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Você sabe articular?

Um dos pontos mais importantes para o profissional atual é entendimento de que o alto desempenho técnico, por si só, não é o suficiente. Por que não?
Porque as pessoas não tem a mesma noção de desempenho. Não estou falando da avaliação de desempenho formal, mas daquela que ocorre nas conversas privadas e paralelas que representam o verdadeiro sangue organizacional. Nesse circuito deve-se lembrar que nem tudo o que é importante para você também o é para os seus colegas ou superiores, porque cada um é o centro do seu universo. Tendo isso como premissa pode-se ajustar o comportamento de como você se conduz para que os outros também se sintam bem com você. Assim, é preciso ser capaz de contribuir na construção de um ambiente apropriado entre as pessoas que formam a organização, cada qual com as suas responsabilidades. Sendo essa uma das principais capacidades, é natural que ela seja precedida pelas competências interpessoais de construção de relacionamentos. Para isso, a competência em saber estar e saber conversar para articular e fazer fluir ganha relevância.

Importante destacar o que entendemos por competência, que amplia a percepção sistêmica da organização. Assim, as competências se reportam a comportamentos que as pessoas apresentam no exercício das suas atividades profissionais e na conduta pessoal. Nada mais apropriado para o profissional atual do que, além das suas competências técnicas, saber articular para criar um ambiente propício ao diálogo que contribua na busca por resultados comuns.


Você sabe articular para alcançar os seus resultados em harmonia com os resultados organizacionais?

Até que o senhor é bem animado…

Faltavam poucos minutos para que a minha esposa chegasse vinda de Porto Alegre e eu já a esperava em frente à área de embarque e desembarque da rodoviária de Criciúma. Estava lá eu com minha cadeira de rodas completamente distraído apreciando o movimento dos carros do outro lado da rua, tentando entender por onde eu entrara e por onde deveríamos sair, assim que ela chegasse. Percebo alguém se aproximar.
Levantei meu olhar e vi um homem vestindo o uniforme de uma empresa de ônibus com uma maleta na mão. Parecia um motorista no final de expediente. Ele retribuiu o olhar, deu um sorriso, bateu no meu ombro e perguntou:
– Tá tudo bem aí com o senhor?
– Sim, sim. Tá tudo bem. Estou esperando uma pessoa que já deve estar chegando… 
A minha resposta deixava transparecer felicidade, pois reencontraria a minha esposa depois de um tempo longe um do outro. Mesmo assim, um pensamento paralelo percorria a minha mente, Como as coisas mudam. Parece que foi ontem que me diriam, “E aí rapaz, tá tudo bem?”Agora me tratam de senhor… O tempo passa rápido e não perdoa.
Meus pensamentos logo se voltaram para a situação presente, assim que ouvi o homem continuar a conversa:
– Para quem não caminha o senhor até que é bem animado, né?
Estendeu-me a mão num cumprimento forte e alegre, disse boa noitee foi embora com a sua maleta. E eu fiquei lá não acreditando naquilo que ouvira. Mesmo não acreditando, são essas situações que sempre estimulam o meu humor.

O que você tem feito para que os outros saibam o que você faz?

Não se trata de afirmar que o mundo seja sempre injusto, mas não se pode esperar que ele seja sempre justo. Não é que se afirme que os méritos não serão reconhecidos, mas também não se pode ficar sempre à espera do reconhecimento. Por isso, muitas vezes é preciso que não se espere pela justiça e pelo reconhecimento, mas que se faça justiça ao reivindicar o reconhecimento. A reivindicação pode ser boa, justa e produtiva, porque as pessoas gostam de estar ao lado de quem faz e é reconhecido por isso. Aqueles que o observam, ao se darem conta de que você não tem o seu triunfo reconhecido, não vão ficar ao seu lado, fazendo com que o insucesso organizacional seja uma possibilidade real. Por isso, apenas fazer o que deve ser feito não basta, deve-se fazer com que os outros também o saibam. Isso também é uma forma de ajudar e ser ajudado deixando o mundo mais justo!
O que você tem feito para que os outros saibam o que você faz?


Poder, porque alguns têm? Jeffrey Pfeffer

Discrimine você também 2!

– Mas você não precisaria ter vindo para São Paulo… Para obter esse documento você poderia ter ido para Curitiba. Teria sido bem mais perto…
Foi o que ouvi da mulher que me atendeu naquela repartição no momento em que viu o meu endereço. Fiquei com o queixo caído e falei:
– Sério? Li as informações no site e pelo que entendi havia sido centralizado tudo aqui em São Paulo. Não entendo…
– Ah, pode ser. Houve algumas alterações no site, mas há um campo em que você pode indicar para que o atendimeto seja feito em outros lugares. O problema principal é que agora você iniciou o atendimento aqui, assim você terá que voltar mais uma vez para pegar o documento. Hoje é apenas a entrevista…
Eu estava incrédulo com o que acontecia. Nao acredito nisso, pensei. Voltar para São Paulo só para buscar um documento. Ninguém merece… Além das despesas de uma viagem, de hospedagem e de alimentação, havia todo o transtorno do deslocamento em si e a perda de no mínimo um dia útil. Porém, fazer o que? Eu precisava daquele documento. O jeito era se sujeitar as normas da repartição.
Não respondi nada e não argumentei para que dessem um jeito. Fiquei na minha, inclusive dando a entender que se é assim, assim faria. A mulher que me atendeu chamou outra pessoa com quem trocou algumas palavras sobre a situação que se apresentava. O senhor que havia chegado, olhando para mim, disse:
– Não garanto nada, mas vou falar com a chefia. Considerando que você é cadeirante vou comentar com ela sobre a possibilidade de que nós enviemos o documento via SEDEX para você. Pode ser?
Concordei imediatamente. Qualquer alternativa que eles me sugerissem que pudesse evitar mais uma viagem seria bem-vinda.
Ele se afastou e a mulher continuou o atendimento. Finalizamos todos os formulários e a mulher me disse:
– Você apenas espere aqui ao lado até que nós tenhamos uma resposta sobre o envio pelo correio. Acho que vai dar certo!
Despedi-me dela e me posicionei no local indicado para aguardar a resposta. Passados mais ou menos dez minutos ela se aproximou de mim para informar que estava tudo certo. Eu não precisaria voltar para São Paulo, porque eles me enviariam os documentos pelo correio. Agradeci a ela sinceramente, porque realmente o atendimento fora rápido, profissional e simpático, mas principalmente discriminatório. Concorda comigo?
Considerando que discriminar quer dizer diferenciar ou mesmo tratar alguém de modo desigual eu fui descaradamente discriminado. Caso eu fosse um andante comum teria que ter feito mais uma viagem para São Paulo, simplesmente para buscar um documento. Assim, como sou usuário de cadeira de rodas fui tratado de forma diferente, tendo sido “vítima” de discriminação positiva. Não se prejudicou ninguém. Muito pelo contrário. Criou-se uma alternativa que poderia ser aplicada para as demais pessoas.

Vou discriminar os meus clientes e os meus amigos. Vou tratá-los melhor ainda.

Discriminar positivamente pode ser bom!

Discrimine você também!

– Você deveria ver. Percebi de cara que estava sendo discriminado. Logo que eles me viram mudaram o seu comportamento…
Essas palavras ouvi do meu sogro contando como ele fora atendido numa empresa. Continuou:
– No telefone eles não sabiam que eu era um idoso, mas quando eles viram a minha cabeça branca quase me pegaram pela mão para me atender. Me atenderam muito bem! concluiu feliz da vida.
Eis aí um caso explícito de discriminação positiva. Um comportamento que poderia ser adotado em todas as nossas interações humanas. Sempre!

Discrimine você também!

Blog FACETAS! Múltiplas faces de uma mesma pessoa

Pensar diferente não é o problema, o problema é não pensar!
Neste mês, 40.000 acessos!!!
Foram publicações longas, curtas, reflexivas e humorísticas, mas todas elas retratando uma interpretação individual de mundo:
Abaixo listo as publicações do mês.
Você é curioso? dia 18-07-14
O moço de carrinho dia 20–07-14