
QUAL É A RAZÃO DA TUA VIDA?



Para muitas mulheres a vida é simples e complexa!
A vida é simples quando se deixa que ela flua com as situações sucedendo-se naturalmente.
E como a vida, as mulheres sabem deixá-la fluir. Maria deixou fluir!
A vida também é complexa pelas alternativas que ela nos oferece.
E como a vida, as mulheres sabem oferecê-las. Maria ofereceu seu Filho ao mundo!
Com amor, fé, confiança e respeito tudo é possível!
Aprendi isso com MARIA!

Você quer uma alface?
Que o mundo passa por transformações brutais parece ser senso comum. Entretanto, creio que a essência humana na sua busca por bem-estar pessoal continua. Para alcançar tais objetivos as pessoas enveredam por diferentes caminhos, entre eles a busca pela riqueza material, o crescimento intelectual, os prazeres mundanos ou o bem-estar espiritual. Entendo que, por vezes, podem ser excludentes entre si. Outro dia presenciei uma cena que me desconcertou. Acompanhava um senhor oriundo do mundo intelectual caracterizado pela larga formação acadêmica, pelos muitos anos trabalhados em universidades, pelo doutorado e inúmeros estudos realizados no exterior e pela farta publicação científica na sua área de atuação. Encontramos uma senhora que havia colhido um pé de alface de sua horta. Ela ofereceu a alface ainda sem limpar a terra e as pequenas impurezas naturais de uma planta recém colhida àquele senhor. Ele olhou com interesse, porém logo respondeu:
– Não, não, obrigado. Prefiro pegar no mercado que já vem limpa…
Vi a expressão de decepção no rosto daquela senhora. Senti a frustração por uma resposta que me pareceu mal educada, além de pensar que a suposta intelectualidade dessa pessoa estava desconectada da realidade. De que serve o conhecimento se ele não se traduz em melhoria no ambiente que se vive? Particularmente, creio que se o conhecimento adquirido não melhora a pessoa como pessoa e não contribui para um mundo melhor, seria melhor que a pessoa não tivesse o conhecimento. E isso inclui saber que plantar e colher uma alface melhora o mundo, mais do que isso: serve ao mundo. As mudanças brutais a que estamos sujeitos tem a ver com a desconexão da intelectualidade e da tecnologia daquilo que é real. Toda a teoria que se aprofunda nas diferentes áreas da ciência, formais, naturais ou humanas, tem produzido tecnologias e mudanças comportamentais inimagináveis há poucas décadas, porém, se não melhorar o mundo não serve. Toda transformação e mudança deve servir ao mundo, senão não serve. E para servir o mundo acredito que deva estar conectado com a realidade ordinária das pessoas. Veja o caso da Inteligência Artificial, generativa ou não, ela não pode ser comida ou bebida e não atende estes aspectos básicos e elementares para o bem-estar humano em qualquer região ou país. Portanto, toda a intelectualidade desconectada das necessidades humanas básicas deve ser questionada. Qual é o teu caminho para o bem-estar? É a riqueza material, é o crescimento intelectual, são os prazeres mundanos ou o bem-estar espiritual? Se o teu caminho para o bem-estar individual estiver desvinculado do bem-estar do outro e do planeta, ele não serve. Por isso, fiquei chocado com a resposta do intelectual que não viu toda a teoria existente na prática da produção de uma alface. E mais, creio ser importante voltar a saber de onde vem aquilo que consome e a entender que por detrás daquele produto tem teoria e tem prática, mas sobretudo tem um ser humano.
“Só os espíritos superficiais desligam a teoria da prática, não olhando a que a teoria não é senão uma teoria da prática, e a prática não é senão a prática de uma teoria” disse Fernando Pessoa. Desse modo, percebo que a teoria deve se aproximar da prática em que cada um de nós entenda o ciclo completo da vida que passa pela produção daquilo que é básico para o Ser Humano. Toda a teoria quando posta em prática deve servir ao mundo para diminuir a brutalidade das transformações. E os intelectuais? Que se reconectem com as suas necessidades básicas, entre elas o alimento, a água, o ar, a luz, o abrigo, o descanso, o silêncio, a tranquilidade e o amor. Por fim, como disse o Pe. Opeka “Frente a brutalidade das transformações que agitam toda a terra, não é possível ser feliz sozinho. Feliz somente se escreve no plural.”
Você é intelectual? Saber plantar e colher uma alface é um ato de amor no plural. É espiritual!
Moacir Rauber
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Escutar não é fácil…
Começar uma oficina sobre Inteligência Positiva e Comunicação Não-Violenta é um desafio sob vários aspectos, sendo um deles a baixa capacidade de escuta. Incluo-me.
No primeiro encontro, além da pausa como uma estratégia para reconhecer se estou no modo sábio ou sabotador, trabalhava a ideia de observar sem julgar aquilo que se vê ou se ouve. Exibia um vídeo com a tarefa de que cada um comentasse sobre aquilo que tinha visto ou ouvido e que poderia ter sido visto ou ouvido pelas outras pessoas que estivessem frente ao vídeo. O vídeo, entre outras partes, exibia uma mulher que estava diante de uma tela de computador e que ao escutar a voz de outra pessoa e o som de passos que indicavam que ela se aproximava, apagava a tela. Perguntei:
– O que vocês viram e ouviram? Descrevam de forma que todas as pessoas na sala também possam ter visto e ouvido.
Logo as pessoas começaram a falar:
– Eu vi uma mãe que estava vigiando seu filho na internet…
– Para mim era o marido que chegava e queria ver o que a esposa estava fazendo…
E assim seguiram os comentários. Perguntei:
– Quem viu uma mãe? Onde estava essa informação?
– Onde estava a informação de que o homem que entrava na cena era o marido?
E assim, muitas vezes, conduzimos as nossas vidas, vendo, ouvindo e interpretando sem conexão direta com os fatos. Vemos e ouvimos, inferimos e julgamos. Por isso é importante estimular a capacidade de escutar, para além de ouvir e ver. Entende-se que ver é a capacidade de perceber pela visão algo, alguma coisa ou alguém. Entretanto, nós rapidamente passamos a inferir a partir de deduções, para nós lógicas, que nos levam a uma conclusão. Em seguida, julgamos. Posso ouvir o mar e escutar a pessoa à minha frente, da mesma forma como posso ouvir a pessoa e escutar o mar. Portanto, a capacidade de ouvir tem a ver com a audição, embora quem ouve nem sempre escuta ou compreende aquilo que ouviu. A capacidade de escutar se refere a um ato consciente de prestar atenção, incluindo a compreensão daquilo que se ouve. Nesse contexto, escutar ultrapassa a audição no sentido de que se pode escutar sem ouvir; é possível escutar aquilo que se vê; assim como se pode escutar sem ver. Escutar é um movimento ativo de entender o que acontece sem julgar. Eis o desafio de mudar, porque somos muito rápidos em ver, ouvir e pensar, inferindo, concluindo e julgando.
Como no vídeo citado, a primeira vez que vi e ouvi os diálogos, logo fiz a dedução de que se tratava de uma esposa que estava sendo infiel ao marido. Não escutei nada. A partir da minha limitada visão e dos dados da audição, articulei as informações e fiz um julgamento. Isso é violento. Essa postura desconecta. Eis o ponto em que se introduz a importância de uma pausa para resgatar o sábio que está dentro de cada um. Os estímulos da visão e da audição, nesse caso, geram uma série de pensamentos. Entretanto, cabe a cada pessoa olhar para dentro e se escutar, pois isso possibilita que cada um traga a sua humanidade à tona. Com isso, posso resgatar o meu sábio do poder dos sabotadores, que sempre estão prontos para apontar um culpado, seja a situação, o outro ou a si mesmo. A realidade não é tão linear, ainda que, em matemática, dois mais dois continuem sendo quatro.
Por fim, antes de deduzir, concluir, julgar e condenar faça uma pausa e escute. O que estou vendo e ouvindo poderia ser visto e ouvido por outra pessoa? Se sim, é fato. Se não, é interpretação e julgamento. Acredita-se que a abertura para escutar no sentido mais profundo da palavra pode diminuir a violência.
Se não seguimos como pessoas que:
Veem, mas não enxergam;
Caminham, mas não se movem;
Tocam, mas não sentem;
Abraçam, mas não acolhem;
Ouvem, mas não escutam.
É bíblico!
Moacir Rauber
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Qual é a tua expectativa? E o teu compromisso?
Ao iniciar uma nova turma na universidade ou uma oficina numa empresa ou na comunidade, quase sempre começo com o pedido, Faça uma apresentação pessoal em um minuto e diga a tua expectativa com relação ao evento numa palavra? É um pedido, não é uma exigência. Praticamente todos atendem e, além de suas histórias pessoais, surgem muitas palavras, entre elas dinâmica, aprendizagem, técnicas, amor, afeto, presença, acolhimento, conhecimento, sabedoria, entre outras. As palavras são interessantes, mas são apenas palavras. Na sequência, avanço para um segundo pedido:
– Qual é o teu compromisso com a tua expectativa?
Geralmente, as pessoas começam um processo de reflexão mais profundo. E isso tem razão de ser, porque enquanto a palavra expectativa nos leva para fora, a palavra compromisso nos traz para dentro.
Com origem latina na palavra “ex(s)pectativus”, “expectativa” se refere a alguém que espera algo a partir de uma realidade externa. Além disso, tem como sinônimos o aguardo, a expectação, a promessa entre outras palavras que nos colocam num papel passivo frente a uma situação. Qual é a nossa expectativa no ambiente familiar, social e profissional? Muitas vezes, nas relações de amizade e de amor eu espero que o outro me faça feliz. Nas relações sociais eu aguardo que a sociedade seja mais justa. No âmbito profissional tenho a expectativa de que me reconheçam com ações e remuneração. Inclusive, muitas pessoas esperam emagrecer no ano que começa depois do carnaval.
Ao avançar para a segunda pergunta, “qual o compromisso de cada um com a própria expectativa?”, as reações mudam e as pessoas exibem feições mais graves e introspectivas. Por quê? Porque ao serem confrontadas com o compromisso que cada pessoa assume sobre as escolhas que faz se trata de um caminho interno e que está no seu controle. O que é compromisso? Sua etimologia nos com a palavra latina compromissum que está ligada ao comprometer. Os sinônimos podem nos conduzir a um acordo, contrato ou combinação, inclusive com o outro. Entretanto, a pergunta é pessoal e esse acordo deve ser feito consigo mesmo, associando-se à ideia de comprometimento, engajamento e promessa. Portanto, a pergunta se volta para dentro de cada um em que a escolha é individual. Qual é o teu compromisso com a tua relação pessoal? Espero felicidade, mas eu faço o outro feliz? Qual é o teu engajamento com a realidade social? Aguardo uma sociedade justa, mas eu sou justo? Qual é a promessa que você se fez no ambiente profissional? A expectativa é por reconhecimento, o que faço para merecê-lo? Enfim, comprometer-se com as ações ao próprio alcance para realizar as expectativas é assumir o controle da vida. É necessário sair do sentido das palavras e colocá-las em ação.
Enfim, considero que a expectativa com relação ao outro está na raiz de muitas frustrações, gerando violência e sequestrando o sábio de cada um. Na expectativa dou ao outro o poder de determinar o meu estado de ânimo, no compromisso assumo o controle. Portanto, ao perguntar sobre qual o compromisso que cada um assume com a oficina, o foco sai do outro e vai para si mesmo. Por isso, ao sair da expectativa para o compromisso as palavras deixam de ser somente palavras, elas exigem ação. Eu deixo de esperar a dinâmica do facilitador e passo a exibir atitudes dinâmicas; saio da passividade de que o outro me ensine e me abro para a aprendizagem; não aguardo que uma técnica mude o meu comportamento, mas mudo o meu comportamento incorporando uma técnica; não fico na expectativa de que o outro exiba amor, porque serei amoroso com o outro; entendo que posso afetar o outro com o afeto das minhas ações; comprometo-me com a minha presença e não relego ao outro o acolhimento, porque acolho-o. Enfim, abro-me para a sabedoria e o conhecimento do outro, comprometendo-me ao alinhar as minhas intenções com as minhas ações.
A espiritualidade é o caminho, porque “Deus está no mais profundo de cada um” (Eckhart Tolle).
Moacir Rauber
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A Curiosidade, a Coragem e a Confiança no cotidiano
A curiosidade, coragem e confiança são apenas palavras. Cada uma delas traz diferentes significados, os mais variados sentidos e é acompanhada com uma infinidade de sinônimos. Além disso, as palavras são encontradas em ditados, como “a curiosidade matou o gato”, “a coragem é a qualidade humana que garante todas as outras” e “a confiança nasce do conhecimento” são alguns exemplos. O que as palavras têm a ver com o nosso dia a dia?
Considera-se a curiosidade como o impulso que nos leva a inovar, para criar algo novo, solucionar um problema antigo ou atender uma nova demanda. A curiosidade nos leva a perguntar: existe uma maneira nova, diferente e mais eficiente de fazer isso? Essa curiosidade é o impulso da inovação para reinventar a forma como se prestam serviços, na maneira como se concebem produtos e no jeito que se resolvem os problemas. A curiosidade como palavra tem origem no latim curiositas, curiosus e cura, assim se conecta com o desejo de conhecer, com a capacidade de ser diligente e com o cuidado que cura. A palavra ainda se relaciona fortemente com a aprendizagem a partir da experimentação e mantém viva em nós nossa criança interior. Desse modo, as pessoas que preservam a curiosidade estão constantemente dispostas a questionar os padrões estabelecidos para descobrir, criar ou simplesmente modificar algo para fazê-lo de maneira melhor. A curiosidade traz a emoção para as nossas vidas, porém se não vir acompanhada da coragem e da confiança pode matar o gato. Para quê ser curioso?
Avancemos para a coragem que, no ditado de Churchill, é a qualidade que nos garante todas as outras. Concorda-se, porque é essencial ter coragem para ser curioso, assim como é indispensável ser corajoso para confiar. Portanto, é importante conhecer a palavra coragem para poder desenvolver as qualidades que ela nos indica. Coragem, igualmente, tem sua origem no latim “Coraticum que deriva de cordis, coração. Eis o ponto que a coragem assume extrema importância, uma vez que o coração, historicamente, foi considerado a casa da coragem e da inteligência, além de ser a morada dos sentimentos. A coragem vem do coração que revela nossa força interior, que, para Sócrates, passa pelo discernimento de não fugir frente ao primeiro desafio e tampouco avançar com loucura. Assim, ser corajoso demanda atitudes como “a coragem de ser imperfeito (Brené Brown)”; a coragem de ter medo para não ter medo de ter coragem; a coragem de perseverar e persistir; a coragem de falar “sim” ou “não”; a coragem de desistir; e a coragem de inovar. Portanto, a coragem é uma virtude que não se desenvolve sozinha, ela precisa vir acompanhada da curiosidade e da confiança. Você tem coragem?
A confiança é a base para a curiosidade e para a coragem, porque ela significa acreditar totalmente com a firmeza da fé naquilo que se crê. Igualmente tem origem latina na palavra “Fidere”, sinônimo de fé. Desse modo, confiança é uma qualidade derivada do substantivo feminino que significa lealdade, competência ou crença de que cada um vai cumprir com a sua função. Outra vez, é ter fé em si, no outro e a esperança de que se possa criar algo melhor: Inovar. Entretanto, para sairmos do substantivo e irmos para a ação, precisa-se do verbo: confiar. Entende-se que a cultura da inovação exige a confiança, substantivo, alinhado com o confiar, verbo, para construir as sinergias que resultem em parcerias cocriativas. Como diz o ditado de senso comum “a confiança nasce do conhecimento” que termina por gerar inovação que se alimenta na reciprocidade das relações com as pessoas. No nosso dia a dia o desafio é colocar as palavras em ação.
Portanto, a confiança, a coragem e a curiosidade são palavras que sem ação seguem sendo somente palavras. No nosso cotidiano a Curiosidade deve ser o impulso, a Coragem deve ser o motore que a Confiança seja a conexão para criar um mundo melhor com INOVAÇÃO. O resultado? Um mundo melhor com inovações ambientalmente corretas, socialmente responsáveis e economicamente viáveis para transformar as organizações e a sociedade.
Moacir Rauber
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Você trabalha demais?
Ela era médica e fazia dupla jornada, para não dizer tripla. Trabalhava num hospital público e fazia plantões numa clínica privada. Orgulhava-se de não faltar ao trabalho. Além disso, participava de diversas iniciativas voluntárias de maneira comprometida, como as visitas semanais a uma casa de anciãos e as oficinas sobre saúde que dava na casa de acolhimento de menores. Era uma agenda superlotada. Entretanto, nas conversas mais íntimas com os familiares, reclamava do excesso de trabalho a que se sujeitava, dizendo:
– Não tenho tempo para os meus filhos e marido. Nem vejo a vida passar. Preciso mudar algo…
Apesar da reclamação, a rotina se repetia a cada semana. Para um ouvinte mais atento, talvez a reclamação não fosse tão autêntica, uma vez que revelava a busca por reconhecimento pelo que fazia, além de exibir traços de competitividade para galgar os degraus profissionais que a moviam. Uma das conclusões poderia ser: ela era viciada em trabalho. Desse modo, assim como os demais viciados, ela tinha prazer naquilo que fazia, porque os amigos se impressionavam. Ou melhor, os conhecidos, porque amigos já nos os tinha porque não tinha tempo. Ainda que reclamasse, ela propalava aos quatro ventos a sua capacidade de trabalhar, initerruptamente, por uma quantidade absurda de horas, por um número impressionante de dias consecutivos ou por vários anos sem necessitar de férias. O único assunto dela era trabalho. No fundo, orgulhava-se disso. Alguém convive ou conhece alguém assim?
Analisando o comportamento da médica da perspectiva da Inteligência Positiva (Shirzad Chamine) há um sabotador bastante evidente no controle da vida dessa pessoa: o hiper-realizador. Igualmente aos demais sabotadores, o hiper-realizador está sob o comando do juiz que critica o ambiente externo, aos outros e a si mesmo. Dessa maneira, o hiper-realizador, alinhado com o juiz, estimula pensamentos de sempre fazer e ser o melhor, evitando demonstrar as emoções. Na vida, o hiper-realizador se concentra em construir a sua imagem como resultado das suas realizações, porque se ele não o faz ninguém o fará. Para o hiper-realizador, segundo Chamine (2013), na vida é essencial produzir muito para obter os resultados que impactam o ambiente, sendo a felicidade um momento fugaz que se encontra na celebração de uma vitória. São pensamentos subliminares desse sabotador que levam as pessoas ao desgaste físico e mental, sendo candidatos a uma quebra emocional. No final, o hiper-realizador se cansa de tanto realizar e se comparar com aqueles que não realizam, por isso é violento com os outros, consigo mesmo e com aqueles que gostariam da sua presença, como, por exemplo, os filhos e o marido. O que fazer para mudar isso? Obviamente, é essencial tomar consciência de que se a agenda está superlotada, se não tenho tempo para as pessoas que me importam e não estou vendo a vida passar, o único que pode mudar algo sou eu. Desse modo, uma pausa para identificar o sabotador faz a diferença. A partir daí se traz os elementos da Comunicação Não-Violenta (Rosenberg, 2003): é fato que o mundo depende de minhas realizações? O discernimento para exercer o papel social com cuidado para com os outros e autocuidado é crucial para identificar o hiper-realizador como sabotador, porque o mundo até hoje não parou para ninguém. Quais os sentimentos que me acompanham? A força para se permitir sentir faz com que se possa mudar a interpretação dos fatos. Quais são as reais necessidades por trás das minhas escolhas? A lucidez para identificar a diferença entre desejos e necessidades permite a escolha dos sentimentos a serem nutridos e os compromissos a serem assumidos. Como me expresso de maneira a cuidar e me cuidar? A sabedoria para ser assertivo sem ser arrogante e ser humilde sem ser submisso está na capacidade de pausar para avaliar a situação vivida. Portanto, usar as ferramentas vindas do conhecimento para se reconectar com aquilo que nos importa é ser sábio.
Enfim, orgulhar-se de trabalhar em excesso é reconhecer a própria incompetência para a vida. Afinal, quem faz as escolhas? Por isso trabalhe melhor, não mais nem demais!
Moacir Rauber
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Sementes e ideias: elas precisam morrer!
Uma semente precisa morrer para que a planta possa nascer. A semente armazenada não dá frutos, porque não foi exposta ao clima para se transformar em planta. Por isso, uma semente, para que cumpra o seu papel, precisa ser exposta ao solo para germinar e transformar o seu potencial, tudo aquilo que ela poderia ser, em talento, uma planta adulta. A semente morre e a planta nasce. A planta, por sua vez, precisa ser nutrida com terra e água para que possa crescer, florescer e frutificar. Isso é bíblico.
Conversava com uma amiga que dizia sobre uma ideia original que havia tido de um produto que resolveria um problema enfrentado por muitos quando vão à praia. Ela havia encontrado uma solução para algo recorrente aos banhistas. Carregou consigo a ideia por alguns anos, até que um dia, chegando à praia, viu concretizada a ideia original que havia tido. Ficou desolada, porque o produto hoje é encontrado em todas as praias do planeta. Enquanto ela me contava lembrei de uma frase de um professor de filosofia na faculdade:
– Por mais original que seja a tua ideia esteja certo que alguém em algum lugar estará pensando como você. E mais, um deles vai colocá-la em prática…
Igualmente a uma semente, a ideia precisa morrer para que algo concreto possa nascer. A ideia que permanece na mente das pessoas não gera nada, porque não se transforma em algo real. Por isso, uma ideia, para que cumpra o seu papel, precisa ser exibida para outras pessoas e transforme o seu potencial, tudo aquilo que ela poderia ser, em talento, algo concreto a serviço da coletividade. Isso acontece com aqueles que têm ideias e as tiram do papel, porque a ideia morre e algo real surge. Numa organização, além do líder, a área de Recursos Humanos pode ser a ponte que permite que as ideias transitem do imaginário para o real. Entendo que uma organização deve desenvolver atividades que estimulem a conexão entre as pessoas para direcionar as suas habilidades e competências de forma estratégica para alcançar os resultados esperados, coletivos e individuais. É necessário que as ideias morram ao serem expostas no ambiente organizacional. Cabe a área de recursos humanos desenvolver a confiança para que os colaboradores exponham as suas ideias e as transformem em algo concreto. Para isso, é essencial que o ser humano esteja no centro do negócio de maneira integral e sustentável. É indispensável que o ego dê lugar para o eco ao transformar uma ideia em algo concreto. Com menos ego é mais fácil expor as ideias para que elas recebam críticas; para que se expandam com as contribuições; e para que se alterem com supressões, por vezes, necessárias. Assim, a ideia morre e nasce algo novo. Esse algo novo precisa ser nutrido com um ambiente de confiança. E a área de Recursos Humanos pode cumprir esse papel.
Portanto, uma semente que nasce transforma todo o seu potencial em talento, porque é da natureza de uma semente ser uma planta adulta. O primeiro passo é a morte da semente para dar lugar a planta. Depois virão ventos e tempestades. A planta vai enfrentar falta e excesso de chuva. Ainda assim, ela vai crescer, florescer e dar frutos cumprindo com o seu ciclo natural. Nós podemos ajudar nutrindo e cuidando, exatamente como podemos fazer com uma ideia. Podemos criar um ambiente apropriado na família, nas organizações e na sociedade em que as ideias sejam expostas para que se transformem em realidade.
Na sua organização, as ideias morrem para dar lugar a algo novo? A minha amiga se retraiu e não expôs a sua ideia. Alguém o fez. Certamente há muitas boas ideias nas mentes dos colaboradores que merecem morrer. Vocês conseguem aproveitá-las?
“Digo verdadeiramente que, se o grão de trigo não cair na terra e não morrer, continuará ele só. Mas, se morrer, dará muito fruto. João (12:24)
Moacir Rauber
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O que tem cansado você?
Era uma oficina de Comunicação Não-Violenta e Inteligência Positiva a partir da Espiritualidade. Como tarefa, cada participante fez a leitura prévia de um texto e realizou um exercício preparatório para o primeiro encontro. A leitura do texto deixaria todos com um entendimento comum sobre Comunicação Não-Violenta e Inteligência Positiva. As divergências seriam bem-vindas, porém todos estariam num mesmo ponto de partida. O exercício proposto ajudaria a que cada participante identificasse os principais sabotadores, nossos inimigos internos. O encontro começou animado e cada participante compartilhava os resultados dos exercícios com a identificação dos sabotadores. Para todos fazia sentido, porém, havia uma senhora que estava quieta e com cara de poucos amigos. Por fim, de forma abrupta ela falou:
– Não, não concordo com os meus resultados. Isso não está certo. Eu não tenho os sabotadores que me aparecem.
Todos esperavam a continuação da participação dela:
– Os resultados dizem que sou controladora e inquieta. Esse resultado não mostra quem eu sou…
Ela continuou dando detalhes dos resultados e das variáveis envolvidas. Deu exemplos de como gostava de organizar as coisas, além das muitas vezes que não terminava os cursos nos quais se inscrevia porque acreditava que não tinham muito a oferecer. Havia agressividade na sua forma de se expressar. Ninguém disse nada, porque explicitamente se manifestavam os seus sabotadores: o controlador e o inquieto. O controlador, aliado ao Crítico, apontava as distorções do resultado do teste de avaliação que havia feito. Não estava no seu controle, por isso o controlador interno reclamava. Ela ainda demonstrava alto grau de ansiedade ao entender que o resultado não se ajustava a sua auto percepção. Além disso, o inquieto revelava de maneira ameaçadora que se o curso não se estruturasse como imaginado, ela o abandonaria. Era o inquieto que já buscava outra atividade e, sob a batuta do crítico, mostrava-se impaciente, com medo de usar seu tempo em algo que não valesse a pena. Em seguida, silêncio absoluto. Ela pensava e parecia que percebia que a sua discordância com os resultados somente ratificava os sabotadores que ela acreditava não ter: o controlador e o inquieto. Era uma pausa que permitia a reflexão. A reflexão a levou ao discernimento. O discernimento facilitou que ela observasse e registrasse os sentimentos que estavam vivos nela. Nesse momento, de forma natural e espontânea ela nos deu um exemplo factual do processo que junta as abordagens da Inteligência Positiva e da Comunicação Não-Violenta. Por um lado, houve a identificação dos sabotadores. Por outro lado, a prática da Comunicação Não-Violenta ao observar sem julgar com a coragem de registrar os próprios sentimentos. Ela seguia processando o ocorrido a partir de uma citação bíblica que dizia: “Não julguem, para que vocês não sejam julgados” (Mt, 7, 1). O silêncio a ajudava.
Por fim, veio a constatação:
– Caramba, eu sou controladora e inquieta. Os meus sabotadores são reais.
Ela finalmente relaxou e riu. Em seguida, expressou as suas necessidades de ordem e de sentido, além das necessidades de aprendizagem e de realização. Os sabotadores se manifestavam com falsas justificativas que a levariam a não atender as necessidades ao não concordar com os resultados, além de sugerir que abandonasse a oficina. Por isso, com a identificação dos sabotadores pela Inteligência Positiva e com o passo a passo da Comunicação Não-Violenta ela pode pausar, observar sem julgar, registrar os sentimentos, identificar as necessidades e adotar as estratégias para atendê-las. Confessou que ela estava cansada de não estar satisfeita com aquilo que fazia, por isso saltava de uma experiência à outra. Revelou que não aguentava mais se fazer responsável por si e pelos demais. Depois disso, ela foi uma participante ativa, dedicada e comprometida com a oficina. Ao final da oficina ela estava cansada e feliz como nunca antes na vida. Era o cansaço do bem.
O que tem cansado você?
Moacir Rauber
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É um Ano Novo: você está cansado?
Ela havia trabalhado o dia inteiro cortando a grama do jardim. Um trabalho pesado que demandou muito esforço físico com bastante cuidado para não machucar as outras plantas e persistência para não desistir com os constantes problemas técnicos do cortador de gramas. Ela estava exausta, porém feliz com o trabalho realizado. Sentou-se na varanda da casa, apreciou o resultado e disse:
– Estou cansada, mas me sinto bem!
O marido estava com a visita de um amigo. Ele comentou:
– É muito natural, porque a atividade física libera endorfina na tua corrente sanguínea que proporciona bem-estar, prazer e essa sensação de recompensa. A endorfina também combate as dores e alivia o estresse. Igualmente a atividade física regular ajuda no equilíbrio das emoções por meio da serotonina, o hormônio da felicidade…
E continuou falando da dopamina e todos os benefícios associados às atividades físicas regulares, além de mostrar na sua própria cabeça onde cada um dos fenômenos cerebrais poderiam estar ocorrendo. A fala estava carregada de uma presunção de superioridade por todo o conhecimento que detinha sobre o fenômeno. O que aconteceu de fato? Com tanta teoria a conversa cansou os ouvintes, um cansaço aborrecido que os desconectou. A explanação teórica sobre um fato cotidiano no ambiente familiar gerava a sensação de arrogância intelectual que afastava quem falava daqueles que já não o escutavam. A racionalidade excessiva se exterioriza em pessoas que acreditam deter a capacidade do discernimento, um suposto entendimento e a presunção da sabedoria. Costuma ser pedante. Entretanto, trata-se de uma justificativa interna de quem tem falta de autoconfiança e que diminui o outro a partir de um julgamento errôneo da própria intelectualidade. Aqui, para a Inteligência Positiva, identifica-se um sabotador: o hiper racional. Este sabotador, aliado ao crítico, racionaliza as situações mais corriqueiras, transformando-as em oportunidades de mostrar o seu conhecimento. Entretanto, o hiper racional que se manifesta sem filtro provoca a desconexão das pessoas que têm filtro. O outro vê, escuta, pensa, sente e se afasta.
O hiper racional, muitas vezes, sabe os conceitos sobre um tema, porém nem sempre pratica os conceitos que apregoa. Nesse momento se revela um conhecer que desconhece na realidade. Por que essa afirmação? Porque o senhor que falava dos benefícios das atividades físicas, entre elas a sensação de bem-estar, o equilíbrio das emoções e outros mais, levava uma vida sedentária com recorrentes problemas de saúde. Parecia cansado. A hiper racionalidade era violenta com ele mesmo e com os demais. A Comunicação Não-Violenta, iniciando com uma Pausa, poderia ajudar a que aquele senhor identificasse os seus sabotadores para em seguida observar sem julgar para inclusive escolher não falar. Como diria Fernando Pessoa “Quem sabe, mas não sabe aplicar…” revela “…uma forma de não saber”.
Destaque-se, ainda, que constatar a existência de um fenômeno não o muda. As ciências comportamentais tem apontado com frequência fenômenos que acontecem a milhares de anos, muitas vezes como se fosse algo novo, entretanto isso não muda a realidade. Por exemplo, hoje a ciência comprova que a meditação e a oração trazem serenidade às pessoas que as praticam, porém isso não muda os resultados, apenas ratifica os resultados de uma prática milenar. Saber e não praticar não produz resultados. De igual maneira, as atividades físicas cumprem com a função de gerar bem estar e felicidade durante toda a trajetória humana na terra, porque temos um corpo feito para se mover. Não se faz necessário que a ciência nos diga isso, embora seja importante que se usem os dados para mudar comportamentos. Mais uma vez, ressalta-se que saber disso sem fazer exercícios é uma forma de não saber.
Voltando a Fernando Pessoa ele dizia “Toda a teoria deve ser feita para poder ser posta em prática, e toda a prática deve obedecer a uma teoria. Só os espíritos superficiais desligam a teoria da prática, não olhando a que a teoria não é senão uma teoria da prática, e a prática não é senão a prática de uma teoria.” Enfim, conhecer a teoria sem colocá-la em prática gera um cansaço sem o bem-estar da atividade. Pode ser muito cansativo ser sempre intelectual, é preciso viver a prática que nos conecta com o real. Exercer a prática sem o domínio da teoria provoca o cansaço pelo retrabalho. Pode ser esgotante repetir os erros, é essencial aprender a teoria que nos melhora a prática. Conhecer a teoria e colocá-la em prática produz todos os benefícios de uma vida bem vivida com o cansaço do bem!
“Na vida superior a teoria e a prática completam-se. Foram feitas uma para a outra” (Fernando Pessoa). Qual é a sua teoria? Ela existe na prática?
Um 2024 com teoria e prática!!!
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