Arquivo da categoria: Facetas

Respeito dá lucro?

– Você só faz M…. Não dá para pedir nada pra você!

Alguém já ouviu algo parecido? Alguém já presenciou uma cena como essa ou mesmo já foi o protagonista dela, num papel ou no outro? Muitas são as vezes em que falas desse nível são proferidas nas organizações, principalmente de um diretor, gerente ou alguém em cargo de chefia para um estagiário, subordinado recém contratado ou de menor escalão. E o que se vê em falas como essas? Quem as usa pode pensar que está expressando autoridade, força e liderança. Porém, não acredito que seja isso que as outras pessoas veem. Acredito que o que se vê nessas falas é a total falta de respeito para com os outros, a ausência de visão estratégica, a inexistência de autoridade e nenhuma característica de liderança. Comportamentos assim na pessoa de alguém que ocupa um cargo de chefia levam a organização a ter baixa produtividade, ambiente de trabalho ruim e prejuízo. Traduzindo para uma construção muito mais simples, não respeitar é simplesmente burrice.

Antes de entrar na questão da lucratividade trazida pelo respeito, cabe destacar um aspecto moral. Para isso, lembro-me da homilia de um padre amigo meu. Ele falava para os presentes que apesar de não compactuar com o divórcio de um casal que havia assumido um compromisso vitalício de união, ele nada podia fazer para evitar as separações. Entendia por bem que, muitas vezes, a separação era o melhor caminho. O que ele não entendia e não aceitava era que os casais que queriam se separar chegassem até ele para dizer ofensas ao cônjuge. Muitos homens diziam, Aquela vaca…, ou, aquela vagabunda…, entre outras preciosidades. Por outro lado, muitas mulheres diziam, Aquele FDP…, ou, aquele cachorro…, entre outros “elogios” para os seus companheiros. Ele lembrava que os cônjuges se escolhiam para o serem por livre e espontânea vontade, por isso se indagava, Como assim? Quem vive com vaca é o quê? Quem vive com cachorro é o quê? Exatamente isso que você está pensando. As espécies convivem entre si. Da mesma maneira no ambiente organizacional. Contrata-se uma pessoa por livre e espontânea vontade e isso não dá o direito a ninguém a desmerecer outrem. Se você é um diretor, um gerente ou um chefe que vive com alguém que só comete erros, provavelmente isso nada mais é do que reflexo de quem você é e das suas competências ou falta delas.

Outro aspecto na questão de respeitar as pessoas com quem se convive pode ser respondida por uma simples pergunta: quem é a pessoa mais importante para você sem a qual você não se levanta pela manhã? Para todos, independentemente de ser diretor, gerente, chefe, estagiário ou jardineiro será: você mesmo. Não há resposta diferente para essa pergunta. Cada indivíduo neste mundo, obrigatoriamente, é o que há de mais importante para ele mesmo. Pode alguém pensar na esposa, no filho ou num irmão, mas a realidade é que se ele não puder contar consigo mesmo tampouco poderá ser importante para outros. Isso porque cada um é o centro do seu próprio mundo sendo cada um a parte mais importante que há nele. Lembre-se: sem você o seu mundo não existe. Parece simples, mas esse é um princípio para o respeito. Um diretor, gerente ou chefe que não consegue entender isso com relação à equipe que com ele trabalha dificilmente conseguirá respeitar alguém. Essa falta de percepção da importância do respeito tornará ainda menos provável a liderança de uma equipe ou gestão de uma organização lucrativa.

Cada vez mais nos aproximamos de uma época em que as pessoas se dão conta de que nada existe fora da natureza que não seja feito pelas pessoas e para as pessoas. A posição que cada um ocupa? Essa é circunstancial. Hoje você pode ser o diretor e esculachar um estagiário. Deixe passar alguns anos e o estagiário poderá ser o seu chefe ou o proprietário de uma empresa da qual a sua organização dependerá diretamente. E o tempo é implacável. Quem hoje pisa, amanhã poderá ser pisado. Começa-se a vislumbrar o lucro que pode advir do respeito.

No longo prazo, manter relações de respeito com as pessoas, não importando a posição que ocupam, lhe dará a lucratividade resultante de relações respeitosas no passado e no presente, garantindo-lhe um futuro. As pessoas com quem você conviveu o terão em alta consideração, podendo resultar em benefícios pessoais e organizacionais.

No médio prazo, o princípio do respeito ajuda a obter lucratividade de forma semelhante. Os bons contatos oriundos de relações decentes e o respeito adquirido de chefes, subordinados, estagiários, vendedores, fornecedores, entre outros tipos de convívio organizacional, apenas tendem a abrir portas. Com isso, tem-se facilitado o trabalho de prospecção de clientes, além da manutenção de amizades com concorrentes e fornecedores. Tudo isso também se reverete em lucro.

As relações de respeito no curto prazo são ainda mais lucrativas. Quando você trata a todos com quem convive diariamente com respeito, o ambiente fica mais leve, aprazível, produtivo e criativo. As empresas que mais investem em Treinamento & Desenvolvimento e que contam com ambientes mais relaxados são as mais produtivas ano após ano entre as Maiores & Melhores da Revista Exame. Outras publicações também confirmam essa tendência. Investir nas pessoas é uma maneira de demonstrar respeito que deve ser acompanhada de atitudes respeitosas no dia a dia. Não se trata de não cobrar resultados. Trata-se tão somente de respeitar inclusive no ato de cobrar. Aquele que diz que o outro só faz M… é literalmente quem está fazendo M…. Quem usa de tais recursos comportamentais não está sendo estratégico, nem ético, nem líder e nem chefe. Está sendo burro mesmo. Ôpa, se eu o chamar de burro também eu o sou? Não nesse caso, porque não me refiro a espécie, mas sim ao fato de ser ignorante ao não respeitar o outro.

Se o respeito, além de tudo, é lucrativo, não entendo como ainda se veem tantas situações em que pessoas tratam tão mal outras pessoas. Mais do que isso. Dê o sentido que você quiser para a palavra lucro e ainda assim o resultado de respeitar a todos será altamente lucrativo. Se você respeitar o seu amigo, a sua amizade vai se solidificar. É lucro. Se você respeitar a sua esposa, ela vai lhe amar ainda mais. É lucro. Se você respeitar o seu filho, ele vai se espelhar em você e respeita-lo-á. É lucro. Se você respeitar em qualquer situação, você será respeitado. É lucro. Por isso que se diz que respeito é bom e todos gostam. Por fim, todas as formas de respeito lhe trazem um lucro ainda maior: paz de espírito no curto, no médio e no longo prazo.

Viva melhor. Respeite!


Você tem vencido as discussões?

Nas nossas relações recebe destaque a capacidade de articular, de conversar e de respeitar para que se tenha um ambiente positivo e humano. Para desenvolvermos tais percepções, é necessário termos a flexibilidade mental para poder ouvir, escutar e processar querendo realmente entender o ponto de vista daquele com quem se conversa. Devemos ter a humildade para saber que se é possível estarmos errados quando todos estão de acordo, a probabilidade é ainda maior quando as opiniões divergem. Se é possível pensar o contrário, também é possível que a solução seja contrária àquilo que inicialmente se imagina (Rauber, 2010). Descobrimos isso somente quando se tem boa habilidade para conversar, mas principalmente quando sabemos escutar.
Destacamos aqui a importância de entendermos que não se conversa para vencer, mas sim para construir. Assim, não há necessidade de desenvolvermos o sentimento de estarmos enfrentando alguém, mas sim de compartilhamento com uma pessoa que naquela organização tem objetivos comuns. Não há partes contrárias. Há um todo do qual somos partes constitutivas e colaborativas.

Como são as suas conversas? Você “vence” muitas discussões? Cuidado, você pode estar perdendo uma chance…


Você sabe respeitar?

Uma conversa somente é validada quando há a escuta. Maturana (2001), lembra outros pontos que estão presentes numa conversa, como o contexto, o estado emocional e a história pessoal daqueles que conversam. Conhecer e saber sobre isso é fundamental para o profissional que quer fazer a diferença e quer fazer fluir. É o contexto que condiciona a forma de falar e de escutar, portanto a conversa. Também merece destaque perceber o estado emocional dos envolvidos na conversa, sabendo da predisposição para agir ou não a partir dela. Ou seja, tudo pode ser diferente dependendo do estado emocional dos envolvidos em uma conversa. Por fim, recordar que cada um tem a sua história pessoal que determina aquilo que cada um é e que estará presente na conversa. Falamos e escutamos a partir da forma como nos construímos com a nossa história pessoal. E o outro também.

Você sabe respeitar o outro como um verdadeiro outro?

Você sabe escutar?

Uma fala somente é validada quando ela é escutada.

Para Malcolm Forbes, “A arte da conversa está em escutar”. E quem pode negar. Escutar é muito diferente de ouvir. Posso ouvir um ruído ou o canto de um pássaro, entretanto o que eu escuto é muito diferente. O ruído que ouvi pode fazer com que eu escute o perigo de uma batida ou a queda de um copo, por exemplo. O canto de um pássaro pode permitir que eu escute o seu contentamento ou o seu desespero. Assim, aquele que souber escutar poderá certamente conversar melhor. Encontramos amparo conceitual em Maturana (2001), que diz que somente há conversa quando há escuta, porque é quando escutamos que o que é falado tem validade. Assim, é o escutar que direciona o processo de comunicação.

Você sabe validar uma conversa?

O que você tem feito com as suas conversas internas?

“O homem divide uma conversa em duas partes: falar e ouvir sua fala interior”, disse John Fowles, identificando o que vai no íntimo de cada um no exato instante em que se expressa ou em que interage com outras pessoas. 

Saber que temos conversações paralelas internas enquanto estamos em um momento de interação também é um fator importante, porque nem sempre ela nos são aprazíveis ou seriam produtivas se as revelássemos. Elas simplesmente existem. Assim como as emoções, as conversas internas são inevitáveis, porém somos responsáveis pelo que fazemos com elas, conforme Peter Senge, em a Quinta Disciplina (1992). 

Mas existem aqueles que se orgulham de falar tudo o que pensam. Isso é fácil e qualquer ignorante pode fazê-lo. O grande desafio é falar no momento apropriado, com as palavras adequadas e com o respeito necessário em qualquer relacionamento humano. E isso não é uma competência técnica… 

O que você tem feito com as suas conversas internas?

Vítima ou protagonista?

Nascido para viver!!!


E quais eram as opções do Fabrício?


A primeira seria não fazer nada. Aceitar a situação como irremediável ao comportar-se como vítima, deixando-se vencer pelos julgamentos dos outros e retirar-se do mundo.

A segunda seria o da opção pela vida. Foi o que o Fabrício fez. A tomada de consciência da finitude existencial é que pode dar a autonomia de fazer a opção deliberada por viver. Todos nascem, crescem e morrem. A sequência natural pode ser alterada por fatores fora de nosso controle, mas não houve rei nem rainha, famoso ou anônimo, rico ou pobre que tenha fugido do desfecho final. O que está no controle de cada um é o que se faz com o tracinho que está inserido entre o ano em que se nasce e o ano em que se morre. Esse tracinho é a vida e cada um pode fazer a opção de vivê-la em sua plenitude, demonstrando que nasceu para viver. Cada um é dono de si. Para isso, deve-se estar disposto a ser o protagonista do próprio destino.

É isso aí, Fabrício, nascido para viver!


Superação, a marca do ser humano

Como vai a sua conversa?

Entende-se que é no saber estar com os outros que as oportunidades se revelam por meio da interação, respeito, trabalho, cooperação e contribuição para a construção de ambientes melhores. Deve-se lembrar que para saber estar é preciso saber conversar.

São muitos os sinônimos e significados para “conversar”. Como sinônimo, podemos pensar em dialogar, papear, tagarelar, prosear, falar… Mas conversar, no ambiente de trabalho, tem como pano de fundo a ideia de fazer fluir.

Quando Machado de Assis diz, “Eu gosto de olhos que sorriem, de gestos que se desculpam, de toques que sabem conversar e de silêncios que se declaram”, aproximamo-nos daquilo que entendemos como conversar. O sorriso nos olhos, consequentemente na conversa, é importante, porque facilita a comunicação. Os gestos que desculpam, saúdam, estimulam e dão força são fundamentais. Os toques que orientam, assim como os silêncios que falam são habilidades indispensáveis para que os indivíduos exerçam a sua função com a competência que se espera.

Você sabe conversar?


Você está pronto para morrer?

Não sei porque no Brasil se tem a impressão de que sempre morrem as pessoas erradas. Mas existe alguém certo para morrer? Entender que não há uma pessoa certa para morrer é um bom começo para que se internalize a certeza de que todos nós vamos morrer e passar a viver de acordo com isso. Viver e morrer é muito simples. É uma realidade que se repete há milhões de anos. Mas a mítica da morte, muitas vezes, nos faz criar os messias e os seus anunciadores. Eis o momento que se vive por aqui.

Lamento sinceramente a morte do ser humano Eduardo Campos, assim como das demais pessoas que estavam com ele. Entretanto, tratar o desaparecimento do político como a morte do messias é fugir da realidade. Mais uma vez usamos desculpas para ocultar a nossa incompetência. Mais uma vez assumimos o papel de vítimas, sem nunca entender que não o somos. É o momento de finalmente entender que sempre somos os protagonistas, ainda que de nossa própria tragédia como pessoas ou como nação. Vamos ficar de luto pelas pessoas? Um sentimento justo e humano. Vamos ficar de luto pelo messias que só foi identificado como tal quando não mais o poderia ser? Qual é… Desculpa fácil para não construir nada!

Eleger um político para presidente é nossa obrigação cívica. Porém, nada nos tira a responsabilidade de fazer o que deve ser feito no nosso dia a dia. Por isso, vamos trabalhar e fazer a nossa parte que a salvação chegará. Só assim para termos um país organizado, desenvolvido, justo e humano, porque nós também o devemos ser como pessoas. Por fim, caso ainda assim a salvação não chegue, um dia a morte nos resgatará. Não tenho a mínima ideia se será para que tenhamos uma vida eterna feliz ou de danação ou mesmo numa ou noutra reencarnação. Deve-se lembrar, porém, que também há a hipótese de que seja a morte e não a vida eterna. Nesse caso, não precisaríamos de redenção…

Por isso a pergunta: você está pronto para morrer? Se não estiver é problema seu, porque você vai morrer do mesmo jeito. Um artista morre. Um político morre. Um messias morre. Não é um privilégio seu ou meu, mas é uma realidade inevitável. Não é nem questão de ser aceitável ou não, apenas é. Não sou nenhum psicopata a ponto de desejar a morte de alguém, entretanto tenho a clareza de que vou morrer, assim como todos vão. Isso me leva a uma indagação: qual a importância disso tudo para nós daqui a 100 anos? E daqui a 100 mil anos? E por que não pensar em um bilhão de anos? Para nós não fará diferença nenhuma. Entretanto, pode-se fazer algo agora. Faça aquilo que estiver ao seu alcance. Se tudo isso não lhe parece justo, nada impede que você seja uma pessoa justa.

É isso! Um ponto de vista.

Você sabe estar? Quais são os seus saberes?

Na busca por resultados individuais e organizacionais harmônicos, ser competente passa pelo saber, saber fazer, querer fazer, poder fazer e, finalmente, pelo saber estar. O saberdiz respeito a um conjunto de conhecimentos que possibilitam a um indivíduo desempenhar as suas funções. O saber fazer contempla as habilidades de execução e aplicação dos conhecimentos que a pessoa detém para solucionar as exigências em contexto de trabalho. O querer fazerrefere-se à motivação pessoal e ao contexto mais ou menos estimulante no qual o indivíduo intervém, devendo-se essa habilidade a uma postura mais ou menos assertiva do profissional frente às demandas. O poder fazerremete-nos à existência de um contexto, de uma organização do trabalho, da forma de gestão e das condições que tornem possível que o indivíduo aplique o seu saber. Por fim, grande ênfase é dada ao saber estar, competência resultante de uma combinação do desempenho das tarefas que determinada função exige e as atitudes adequadas face aos objetivos, às normas da organização e às pessoas que formam o ambiente de relacionamento em geral em que o indivíduo se encontra.

Cada item tem a sua importância; entretanto, há que se considerar que tudo o que existe fora da natureza é feito pelas pessoas e para elas. Assim, podemos deduzir que é no saber estar com as pessoas que estão as oportunidades de viver bem, respeitando, trabalhando, cooperando, interagindo, auxiliando e contribuindo para um objetivo comum.


Quais são os seus saberes? Você sabe estar?