente conflituosas, lembrando de que aquilo que você fala seja melhor do que o silêncio da sua pausa. É um exercício de prender os seus sabotadores internos deixando de criticar os outros, de criticar a situação ou de se criticar. Faça o movimento de ativar o seu sábio ao praticar a empatia e a autoempatia; ao explorar a situação sem julgar; ao navegar por alternativas; ao inovar na forma de falar sendo inteligente positivamente. Fale tudo o que precise falar com afeto. Deixe a sua alma gritar!

O diretor que sempre falava tudo o que lhe vinha à cabeça sem se preocupar com o outro saiu da organização. O seu orgulho era irreal porque não havia o cuidado com o outro o que gerava preocupação em muitos. Está batendo em outras portas. Ele não havia mudado o que pensava para falar tudo o que pensava. Sei que nem tudo o que eu penso eu posso dizer, mas posso mudar o que penso para poder dizer tudo. Isso é possível! Dessa forma, “gritem” com a autoconfiança de quem sabe que o mundo não é justo, mas que eu posso ser. “Gritem” com a autoestima de quem se cuida e cuida do outro. “Gritem” com a humildade que revela o respeito de quem se respeita e com isso respeita o outro.

Moacir Rauber

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EU MEREÇO! SERÁ?

Eu mereço!!! Será?

Mais uma semana que termina seguindo a rotina. O marido passa o tempo na fazenda, trabalhando, pois é o provedor da família. Do seu trabalho dependem os três filhos e a esposa, seu núcleo familiar primário. Ele também ajuda os pais da esposa que passam por dificuldades, além de contribuir com trabalho e recursos na comunidade a qual pertencem. É a escola que demanda recursos. É a igreja que demanda tempo. Desse modo, o cansaço é grande. Muitas vezes, quando chega em casa, a única vontade que tem é a de se deitar no sofá e ver um pouco de televisão. Entretanto, nem tudo é tão simples. A esposa e os filhos querem a sua a participação nas atividades sociais que programaram durante a semana. Assim, qualquer menção por parte do cônjuge mantenedor de não querer participar ou de não querer promover uma reunião social, transforma-se em motivo de briga. Toda a argumentação é respaldada pelo fato de que haviam ficado a semana toda em casa, justificado pelo bordão: Eu mereço!

O fato chega a ser cômico, uma vez que o cônjuge que diz  “eu mereço” se autopremia com o esforço alheio. É um exemplo domiciliar com o marido e a esposa. Poderia ser o contrário, assim como se pode constatar o fenômeno nos mais diferentes ambientes. As pessoas  se autopremiam, antes mesmo do merecimento. Pode-se observar colaboradores que não colaboram tanto assim, mas se julgam merecedores de benefícios; existem donos de empresas que se beneficiam do esforço alheio, sem a devida contrapartida; há professores que não ensinam e tampouco aprendem, mas que querem o reconhecimento; se encontram pessoas que não contribuíram, mas que se aposentam; e tem jovens e adolescentes que não se autosutentam, mas se arrogam o direito de receberem uma premiação pelo esforço que ainda não fizeram. Essas são situações de pessoas que se autopremiam pelo esforço alheio. Exercer o autocuidado é uma necessidade humana que leva a que as pessoas se deem mimos e aproveitem a vida com certas regalias. Creio esse ser um norte dos indivíduos que os move em busca de melhorar a própria vida, podendo igualmente melhorar a dos demais. Entrementes, antes de proclamar “Eu mereço!” a pessoa deve saber: merece? De onde virá o prêmio? As custas de quem virá o benefício que se está auto atribuindo? Assim, usar elementos da comunicação Não-Violenta e da Inteligência positiva pode contribuir para se cuidar cuidando do outro. Logo, observo pessoas se auto premiando sem contudo se questionar por que merecem aquilo que se atribuem. Muitos se afundam em dívidas, mas não abrem mão do prêmio. É o sabotador esquivo atuando. Outros se premiam mesmo que seja as custas de ofensas, agressões e prejuízos a terceiros. É o sabotador controlado agindo. Eu também, às vezes, creio que mereço certas benesses. Porém, sempre cabe perguntar: as custas de quem? Essa pergunta ajuda a que se observe os fatos e se identifique se é uma ação sábia ou sabotadora. Por isso, uma organização, seja social ou empresairal, onde todos produzem se torna mais justa. Quando todos são, interdependentementes, responsáveis pelo esforço para se alcançar determinados resultados, também o fato de fruir dos benefícios torna-se mais legítimo. Fazer uma pausa para observar com auteticidade quais as necessidades e os sentimentos envolvidos, bem como resgatar a sabedoria com a empatia para avaliar as diferentes alternativas, diminui a violência e aumentee a positividade.

“Eu mereço!” e o outro merece. É uma reflexão resultado da prática da observação, que aponta um fenômeno que pode ser muito bom ao identificar que as pessoas estão se preocupando  consigo mesmas, dando-se o direito da autopremiação. Observe, sinta, veja as necessidades e peça com a sabedoria de quem sabe o que quer sem descuidar do outro que merece. Presenteie-se! Muito justo, desde que você mereça…

Moacir Rauber

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POR QUE TEM TANTOS VELHOS AQUI?

A SABEDORIA NA CONEXÃO COM AQUILO QUE FAZEMOS É ESSENCIAL!

Por que tem tantos velhos aqui?

A família foi ao seu compromisso semanal com a espiritualidade. Os pais convenceram um dos jovens filhos a acompanhá-los. O filho olha para os lados e se sente desconfortável. Ele está com seus cabelos coloridos, enquanto a maioria dos presentes tem cabelos brancos. Ele carrega piercings nas orelhas e no nariz que parecem destoar das rugas que a maioria das pessoas exibiam no rosto e no pescoço. Ele pensou, definitivamente, aqui não é o meu lugar. Entre incomodado e irritado, aproximou-se do ouvido da mãe e disse:

– Por que tem tantos velhos aqui?

– Uma boa pergunta…

A mãe pensou, Fico feliz de estar entre tantas pessoas maduras. Ao observar lugares como templos, igrejas, sinagogas ou outros espaços dedicados a vida espiritual é muito comum ver mais pessoas idosas do que jovens. Ao pensar sobre a maturidade, creio que nesses lugares se encontram um grande número de sábios.

Para muitos dos idosos e dos anciãos não faz mais sentido se olhar no espelho para encontrar defeitos ou imperfeições, porque elas são parte integrante da jornada e da própria existência.

Desse modo, para parte dos idosos que são vistos em espaços contemplativos ou que exibem comportamentos compassivos o CRÍTICO, sabotador principal, PERDEU (Inteligência Positiva). Com isso, ele não tem força de atração para criticar a si ou aos outros, bem como não faz sentido criticar as situações que não pode afetar. Ao escolher afetar, o ancião afeta com afeto. Assim sendo, o INSISTENTE perde força e se o cabelo está azul ou branco não faz diferença. O PRESTATIVO se torna autêntico ao atender as próprias necessidades sem se descuidar das do outro. O HIPER-REALIZADOR volta ao seu tamanho normal, porque somente faz o que pode fazer. A VÍTIMA não encontra mais ressonância porque o final chegará para todos. O HIPER-RACIONAL não tem relevância porque a vida passou e ainda assim não se sabe de onde viemos e para onde vamos. Ansiedade para quê? Dessa maneira, o HIPERVIGILANTE pode descansar e o INQUIETO já não está mais tão agitado, porque a experiência que verdadeiramente importa está nas pessoas e nas relações que se mantêm. Igualmente, o ESQUIVO diminuiu pelo caminho em que tarefas e conflitos não agradáveis foram superados que já não há nada que possa exasperar a um velhinho, sábio. Enfim, CONTROLADOR do quê? Sim, a vida passou e cada um vai percebendo que as escolhas que fazemos podem nos levar para situações que não queríamos. Desse modo, o que está em nosso controle? Se nos aproximamos da Comunicação Não violenta (Marshall Rosenberg), está no nosso controle PAUSAR para OBSERVAR um jovem e não o julgar. Está em nosso controle PAUSAR e registrar o próprio SENTIMENTO, sabendo que fui jovem com medos que me acompanham até hoje. Está em nosso controle identificar as próprias NECESSIDADES que podem ser diferente da do jovem nesse momento, mas que no final são as mesmas. Enfim, está no meu controle EXPRESSAR-ME de maneira autêntica com a consciência do AFETO. O passo a passo da CNV faz com que o SÁBIO emerja e os sabotadores submerjam. E o piercing no nariz? Pouco importa.

Uma opção é buscar no conhecimento as ferramentas que nos permitam viver com a sabedoria do AFETO. A idade ajuda, entretanto não é garantia.

A consciência da escolha é que faz com que as FERRAMENTAS vindas do CONHECIMENTO possam ser usadas com SABEDORIA. A ESPIRITUALIDADE é um caminho.

“Por que há tantos velhos aqui?” foi a pergunta do jovem. Creio que nos templos, nas igrejas, nas sinagogas e nos demais espaços dedicados à espiritualidade a presença dos idosos aumenta a probabilidade de se encontrar pessoas que já não veem a importância nos sintomas, uma vez que resolveram as causas; cresce a possibilidade de se ver pessoas que estão no comando das escolhas internas, muito mais do que aquelas que fazem escolhas dadas por comandos externos; e, certamente, sobe a proporção de pessoas que conseguiram aceitar e converter todas as situações difíceis em presentes de uma vida vivida com a consciência de sua finitude. Por isso,

…nos espaços dedicados a busca espiritual se veem os anciãos que dobram os joelhos diante do desconhecido para agradecer o privilégio da vida. São SÁBIOS!

Moacir Rauber

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Por que não te calas?

Por que não te calas?

Outro dia, tratávamos dos desafios diários enfrentados por muitos: a falta de rotina, as agendas superlotadas e a super exposição aos estímulos externos. Como falar de qualidade de vida se não conseguimos manter uma rotina diária? Qual a estratégia para reordenar as agendas? O que fazer para escolher os estímulos a que alguém vai se expor? É uma tarefa árdua, uma vez que a exposição aos estímulos tecnológicos é transversal às pessoas nos seus diferentes papéis sociais, levando-nos a não ter rotina, dando-nos, muitas vezes, a impressão de que não se tem tempo para nada. O que fazer? O meu amigo Rosan deu uma sugestão a partir de um fato inusitado ocorrido entre dois chefes de estado na conferência ibero-americana de 2007. Devido às constantes interrupções durante a fala dos demais, em um determinado momento, o rei Juan Carlos interrompeu o então presidente Venezuelano Hugo Chavez e disse:

– Por que não te calas?

O silêncio foi instantâneo. A agenda congelou, a rotina deixou de existir e o único estímulo que havia era o mal-estar pela força das palavras. Esse mal-estar pode ser um bom sinal da importância do silêncio. “Por que não te calas” reflete uma necessidade humana básica de silenciar para se escutar, assim como para escutar o outro, permitindo que se converse consigo mesmo e com o outro. Desse modo, ficar em silêncio pode gerar um mal-estar inicial, por isso, acredito que a maioria das pessoas quase nunca está no silêncio. Quando não falam ouvem qualquer coisa para não escutar, primeiramente a si mesmo. Entenda-se a diferença entre ouvir e escutar. Enquanto ouvir é o processo de reconhecer sons provenientes do sentido da audição, escutar é uma ação consciente de tentar entender o sentido e o significado dos sons. Para isso é preciso calar e se manter em silêncio. Só assim para escutar muito mais do que ouvir. Com o silêncio exterior e, principalmente, a escolha de se manter em silêncio começa o processo da escuta. É na escuta que está a atenção plena e a presença. É a escuta que nos traz para o mundo real, levando-nos a observar sem julgar. É na escuta que registramos sentimentos e identificamos as necessidades. É na escuta que não reagimos e escolhemos agir em conformidade com as intenções. Enfim, é na escuta que reconhecemos os nossos sabotadores e resgatamos o poder do sábio que há em cada um de nós. Para escutar o outro é preciso de uma pausa. A meditação é uma pausa que nos permite a auto escuta, assim como no retiro se pratica a pausa que nos leva a que nos escutemos. Com a escuta começamos a nos relacionar bem conosco o que promove boas relações bem com os demais. Com a habilidade da escuta desenvolvida falamos menos, nos conectamos mais e somos produtivos. Portanto, a escuta é uma competência de resultados que alinha as ações com as intenções.

Não conheço o Rei Juan Carlos e nem conheci ao ex-Presidente Hugo Chavez, porém a expressão “por que não te calas?” provoca diferentes reflexões. Algumas delas nos remetem a importância do silêncio. Não há julgamento na descrição do fato, apenas cabe ressaltar a importância da pausa presente na escuta. Nesse processo, acredito que se pode observar mais e julgar menos. Que se pode desenvolver a capacidade de registrar os sentimentos meus e dos envolvidos. Que se consegue identificar as necessidades minhas e as do outro. Portanto, com a escuta se aprende a expressar de forma a quebra do silêncio seja melhor do que o silêncio. Desse modo, calar-se permite que se estabeleça uma rotina com qualidade de vida, que se ordene a agenda e que se escolha os estímulos a que vai se expor.  Enfim, conseguir comportar-se dessa maneira não é fácil, tratando-se de um desafio tremendo. Entretanto, acredito que a pausa que nos permite escutar faz com se diminuam alguns dos nossos sabotadores deixando o sábio florescer.

Um mundo com mais silêncio pode ser melhor!

Moacir Rauber

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Toda a situação é um presente!

Toda a situação é um presente!

Será?

Morar perto da praia tem todos os benefícios do mundo, entre eles, conectar-nos com a nossa essência e os nossos sentidos: pode-se ouvir o som do mar, sentir o cheiro da maresia, sentir a água e a areia na pele e ver o vaivém das ondas arrebentado na praia. É lindo! Essa beleza faz com que um se perceba como um verdadeiro milagre da natureza em que o privilégio da vida é valorizado. Porém, muitas vezes, entra-se no modo automático de viver a vida e passa-se a não perceber toda essa beleza. Por outro lado, a proximidade do mar aumenta o vaivém de pessoas que passam a fazer visitas mais frequentes. E essa é a melhor parte. As conexões se estreitam, as amizades se fortalecem e a família se une. Porém, uma visita inesperada pode coincidir com outras demandas pessoais, profissionais ou familiares. Às vezes é preciso dizer “não”. Faz alguns anos, tinha programado passar um domingo com a família. Na quinta-feira anterior, final de tarde, um amigo de infância me liga e avisa que domingo estaria na minha cidade e que me convidava para acompanhá-lo nas visitas pelas diferentes praias. Tinha toda a liberdade para dizer que “não”, mas disse “sim”. Logo depois me senti pesado, culpado e frustrado, porque havia cancelado uma programação prévia. Como conviver com isso?

Dizer “sim” para o meu amigo representava dizer “não” para as alternativas, entre elas a de passar o domingo com a família. Essa constatação gerou sentimentos de frustração e de culpa. Perguntei-me: por que disse “sim”? Coincidência ou não, na mesma noite tivemos uma prática de Comunicação Não-Violenta em que fizemos uma atividade na qual cada um repensava uma situação e como poderia mudá-la ou aceitá-la de modo a estar bem com ela. Qual era a situação? Aceitei fazer algo que não queria. Qual era o pensamento principal que o levou a aceitar? Pensei ser importante aceitar, porque ele é meu amigo. Você está seguro de que é verdade? Sim, ele é meu amigo. A outra pessoa está de acordo contigo em relação a esse pensamento? Sim, por isso ela me convidou para acompanhá-la. Quais eram as minhas necessidades por detrás do pensamento principal? Tinha as necessidades de conexão e de amizade. Nesse momento, algo mudou em mim. Pensar, reconhecer e sentir que a visita do meu amigo revelava e atenderia as minhas necessidades de conexão e de amizade, fez com que visse a situação de outra perspectiva. Na atividade voltamos para a pergunta inicial: você pode me acompanhar no domingo para visitar as praias da região? Como você se sente agora? Ao repensar a situação a partir dos fatos, ao registrar os sentimentos iniciais e, principalmente, ao identificar as minhas necessidades passei a me sentir alegre e feliz. Pude entender que ao dizer “sim” para o meu amigo disse “sim” para as minhas necessidades. Mais. Hoje, sob a perspectiva da Inteligência Positiva, a culpa e a frustração nada mais eram do que a manifestação dos sabotadores internos que encobriam a perspectiva do sábio em que a visita do meu amigo era um verdadeiro presente.

No domingo, visitei diferentes praias com o meu amigo em que pude aproveitar a beleza das paisagens explorando os sons, os cheiros e as sensações prazerosas frente aos infindáveis segredos do mar. Pude reconectar-me comigo ao pensar nos insondáveis mistérios da vida e da alma. Pude transformar uma situação frustrante num presente divino, porque depois do exercício, passei a ter a plena consciência de que estava fazendo o que havia escolhido fazer. Isso foi possível ao olhar para dentro de mim com cuidado, identificar as minhas necessidades, minimizar a influência dos sabotadores e potencializar os poderes do sábio. Ao mudar a perspectiva pude aceitar a escolha que havia feito. Redescobri as belezas que já não via e reforcei a amizade que sentia. Amigos, vocês são um presente. Sejam sempre bem-vindos!

No final do domingo, ao chegar à casa, ainda tive tempo de jantar e jogar cartas em família.

Moacir Rauber

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QUEM CONSERTA O MOTOR DO SEU CARRO?

Quem conserta o Motor do Seu Carro?

“Um homem seguia com seu carro por uma rodovia quase deserta. Começou a sentir um problema no motor e o carro foi parando até que não se moveu mais. O homem desembarcou, revisou todas as partes para encontrar o defeito. Infelizmente, não conseguiu encontrá-lo, apesar de acreditar que conhecia muito bem o motor. Logo em seguida parou outro carro e dele desceu um senhor que ofereceu ajuda. O dono do carro com problemas respondeu:

– Olha, esse carro é meu desde novo e eu o conheço como a palma da minha mão. Não há como você me ajudar.

O outro insistiu até que o primeiro concordou, mas alertou:

– Não creio que consiga fazer alguma coisa. Este é o meu carro…

O segundo homem se pôs a trabalhar e em poucos minutos havia consertado o motor do carro. O primeiro estava espantado:

– Como você conseguiu fazer isso? Afinal, é o meu carro…

– Bem, meu nome é Felix Wankel e sou o inventor do motor rotativo que está no seu carro.

Veja como são as coisas. Quantas vezes dizemos “esta é minha vida”, “este é meu destino”, “esta é a minha casa”, “deixe-me sozinho que eu consigo resolver”.

Escutei a história contada pelo Pe. Jorge Nardi. Fiquei intrigado, comovido e inspirado, porque vivemos num mundo movido pela busca constante, frequente e, quase, insana pela autonomia gerando um individualismo exacerbado. Pessoas individualistas especiais acreditam que detém prerrogativas que as permite fazer o que quiserem de um modo egoísta. Particularmente, creio que sou especial pela minha unicidade e singularidade, assim como o outro é especial pela sua unicidade e singularidade. Isso nos torna comuns. Por isso, a nossa vida somente tem sentido na interdependência com o outro. Ora ajudo, ora sou ajudado. Entender que é nessa relação que faz sentido desenvolver-se para melhorar as habilidades técnicas permite que se construa um mundo melhor. Buscar autonomia? Uma necessidade básica humana. O dono d carro com problemas fez aquilo que estava ao seu alcance. Não aceitar ajuda? Arrogância do ego que a contragosto aceitou a oferta. Assim, o convite para resgatar o sábio descrito na Inteligência Positiva diante de uma situação complicada pode nos auxiliar para observar sem julgar, o primeiro passo da Comunicação Não-Violenta. O que está acontecendo? Tenho as competências para resolver? O tempo e a situação me permitem desenvolvê-las? Se sim, mãos a obra. Se não, aceite a ajuda porque tudo aquilo que existe fora da natureza existe pela competência de alguém assim como você. Talvez aqui se fale do discernimento que é a “capacidade de avaliar as coisas com bom senso e clareza” (Oxford Languages), tendo a sua origem nos textos bíblicos. Hoje a palavra é utilizada na psicologia e na filosofia, ampliando o seu uso e o significado. Para observar sem julgar é essencial ter discernimento, uma prerrogativa da sabedoria que entendo estar muito próxima daqueles seres espiritualizados.

“Esta é a minha vida”, “estes são meus problemas”, são pensamentos comuns daqueles que querem assumir o comando da própria vida. Também eu quero isso, uma vez que uma das minhas buscas mais intensas sempre foi pela autonomia de exercer as minhas escolhas. Entretanto, reconhecer que existem situações (observar) nas quais devemos aceitar ajuda é um exercício de humildade (sábio). Parar, olhar para dentro e em seguida para fora nos permite conectar com o outro, que assim como eu tem as mesmas buscas. Contudo, cada um tem competências diferentes que na interdependência são complementares. Portanto, avaliar as situações, buscar conhecimentos para aprender ferramentas que nos proporcionem autonomia entendo ser uma busca natural. Enfim, infiro que com a mente aberta, para que o discernimento esteja presente em nossas escolhas, pode nos levar a nos aproximar do Criador do nosso motor. Isso é sabedoria, é Espiritual!

Moacir Rauber

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O QUE É REAL?

O que é real?

Quando o trabalho o afasta da zona de conforto, há uma tendência a que as emoções aflorem com mais facilidade. É o momento de encontrar o equilíbrio para ver as alternativas. Nem sempre é fácil. Organizar um evento com a presença de pessoas com as quais você se compromete a entregar um conteúdo diferenciado está fora da zona de conforto de quase todos. Para mim era um desafio tremendo começar uma oficina com mais de trinta inscritos de diferentes regiões brasileiras, idades variadas e formações múltiplas, agrupando pessoas únicas e singulares. Tratar de temas como a espiritualidade, a positividade e a não-violência no ambiente organizacional contribuíam para que o conforto desse lugar a inquietação. O ambiente virtual com a dependência tecnológica de computador, câmera, microfone, aplicativo de transmissão e a internet completava o cenário. Aquilo que estava no meu controle, acreditava, estava feito. O conteúdo estava preparado e organizado com a sequência de atividades. O horário se aproximava e eu estava usando o computador na bateria. Queria deixá-lo bem carregado para a oficina, assim fui conectá-lo na tomada. Pareceu-me um pouco mais duro e forcei um pouco. Foi o suficiente para ouvir um pequeno estalido que indicava a quebra de algo. A bateria, que estava quase descarregada, não carregava e não teria energia para toda a oficina. Assustei-me. Pensei num plano B. Passei na loja de computadores perto de casa, mas ela estava fechada. Peguei outro computador e transferi para ele os arquivos. “Tudo certo. Que alívio!”, pensei. A oficina começou num bate-papo informal e em seguida começamos as atividades. Os comandos diferentes do computador e um power point de outra versão me deixaram um pouco nervoso. Não conseguia compartilhar a imagem como queria. Ajuda daqui e dali dos participantes e a oficina engrenou perfeitamente. De repente, do nada, o meu computador simplesmente desligou. A facilitação dessa parte da oficina estava sob minha responsabilidade. E agora? O que fazer?

Provavelmente, muitos de vocês passaram por situações com imprevistos. Da perspectiva da inteligência positiva, esse é o momento em que os sabotadores se manifestam. Ao pensar na comunicação não-violenta a probabilidade de que a pessoa seja dura consigo mesma é imensa. Os meus sabotadores começavam a me levar para um nível ansiedade muito alto. Tornei-me agressivo comigo. O pensamento de que tinha tudo sob controle desapareceu, deixando o controlador, um dos meus sabotadores, descontrolado. O sabotador principal que critica a si mesmo, os outros e as situações, rapidamente se uniu a ele. “Eu te avisei” dizia ele. Levava-me a pensar, “sem a minha presença para comandar a facilitação a oficina vai ser um desastre”. Fiquei com raiva de mim e culpei-me pelo descuido. Culpei a situação ao não entender como poderia sair do meu controle algo que estava bem planejado com planos A e B. Os meus sabotadores me levavam a entrar em desespero! Nesse momento, em meio ao turbilhão de pensamentos agressivos dos sabotadores, veio-me um ditado à mente: “O homem propõe e Deus dispõe”. Um pouco da espiritualidade que nos traz sabedoria. Foi uma micro pausa que me permitiu retomar o contato com a realidade. O que estava acontecendo de fato? Nada que já não tivesse acontecido antes comigo ou com outras pessoas. O que eu poderia fazer? Reiniciar o computador, que demoraria um pouco, e conversar com as pessoas a partir do notebook de minha esposa que participava da oficina. Tudo seguia na sua normalidade.

Enfim, entendo que a espiritualidade nos mostra que tudo tem uma razão para acontecer. Não se trata de conformismo, mas sim de humildade. Tive que reconhecer que nem tudo está no meu controle, assim pude diminuir o controlador, meu sabotador associado. Tive que admitir que a vida segue sem a minha presença, porque a oficina seguiu intermediada pelos demais. Como isso aconteceu? A inspiração vinda da espiritualidade me pôs em contato com a realidade, fazendo com que diminuísse a violência interior que, muitas vezes, se reflete no exterior. Enfim, tive que revelar que a minha esposa estava na oficina. Isso é real!

Moacir Rauber

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É FÁCIL VIVER COM O OUTRO? E CONTIGO?

É fácil viver com o outro?

Estar com o outro, muitas vezes, nos parece difícil. Digo isso porque tive a oportunidade de viver numa família bem organizada a partir dos papéis sociais de cada um: os pais eram os pais e os filhos eram os filhos. Parecia difícil cumprir as exigências dos pais e as implicâncias dos irmãos. No mundo corporativo comecei trabalhando numa empresa em que a chefe era muito exigente e parecia quase impossível alcançar as metas que ela propunha. Com os amigos, por vezes, eles pareciam inconvenientes porque nunca sabiam o que queriam. Na relação conjugal parece que a companheira implica com as pequenas coisas que não me importam muito, por isso também não é fácil estar com ela. Assim, é fácil chegar à conclusão de que viver com o outro não é fácil no trabalho, nas amizades e na família. Porém, a pergunta a ser feita deveria ser: é fácil viver com quem eu sou? É bom estar comigo? Essa pergunta me veio à lembrança porque, certa feita, fui confrontado com uma situação de divergência em que a outra parte disse:

– Caramba, você não é fácil mesmo!

A conversa seguiu. Recuei da minha posição e chegamos a um acordo. Entretanto, aquela fala me acompanhou a noite toda. Repensei inúmeras situações. Na minha família, acreditava que meus pais eram exigentes e os irmãos implicantes, porém ao analisar com mais cuidado também eu era impertinente e pedante. Certamente não foi fácil para eles serem meus pais e não era tão simples meus irmãos serem meus irmãos com quem eu era. No ambiente profissional, cumpri o papel de organizar algumas empresas. Hoje vejo que eu era exigente e não era tão simples nem fácil estar comigo. Nas relações de amizade nem sempre sou tão fácil de encontrar, não faço os movimentos que poderia fazer e igualmente nem sempre sei exatamente aquilo que quero ou espero. Na relação conjugal as pequenas coisas que, por vezes, irritam o outro são uma constante. Tenho a consciência de que deixar a roupa jogada na cama e não pendurada no cabide irrita a minha esposa, entretanto faço isso quase todos os dias. É algo insignificante para mim, mas significante para o outro. Desse modo, além de se perguntar se é fácil viver com quem se é, há que se perguntar: é fácil conviver com o meu comportamento? É fácil viver com as minhas ações e reações? É fácil interagir com as minhas posições e interpretações de mundo? Fazer uma pausa para olhar para dentro pode ajudar. A pausa pode vir de um retiro para fazer um replanejamento estratégico da própria vida. O que você quer? Para onde quer ir? Quem é importante para você nessa viagem? A pausa pode vir de uma meditação diária no início do dia. Qual é a sua intenção? Como transferi-la para as ações? A pausa pode vir da não reação frente a uma ação da qual se discorda. “Conte até dez”, “respira fundo” ou outra estratégia que nos leve a fazer uma pausa para não reagir, mas sim agir em conformidade com as intenções. Entende-se que a pausa muda tudo, inclusive ela dá sentido ao movimento.

Enfim, naquele dia em que fui confrontado com a fala de que eu não era fácil tomei consciência de um universo comportamental que afetava os outros. Eu afetava sem afeto. Nesse movimento produzia dor, angústia e sofrimento, deixando os ambientes tóxicos. Assim, a pergunta: “é fácil viver com o outro?” talvez não seja a primeira a ser feita. Com os pais somente posso agradecer, porque eles estão em outro plano. Olhando pelo retrovisor, foi fácil viver com eles. Com os irmãos a relação está madura e plena, talvez resultado da própria idade que temos. Hoje é fácil viver com eles. Com os amigos as pequenas diferenças fazem parte do encanto de cada um. É fácil viver com eles. Com a esposa ainda preciso aprender a pendurar a roupa no cabide, por isso a pergunta: é fácil viver com quem eu sou?

Moacir Rauber

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