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Quem é a pessoa mais importante na sua organização?

Muitas pessoas têm dúvidas sobre quem é a pessoa mais importante para uma organização.  A pergunta nem sempre é verbalizada, mas ela sempre está lá. Há as comparações entre as pessoas de um mesmo setor e de uma mesma área. Existem as comparações entre as pessoas de diferentes setores, assim como são feitas as comparações entre as pessoas que ocupam diferentes cargos ou funções.

Tendo isso em mente, outro dia verbalizei a pergunta num evento:

– Quem é a pessoa mais importante nesta organização?

As pessoas inicialmente ficaram em silêncio. Dali a pouco começaram a se cutucar e a murmurar entre si. Nesse momento eu retomei a palavra e fiz uma nova pergunta:

– Quando alguém vai fazer um Raio-X quem é mais importante: o cabo de energia que alimenta a máquina ou a máquina?

Novo silêncio. Momentos depois alguns se aventuraram a responder, dizendo que era a máquina. Outros discordaram acreditando que era o cabo o elemento mais importante da situação. Um terceiro grupo disse que não era nem um nem outro, que ambos eram importantes para que o serviço fosse executado. É verdade. A máquina não faz radiografias sem o cabo de energia. O cabo de energia sem a máquina não tem serventia, a não ser para amarrar algo. Desse modo, tanto o cabo quanto a máquina são igualmente importantes para que as pessoas possam fazer as suas radiografias.

Voltando a pergunta inicial sobre quem é a pessoa mais importante na organização e mesmo para a pergunta que indaga sobre quem é mais importante, o cabo de energia ou a máquina, há um elemento a mais. Somente existem o cabo, a máquina e os seus operadores porque há alguém que precisa fazer uma radiografia. Por isso, em todas as atividades o elemento que merece destaque é aquele que dá a razão para a sua existência: o cliente. Sim, o cliente que pode ser você ou posso ser eu, mas invariavelmente é um ser humano, pouco importando se ele é o jardineiro ou o diretor.

Quem é a pessoa mais importante para a sua organização? Cada um é o mais importante para si mesmo, mas nós somente podemos ser importantes quando há o outro. Cuide de si. Ocupe-se do outro.

O homem descobre o que a natureza já sabe…

O suposto conhecimento humano descobre aquilo que a natureza já sabe: a base está no equilíbrio.

MoacirRauber.

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Onde estão os ladrões?

Uma das grandes chatices do supermercado é enfrentar a fila ao final das compras, embora não seja assim para todo o mundo. Alguns brasileiros levam vantagem e não estou falando das pessoas com deficiência e dos idosos que têm atendimento prioritário. Estou falando dos espertos.

Naquele dia que antecedia o feriado o movimento estava acima da média e as filas nos caixas eram enormes. O meu amigo encostou o seu carrinho cheio de compras numa das filas. À sua frente viu um garoto que tinha lá seus dez anos. No seu carrinho tinha somente alguns produtos. Pareceu-lhe estranho, mas um pouco depois ele entendeu. De repente apareceu um homem com outro carrinho e descarregou todos os seus produtos dentro do carrinho do menino.

O mesmo homem ainda disse:

– Filho, fica aí mais um pouco. Vou pegar a carne e já volto. Acho que dá tempo.

O filho sorriu feliz porque estava ajudando o seu pai, que, provavelmente, naquela idade ainda era o seu herói.

O meu amigo ao contar a história mostrava a sua indignação, que logo contou com a minha. Ele ficou revoltado com a situação, entretanto se omitiu de conversar com o sujeito a sua frente. Falávamos justamente sobre a corrupção endêmica em nosso país e como era possível que tudo fosse feito de maneira escancarada sem que tivéssemos uma perspectiva de mudança no curto, médio ou longo prazo. Uma parte da resposta pode ser representada no comportamento da história acima relatada. Qual o modelo que aquele menino vai replicar? Lembro-me de ter afirmado que sem que haja a consciência de que se comete um roubo não há roubo. Na avaliação daquele pai não há nada de errado em usar o filho para guardar o seu lugar na fila para que eles levem vantagem sobre os outros para poder sair mais rapidamente do mercado. Está tudo certo para o pai e mais certo ainda para o filho que vai replicar esse modelo de comportamento.

Quando nós escolhemos adotar esse tipo de comportamento não há nada a reclamar de gestores que desviam milhões dos cofres públicos. Acredito que também eles usem um mecanismo interno similar para justificar as falcatruas e desvios de recursos públicos. Eles, os gestores, sabem que estão fazendo algo que não é certo ao oferecer e receber propinas, assim como aquele pai também sabe que não está sendo correto ao orientar o seu filho para tomar o lugar de outro na fila. Basta conversar com um gestor público envolvido em qualquer falcatrua sobre as falcatruas cometidas por outros para ver a sua indignação. Bastaria observar a reação daquele pai se alguém fizesse o mesmo que ele fez bem na sua frente. Em ambos os casos tenho a certeza que se veria a indignação, porém falta tomar a consciência que isso é roubo também quando eu o faço. Normalmente somente apontamos o dedo para a falha dos outros, enquanto as nossas falhas nos parecem justificáveis.

Por isso, pergunto: onde estão os ladrões? Eles estão em todos os lugares em que as pessoas não respeitam as regras estabelecidas como sociedade. Podemos mudá-las? Devemos mudar as regras, modificar os comportamentos e evoluir como seres humanos, mas isso deve ser feito em conformidade com o princípio de respeitar ao outro e a si mesmo. Porque o ladrão também estava na fila quando o meu amigo se omitiu de conversar com aquele pai a sua frente. A omissão também é um roubo.

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Raso ou profundo

Diariamente somos estimulados por mensagens que parecem conhecer nossos mais íntimos desejos. Parecem profundas! Elas vem por e-mail, por som  e imagem, parecendo-nos interessadas em resolver nossos problemas. Usam estratégias de marketing que dizem conhecer a alma humana.

As mensagens ficam na nossa superfície e se propõem a resolver problemas que não temos. Assim mesmo elas nos alcançam, porque nós nos deixamos ficar rasos e estamos somente na superfície. Já não conhecemos a nossa profundidade. É tempo de olhar para dentro de si mesmo…

Fonte da imagem:http://litergia.blogspot.com.br/2015/11/sou-oceano-raso-e-profundo-no-fundo.html

Quero ganhar dinheiro! E você?

A conversa com aquele jovem de dezoito anos estava interessante. Ele estava empolgado com as oportunidades e com o próprio futuro que se mostrava promissor.

Numa das intervenções eu fiz um comentário:

Que bom! É importante também que se goste do que se faz, não é?

Ele franziu a cara e disse:

– Não sei se concordo com isso. Acho que o negócio que eu fizer tem que dar dinheiro. Isso que importa.

Ele continuou se justificando de que seria muito mais importante que a atividade dele fosse rentável do que prazerosa. Dizia com prazer e com orgulho que com dinheiro ele poderia comprar isso e aquilo, além de ter uma qualidade de vida melhor. Fiquei um pouco impactado com a crueza e a ambição desmedida presentes na resposta do jovem.

Depois de suas argumentações, surgiu um espaço em que eu comentei:

– Muito bem. Então para você em primeiro lugar deve vir o dinheiro, certo?

Ele disse que sim e voltou a argumentar que na vida a gente tem que se preocupar em ganhar dinheiro, por que senão o que será da gente na velhice?

Novo intervalo.

Eu aproveitei para comentar:

– Interessante a tua abordagem. Agora vamos pensar juntos. Imaginemos que você vá a um dentista para tratar os seus dentes. O que você acharia de ser tratado por um dentista que pensasse da mesma forma que você. Antes dos seus dentes, antes do dentista se preocupar em resolver o seu problema ele estaria preocupado com o seu dinheiro?

Fiz silêncio. O jovem também ficou. Nesse momento ele não disse nada.

Continuei a reflexão:

– O que você acharia de ser atendido por um médico que pensasse primeiro no dinheiro? E se você pensasse em programar as suas férias e fosse procurar uma agência de viagens que agisse da mesma forma que você me diz que pensa? Já imaginou o pessoal lá organizando a tua viagem, mas na verdade eles não estão nem aí para a tua comodidade ou conforto?

Outra vez veio o silêncio. A expressão do jovem mudou.

Continuei indagando sobre outras atividades:

– O que você pensaria de comprar carnes de um açougueiro que coloca em primeiro lugar o dinheiro? O que passaria pela sua cabeça de entrar numa farmácia que somente pensa no dinheiro? O que lhe parece se uma companhia aérea pensar sempre no dinheiro em primeiro lugar?

O jovem finalmente disse:

– Pois é, eu não tinha pensado nisso. Não tinha pensado desse jeito.

Depois eu disse:

– Provavelmente, qualquer cliente teu que souber que você pensa desse jeito não vai entrar no teu negócio. Não importa a atividade. Talvez ele entre uma vez, mas assim que ele perceber que está sendo atendido pelo dinheiro em primeiro lugar ele não voltará mais.

– Sabe que eu acho que você tem razão, disse o jovem.

Ainda conversamos sobre o tema. Por fim concordamos que o dinheiro é importante, inclusive para que a atividade seja viável econômica, social e ambientalmente. As pessoas que trabalham precisam do dinheiro para a manutenção da própria vida. Entretanto, também concordamos que o foco de qualquer atividade deve ser o atendimento do objetivo a que ela se propõe, sendo o dinheiro uma consequência natural do processo do trabalho realizado com competência. Por isso, acredito que o dinheiro é simplesmente o resultado do trabalho bem realizado e não deve ser o objetivo principal de se realizar o trabalho.

Você quer ganhar dinheiro? Eu também, mas como resultado de minhas competências.

Fonte da imagem: http://virtualmarketingpro.com

Amor líquido

Não se deixe apanhar. Evite abraços muito apertados. Lembre-se de que, quanto mais profundas e densas as suas ligações, compromissos e engajamentos, maiores os seus riscos (Zygmunt Bauman – Amor Líquido). Hoje, quase todos preferem as mensagens no celular. Elas não têm cheiro, não te abraçam, não criam responsabilidades, não exigem compromissos e sempre é possível dizer que acabou a bateria ou simplesmente desligar.