Se eu sou o que tenho e perco o que tenho, quem sou?
Um tema recorrente, superestimado e subestimado ao mesmo tempo, está presente na pergunta: Quem é você? A pergunta que muitos ouvem, poucos escutam e quase ninguém responde. Frente a essa pergunta, quase sempre, desviamos para aquilo que temos ou aquilo que fazemos. Outro dia ainda escutava um diálogo em que a pessoa descrevia as suas posses e a trajetória de sucesso para adquiri-las, arrogando-se importância por elas. Ao me escutar e escutar outras pessoas constato que o verbo “ter” está impregnado nos nossos diálogos de forma natural e inconsciente, o que revela um modo de viver que reduz a importância do “ser”. As pessoas falam, entre elas eu, “tenho filhos”, “tenho esposa”, “minha mãe”, “tenho amigos”, “meu pai” ou “meu irmão” de igual maneira como falam “tenho cachorro”, “meu gato”, “meu carro”, ‘minha bicicleta” ou “minhas calças”. Ao usar o verbo “ser” aprofunda-se o compromisso, embora nem sempre se revele a essência de quem se é, porque se refere aos papéis sociais relacionados com as profissões. “Sou dentista”, “sou advogado”, “sou jogador de futebol” ou outra profissão qualquer. Erich Fromm fez uma pergunta instigante: se eu sou o que tenho e perco o que tenho, quem sou?
Impressionante como não sabemos quem somos e como acreditamos que temos posse de algo. Veja bem, “Tenho esposa” finda frente a um divórcio, assim como ter filhos, pais e irmãos desaparece frente a perda; ter amigos se perde numa briga; e ter carro e propriedades acaba diante de uma bancarrota. Isso porque é muito mais simples “ter esposa” do que “ser marido”; é notadamente mais fácil “ter filhos” do que “ser pais”. É imensamente mais cômodo “ter uma empresa” do que “ser um empresário”. No modo “ser” temos que assumir a responsabilidade sobre aquilo que dizemos que somos. Eis uma diferença entre aqueles que tem e aqueles que são. “Ter amigos” é natural quando se circula em diferentes ambientes sociais, contudo, “ser amigo” é uma escolha deliberada de estar presente em momentos nem sempre alegres. Entretanto, ser aquilo que dizemos que somos também pode terminar. “Eu sou jogador de futebol” termina tão logo a pessoa deixe de praticar o esporte porque já não pode mais. “Eu sou dentista” pode terminar frente a incapacidade de exercer a profissão. Cabe destacar que ainda assim, o “ser” enseja a responsabilidade de atuar bem no papel social escolhido. Se você está numa função, exerça-a com a consciência da responsabilidade do “ser”. “Quem é você?” é uma pergunta recorrente repedida diariamente em diferentes lugares e situações; é subestimada porque nos mantemos na superficialidade ou não a respondemos verdadeiramente; e, por vezes, superestimada quando nos arrogamos a importância pelo que acreditamos que temos, colocando-nos acima do que somos. Muitas vezes já me perguntei “quem sou” sem chegar a uma resposta conclusiva, entretanto sei que sou um ser humano em construção até o último dia em que respire.
Na reflexão de Pe. Checo que assisti, muitos não querem ser casados porque não terão mais a liberdade de estar solteiros em que não há o compromisso com o outro. Outros não querem ser pais porque os filhos ensejam uma responsabilidade que não cabe no seu mundo. Entendo ser uma tendência que diminui a trajetória de evolução humana no seu caminho transcendental de encontrar sentido naquilo que faz por meio daquilo que se é. Creio que se pode “ser” e “ter” sem que seja necessário “ter” para “ser”.
Frente à pergunta de Erich Frommm, “se eu sou o que tenho e perco o que tenho, quem sou?” Não sou ninguém, a não ser o patético testemunho de uma maneira equivocada de viver. Desse modo, fica mais fácil “ter” um cachorro ou gato, porque não dá para “ser” nem cachorro nem gato.
Quando a intenção define a ação é mais fácil pensar nas alternativas e nas consequências para avaliar as mudanças necessárias para alcançar os resultados desejados.
FORMATO E PROPOSTA DA TALK / PALESTRA / OFICINA
TALK DE 20 a 25min – Uma conversa de alto impacto
Usa-se a reflexão de alto impacto para levar os participantes à ação em que exibam todas as suas competências técnicas para aumentar o desempenho. É essencial fazer o que precisa ser feito. A equipe é melhor porque você está nela? Se não for, por que você está nela?
Objetivos e necessidades? Você identifica e aponta.
O título da TED TALK? Construímos juntos.
A data e o local? Você indica.
O valor? Você avalia e oferece.
PALESTRA de 50min a 1h30 – Uma reflexão que move pessoas
Aprofunda-se a reflexão conectando-a com os resultados desejados, alinhando as motivações individuais e organizacionais. Motivação, superação e desempenho. A organização é melhor porque você está nela? Se não for, por que você está nela? Sabedoria para saber usar as Ferramentas vindas do Conhecimento
Objetivos e necessidades? Você identifica e aponta.
O título da Palestra? Construímos juntos.
A data e o local? Você indica.
O valor?Você avalia e oferece.
INDICAÇÕES: Motivação, Formação de Equipes, Superação, Vendas, Empreendedorismo, Diversidade, SIPAT.
QUANTO VALE PARA VOCÊ? AFETO NÃO SE COBRA.AFETO SE DÁ!
Moacir Rauber
“O pior ladrão não rouba somente dos outros, ele rouba de si. Quando ele rouba de si ele também rouba dos outros o melhor que ele poderia dar de si.”
Perto da praia oferece os benefícios de quem quer se conectar consigo mesmo e com a natureza: pode-se ouvir o som do mar e sentir o cheiro da maresia; basta caminhar alguns metros para sentir a água, a areia na pele e ver o vaivém das ondas arrebentando na praia. É lindo! Essa beleza faz com que cada um possa se perceber como um verdadeiro milagre da natureza em que o privilégio da vida é valorizado.
A confusão estava armada. A incompetência mudava de lado conforme se alternavam os impropérios durante a discussão entre o entregador e o vendedor. O vendedor dizia:
– Não sabe ler? Aqui está a orientação ao produto que deveria ter sido entregue…
– Você é que não sabe escrever nem falar. Olha aqui… e o entregador mostrava um bilhete.
O cliente e o gerente presenciavam as trocas de acusações entre o vendedor e o entregador sobre a entrega do produto errado para o cliente. Ambos usavam a estratégia de acusar para se escusar (Pe. Checo). Quem estava certo ou errado? Nesse momento, não importava.
Entenda-se acusar como a expressão ou o julgamento moral negativo de outra pessoa ou de si mesmo e escusar como o ato de encontrar subterfúgios ou se desculpar por uma falha ou um equívoco. Dessa forma, ao acusar o outro a pessoa atribui, incrimina e censura num movimento de defesa, escusando-se da responsabilidade, da incumbência e da obrigação diante de uma situação. Nesse processo, trabalha-se com a culpa, um sentimento improdutivo e prejudicial em que ninguém assume a responsabilidade. De quem é a culpa? Uma pergunta que não contribui, porque tem embutida nela uma acusação que não leva a resolução do problema. Desse modo, o foco deveria ser numa pergunta que levasse a uma solução, a um aprendizado e a assunção de responsabilidade diante de um problema.
Ao buscar apoio na proposta de contato com a realidade da Inteligência Positiva e no passo a passo da Comunicação Não-Violenta, a sugestão seria a de se fazer uma (0) Pausa como um recurso para analisar a realidade com a objetividade de se ater aos fatos e não às interpretações deles. Em seguida, com a (1) observação fidedigna daquilo que ocorreu intuir os (2) sentimentos e identificar as (3) necessidades dos envolvidos na situação. A pausa permite que se conecte com a realidade, resgatando o sábio interior de cada um. Dessa forma, a (4) expressão se dá de maneira não agressiva, sem, contudo, ser passivo ou se esquivar do problema. É um caminho para a resolução de conflitos em que diminuímos os sabotadores internos que estão propensos a brigar, a fugir ou a paralisar. Traz-se para o comando da situação o sábio, que é otimista e consegue ver oportunidades em qualquer situação. Com isso, se poderia perguntar: o que aconteceu? Foi entregue o produto errado. O que pode ser feito para resolver a situação? Substituir o produto. Qual o aprendizado que a situação deixa? Revisar o processo. Avançar nesse passo a passo pode contribuir para que os conflitos sejam oportunidades de melhorar relações e processos, diminuindo as falhas. Assim, deixar-se levar pelos sabotadores para atribuir culpa, incriminar e censurar o outro para se escusar é contraproducente. Assim, é essencial parar, observar e atuar com a responsabilidade de se incumbir das próprias obrigações diante de uma situação, resolvendo os problemas.
O sábio do vendedor e do entregador estavam dominados pelos seus sabotadores, porém o gerente, inicialmente, calou-se. Os sabotadores do gerente igualmente existiam e seu primeiro impulso foi o de exercer a sua autoridade legítima para terminar com a confusão. Entretanto, ele fez a pausa que permitiu resgatar o seu sábio para analisar a situação e entender os fatos. Assim, ele pode empatizar com o vendedor, com o entregador e com o cliente para depois explorar a situação, navegar pelas alternativas, inovar nas soluções com a ativação do otimista que nele existia. Dessa maneira, ele ouviu, observou, respeitou, intuiu e agiu com respeito para com o entregador, o vendedor e o cliente. No final, o cliente saiu com o seu produto e o problema resolvido e com o vendedor e o entregador ele criou uma nova rotina, transformando uma situação conflituosa em oportunidade.
Enfim, os sábios são otimistas, não acusam e não se escusam. Igualmente, os sábios não são meros espectadores das crises, eles são os protagonistas das mudanças (Jorge Nardi).
E você, acusa para se escusar? Oxalá não, porque para isso já temos os políticos que o fazem muito bem.
A discussão se aproximava de um possível ponto de ruptura na relação conjugal. Ele se desculpava. Ela o lembrava de que não era a primeira vez que ele deixava de cumprir com o compromisso assumido com ela por meio do casamento. A cena se repetia. Ele argumentou:
– Perdão, meu amor, é que a carne é fraca!
Ela não falou nada. Não precisava. A pergunta que se faz: será verdade que a carne é fraca? A expressão tem origem bíblica (Marcos 14:38) e, quase sempre retirada de contexto para se justificar pelos comportamentos divergentes dos compromissos assumidos. Trata-se de uma desculpa para aqueles que tem o caráter, a mente, e o espírito fracos. A expressão afasta da pessoa a responsabilidade pelas escolhas feitas e pelas decisões tomadas. Por isso, “a carne é fraca” quando você assume o compromisso da fidelidade num relacionamento conjugal e não o cumpre, revelando um caráter frouxo. “A carne é fraca” tão logo você se compromete a entregar determinados resultados numa organização e não os entrega, mostrando a falta de empenho como característica. “A carne é fraca” no momento em que a pessoa afana, rouba, assalta ou desvia recursos de outros para saciar desejos privados, deixando a integridade em segundo plano não querendo arcar com o ônus do ato. “A carne é fraca” sempre e quando confundimos as necessidades humanas com os desejos mundanos, justificando-nos pelas escolhas feitas em detrimento de compromissos espontaneamente assumidos. Desse modo, usar somente parte da expressão como justificativa de uma escolha mal feita, reforça o entendimento de que “a carne é fraca” para quem não tem o caráter forte. A expressão completa encontrada no versículo citado é “Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca”. Aqui resgata-se a autonomia, o livre arbítrio ou o poder de escolha que cabe a cada um juntamente com as responsabilidades inerentes. Podemos falar de Inteligência Positiva para resgatar o nosso sábio, porque vigiar para não se deixar levar pelas tentações de não cumprir com os compromissos é o trabalho de diminuir a influência dos sabotadores. A pausa é essencial para observar sem culpar o outro e sem se culpar para manter a escolha feita. A pausa é fundamental para registrar os sentimentos próprios e os alheios pelas decisões tomadas. A pausa faz toda diferença para identificar as necessidades sem confundi-las com os desejos. Enfim, a Pausa é que te dará a opção de se expressar autenticamente, agindo em conformidade com as escolhas e os fatos sem tirar de contexto uma expressão para justificar, por vezes, o injustificável.
Depois de ouvir a justificativa de que “a carne é fraca” ela ficou em silêncio. Fez uma pausa. Observou. Sentiu. Soube o que queria. E respondeu:
– Foi uma escolha tua. Respeito. Agora assuma as consequências…
Ela se expressou com a sabedoria de quem conseguiu dominar os seus sabotadores internos para fazer a sua escolha. Ela soube naquele momento que uma pessoa não é uma necessidade, mas que a presença, a companhia e a conexão são necessidades essenciais para ela que devem estar acompanhadas de integridade, honestidade, lealdade e fidelidade. Desse modo, sempre que for usar a justificativa de que a carne é fraca é essencial lembrar que o espírito deve ser preparado para estar pronto para vigiar e assumir as responsabilidades pelas escolhas feitas. Por fim, entendo que “a carne é fraca quando o caráter não é forte”!
“Demasiadamente Humanos” revela uma busca diária e ininterrupta pelo sentido da vida na relação humana com a centelha divina.
Somos Únicos. Somos Múltiplos.
Somos Singulares. Somos Plurais.
Somos Humanos. Somos Divinos.
Enfim, entendo que é a nossa Humanidade que nos aproxima do Divino.
No sábado (08-10-22) fui convidado para conversar com a Pepita Soler e o Prof. Jefferson Sampaio. Seria uma reunião rápida. A Pepita já me havia despertado a curiosidade, porque disse que haveria uma surpresa. Que surpresa? Ora, é surpresa! Assim começou nossa conversa. Assunto daqui e dali, até que enfim revelaram a surpresa: o livro “Demasiadamente Humanos”. O Jefferson escolheu os textos, fez a diagramação, a edição e a introdução. A Pepita dispôs a estrutura, o apoio e os textos publicados em seu site. O resultado um livro que traduz o título lindamente criado pelo Jefferson.
A coragem de se falar tudo o que se pensa, muitas vezes, é motivo de orgulho para alguns, razão de preocupação para outros e um desafio para muitos. Nós ouvíamos o diretor da empresa falar com o peito estufado pelo orgulho de que ele falava o que pensava e não lhe importava quem estivesse presente. Ele falava! Nós estávamos ali com nossa presença física, não necessariamente o escutávamos. Ele arrematou:
– Falo tudo o que me vem à cabeça!
Naquele momento, necessitávmos da sua aprovação para que o projeto seguisse, assim silenciamos, sem dizer se concordávamos ou não. Creio que se vive um momento em que a autoridade não se sustenta mais por um cargo ou uma função que alguém ocupa, ainda que tenha sido legitimamente conquistada. Tampouco se trata de questionar por questionar o papel que cada um ocupa nas diferentes interações sociais. Entretanto, entendo que não há mais espaço para que as relações não tenham como base o respeito entre as pessoas, independentemente de sua posição hierárquica ou social. Isso porque nenhuma posição hierárquica ou social é real, embora seja real a responsabilidade pelas ações derivadas dessa posição. Assim, as ações deveriam ser decorrentes das intenções que deveriam trazer em seu âmago o respeito por si e pelo outro. Por isso, aquele que falar tudo o que lhe vem à cabeça e da forma como vem, desrespeita o respeito. Além disso, entendo que seguidamente falar tudo o que vem à cabeça pode revelar alguém que tem baixa autoconfiança, uma limitada autoestima e um orgulho arrogante que o distancia da coragem. Muitas vezes, esse falar sempre revela alguém com pouco equilíbrio emocional, porque em determinadas situações há que ter coragem para silenciar. Silenciar seria o caminho? Não. Santa Catarina de Sena (1347 – 1380) dizia, “Basta de silêncio! Gritem com mil línguas. Foi por terem os homens calado que o mundo hoje está apodrecido.” Desse modo, julgo que algumas questões devem ser consideradas para que falar tudo seja viável, possível e realizável, sem que seja um sinal de pouco equilíbrio. Preocupar-se por falar tudo o que se pensa é sinal de consciência sobre um mundo que cada um carrega. Assim como desejar falar tudo o que se pensa no tempo apropriado é uma busca de quem tem a consciência de que há um caminho a ser percorrido entre aquilo que se pensa e aquilo que se fala. Para mim, sinal de evolução. Assim, como falar tudo o que se pensa? (0) Faça uma pausa e conte até dez. (1) Observe o que é fato. (2) Sinta e averigue o que o outro poderia estar sentindo. (3) Avalie o que realmente importa. (4) Expresse-se com respeito por si e pelo outro. (5) Repita o processo diante de situações aparentemente conflituosas, lembrando de que aquilo que você fala seja melhor do que o silêncio da sua pausa. É um exercício de prender os seus sabotadores internos deixando de criticar os outros, de criticar a situação ou de se criticar. Faça o movimento de ativar o seu sábio ao praticar a empatia e a autoempatia; ao explorar a situação sem julgar; ao navegar por alternativas; ao inovar na forma de falar sendo inteligente positivamente. Fale tudo o que precise falar com afeto. Deixe a sua alma gritar!
O diretor que sempre falava tudo o que lhe vinha à cabeça sem se preocupar com o outro saiu da organização. O seu orgulho era irreal porque não havia o cuidado com o outro o que gerava preocupação em muitos. Está batendo em outras portas. Ele não havia mudado o que pensava para falar tudo o que pensava. Sei que nem tudo o que eu penso eu posso dizer, mas posso mudar o que penso para poder dizer tudo. Isso é possível! Dessa forma, “gritem” com a autoconfiança de quem sabe que o mundo não é justo, mas que eu posso ser. “Gritem” com a autoestima de quem se cuida e cuida do outro. “Gritem” com a humildade que revela o respeito de quem se respeita e com isso respeita o outro.
Mais uma semana que termina seguindo a rotina. O marido passa o tempo na fazenda, trabalhando, pois é o provedor da família. Do seu trabalho dependem os três filhos e a esposa, seu núcleo familiar primário. Ele também ajuda os pais da esposa que passam por dificuldades, além de contribuir com trabalho e recursos na comunidade a qual pertencem. É a escola que demanda recursos. É a igreja que demanda tempo. Desse modo, o cansaço é grande. Muitas vezes, quando chega em casa, a única vontade que tem é a de se deitar no sofá e ver um pouco de televisão. Entretanto, nem tudo é tão simples. A esposa e os filhos querem a sua a participação nas atividades sociais que programaram durante a semana. Assim, qualquer menção por parte do cônjuge mantenedor de não querer participar ou de não querer promover uma reunião social, transforma-se em motivo de briga. Toda a argumentação é respaldada pelo fato de que haviam ficado a semana toda em casa, justificado pelo bordão: Eu mereço!
O fato chega a ser cômico, uma vez que o cônjuge que diz “eu mereço” se autopremia com o esforço alheio. É um exemplo domiciliar com o marido e a esposa. Poderia ser o contrário, assim como se pode constatar o fenômeno nos mais diferentes ambientes. As pessoas se autopremiam, antes mesmo do merecimento. Pode-se observar colaboradores que não colaboram tanto assim, mas se julgam merecedores de benefícios; existem donos de empresas que se beneficiam do esforço alheio, sem a devida contrapartida; há professores que não ensinam e tampouco aprendem, mas que querem o reconhecimento; se encontram pessoas que não contribuíram, mas que se aposentam; e tem jovens e adolescentes que não se autosutentam, mas se arrogam o direito de receberem uma premiação pelo esforço que ainda não fizeram. Essas são situações de pessoas que se autopremiam pelo esforço alheio. Exercer o autocuidado é uma necessidade humana que leva a que as pessoas se deem mimos e aproveitem a vida com certas regalias. Creio esse ser um norte dos indivíduos que os move em busca de melhorar a própria vida, podendo igualmente melhorar a dos demais. Entrementes, antes de proclamar “Eu mereço!” a pessoa deve saber: merece?De onde virá o prêmio? As custas de quem virá o benefício que se está auto atribuindo? Assim, usar elementos da comunicação Não-Violenta e da Inteligência positiva pode contribuir para se cuidar cuidando do outro. Logo, observo pessoas se auto premiando sem contudo se questionar por que merecem aquilo que se atribuem. Muitos se afundam em dívidas, mas não abrem mão do prêmio. É o sabotador esquivo atuando. Outros se premiam mesmo que seja as custas de ofensas, agressões e prejuízos a terceiros. É o sabotador controlado agindo. Eu também, às vezes, creio que mereço certas benesses. Porém, sempre cabe perguntar: as custas de quem? Essa pergunta ajuda a que se observe os fatos e se identifique se é uma ação sábia ou sabotadora. Por isso, uma organização, seja social ou empresairal, onde todos produzem se torna mais justa. Quando todos são, interdependentementes, responsáveis pelo esforço para se alcançar determinados resultados, também o fato de fruir dos benefícios torna-se mais legítimo. Fazer uma pausa para observar com auteticidade quais as necessidades e os sentimentos envolvidos, bem como resgatar a sabedoria com a empatia para avaliar as diferentes alternativas, diminui a violência e aumentee a positividade.
“Eu mereço!” e o outro merece. É uma reflexão resultado da prática da observação, que aponta um fenômeno que pode ser muito bom ao identificar que as pessoas estão se preocupando consigo mesmas, dando-se o direito da autopremiação. Observe, sinta, veja as necessidades e peça com a sabedoria de quem sabe o que quer sem descuidar do outro que merece. Presenteie-se! Muito justo, desde que você mereça…
A SABEDORIA NA CONEXÃO COM AQUILO QUE FAZEMOS É ESSENCIAL!
Por que tem tantos velhos aqui?
A família foi ao seu compromisso semanal com a espiritualidade. Os pais convenceram um dos jovens filhos a acompanhá-los. O filho olha para os lados e se sente desconfortável. Ele está com seus cabelos coloridos, enquanto a maioria dos presentes tem cabelos brancos. Ele carrega piercings nas orelhas e no nariz que parecem destoar das rugas que a maioria das pessoas exibiam no rosto e no pescoço. Ele pensou, definitivamente, aqui não é o meu lugar. Entre incomodado e irritado, aproximou-se do ouvido da mãe e disse:
– Por que tem tantos velhos aqui?
– Uma boa pergunta…
A mãe pensou, Fico feliz de estar entre tantas pessoas maduras. Ao observar lugares como templos, igrejas, sinagogas ou outros espaços dedicados a vida espiritual é muito comum ver mais pessoas idosas do que jovens. Ao pensar sobre a maturidade, creio que nesses lugares se encontram um grande número de sábios.
Para muitos dos idosos e dos anciãos não faz mais sentido se olhar no espelho para encontrar defeitos ou imperfeições, porque elas são parte integrante da jornada e da própria existência.
Desse modo, para parte dos idosos que são vistos em espaços contemplativos ou que exibem comportamentos compassivos o CRÍTICO, sabotador principal, PERDEU (Inteligência Positiva). Com isso, ele não tem força de atração para criticar a si ou aos outros, bem como não faz sentido criticar as situações que não pode afetar. Ao escolher afetar, o ancião afeta com afeto. Assim sendo, o INSISTENTE perde força e se o cabelo está azul ou branco não faz diferença. O PRESTATIVO se torna autêntico ao atender as próprias necessidades sem se descuidar das do outro. O HIPER-REALIZADOR volta ao seu tamanho normal, porque somente faz o que pode fazer. A VÍTIMA não encontra mais ressonância porque o final chegará para todos. O HIPER-RACIONAL não tem relevância porque a vida passou e ainda assim não se sabe de onde viemos e para onde vamos. Ansiedade para quê? Dessa maneira, o HIPERVIGILANTE pode descansar e o INQUIETO já não está mais tão agitado, porque a experiência que verdadeiramente importa está nas pessoas e nas relações que se mantêm. Igualmente, o ESQUIVO diminuiu pelo caminho em que tarefas e conflitos não agradáveis foram superados que já não há nada que possa exasperar a um velhinho, sábio. Enfim, CONTROLADOR do quê? Sim, a vida passou e cada um vai percebendo que as escolhas que fazemos podem nos levar para situações que não queríamos. Desse modo, o que está em nosso controle? Se nos aproximamos da Comunicação Não violenta (Marshall Rosenberg), está no nosso controle PAUSAR para OBSERVAR um jovem e não o julgar. Está em nosso controle PAUSAR e registrar o próprio SENTIMENTO, sabendo que fui jovem com medos que me acompanham até hoje. Está em nosso controle identificar as próprias NECESSIDADES que podem ser diferente da do jovem nesse momento, mas que no final são as mesmas. Enfim, está no meu controle EXPRESSAR-ME de maneira autêntica com a consciência do AFETO. O passo a passo da CNV faz com que o SÁBIO emerja e os sabotadores submerjam. E o piercing no nariz? Pouco importa.
Uma opção é buscar no conhecimento as ferramentas que nos permitam viver com a sabedoria do AFETO. A idade ajuda, entretanto não é garantia.
A consciência da escolha é que faz com que as FERRAMENTAS vindas do CONHECIMENTO possam ser usadas com SABEDORIA. A ESPIRITUALIDADE é um caminho.
“Por que há tantos velhos aqui?” foi a pergunta do jovem. Creio que nos templos, nas igrejas, nas sinagogas e nos demais espaços dedicados à espiritualidade a presença dos idosos aumenta a probabilidade de se encontrar pessoas que já não veem a importância nos sintomas, uma vez que resolveram as causas; cresce a possibilidade de se ver pessoas que estão no comando das escolhas internas, muito mais do que aquelas que fazem escolhas dadas por comandos externos; e, certamente, sobe a proporção de pessoas que conseguiram aceitar e converter todas as situações difíceis em presentes de uma vida vivida com a consciência de sua finitude. Por isso,
…nos espaços dedicados a busca espiritual se veem os anciãos que dobram os joelhos diante do desconhecido para agradecer o privilégio da vida. São SÁBIOS!