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Filhos, não há bônus sem ônus…

Tem me deixado estupefato o comportamento de um sem número de pais com relação aos filhos. Com certeza não só a mim…

É impressionante como muitos pais querem ter filhos, literalmente no sentido de possuir, para deles usufruir o que há de melhor. A alegria de receber um abraço espontâneo. A felicidade de vê-los brincar com um brinquedo dado. O contentamento com as conquistas diárias resultado da observação dos próprios comportamentos. A satisfação com o sorriso genuíno ao entender algo novo aprendido com os pais. O orgulho de ver refletido nos filhos tantas das características também exibidas. Porém, muito mais me impressiona o quanto esses mesmos pais se esquivam do ônus do seu papel. A força para corrigir uma postura errada frente a uma situação. A coragem para negar um dos tantos brinquedos ofertados coibindo os excessos. O caráter para manter um bom comportamento para que os filhos copiem bons hábitos. A flexibilidade de continuar aprendendo para com isso também ensinar os filhos. A humildade para reconhecer que um filho seu também tem as suas limitações. E o entendimento de que as más companhias dos filhos dos outros pode muito bem ter entre elas um filho meu…

Por isso, muito, mas muito mais importante do que ter filhos é necessário que as pessoas se preocupem em ser pais.

Desfrutar do bônus responsabilizando-se pelo ônus!

Quanto custa a bola?

Responda rápido: um bastão e uma bola custam R$ 1,10. O bastão custa R$ 1,00 a mais do que a bola. Quanto custa a bola?

A resposta que vem a mente nos parece óbvia e segura: R$ 0,10…

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…para a bola e, consequentemente, R$ 1,00 para o bastão, não é? Mas pense um pouco mais… Se a bola custasse R$ 0,10 para que o bastão custasse R$ 1,00 a mais do que ela o total da compra deveria ser R$ 1,20. Nós somos levados a dar uma resposta rápida e intuitiva para um problema aparentemente simples. A intuição, neste caso, nos levou a um erro simplório para uma questão fácil. Quantas vezes isso pode nos acontecer em decisões pessoais e profissionais, muitas vezes envolvendo questões bem mais complexas?

A facilidade com que nos satisfazemos com a primeira resposta que vem a mente nos leva a parar de pensar. É a preguiça intelectual que nos paralisa. Tivéssemos investido um pouco mais de tempo e fugido da resposta intuitiva dando fundamento aos argumentos com certeza teríamos evitado o erro. A pergunta é sobre a diferença entre os valores de cada um dos objetos. Por isso, se o total dos dois objeto é de R$ 1,10 e o bastão custou R$ 1,00 a mais do que a bola a resposta não pode ser R$ 0,10. A resposta é que a bola custou R$ 0,05 e o bastão R$ 1,05, certo? Faça as contas: a soma dos dois itens perfaz R$ 1,10. Fazendo-se a subtração chega-se a diferença de R$ 1,00, indagação presente no enunciado da questão.

O que fazer para evitar as respostas fáceis da intuição? Fugir da preguiça intelecutal presente na forma como tratamos a maioria das questões é um caminho. Porém, muitas vezes isso é bem mais difícil do que parece. Sabe-se que para se empenhar intelectualmente em algo é requerido esforço, concentração e foco. Essas características revelam pessoas alertas, criativas e que não se satisfazem com respostas superficialmente atraentes. Lamentavelmente são a minoria…

E você, faz parte da minoria ou da maioria? A pergunta é para você, porque me deu uma preguiça de responder…

Kahneman, Daniel (2011). Rápido e devagar: duas formas de pensar.

Bom apetite!

Goldfinger, um senhor inglês, está num cruzeiro. Na primeira noite ao jantar ele senta ao lado de um francês, Sr. Fallaux, que levanta seu copo numa saudação e diz:

– Bon appetit!

Goldfinger também levanta seu copo e responde:
– Goldfinger!

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E assim prosseguem os encontros janta após janta quase durante toda a viagem. Um dia o garçom não consegue mais ver a mesma cena e explica para o senhor Goldfinger:
– “Bon appetit” em francês quer dizer o mesmo que “tenha uma boa refeição!”

Golfinger fica encabulado e ansioso para chegar o novo encontro com o francês e se redimir de seus erros anteriores. Assim que o senhor Fallaux chega à mesa, antes que ele fale algo, Golfinger levanta o copo e com um sorriso diz:
– Bon appetit!

O francês retribui o sorriso e responde:
Goldfinger!

Ao tomar o mundo sempre sob o nosso prisma podemos cometer grandes equívocos. Histórias, em que os personagens têm agendas diversas, fornecem analogias engraçadas de como as estruturas linguísticas diferentes atrapalham a comunicação.

E todos nós somos diferentes, não somos?


Extraída do livro: Plato and Platypus walk into a Bar… Understanding Philosophy – through jokes (Thomas Cathcart & Daniel Klein) 

2014: um ano para desistir…


No final de 2013 recebi um e-mail marcante. Nele, uma pessoa relatou que estava prestes a desistir da própria vida por causa de uma grande frustração amorosa. Disse-me que depois de muitos anos de convívio havia entendido que aquela não era a pessoa ideal para ela. Porém, passados alguns meses do rompimento por ela provocado entendeu que sim, aquela era a pessoa da sua vida. Ao tentar retomar o relacionamento a outra pessoa já não mais a queria. Fez uma tentativa. Fez duas. Fez três. A resposta era sempre a mesma: não. A pessoa começou a entrar em desespero, porque havia perdido quem mais amava e não havia sabido reconhecer no tempo certo. Não queria desistir da outra pessoa, mas passou a querer desistir de viver. Pensava em suicídio.

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Depois de muito cogitar resolveu que aquele seria o dia. E assim, saiu para cumprir com o seu intento. Antes, passou na casa de uma amiga, apenas com o intuito de se despedir, mas sem revelar a sua verdadeira intenção ou o seu destino final. Na conversa surgiu o livro Olhe mais uma vez! Em cada situação novas oportunidades que a amiga sugeriu para leitura. A pessoa aceitou o empréstimo por educação, afinal nada faria com que ela mudasse de ideia. No caminho para o seu calvário a pessoa leu, aleatoriamente, uma passagem. Na leitura dessa passagem entendeu uma mensagem e ocorreu uma mudança. Sim, ela não desistiria da vida. Ela desistiria da outra pessoa…

Depois de passar a tarde sentada frente ao penhasco de onde resolvera se precipitar para acabar com o seu tormento, a pessoa voltou para casa, ainda triste, entretanto convicta. Nada mais a faria desistir da vida. Ela desistiria dos projetos que não deram certo. O relacionamento que ela interrompera era um projeto que já não chegaria a um bom termo, pois se esgotara. Assim, desistir dele era algo inteligente. Principalmente porque a pessoa em questão entendeu que ela não queria a outra pessoa pelo que ela era, mas ela a queria como a imaginara. Desse modo, não se tratava de desistir de uma pessoa, tratava-se de lhe dar o direito à escolha e de desenvolver o seu próprio projeto com outras pessoas. Feliz daqueles que conseguem se manter conectados em projetos com objetivos comuns e num nível de interdependência pessoal que os permita fazer parte de algo importante. Não digo de grandioso, mas de relevante para os envolvidos.

Por isso, 2014 será um ano para desistir de hábitos e costumes perniciosos para quem os têm, assim como para aqueles que estão a sua volta. Entende-se que desistir significa renovar, pois como podemos mudar sem abandonar velhas práticas? Também será um ano para desistir de projetos mal elaborados. Será um ano para desistir de planos sem foco. Será um ano para desistir do egoísmo de acreditar que tudo gira em torno do próprio umbigo. Sim, escrevo o que escrevo porque também tenho uma lista de coisas para desistir em 2014. Portanto, se as pessoas aprenderem a desistir de projetos sem futuro, também as organizações o farão. E são elas que, muitas vezes, continuam a investir fortunas em projetos fadados ao fracasso, simplesmente por um egocentrismo das pessoas que os elaboraram.

Não há nada de mal em desistir, porque desistir também pode ser um ato de sabedoria.

Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa apagar o caso escrito. (Machado de Assis)

Faça a sua história valer a pena!

O ano de 2013 termina e todos vivemos nossas histórias. Foram histórias feitas de escolhas que resultaram em acertos e também em erros. Foram escolhas no trabalho, na família e entre amigos. Vivemos alegrias, tristezas, vitórias e derrotas. As histórias foram feitas de momentos de falar e de calar. Foram histórias vividas com a motivação e a superação natural em cada um. Mas elas já são passado. Nada mais se pode fazer por elas…

Porém, cada um pode alterar a história a ser vivida daqui pra frente. Por isso, desejo que cada um possa ter em 2014 um ano diferente e que viva uma história que valha a pena ser contada. Que acumule novas experiências que permitam que cada um seja o que sempre quis ser. Um ano para aprender coisas novas, desaprender hábitos e costumes limitantes e reaprender para fazer de novo, sempre melhorando-nos como seres humanos. Aprender com os próprios erros… preferencialmente não muitos. Aprender com os acertos, muitas vezes. Aprender com os erros dos outros ao ver aquilo que não se deve fazer. Aprender também com os acertos dos outros ao ver tudo o que os outros fazem e que nós também podemos fazer. Sigamos os bons exemplos e tenhamos um 2014 com motivação, respeito e superação. 

Marcas do Ser Humano!


Você viu o gorila?


Incrível saber que mais ou menos a metade das pessoas não veem o gorila que aparece por quase dez segundos no vídeo abaixo. Isso não quer dizer que seja positivo ou negativo. Apenas indica que as pessoas são diferentes.

Por um lado, as pessoas que não viram o gorila se fixaram na tarefa que lhes foi sugerida, que era a de contar os passes entre os jogadores de branco. São pessoas eficientes, produtivas e focadas nos processos dos quais participam. Muitas vezes se desligam do que ocorre a sua volta. O índice de acertos das tarefas realizadas por essas pessoas é alto. Você conhece alguém assim?

Por outro lado, temos as pessoas que viram o gorila. São pessoas antenadas, criativas e, muitas vezes, inquietas que tem a tendência de participar em muitos projetos. Sempre ligadas no seu entorno, mas por vezes desligadas dos processos dos quais seriam responsáveis. Muitas delas viram o gorila, mas erraram a contagem. Você conhece pessoas assim?

Então veja o vídeo do gorila colorido…


Assista primeiro ao vídeo antes de continuar a leitura.

Temos que ficar com um olho no peixe e outro no gato, diz o ditado. É a mais pura verdade. Um olho no peixe, outro no gato e ainda observando o gorila. Mas e a cortina? Você viu a mudança de cores? O ambiente mudou e não nos demos conta. Você viu que um dos participantes de preto saiu no meio do jogo? Isso quer dizer ter uma visão sistêmica para acompanhar todos os movimentos previsíveis que acontecem, mas principalmente estar preparado para as mudanças não previsíveis, sabendo que elas são uma constante.

Prestamos atenção no gorila, uma mudança previsível para quem leu os comentários e o post anterior, mas não percebemos que o cenário já não era o mesmo. O livro O gorila invisível (http://www.theinvisiblegorilla.com/) trata da visão limitada de mundo que temos. As ilusões a que estamos expostos ao acreditar que vemos e percebemos o ambiente ao nosso redor como ele realmente é. Ocorre que é mais provável que nós vejamos o mundo como nós somos. Outro livro que tem um abordagem sobre o impacto do altamente improvável é A Lógica do Cisne Negro de Nicholas Nassim Taleb. São boas leituras para o final de ano!

Enfim, se a ideia é a de que mantenhamos um olho no peixe e outro no gato, também temos que saber: de onde veio o gato? De quem é o peixe? Gorilas comem peixe? Você poderia ser o gato? Ou o gorila? Ou você poderia ser o peixe? Cuidado! O comido pode ser você…

Teste de atenção…

Vou propor uma pequena atividade para saber o seu nível de atenção. Assista o vídeo abaixo e conte quantos passes com a bola de basquete a equipe branca trocou entre si. 
O foco é indispensável…
A agilidade é fundamental…
A concentração é essencial…
A meta não pode ser negligenciada sob pena de não se concluir a tarefa.
Vejamos se você é capaz!

Assista primeiro ao vídeo antes de continuar a leitura.

Este teste foi realizado pelos cientistas Chistopher Chabris e Daniel Simons em seu livro O gorila invisível (http://theinvisiblegorilla.com/). Em nossas atividades diárias e nas nossas organizações sempre se destaca a importância do foco, da atenção e da concentração para a realização das tarefas em busca de resultados e produtividade. Porém, o exercício mostra muito mais. Mostra como uma pessoa que atende a esses critérios pode, muitas vezes, deixar de ver o óbvio. Pode não entender que as mudanças estão acontecendo e o rumo precisa ser reajustado.
O resultado impressiona, porque cerca da metade de milhares de espectadores que viram o filme com a a tarefa de contar os passes da equipe branca não viram o gorila que aparece no vídeo por nove segundos.
E você, viu o gorila?
Assim, se a sua atenção e concentração é tão boa que você não viu o gorila, parabéns! Você é um sujeito com alto grau de concentração. Mas também cuidado… Você pode não estar vendo o óbvio. Você pode estar sendo distraído pela atenção. Você pode estar com a visão estreitada pelo foco. Você pode estar sendo cegado pela concentração. Oportunidades podem estar sendo perdidas. A sobrevivência pode ser ameaçada pela cegueira.
Observe o seu ambiente para ver se não há um gorila em sua vida. Por isso o ditado já dizia que sempre devemos manter um olho no gato e outro no peixe. Ou melhor, no Gorila!
Fonte:
Kahneman, Daniel (2011). Rápido e devagar: duas formas de pensar. Editora Objetiva – Rio de Janeiro – RJ