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Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

A “fila anda” e as relações sustentáveis

“A fila anda!” e as relações sustentáveis

O relacionamento se inicia e o encanto passa quando as dificuldades aparecem. Afinal, ninguém é perfeito. Depois do desabafo vem o conselho:

– Separa. A fila anda!

Muitas decisões são baseadas no pressuposto de que “a fila anda”. Isso se aplica no âmbito pessoal, profissional e social. Relações fugazes, contatos rápidos e conexões efêmeras revelam um momento vivido em que a ideia do descartável migrou das coisas para as pessoas. Com isso, os relacionamentos são iniciados e terminados em períodos cada vez mais curtos, dificilmente sendo duradouros. Os contatos são mais frequentes e numerosos, muitas vezes, não importando a qualidade. As conexões são passageiras, dificilmente alcançando profundidade. São as marcas de um tempo em que tradições e costumes foram modificados quase tão rapidamente quanto a tecnologia. A tecnologia impactou diretamente em como consumimos as coisas, transitando do durável para o descartável avançando agora para o sustentável. Entendeu-se que os impactos do consumo descartável atingem a qualidade de vida de todas as pessoas, independentemente de elas estarem envolvidas no seu consumo. Por isso pergunto: qual o impacto da descartabilidade das pessoas nas relações humanas? A ideia de que a “fila anda” é sustentável?

No ambiente tecnológico a substituição de uma tecnologia por outra num movimento inclemente de obsolescência que sepulta rapidamente tendências, trabalho e empresas, é chamado de disruptivo. Ninguém se importa com aquilo que foi descartado. Quando o disruptivo migra para as pessoas se tem a descartabilidade das relações. Nas organizações as conexões se limitam cada vez mais a projetos com início, meio e fim, não permitindo que as pessoas criem suas histórias. Assim, as breves conexões nas organizações, marcadas por carreiras alternativas, produzem mais contatos que são cada vez rápidos. Essa sequência também se reflete nas relações que são mais fugazes num movimento de consumo descartável de pessoas por pessoas e por organizações. “A fila anda!” pode ser o disruptivo dos relacionamentos. São os tempos de amor líquido, segundo Bauman. As pessoas se aproximam das pessoas por aquilo que elas podem obter da outra pessoa, configurando-se num extrativismo relacional, organizacional e social.

“Eu fico contigo enquanto você me der aquilo que eu quero”.

Quase não há mais a preocupação em construir um relacionamento duradouro, resultado de contatos de longo prazo e com conexões profundas. As pessoas têm se consumido, usado e se descartado de forma disruptiva, sem se importar com os outros. Isso tem produzido danos emocionais que se refletem nas organizações e na sociedade. Para as organizações fica o desafio de engajar as pessoas para que sejam produtivas. Para a sociedade há uma desestruturação dos núcleos familiares de maneira crescente. O que vai resultar disso tudo? Não sei, porém o momento vivido poderia ser aproveitado pelas pessoas para mudar o foco, ao se perguntar: o mundo é melhor com a minha presença?

Acredito que a liberdade individual nos dá o direito de ter relações curtas, de manter contatos rápidos e de criar conexões passageiras. “A fila anda” é o exercício do poder da escolha. Porém, nos dá também a responsabilidade de entender que pessoas não são bens de consumo, seja na esfera pessoal, profissional ou social. Uma relação pode ser curta, mas deve ser autêntica.

Um contato pode ser rápido, mas deve ser genuíno. Uma conexão pode ser passageira, mas deve ser verdadeira. A tecnologia pode favorecer a dinamicidade das relações, dos contatos e das conexões, entretanto não deve afetar a sua essência que é a integridade.

Ao se criar relações íntegras as minhas ações serão positivas para as pessoas, independentemente da profundidade das relações, dos contatos e das conexões. Trata-se de construir relações sustentáveis, porque as pessoas não são para serem consumidas.

Se “a fila anda”, não gosto da ideia de ser consumido. E você?

Moacir Rauber

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Preparar-se para o futuro? Não dá…

Preparar-se para o futuro? Não dá…

Uma moça da fazenda carregava um balde de leite na cabeça e sonhava que com ele poderia fazer nata. Da nata faria manteiga. Com o dinheiro da venda da manteiga compraria ovos dos quais nasceriam pintinhos. Depois de crescidos os venderia e se compraria um vestido para usar na festa da comunidade. Imaginava que o filho do moleiro iria querer dançar com ela ao vê-la tão bonita. Mas ela não aceitaria imediatamente. Primeiro, diria que ‘não’ e com a cabeça e ensaiou o gesto. Ao menear a cabeça o balde de leite caiu. A moça estava desolada, porque ficou sem nada: sem vestido, sem pintinhos, sem ovos, sem manteiga, sem nata e, acima de tudo, sem o leite que a levou a sonhar. O que nos ensina essa fábula de Esopo?

Durante muito tempo, mantivemos o foco na preparação de pessoas para o futuro, embora eu acredite que o foco deveria ser na preparação para o presente.  A fábula ilustra isso e a conjuntura econômica e social atual confirma, porque mais do que nunca não estamos no presente. Ora estamos no passado. Ora estamos no futuro. Assim, muitas pessoas se refugiam em alegrias vividas em supostos dias melhores, o passado, enquanto outras criam problemas que não existem, no futuro. Assim, permanentemente meneiam a cabeça e derrubam o leite. Percebe-se um contingente enorme de pessoas com a constante sensação de inadequação e de incompetência, resultado da impressão de nunca se estar onde se deveria estar e de nunca saber tanto quanto se deveria saber. E é verdade. Vive-se um tempo de pessoas ausentes, porque dificilmente elas estão no presente. O que fazer? Como mudar o foco? Pela educação, ao ensinar e aprender para o presente.

Até o momento, em tempos de Revolução Industrial 1, 2, 3 e 4, a preocupação era ensinar às pessoas um conjunto de habilidades técnicas que as manteriam empregadas até a aposentadoria. O foco estava em preparar as pessoas para serem melhores umas comparadas com as outras. Isso não serve mais. Entendo que avançamos para uma sociedade em que as coisas devem fazer sentido. As habilidades técnicas são importantes, porém elas se tornam obsoletas num piscar de olhos, assim como o presente se torna passado e o futuro se converte no presente. Estar no futuro ou no passado é o leite derramado no chão. Portanto, o que aprender e o que ensinar? Falamos das competências socioemocionais, em que o foco passa a ser o desenvolvimento pessoal para que cada um seja o melhor que pode ser no presente. Ganham destaque os estudos de inteligência emocional e seus pilares; a psicologia positiva com as suas fortalezas; a neurociência com as suas constatações; a mentalidade flexível e suas alternativas, entre outras abordagens e pesquisas científicas, usadas para resgatar a importância das competências socioemocionais. São elas que nos permitem viver bem no único tempo que temos: o presente. Assim, é importante ensinar as habilidades técnicas, que são passageiras, entretanto, é indispensável ensinar as competências socioemocionais, que são permanentes. Destaque para o despertar da unidade individual que permite o entendimento sistêmico do coletivo que manterá as pessoas aptas para viver no presente sem derrubar o leite.

Por isso pergunto: o que você faz faz sentido? O que você ensina com aquilo que você faz? O que você aprende com aquilo que você vê? A ideia de se manter estudando durante a vida é inteligente e sustentável, desde que aquilo que se ensina com aquilo que se faz e aquilo que se aprende com aquilo que se vê faça sentido no presente. E isso se fundamenta em valores humanos, como liberdade, justiça, honestidade e solidariedade, além de comportamentos que os expressem num movimento de cuidado para consigo e para com o outro. Desse modo, é necessário a flexibilidade mental para atualizar as habilidades técnicas constantemente, mas lembrando que são as competências socioemocionais que o manterão no presente, com a sensação de adequação e de competência.

Assim, preparar-se para o futuro não dá, porque devemos estar aptos para viver no presente, a única realidade que temos.

Moacir Rauber

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Aos amigos, um abraço!

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Aos amigos, um abraço!

Quando dado de forma autêntica, o abraço pode expressar afeto, conexão, amor, carinho, aceitação, agradecimento, celebração, saudade, compaixão, pesar, proteção e amizade, entre outros sentimentos e emoções. Para se dar ou se receber um abraço é preciso de no mínimo duas pessoas que se colocam entre os braços uma da outra. O abraço tem variações culturais, podendo ser mais apertado ou mais frouxo; mais indicado para um momento ou outro; mais praticado entre um determinado grupo de pessoas ou outro; enfim, cada cultura com suas características. Porém, o que quero hoje é abraçar um amigo. Algum amigo pode me dar um abraço?

A pandemia chegou como quem não quer nada e mudou quase tudo. Pelo fato de não haver um medicamento comprovadamente eficaz no tratamento da doença, a pandemia instituiu o medo do contágio que nos fez adotar novos comportamentos. Mais cuidados com a higiene pessoal, o isolamento e o distanciamento social têm sido as novas práticas. Enquanto aumentar o cuidado com a higiene nos traz benefícios, o isolamento e o distanciamento social têm provocado efeitos colaterais danosos para muitas pessoas. Tenho vivido meu isolamento desde março. O meu trabalho migrou para o ambiente virtual, a minha família está distante e os meus amigos não os vejo. Da mesma forma, tenho praticado o distanciamento social em minhas poucas idas ao supermercado ou à farmácia. Tudo isso tem gerado efeitos colaterais, como a tristeza, a ansiedade, a depressão ou simplesmente a falta do contato físico. E aí faz falta o abraço de um amigo. E o abraço é incrível, porque no instante que você o dá, você o recebe. Parece-nos algo paradoxal, porque quanto mais você dá, mais você recebe. E dar abraços faz bem para a saúde física e a saúde da alma. Para as crianças, os abraços aumentam a autoestima, geram calor humano, melhoram as conexões, diminuem o estresse emocional, controlam a ansiedade e baixam a agressividade. Assim, as crianças que foram mais abraçadas se revelam como adultos mais amorosos, afetuosos e amigos. Por isso, o contato físico é uma necessidade humana, porque a nossa realização somente acontece com a presença e a participação do outro. É o outro que nos dá sentido a própria vida. Pode ser o cônjuge, a família, os colegas de trabalho e os amigos. Confesso que hoje sinto a falta de um abraço que expresse a amizade.

Lydia Denworth em seu livro Amizade: a evolução, a biologia e o poder extraordinário do vínculo fundamental da vida destaca que

…os amigos, em muitas ocasiões, nos levam a descobrir nossa missão no mundo. Tenho amigos assim. Têm amigos que nos levam a ser mais saudáveis. Tenho amigos assim. Têm amigos que nos levam para a diversão nem tão saudável. Tenho amigos assim. Têm amigos que nos permitem a intimidade das confissões. Tenho amigos assim. Têm amigos que nos dão suporte pelo simples vínculo da amizade. Tenho amigos assim. Muitos deles são os mesmos, porque a amizade é um empreendimento de longo prazo.

Muitas amizades começaram na infância e perduram até hoje. Outras começaram um pouco mais tarde, nem por isso menos intensas. Reconheço, nesse momento, que estar com os amigos não é indulgência com o trabalho ou desatenção para com a família, mas uma necessidade que nos dá sentido e traz felicidade à vida. E talvez um dos equívocos cometidos seja o de não dedicar todo o tempo devido aos amigos.

Antes da pandemia eu podia abraçar aos amigos, mas muitas vezes não o fazia. Hoje eu gostaria de abraçar aos amigos, mas não posso. No meu entendimento, as amizades necessitam de abraços. O que fazer? Enviar-lhes e receber os seus abraços virtuais na torcida para que possa fazê-lo presencialmente num futuro próximo.

Moacir Rauber

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Todos de pé!

Todos de pé!

A cerimônia estava para começar e se ouviu a convocação:

– Todos de pé!

Quem nunca esteve num evento e ouviu isso? Sempre que estou em algum lugar e escuto o chamado para ficar em pé me vem um sorriso aos lábios. Como usuário de cadeira de rodas não posso ficar “em pé”, mas entendo que posso encarar a vida “de pé”. Na mente vem algumas ilações, entre elas a que muitas pessoas, ainda que se ponham “em pé”, não estão “de pé” frente à vida. As pessoas não se levantam, não se indignam, não reagem e não agem. Há um comodismo pessoal, profissional e social que as situações difíceis revelam e a pandemia expressa isso muito bem.

O texto faz um convite para que todos fiquem “de pé”, mas o que isso verdadeiramente significa? Normalmente, as pessoas se põem “em pé” num movimento de respeito para com o outro. No momento em que se cumprimenta alguém ou na presença de pessoas que carregam consigo grande autoridade social, moral ou de admiração por qualquer motivo que seja as pessoas ficam “em pé”. Destaque-se que ficamos “de pé” para aqueles que respeitamos. Por isso, ficar “de pé”, em primeiro lugar, significa RESPEITO.

Entretanto, não é só o respeito pelo outro a razão para se ficar “de pé”. É importante ficar “de pé” em respeito à história de evolução do Ser Humano que surgiu e sobreviveu nas savanas graças ao ato evolutivo de ficar “em pé”. Ficar “em pé” amplia a visão. Além disso, há estudos que indicam que ficar “em pé” representa economia de energia se comparado com os primatas que ainda usam as quatro patas. Isso quer dizer que estar “de pé” poupa trabalho físico liberando a imaginação. Estar “de pé” permite que se dê asas à imaginação. Desse modo, “de pé” se faz economia de energia, se amplia a visão e se estimula a imaginação: isso é APRENDIZAGEM. A escolha por estar “de pé” é uma trilha de desenvolvimento e pessoal e é um Estado de Espírito.

Por isso, estar “de pé” revela pessoas que assumem o protagonismo da vida frente às decisões a serem tomadas, incluindo o momento atípico vivido. Estar “de pé” significa respeitar, ainda que não se concorde, e propor alternativas para aquilo de que se discorde. Estar “de pé” ao indignar-se requer fazer algo que esteja ao alcance para que um dia se modifiquem estruturas que ainda estão fora de minha alçada. Estar “de pé” para reagir representa não se deixar levar pelo pessimismo e pela solidão, usando as ferramentas disponíveis para manter as conexões. Ficar “de pé” nesse momento é agir, respeitando-se para respeitar os outros e aprendendo com os outros para ensinar aos outros. Desse modo, ficar “de pé” nesse momento exige abandonar o comodismo pessoal ao fazer algo bom que produza reflexo positivo nos outros. Ficar “de pé” exige que se encontrem alternativas profissionais que contribuam para o meu negócio, a minha empresa e para as organizações das quais faço parte que me sustentam e que sustentam a outras pessoas. Estar “de pé” é que dirá que sociedade somos e qual queremos ser.

Portanto, estar “de pé” é, fundamentalmente, um Estado de Espírito, porque são muitos aqueles que caminham, mas não se movem porque não estão “de pé”. São muitos aqueles que veem, mas não enxergam porque não estão “de pé”. São muitos aqueles que ouvem, mas não escutam porque não estão “de pé”. Para se estar “de pé” não necessariamente é preciso estar “em pé”, caminhar, ver ou ouvir. Para se estar “de pé” como Pessoa é preciso constantemente ampliar a visão, dar asas à imaginação e evoluir a partir do RESPEITO por Si e pelos Outros. Estar “de pé” requer a escolha individual pela APRENDIZAGEM como caminho do desenvolvimento pessoal, profissional e social.

– TODOS DE PÉ, POR FAVOR!

Moacir Rauber

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AFETO: Eu AFETO o mundo. O mundo me AFETA!

Afeto é a Força da Esperança no Trabalho de Orientação para os resultados com Amor.

Pergunte-se: quem é você?

Pode parecer estranho, mas muitos não sabem quem são, confundindo-se com o seu trabalho ou com os seus papéis na sociedade.

Depois, pergunte-se:

Onde você está e para onde está indo?

O que você Cria e CoCria?

Como você se manifesta?

Se você não sabe as respostas para todas essas perguntas você é nosso convidado!

Temos as respostas?

Não! Somente temos a coragem de nos perguntar.

A cenoura, o ovo e o café: quais são as suas qualidades?

A cenoura, o ovo e o café: quais são as suas qualidades?

A menina reclamava muito dos seus problemas. O pai a convidou para ir até a cozinha onde pôs três panelas com água para ferver. Ao iniciar a fervura pôs numa panela cenouras, na outra ovos e na terceira café. Deixou que a água fervesse por vinte minutos e depois mostrou o resultado para a filha. A cenoura que estava dura e firme ao ser posta na água agora estava branda e macia. O ovo que tinha sua casca dura por fora e sabidamente era mole por dentro agora estava duro por completo. E o café fervido por vinte minutos havia transformado a água, dando-lhe nova cor, sabor e aroma. Todos os ingredientes estiveram no mesmo ambiente e enfrentaram as mesmas dificuldades, porém o que diferiu é como cada um reagiu frente as dificuldades impostas pelo meio. Normalmente, destacam-se as qualidades do café que soube transformar o ambiente a seu favor. Com isso, fica a mensagem de que cada um deve saber como influenciar o ambiente para que as dificuldades sejam vistas como oportunidades. Porém, o que dizer da cenoura e do ovo? Não teriam eles qualidades importantes que poderiam ser aproveitadas?

Na situação da cenoura, do ovo e do café sempre são valorizadas as competências do café, como a sua força de influenciar e transformar o ambiente. Entretanto, caso nos comportemos sempre como o café, não nos tornaremos arrogantes como alguém que não reconhece o outro como um verdadeiro outro? Se todos forem café onde haverá espaço para nos transformarmos em suaves e brandos como a cenoura ou para mostrarmos a nossa solidez e a firmeza como o ovo? Aqui entram as minhas considerações sobre a analogia tantas vezes utilizada em diferentes espaços de ensino aprendizagem. Creio sim na importância das competências do “café” para transformar o ambiente, impregnando-o com os suas características, entre eles a cor, o aroma e o sabor. É fundamental que levemos às organizações nossos atributos únicos, afinal, normalmente são eles que nos abrem as portas para que estejamos onde estamos. Entretanto, cabe a cada um de nós aceitarmos a influência do outro que contribui com a sua unicidade para o mesmo ambiente. É aí que fazem a diferença as qualidades da “cenoura” e do “ovo”. A “cenoura” com a sua inicial dureza que se transforma em brandura pode representar a compaixão, a humildade e a flexibilidade de reconhecer que se alguém pensa diferente de mim há no mínimo a possibilidade de que ele esteja certo e eu não. O mais provável é que ambos estejam certos, apenas com interpretações diferentes sobre o mesmo fato. Por outro lado, o “ovo” com a sua inicial dureza frágil pode se transformar na solidez, na firmeza e na resistência que podem representar os valores e a força do caráter na busca de um propósito. Assim, ao juntarmos as qualidade da cenoura, do ovo e do café cria-se uma geração de pessoas tolerantes, firmes, flexíveis e transformadoras que se propõem a influenciar o ambiente para o bem comum. Em suma, AFETAR com AFETO transforma e permite que cada um seja afetado com o AFETO, transformando-se. Pode-se desfrutar do sabor e do aroma do café sem desperdiçar as proteínas e as vitaminas do ovo e da cenoura.

Enfim, nas organizações, nas relações e na sociedade não se trata de valorizar um em detrimento do outro. O café, a cenoura e o ovo são complementares. O aroma e o sabor do café podem dar a sua contribuição ao ambiente, assim como a cenoura com a sua dureza que se transforma em flexibilidade e a rigidez da casca do ovo que se modifica para a solidez podem fazê-lo. Todos, com suas características únicas de transitar num ambiente de dificuldades, podem contribuir para a formação de uma sociedade com o propósito de viver em harmonia. Desse modo, as pessoas saberão dar e receber; conseguirão ensinar e aprender; e poderão acolher e compartilhar, ainda que estejam mergulhados em “água quente”.

Eu AFETO o mundo. O mundo me AFETA. Com AFETO o mundo é melhor.

Moacir Rauber

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Não somos engrenagens. Não somos máquinas!

Não somos engrenagens. Não somos máquinas!

O diretor falava da importância das pessoas no processo de produção da organização e da interdependência entre cada um dos membros da equipe. Repetiu que na organização que ele conduzia as pessoas eram consideradas como parte da família. E concluiu:

– Por isso cada um tem o seu papel. É como se cada um fosse uma engrenagem de uma grande máquina…

Concordo com a interdependência entre os membros de uma organização, assim como entendo que ela se estende para além das suas paredes, alcançando os fornecedores e sua cadeia produtiva, os acionistas, os clientes, os consumidores e a humanidade. A humanidade? Sim, porque tudo que se produz é consumido por pessoas que habitam este planeta, afetando diretamente toda a vida abrigada nele. Desta forma, é fundamental que entendamos o nosso papel na organização e suas consequências, entre benefícios e externalidades geradas pelo que nela se produz.

Discordo com a fala do diretor que diz que os colaboradores são considerados como parte da família e como engrenagens de uma grande máquina. Da família os colaboradores não são, porque caso fossem deveriam constar no testamento dos acionistas e receber o seu quinhão como herança. Igualmente discordo com a analogia entre pessoas e engrenagens e máquinas e organizações. A fala do diretor está carregada da visão mecanicista de gestão, em que a produção em série usava as pessoas como engrenagens de uma máquina, não exigindo e nem permitindo que elas pensassem ou se expressassem. É um modelo de gestão com pouca flexibilidade e de difícil adaptação em cenários de mudanças constantes. As tecnologias têm se tornado obsoletas da noite para o dia, assim como os hábitos e os comportamentos dos consumidores têm encurtado o ciclo de vida dos produtos e serviços cada vez mais rapidamente. Com isso, as máquinas se tornam obsoletas e as engrenagens deixam de girar, fazendo com que as pessoas não possam contar com a “família” que nunca tiveram. Isso porque as organizações não são máquinas e as pessoas não são engrenagens.

Portanto, acredito que a analogia mais apropriada para as organizações hoje se pode fazer com aquilo que nós somos: organismos vivos. Assim, a gestão orgânica deve estar presente na visão do líder, porque é mais adaptada para a competitividade e a instabilidade do ambiente em que as organizações atuam. Por isso, o ser humano poderia ser o exemplo de uma organização, porque cada pessoa é um sistema completo, complexo e interdependente, com necessidades que vão além do seu círculo, assim como uma organização. Dessa forma, cada colaborador, que é um sistema completo, complexo e interdependente, é parte de sistemas completos, complexos e interdependentes, que são as organizações. Ambos são organismos vivos e essa é a realidade que se deve gerir.  O líder deve entender a contribuição de cada colaborador num processo de gestão flexível possível somente em organizações entendidas como organismos vivos.

Enfim, entendo a necessidade da padronização de procedimentos nas organizações, porém defendo que se aproveitem as particularidades dos indivíduos. Por isso, é fundamental que o líder perceba o organismo vivo que está sob sua gestão orgânica, sendo flexível o suficiente para reconhecer a contribuição das pessoas para a organização, assim como as suas necessidades. Para isso é preciso (Re) Criar a Humanização no ambiente organizacional a partir dos líderes para que se possam surgir organizações inovadoras e criativas. Organizações inovadoras e criativas? Somente se forem humanas para permitir que cada colaborador se expresse de maneira a contribuir com a sua unicidade, singularidade e multiplicidade. Lembrando que colaborador não é herdeiro. As pessoas não são engrenagens. E as organizações não são máquinas. As organizações são organismos vivos que sem as pessoas não existem. As organizações precisam Ser Humanas!

Moacir Rauber

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