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Curiosidade causa fila…

Saindo de Tubarão em direção a Laguna vi, à minha direita, a placa dizendo CURIOSIDADE CAUSA FILA! Mantenha a velocidade 60kmSim, li e até concordei. Juro, mas juro por Deus que não fui curioso. Não olhei para lado nenhum. Mesmo assim, de repente, a fila parou. Estancou. Não nos mexemos por mais de 30 minutos. Eu olhava para aquela placa e sentia a acusação. Tá vendo, quem mandou ser curioso? 
Entendo que muitas pessoas ao verem uma movimentação anormal tendem a reduzir a velocidade para observar o que está acontecendo. Logo atrás da placa pode-se ver toda a obra da futura ponte sobre o canal Laranjeiras. Obra essa que deveria ter sido a primeira a ser iniciada para que pudesse ter sido concluída juntamente com as pistas que já foram duplicadas. Mas não no Brasil. Aqui se faz primeiro o que é mais fácil e rápido para depois se fazer o que é mais difícil e demorado. Para se fazer como deveria ser feito teria que ter sido planejado. Ah, mas daí não dá, né? Fica bem mais fácil colocar uma placa dizendo que a curiosidade causa fila ao invés de admitir que incompetência é que nos causa transtornos. 
Ainda por cima saí com a sensação de que a culpa era minha e de quem passa por ali. Quem manda querer usar uma rodovia em pleno domingo… Fique em casa, oras! Talvez se eu, pelo menos, tivesse fechado os olhos a fila teria andado… desaparecido… Sei lá!

De que lado você está 3?


Ouvia com atenção o meu amigo:
– Quando entrei naquela empresa, no primeiro ano eu fazia tudo que me pediam. Na verdade, eu fazia mais… Sempre estava disposto a ajudar e a colaborar. Acabei vendo que as coisas aconteciam. Era muito bacana isso! Estava sendo fácil o caminho para melhorar lá dentro. Lembro que cheguei a aceitar as responsabilidades de um cargo sem receber nada a mais. Depois veio o aumento de salário. Fiquei muito orgulhoso disso! Outra hora também me ofereci para participar de um grupo voluntário que prestava serviços num bairro afastado. Eram atividades bacanas. Eu era solteiro e não tinha muitos compromissos sociais. Até foi numa dessas horas que eu conheci a minha esposa. Eu fazia aquilo porque gostava e acreditava… Um dia, um cara que havia sido meu encarregado chegou e me disse, “Você é um puxa-saco!”. Juro que não entendi direito, mas me senti pressionado, como se estivesse fazendo alguma trairagem. Senti como se ele não gostasse de ver que eu estava bem na empresa. Parecia que eu estava do lado errado… Não me lembro exatamente como aconteceu, mas as coisas mudaram. Quando me dei conta eu estava junto daquele mesmo grupo. Para a empresa fazia só o que me pediam. Saí dos grupos voluntários. Não ajudava mais os outros. Só criticava e reclamava que faltavam as coisas. Terminei saindo da empresa o que foi uma das grandes burradas que fiz na vida…
E seguiu contando outras histórias resultado de uma escolha feita há trinta anos.

Normalmente, os grupos, dentro de qualquer organização, que se preocupam mais em criticar do que em fazer simplesmente não conseguem ver as pessoas competentes fazendo o que deve ser feito, principalmente nos momentos de escassez de recursos. Frustram-se ao ver que os outros usam a sua criatividade, o seu entusiasmo e a sua iniciativa para ver os problemas, encontrar e propor soluções. Por isso, não deixe que os frustrados frustem as suas iniciativas. Não faça trairagem com você mesmo.
Lembrar que uma organização não tem lados pode ser uma boa escolha. Lembrar que se você está numa organização foi porque escolheu estar também ajuda a que não nos entreguemos ao conformismo, ao derrotismo e ao vitimismo. Não deixe que os vitimistas o levem para o lado deles, porque quando você se coloca no papel de vítima ainda assim você é o protagonista…

Por isso a pergunta: de que lado você está? Nas organizações não há lados, pois existem objetivos comuns e individuais que estão no centro das atividades. Quando você perceber que está indo para um lado, aproveite, pule e saia da organização. Assim você não se prejudica e nem aos colegas de trabalho que não tem nada a ver com isso. Ter esse entendimento é fundamental para que se construa uma organização leal e competitiva.

Lembre-se: 

O trabalho faz parte da nossa vida e nela não há lados, porque nós sempre estamos no centro dela.

O extrativismo na gestão de pessoas – o final de uma era

O passado é uma fonte constante de informação. Para melhor ou para pior cada um decide. Sempre que olhamos para trás vemos de onde viemos, como vivíamos e o que fazíamos, mas nem sempre conseguimos com isso saber para onde vamos, como viveremos ou o que faremos. A questão de que o passado nem sempre indica para onde vamos fica evidente no exemplo da previsão do peru.

Talvez ele devesse ter conversado com alguém…


Ao somente analisar dados de seu passado ele jamais poderia imaginar que o sujeito que lhe alimenta o ano inteiro é o mesmo que vai lhe cortar a cabeça na véspera do Natal. Assim, o passado é fonte de informação, mas temos que analisá-lo criticamente para poder extrair dele referências para o presente e o futuro. Na nossa relação com o meio ambiente, ao analisarmos o passado e também o presente, aprendemos o que não devemos fazer. Mantínhamos, com os recursos naturais, a ideia da sua inesgotabilidade adotando o extrativismo predatório como regra. Assim, nos relacionamos durante muito tempo que nos mostrou o contrário: os recursos são finitos quando não são bem usados. Inclusive, essa percepção chegou tarde demais para algumas espécies animais e vegetais. Hoje, entretanto, entendemos que a nossa relação com o meio ambiente pode e deve ser de um extrativismo sustentável. Experiências mostram que se pode usufruir de tudo o que uma floresta produz, preservando-a. Pode-se conviver extraindo do meio ambiente aquilo que nós, como seres humanos, precisamos para sobreviver, desde que estejamos dispostos a devolver o que ele também precisa para se manter. Na gestão de pessoas ocorre algo semelhante. Muitas organizações adotaram, e outras ainda mantém, uma postura de extrativismo predatório na gestão das pessoas que as compõem. Preocupavam-se ou preocupam-se em apenas extrair das pessoas tudo o que possa melhorar a produtividade e a competitividade. Certamente não é a forma mais inteligente de convívio, assim como não o era com o meio ambiente.


Na gestão de pessoas o passado também nos serve de referência para saber o que não se deve fazer, embora alguns insistam em viver no passado. Lembrando a história do peru, organizações que não se adaptarem as mudanças terão o pescoço cortado. Entre as mudanças está a migração de um modelo de gestão de pessoas baseada no extrativismo predatório para um modelo sustentável. Basta olhar para o passado e perceber que as mudanças estão ocorrendo rapidamente em termos históricos. Lembrar que há 200 anos cobrava-se que os jovens de até dezesseis anos trabalhassem dezesseis horas por dia; que a idade mínima para se iniciar na rotina do trabalho era de nove anos; e que não havia descanso semanal, muito menos remunerado, hoje pode nos parecer perverso. Naquela época era natural. Pensava-se tão somente na produção em detrimento da segurança, da saúde e da remuneração das pessoas que compunham aquela organização. Era o modelo de extrativismo predatório na gestão de pessoas. Extraía-se. Sugava-se. Tirava-se. Nada se retribuía. Não se entendia que pessoas saudáveis e bem remuneradas são parte da equação perfeita para que a competitividade e a produtividade tenham sentido, como preconizado num modelo de extrativismo sustentável. Porém, cabe lembrar que ainda hoje muitas organizações não fogem tanto assim dessa realidade. Preocupam-se em implementar programas de qualificação e de avaliação de desempenho dos indivíduos com relação a organização, sem efetivamente se importar com o que a organização está devolvendo aos indivíduos. Continuam num modelo de extrativismo predatório, sugando a energia, abduzindo a alma e arrancando os sonhos das pessoas.


Como mudar essa realidade? Com respeito. Sim, aplicar no convívio pessoal, social e organizacional o que está por detrás do conceito da palavra respeito, independentemente da posição familiar, do status ou do nível hierárquico. Entende-se por respeito o ato ou a ação de respeitar, revelados pelo sentimento de tratar o outro com grande atenção e profunda deferência (Dicionário Aurélio). Deferência pela história, integridade e sonhos do outro. Como fazer isso? Entendendo e assimilando que cada indivíduo é o centro do seu universo e não há nada mais importante para cada ser humano do que ele próprio. Pouco importa se é pai, mãe, irmão ou filho na relação. Não faz diferença ser de classe social baixa, média ou alta. Não é relevante ser o jardineiro, o eletricista, o engenheiro, o faxineiro ou o diretor na organização. É essencial saber que para cada pessoa, em primeiro lugar, vem e deve vir a própria pessoa. Não há nada de errado nisso. É simplesmente natural. Perceber isso é o primeiro passo a caminho de agir com respeito. Pode-se agir com respeito por ser bom, o que é ótimo para todos. Pode-se agir com respeito para ser bom, o que é bom para todos. Mas não é só isso… Pode-se agir com respeito por ser bom ou para ser bom o que na verdade é muito melhor para quem assim age ou assim o é. Não se trata, em absoluto, de ser utópico. Esse comportamento revela inteligência que resultará em organizações mais produtivas e mais competitivas porque compostas por pessoas que estão dispostas a dar o melhor de si com a certeza de ter o retorno esperado. Nesse ambiente, o indivíduo que não se comportar dessa maneira estará faltando com o respeito para com os seus colegas e para com a organização. Automaticamente ele deixará o meio. 

Com isso em mente consegue-se, pelo menos, aplicar o extrativismo sustentável na gestão de pessoas. Melhor ainda… Talvez se possa ultrapassar a concepção do extrativismo, que carrega a conotação de sugar e tirar. Ao gerir pessoas tendo como premissa o respeito pode-se avançar para um modelo que envolva as pessoas, dando-lhes as oportunidades que procuram. Desse modo, as pessoas vão retribuir espontaneamente o que elas têm para dar, entrando numa era de gestão de pessoas feita por pessoas e para pessoas. 

A senhora e o gato…

Uma senhora bem idosa e muito pobre vivia em sua casa com o seu único amigo, um gato. Uma noite a luz acabou e ela sabia que era porque não havia conseguido pagar a conta. Assim, ela pegou uma velha lamparina a óleo do seu tempo de criança para ter luz. Esfregou-a com a intenção de limpá-la. Para a sua surpresa apareceu um gênio que lhe concedeu o direito a fazer três pedidos. Ela, toda feliz, disse:
Primeiro, eu quero ser tão rica que jamais precise me preocupar com dinheiro. Segundo, quero voltar a ser linda como eu era quando tinha vinte anos. E por último, quero que você transforme o meu gato num príncipe jovem e lindo…

O gênio se concentrou, apareceu uma fumaceira e puff. Assim que a nuvem de fumaça desapareceu a velha senhora estava rodeada por uma pilha de moedas de ouro que não acabava mais. Olhou no espelho em frente e se viu linda como o fora em sua juventude. Olhou para o lado e viu um belo jovem que caminhava em sua direção. Ele olhou-a nos olhos e falou:
Garanto que agora você está arrependida por ter me levado ao veterinário para fazer aquela pequena cirurgia…

Pode ser de pouco valor para um, mas pode ser de inestimável valor para o outro. Entender isso é fundamental para desenvolver o respeito, por si e pelos outros.





Anedota extraída:

A barraca e as estrelas…

Sherlock Holmes e seu fiel escudeiro Dr. Watson acamparam durante uma viagem. Depois de dormir por algumas horas Holmes acordou, cutucou Watson e perguntou:
– Olhe para cima e diga-me o que você está vendo, Watson?
– Hum… Eu vejo milhões de estrelas, Holmes…
– E o que você conclui disso, Watson?
Watson pensa por um momentos e responde:
Bem, sob o aspecto astronômico isso me mostra que existem milhões de galáxias e, potencialmente, bilhões de estrelas. Astrologicamente posso ve ver que Saturno está em leão. Quanto às horas posso deduzir que são 3h15 da madrugada. Meteorologicamente eu entendo que teremos um lindo dia amanhã. Teologicamente vejo nessa imensidão todo o poder de Deus e sinto toda a nossa insignificância…

Watson ficou em silêncio por alguns segundos e depois perguntou:
– E você, Holmes, o que você vê?
– Eu vejo que eles roubaram a nossa barraca, Watson…

Muitas vezes deixamos de ver o principal e o mais óbvio em nossos negócios, carreiras e funções, fixando-nos nas questões periféricas.


O que você conclui daquilo que vê a sua volta?


Extraída do livro: Plato and Platypus walk into a Bar… Understanding Philosophy – through jokes (Thomas Cathcart & Daniel Klein)

2014, ano de aguentar um tempo…


O ano velho acabou. O ano novo começou. E as piadas se repetem.

Muitas vezes comento que cadeirante e semáforo produzem situações inusitadas. E é verdade. Vejo um semáforo e logo me lembro das moedas que ganhei e mesmo do fato de ter cruzado a rua sem querer, empurrado pela ajuda que não pedi. Outra situação comum aos usuários de cadeira de rodas é a interação com bebuns. Não sei o que acontece, mas há uma atração fatal. Um bebum vê um cadeirante e já vai se aproximando…

Assim, começou o meu ano de 2014. Estávamos numa prainha simples, mas muito aconchegante. No dia 31 jantamos em casa no horário de sempre. Depois começamos nosso joguinho de baralho. O resto de 2013 parece que voou. Estávamos atrasados para a virada. Saímos rapidamente para acompanhar o show de fogos com amigos na areia da praia. Nada de fogos organizados. Apenas a ideia de ver o foguetório que subia das diversas casas que faziam a sua festa. Festa pública, feita pelo público, não com dinheiro público. Ainda estávamos a caminho e o foguetório aumentou. A virada já estava acontecendo. Não fomos até a areia. Ficamos por ali mesmo no calçadão da esquina. Estouramos o nosso espumante e nos cumprimentamos. Minha esposa. Meu pai. A esposa dele e a filha. Meu irmão, o filho e a esposa. Um grupinho ali no meio da rua. A alegria de estar na presença de pessoas importantes era verdadeira. Outros grupinhos se espalhavam pelas ruas. Muitas pessoas transitavam de um lado a outro. Todos curtindo a chegada de 2014. Passados alguns minutos resolvemos voltar para casa. Minha esposa e eu fomos um pouco na frente dos demais. Um cadeirante numa calçada bem feita pode ser bastante rápido. Mas nem sempre rápido o suficiente. Olhei para a direita e vi um sujeito caminhando em minha direção. Observando com mais cuidado, vi que ele fazia força para manter-se em equilíbrio. Só deu tempo para pensar, Lá vem um bêbado… Não deu outra. Ele chegou chegando e se apoiou no encosto da minha cadeira, disse:
Força companheiro, força. Minha mãe também tava nessa…
Ele já meio que se escorou no meu ombro. Logo senti o cheiro de álcool. Dei-lhe um tapinha nas costas e disse:
Feliz Ano Novo pra você também!
A resposta veio com a repetição da primeira frase:
Força companheiro, força. Minha mãe também tava nessa…
Educadamente, já que ele não me largava, respondi:
­– Sinto muito. O que aconteceu com a sua mãe?
Os olhos do meu novo amigo se encheram de lágrimas. Ele se ajoelhou ao meu lado e choramingando, entre cuspes e palavras engroladas, disse:
– Ela aguentou um tempo, mas depois morreu…
Minha esposa “ria que se acabava”. É, pensei, Bem-vindo a 2014!!!

O desafio vai ser aguentar um tempo…
Com alegria, entusiasmo,..

Depende de cada um!


Por que contamos histórias?

As histórias mostram como nós pensamos e como nós somos. Elas expressam como nós damos sentido a própria vida. Podemos chamá-las de esquemas, mapas cognitivos, modelos mentais, metáforas ou narrativas, tanto faz. O importante é que as histórias demonstram como nós explicamos o funcionamento das coisas, como tomamos decisões, como convencemos as pessoas e como nós entendemos o nosso lugar no mundo, definindo e ensinando os valores sociais.
Dra. Pamela Rutledge

Para que facilitar se eu posso complicar?

Havia terminado o trabalho. Restava-me emitir a nota fiscal, juntar as certidões que a acompanham e encaminhar a cobrança. Dei uma última olhada nos documentos e vi que a certidão municipal estava vencida. Terei que solicitar outra…, pensei. Menos mal que a prefeitura onde tenho a inscrição oferece o serviço online… Naquele momento eu estava a mais de 800km da minha cidade, mas a tecnologia resolveria o problema. Entrei no site e solicitei a certidão. Deveria ser negativa, mas saiu positiva. O que será que aconteceu? Imediatamente telefonei para o plantão fiscal da cidade e logo fui atendido:
– Boa tarde, em que posso ajudá-lo?
– Olha, fui solicitar uma certidão negativa online, mas ela acusa alguma pendência? Eu poderia saber do que se trata?

Passei as informações da empresa. A atendente respondeu:
– Não posso dar informações mais detalhadas, mas essa empresa não recolheu o ISS entre os meses de maio e dezembro de 2012.

Fiquei espantado, porque sempre recolhi os tributos religiosamente. Lembrei-me imediatamente de um amigo meu, coletor de impostos, que tinha pendurado um quadro sobre a sua escrivaninha com os dizeres:
Nada é tão garantido quanto os impostos e a morte!

Simples e verdadeiro. É plenamente justificável pagar impostos, mas pagar o mesmo duas vezes não é justo. Respondi:
– Estranho… Tenho todas as guias aqui comigo. Elas estão em pdf no meu computador. Poderia enviar por e-mail, assim você faria uma conferência…

Expliquei-lhe que eu estava longe da cidade e que se eu não apresentasse a certidão naquele dia o meu pagamento não seria realizado. Ela, gentil e ineficazmente, respondeu:
– Desculpe-me, mas nós não adotamos esse expediente de trabalho. O senhor terá que enviar alguém aqui com os comprovantes de pagamento para que nós analisemos o caso…

Não teve nada que eu alegasse ou dissesse que pudesse mudar as coisas. Tive que ligar para a minha cidade, falar com um amigo, enviar-lhe os comprovantes de pagamento dos impostos, pedir para ele os imprimisse e que fosse até o plantão fiscal da prefeitura. Ele foi, mas lamentavelmente naquele dia o responsável não estava lá. Faltavam 30 minutos para encerrar o expediente quando o meu amigo chegou na prefeitura, mas era uma sexta-feira… Perdi o prazo para receber o pagamento. Teria que esperar para o mês seguinte. Na segunda-feira pela manhã ele voltou a prefeitura. O atendente entrou no sistema e emitiu a certidão. Ele não precisou apresentar documento nenhum. Não havia mais pendência nenhuma. Entre sexta e segunda as pendências, que nunca existiram, desapareceram. Não sei o que aconteceu.

O que sei é que normalmente culpamos o sistema para tudo aquilo que não funciona. Mas não se trata do sistema. Falamos de pessoas. Era uma pessoa do outro lado da linha com quem eu havia falado. Provavelmente alguém com marido, filhos e amigos. Amigos que podem ser outros funcionários ou mesmo donos de pequenas ou grandes empresas. Pessoas que estão no sistema. As pessoas são o sistema. Você. Eu. Nós fazemos o sistema. Quantas vezes poderíamos resolver algo e não o fazemos? A tecnologia teria resolvido a situação. As pessoas não deixaram. Quantas vezes, o simples uso do bom senso pelas pessoas poderia agilizar, resolver e melhorar o sistema?