QUAL É A SUA META?

Qual é a meta?

No início de 2024 renovei meus sonhos, estabeleci objetivos e defini metas para o dia a dia. Agora terminamos o mês de abril me pergunto: como estão as minhas metas? Uma delas, a prática de exercício físico, foi definida em remar 3660 minutos no ano. São apenas dez minutos por dia, nada tão complicado, pensei. A primeira semana foi tranquila e fiz alguns minutos a mais da meta. A segunda semana optei por não praticar em alguns dias e fiquei devendo minutos. Na terceira semana o desafio de manter a rotina de treinos começava a me incomodar. Durante uma sessão de trinta minutos que havia programado para recuperar a média diária, a luta mental para cumprir a meta apareceu. A mente que, muitas vezes, nos mente, dizia, Para que essa atividade, você tem mais o que fazer. Recém havia feito dezoito minutos dos trinta programados. Mentalmente buscava contra-argumentar dizendo, Faz bem pra saúde, foi você quem escolheu. Na sequência a mente reforçava a ideia de abandonar, Isso não vale a pena. E, naquele dia, a mente que mente venceu. Parei. E você, como está com as suas metas?

Não há como realizar sonhos ou viver um propósito sem cumprir metas, quantificações específicas de uma atividade que nos leva na direção escolhida. Entretanto, cumprir as metas traçadas não é garantia de alcançar os objetivos, porém não as cumprir é a certeza de que não se chegará ao destino. O objetivo de me manter bem fisicamente passa pelas estratégias e o cumprimento das metas. A prática de exercícios físicos regulares, aliada à alimentação equilibrada eram as minhas estratégias principais. A meta do ano de remar um determinado tempo foi livremente estipulado por mim num acordo pessoal comigo mesmo. E as metas, segundo o modelo SMART, devem ser Específicas, Mensuráveis, Alcançáveis, Realistas e num Tempo determinado. A minha meta preenchia os requisitos. Porém, no contato diário com a atividade as metas passam por fases distintas. Primeiro vem a empolgação de assumir um compromisso consigo mesmo e a convicção de querer cumpri-lo. Pude constatar a presença da empolgação na primeira semana. Na sequência vem a constatação de que a realidade é diferente do planejado e cumprir com o estipulado talvez não seja tão simples assim. A terceira semana da prática pensada para um ano me mostrou isso. A fase seguinte é a percepção de que é necessário adaptar-se sem perder o foco ao dominar a própria mente ao escolher os pensamentos que irei alimentar. O próximo passo são os conflitos internos sobre o que se está fazendo, em que é essencial validar a meta na relação com o objetivo, com a missão ou com os sonhos. Avançamos para a fase em que o reforço mental é determinante. O que você diz para a mente? Ao dominar essa fase nos aproximamos da meta a que nos propomos e o objetivo está visível. Aqui o desafio é não perecer pela arrogância de acreditar que nada me impedirá de cumprir com o determinado. Por fim, ao alcançar uma meta definida é fundamental comemorar para, em seguida, refazer o planejamento e recomeçar o processo para seguir rumo ao destino. Esse processo acontece dentro das metas de curto, médio e longo prazos, assim como com relação aos objetivos e sonhos. Aplica-se na esfera pessoal e organizacional. É a luta interna que vai definir a própria situação de satisfação e o sentido de realização. Cumprir as metas nos traz felicidade!

Voltando à meta de 3660 minutos de remo para o ano, naquele dia eu perdi para a minha mente e desisti. Porém, desistir qualquer um pode, contudo, cumprir com as escolhas feitas é o exercício da liberdade. No dia seguinte voltei e fiz quarenta minutos. No final de abril, ao haver decorrido 121 dias, contabilizei 1340 minutos. A meta está sendo cumprida, porém a luta continua porque o processo se repete na atividade diária, assim como na meta principal do ano e da vida.

Como estão as suas metas?

Moacir Rauber

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O QUE VOCÊ TEM CELEBRADO?

O que você tem celebrado?

Naquele dia nos encontramos com atraso. Ao perguntar-nos como chegávamos, apareceram palavras como acelerado e ansioso, ainda que tenham sido citadas a esperança e a confiança. Como estávamos atrasados, fomos direto ao trabalho. Começamos a leitura conjunta para revisar a versão final de um dos capítulos. Um queria uma palavra para expressar determinada situação e o outro outra. Não houve acordo, assim estávamos num impasse em que sentimentos de irritação emergiam. Olhamo-nos, até que um disse:

– Não fizemos a nossa oração das intenções hoje, não é?

– Verdade!

Paramos o trabalho, fizemos a oração em que pedimos clareza e iluminação para reconhecer a nossa humanidade compartilhada na compaixão; e pedimos a graça de compreender o que não entendemos e agradecer com a capacidade de escutar-nos mutuamente. Finalizamos a oração e decidimos encerrar as atividades naquele dia. Cada um foi para o seu lado para reencontrar-nos no dia seguinte. Fizemos uma Pausa para avaliar quais eram os Fatos por detrás dos Sentimentos e qual o significado do impasse em que nos encontrávamos. Quais eram as necessidades ocultas no impasse? Naquele momento não estava claro.

Um trabalho em equipe envolve pessoas com diferentes visões de mundo, por vezes antagônicas, com valores e necessidades individuais dos integrantes. No nosso caso, éramos duas pessoas produzindo um livro com ferramentas para melhorar as relações pessoais e de trabalho. Ainda assim, entramos numa zona de conflito em que discutimos, debatemos e disputamos sem conversar. Entendemos aqui a discussão e o debate como a pretensão de querer impor a própria opinião sobre o outro. Quando alguém consegue convencer o outro, ainda que de forma pacífica, a hierarquia na relação muda, porque um se sobrepõe ao outro e a conversa não é mais entre iguais. Queríamos conversar no sentido de versar sobre um assunto no mesmo canal, o livro. Porém, algo aconteceu em que a posição pessoal de cada um se manifestava de maneira a se sobrepor aos interesses maiores. Caso usássemos palavra A ou B naquele ponto do livro, o resultado não mudaria, entretanto cada um havia fincado o pé na sua escolha. Por isso, repetimos a pergunta: quais eram as necessidades pessoais que não estavam sendo atendidas naquele momento de impasse? Provavelmente não eram necessidades, talvez o desejo de querer se validar frente ao outro. Nesse momento, entrávamos numa disputa, que no latim significa dis (separação) e putãre (pensar). Começávamos a separar o nosso pensamento debatendo competitivamente numa discussão em que somente haveriam perdedores. Ao constatar que não havíamos feito a oração que guiaria as nossas intenções e as nossas ações, recuperamos a possibilidade do diálogo. Ao fazer uma pausa consciente, tivemos o tempo necessário para distinguir o que era importante na situação. Provavelmente, cada um de nós fez um pequeno luto sobre o desejo não atendido, para no dia seguinte nos encontrarmos com a disposição de conversar. As nossas necessidades, possivelmente, eram de reconhecimento ou de aceitação entre nós. Depois do luto, tivemos a oportunidade de celebrar.

Celebrar o quê? O impasse em si não foi razão para celebrar, entretanto, o ato de parar para ampliar a consciência nos deu esse motivo. Acreditamos que seja importante fazer o luto quando temos uma necessidade não atendida, porém, abraçamos a ideia de que a iniciativa de celebrar as pequenas conquistas diárias nos levam aos grandes resultados. Fizemos o luto pelo impasse, contudo, no momento em que escolhemos a conversa como estratégia para resolvê-lo, abrimo-nos para o mundo das possibilidades. Disso vem o real motivo para celebrar, que é a sabedoria de não cair na armadilha dos debates em busca de uma vitória e das discussões que competem, porque ambas levam a uma disputa que separa. Celebramos a capacidade de fazer uma pausa para observar sem julgar, registrar os sentimentos e identificar as necessidades que nos manteve no caminho da comunicação que afeta com afeto. Conversamos e saímos melhores como pessoas e entregamos um capítulo mais bem elaborado do livro. Bons motivos para celebrar.

Você tem celebrado? Quais motivos?

Moacir Rauber

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Esperança na Harmonia

Fonte: IA BING

A Esperança é o entendimento de que o mundo não é justo, mas que eu posso ser justo.

A Esperança é a compreensão de que eu posso ser firme sem ser agressivo ou submisso;

A Esperança me diz que eu posso ser coerente sem ser ofensivo ou subserviente;

A Esperança me ensina a ser colaborativo sem ser hostil ou dependente.

A Esperança é o equilíbrio entre as igualdades e as diferenças que permite criar a autêntica harmonia.

A HARMONIA que nos fará melhores.

VOCÊ PRECISA DE UM GURU?

Fonte: IA BING

Você precisa de um guru?

“Podemos, sem dúvida, reconhecer as pessoas que nos ajudaram e que despertaram o melhor de nós mesmos. Mas, não foi porque se impuseram e se empenharam em conduzir nosso caminho, mas porque, sendo humildes e transparentes, nos remeteram ao nosso próprio ‘pastor e mestre interior’.

Não precisamos de pastores nem gurus, mas companheiros(as) de caminho, acompanhantes lúcidos e humildes, compartilhando aquilo que cada um nos proporciona experimentar.

Todos somos pastores, mestres e discípulos. Todos nos encontramos em um processo de aprendizagem.”

Adroaldo Palaoro

Mentes abertas e Espíritos Livres: uma chave para a Felicidade!

Mentes abertas e Espíritos Livres: uma chave para a Felicidade!

Na última semana, mais uma vez trabalhei a oficina “Comunicação Afetiva para ser Efetivo”. O tema seria o mesmo, o público diferente. Um grupo formado por 20 pessoas que tinham entre 30 e 80 anos. Sabia que todos eles tinham boa formação com pelo menos duas faculdades concluídas na área de humanas e um forte trabalho de gestão de pessoas, alguns com décadas de experiência. Essas informações obtidas antecipadamente fizeram com que eu criasse expectativas, as expectativas me deixaram ansioso. A ansiedade proporcionou o cenário para não dormir bem na noite anterior ao evento. Foi o que aconteceu. O tempo, porém, é implacável e a hora da oficina chegou. Olhava para todos que exibiam seus sorrisos, entre divertidos e marotos. Comecei com a pergunta:

– Qual é a sua expectativa com relação a oficina?

Os sorrisos desapareceram e o silêncio apareceu. Era sinal de que haviam escutado a pergunta. Um instante depois algumas respostas, como “sair da toca” no sentido de ser participativo e “desarmar-me” revelando a busca pela conexão com os outros. Surgiram palavras como “participativo”, “aprender”, “empatia”, “saber escutar”, “perseverança”, entre outras. Cada um foi respondendo e o ambiente foi se descontraindo, inclusive eu. Em seguida disse:

– Qual é o seu compromisso com a sua expectativa?

Agora o silêncio fez escutar a reflexão profunda que, em seguida, se tornaram constatações compartilhadas no grupo. O ambiente estava propício e pronto para começar a oficina. Havia curiosidade para aprender; havia coragem para perguntar; e havia confiança para se abrir. A partir daquele momento pude dominar os meus inimigos internos que me haviam deixado ansioso para cumprir com a minha incumbência de estar presente. No público, sentia a abertura plena para a participação, que mostrava um desprendimento do ego na busca pelo conhecimento aplicado. Estavam todos imersos nos temas com perguntas que revelavam curiosidade genuína sem o pesar de se sentir menor por não saber. Era visível no grupo a mentalidade aberta de quem acredita que tem espaço para crescer e aprender com a coragem de superar a inibição. Parecia que se podia ver na minha frente os conceitos de Carol Dweck sobre mentalidade de crescimento estampados nos rostos curiosos de cada um. Igualmente, transparecia as múltiplas inteligências de Gardner manifestando-se com a complementaridade das perspectivas sobre um determinado exemplo. Estava explícito o alto grau de Inteligência Emocional com a constatação da autoconsciência e da capacidade de autorregulação individual. Era flagrante a automotivação pessoal, o exercício da empatia entre os participantes e os exemplos da prática no dia a dia. E, por fim, expressavam-se as habilidades sociais como resultado das competências anteriores. No ambiente, era fácil observar a positividade de quem faz um trabalho constante e permanente de prender seus sabotadores, conforme a Inteligência Positiva, e a prática da comunicação afetiva de quem tem a consciência da importância de afetar com afeto (Comunicação Não-Violenta). Para mim, a Psicologia Positiva estava na essência de cada um daqueles participantes tão diversos e tão comuns, porque as virtudes e as forças de caráter se alinhavam diretamente com as suas crenças. Quem era esse grupo tão especial? Eram todos participantes da profissão mais feliz do mundo!

Ao finalizar a oficina fui para casa com a sensação do dever cumprido, porque havia entregado integralmente a única realidade que se tem: a presença. Abri meu computador e chequei os e-mails. Entre eles um apontava as oito profissões mais felizes do mundo, segundo uma pesquisa realizada pela Universidade de Chicago. Para minha surpresa, a posição número um era ocupada pela profissão do grupo de pessoas com o qual havia compartilhado a manhã: o Clero. Passei a entender o que havia presenciado, porque os participantes eram todos religiosos. Eles têm alta qualificação profissional pela formação, mas são seres humanos que se identificam com aquilo que fazem vocacionalmente. São mentes abertas com espíritos autônomos e são assombrosamente livres na escolha que fizeram.

Eis aí uma chave para a felicidade!

Moacir Rauber

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QUEM ESTÁ NO COMANDO DAS SUAS ESCOLHAS?

Fonte: IA BING

Quem está no comando das suas escolhas?

Outro dia conversava com uma jovem mulher que acabava de ser promovida a C-Level Executive Assistant do CEO da sua organização. Ela havia trilhado um caminho de capacitação técnica e de desenvolvimento pessoal. As competências pertinentes a sua profissão eram alvo de constante aprimoramento com a realização de cursos e formações na sua área. Entretanto, “a área em que mais investi tempo foi no desenvolvimento das competências comportamentais, porque são elas que validam as minhas habilidades técnicas”, disse. Seguiu comentando sobre as estratégias para vencer um dos seus complicadores profissionais, a procrastinação das tarefas difíceis. Ela criou uma estratégia:

– Pus um alarme para indicar o limite de tempo para cada situação difícil que preciso resolver…

Alegrei-me com a clareza que ela tinha sobre a existência de um ladrão interno, além da estratégia para que ela pudesse manter em mente o seu inimigo conhecido, a procrastinação.

Sabemos que a vida é complexa, porém, muitas vezes nós a complicamos. Dentro de cada um de nós habita a disposição e a preguiça; a generosidade e a avareza; o altruísmo e a inveja; a humildade e a arrogância; a serenidade e a raiva; a avidez e a temperança; e o decoro e o desregramento. É a dualidade humana com nossas virtudes e fraquezas, inclusive, é bíblico. Nas virtudes se manifesta a sabedoria e nas fraquezas se manifestam os ladrões interiores. Sempre e quando as escolhas que fazemos permitem que uma fraqueza domine a virtude é sinal de que nos roubamos, sabotando-nos. São os nossos ladrões internos que estão no comando e, nesse momento, começamos a complicar a vida. Enfim, a procrastinação é um dos ladrões que nos rouba a paz e a tranquilidade.

Historicamente temos registro de analogias que falam da dualidade humana, como o joio e o trigo, o lobo bom e o lobo mau, entre outras. Ao analisarmos a situação da perspectiva da Inteligência Positiva (Chamine), a analogia feita é sobre o sábio e os sabotadores dentro de cada um. O sabotador principal é o crítico que, normalmente, alia-se a outros sabotadores para sequestrar o nosso sábio. Na situação da jovem mulher, um dos sabotadores manifestos estava conectado com o esquivo, aquele que evita as tarefas difíceis, desagradáveis e os conflitos. O esquivo não resolve os problemas que deveriam ser resolvidos, pois ele os evita na esperança de que se resolvam por si só. Dificilmente acontece. Com isso, cria-se um ambiente em que nascem a ansiedade e o desassossego, porque a pessoa está consciente da existência dos problemas não resolvidos. Aqui cabe a pergunta: quem está no comando das minhas escolhas quando deixo de fazer algo que aceitei fazer? Ao responder a essa pergunta posso chegar à conclusão de que estou num processo de autossabotagem. Identificar que no ato de procrastinar uma atividade, ainda que ela pareça difícil, estou roubando de mim a liberdade de cumprir com aquilo que escolhi. Além disso, se tenho a necessidade de paz e tranquilidade, por que razão opto por um comportamento que me gera ansiedade e desassossego? É o sabotador sequestrando o meu sábio. É o ladrão de si mesmo.

Enfim, nas nossas trajetórias pessoais e profissionais, situações difíceis vão aparecer, assim como as divergências com as pessoas com as quais convivemos. Porém, é essencial estar consciente da nossa dualidade para que frente a situações complexas possamos ver as alternativas. Pergunte-se: o que é fato aqui? Quais os meus sentimentos em relação a isso? O que eu quero? O que o outro necessita? E, por fim, qual a estratégia que vou adotar? No ato de escolher uma estratégia com clareza está a solução. Foi o que fez a jovem mulher ao colocar um alarme para não ultrapassar um tempo limite por ela estipulado para resolver aquilo que era de sua responsabilidade.  Ela não permitiu que as suas escolhas fossem sequestradas pelo seu sabotador. Ela parou de se roubar e chegou até onde queria chegar.

E você, quem está no comando de suas escolhas?

Moacir Rauber

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Inspirado: Letícia

PÁSCOA: TEMPO DE RESSUSCITAR O AMOR NAS RELAÇÕES!

Vivia só. Por vários anos segui a rotina de trabalho, leitura, filmes e visita aos amigos. Seguia só de solidão. Num dia de desespero pessoal, fui até o alto do Morro das Pedras, mirante que tem vista para a Lagoa do Peri e para a praia da Armação em Florianópolis. Fiquei observando a paisagem tentando me acalmar. A solidão doía. Ao pensar em voltar para casa, vinha-me o medo. Fui até a porta do mosteiro Jesuíta que havia ali e vi um convite para um retiro de silêncio, mas o silêncio me incomodava. Assim mesmo, inscrevi-me. Ao entrar no quarto li a frase de Santo Inácio de Loyola: “Pedir a Deus Nosso Senhor o que quero e desejo”. Mas o que eu realmente queria? Não sabia. Depois de quatro dias de silêncio em que saí do pânico para a tranquilidade soube fazer um pedido: “Deus, ensina-me a viver bem comigo mesmo e, se possível, que encontre alguém que tenha as crenças e convicções parecidas com as minhas para poder viver um amor por ti abençoado”. Esse pedido levei comigo.

A vida começou a ficar mais leve ao aprender a viver bem comigo na presença de Deus. Depois de alguns anos nessa rotina, aproveitando uma folga no trabalho, fui fazer uma formação em Buenos Aires. No evento de abertura conversei com uma colombiana que compartilhava o quarto com outras mulheres. Na manhã seguinte tomei café com elas e conheci a Susana e a Romina. Formamos um grupo quase que inseparável. Tivemos dias intensos de curso, enfim uma tarde de folga. Logo após a soneca do almoço, dei uma volta na calçada em frente ao restaurante do hotel e vi a Romina preparando um chimarrão. Convidei-me para acompanhá-la.

Sentamo-nos ao sol na grama do jardim do hotel. O lindo de tomar chimarrão é que a conversa acontece, porque a pessoa toma um mate e passa para o outro e depois o recebe novamente. Automaticamente, enquanto um toma o outro fala. Passamos horas tomando chimarrão, movendo-nos pelo jardim para acompanhar o sol que nos aquecia. Foi uma das tardes mais lindas das quais tenho lembrança.

Na hora do jantar nos encontramos outra vez. Em seguida, apareceu um colega para mostrar-nos algo. Ele disse: “Vejam as fotos que tirei hoje à tarde…” que registravam a conversa que havia tido com a Romina. Uma amiga olhou para as fotos e falou: “Aqui está acontecendo algo…”, insinuando que estávamos interessados um no outro. Enrubesci, manifestando o constrangimento por uma verdade revelada.

Naquela noite, não saía da minha cabeça a linda tarde que tive com a Romina. Parecia que a seguia escutando, contando os detalhes do seu trabalho. Podia ver o amor e o carinho com que ela cuidava dos anciãos que escreviam o último capítulo de suas vidas. Eu estava encantado.

No dia seguinte, ao revê-la, eu queria me aproximar, porém estava inseguro. O evento se encaminhava para o final e eu sequer tinha o telefone da Romina. No último dia, combinamos de jantar na casa da agora amiga comum, Susana. Para mim, era caminho do aeroporto. Para a Romina, era do outro lado da cidade. Será que ela iria? Graças a Deus ela foi, porque naquele jantar a conexão entre nós ficou evidente. Trocamos os contatos e desde então nunca mais nos desconectamos. Alguns dias depois, estávamos namorando. Podia ser virtual, mas era muito real. Finalmente, encontramo-nos novamente e oficializamos o nosso namoro para logo nos casarmos.  Anos se passaram e a data ficou gravada na mente, no coração e na aliança que vai me acompanhar até o último dia de minha vida.

“Pedir a Deus Nosso Senhor o que quero e desejo” foi atendido em todos os detalhes. Porém, uma vez atendido o pedido, é essencial que nos dediquemos para que as relações se mantenham, uma vez que nesta vida nada está assegurado. Assim, agradecer é o caminho de amor para manter as relações que nos permitem ressuscitar todos os dias em vida.

Lembrando que para a vida eterna Jesus já ressuscitou para nos resgatar.

FELIZ PÁSCOA!

Moacir Rauber

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Dedicado: Rita Romina Perluzky

E SE NÃO TIVER FEIJÃO?

E SE NÃO TIVER FEIJÃO?

O almoço foi servido e o anfitrião observava os convidados saboreando o prato. Ele sabia que os presentes eram de outros países com hábitos alimentares muito diferentes. Por isso, fez questão de recebê-los com um prato típico da sua região e da sua cultura. Quando viu que estavam por terminar a refeição, indagou:

– E então, gostaram?

– Sim, estava excelente! Respondeu um.

– Nossa, nunca imaginaria que pudesse ser tão bom! Respondeu outro.

Certamente que os elogios encheram o anfitrião de orgulho que nos havia oferecido o Haggis, prato típico da Escócia. Foi então que ele explicou como era feita a comida. O estômago da ovelha era recheado com o coração, o fígado e o pulmão do animal picados e misturados com cebolas e aveia, temperado com alho e outras especiarias. É um prato servido em banquetes, acompanhado do som das gaitas de fole. Parecia estranho, mas era realmente bom. O anfitrião agradeceu os comentários e fez outra pergunta:

– E na terra de vocês, qual é o prato típico?

Os convidados, alguns com a cara divertida pela recém descrita receita, comentaram sobre os diferentes pratos de cada país. Um japonês comentou sobre o lámen e o alemão sobre as linguiças. Um francês explicou o ratatouille, o italiano descrevia as macarronadas e assim seguiu a conversa. Por fim, um brasileiro falou :

– A comida do dia a dia é o feijão e o arroz, com um pedaço de carne e saladas…

Todos os presentes naquele jantar estavam longe de seus países de origem há vários meses, por isso a conversa se punha animada com as lembranças das comidas originárias. Na sequência da explicação do prato brasileiro, uma brasileira presente emendou, Eu sinto tanta vontade de comer um típico feijão com arroz…

O dono da casa então ofereceu:

– Vocês gostariam de preparar o prato durante esta semana? Acredito que possamos encontrar todos os ingredientes que vocês precisam…

E assim foi combinado o almoço agora com a comida típica dos brasileiros numa integração de culturas e costumes alimentícios. Não se estava dizendo que uma era melhor do que a outra, apenas que eram diferentes.

Acredito que esse é um caminho para que a humanidade se reconheça mutuamente, em que as diferenças culturais não criem atritos, conflitos e guerras. Para isso, o respeito deve ser o motor da efetiva integração, porque ainda hoje temos questões que provocam hostilidades e divergências como resultado da intolerância de um para com o outro. Muitas vezes pode ser a arrogância de acreditar que os meus hábitos são melhores do que os seus. E não é isso. Sabe-se que os hábitos e costumes que cada povo desenvolveu tiveram a sua razão de ser. Hábitos e costumes que fundamentam uma cultura baseiam-se nas habilidades e no conhecimento que cada povo dispunha e seguiam as características ambientais de cada região. Sabe-se que os povos que viveram e se desenvolveram em climas mais frios tinham estratégias de sobrevivência diferentes daqueles que surgiram em regiões mais quentes. Frutas e verduras que existiam numa região não existiam em outras. Desse modo, naturalmente também os hábitos alimentares eram diferentes, porque cada povo dependia diretamente daquilo que o ambiente oferecia. Hoje essa dependência direta dos produtos da região são bem menos importantes. Ainda que a região em que se vive não seja propícia para produzir maçãs se pode comer maçãs o ano inteiro. Por isso, as pessoas passaram a experimentar, a integrar e a modificar os hábitos alimentares. Na grande maioria dos casos não se fala mais em questão de sobrevivência individual e da espécie quando se escolhe o que se vai comer, mas fazem-se as escolhas alimentares por gosto.

Portanto, da próxima vez que você viajar esteja aberto para experimentar os sabores locais num movimento de respeito e de integração. Entretanto, não deixe a sua cultura em casa. Leve-a consigo. E se não tiver feijão? Na Argentina ou no Uruguai podem comer uma parrilla, mas no México pode vir um Escamol. Você vai encarar?

Moacir Rauber

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A CORAGEM DE TER MEDO!

Fonte: PIXABAY

A coragem de ter medo!

O jovem sempre fora considerado brilhante. Quando criança os pais e os professores elogiavam a sua inteligência e na adolescência passaram a enaltecê-lo também por sua beleza. Agora ele é um adulto que reúne outras competências ligadas a sua inteligência, como conhecimento, a sagacidade e a rapidez de raciocínio. Além disso, ele esbanja a segurança de quem está bem com a sua imagem. Ao entrar naquela empresa, incialmente, todas essas qualidades se transformaram em resultados. Entretanto, com o passar dos meses algumas situações não se resolviam como ele imaginava e determinados comportamentos seus geravam desconforto na equipe. Assim, o jovem começou a flertar com a insegurança que se manifestava em agressividade. Numa conversa privada, ao revelar a situação, ele foi confrontado com a pergunta:

– O que você faria se não tivesse medo?

Ele sinceramente não sabia, mas constatou que estava com medo. O jovem estava seguro que tinha uma boa formação, era inteligente e, quando queria, simpático. Entretanto, por vezes, não sabia como conduzir uma situação comportamental frente a colegas que pareciam menos inteligentes, menos sagazes e mais lentos. E esse não saber como se comportar o paralisava. Ele detinha muitas competência técnicas, porém não se comunicava tão bem como exigia a equipe, assim como não sabia servir com amor e cuidado com o outro. Faltava-lhe desenvolver a coragem de ter medo para não ter medo de ter coragem. Faltava-lhe a confiança e a curiosidade.

A coragem tem entre os seus sinônimos a ideia de bravura, determinação e audácia, assim como entre os antônimos estão a covardia, a dúvida e o medo. Entendo que ao não ter coragem de ter medo, desaparece a bravura e aparece a covardia. Igualmente, considero que é necessário ser corajoso para exibir dúvidas e perguntar, assim como acredito que é essencial ser corajoso para vencer o medo de não saber, aceitando que o outro sabe. Desse modo, não é o medo que fez paralisar o jovem bonito e inteligente, mas a covardia de não reconhecer que não saber é uma oportunidade de aprender e que o medo como emoção natural nos protege dos perigos reais, assim como da arrogância, da soberba e da prepotência. Portanto, creio que ao sermos arrogantes, perdemos os benefícios do conhecimento; ao sermos soberbos nos privamos da sagacidade; e ao sermos prepotentes renunciamos a boa parte da capacidade de rapidez de raciocínio, porque partimos da crença de que somos mais inteligentes do que o outro. A comparação entre seres únicos, singulares, múltiplos e plurais é a receita para a infelicidade. Por fim, é preciso ter confiança para exibir a coragem (bravura, determinação e audácia)  no exercício da curiosidade que elimina o medo pela humildade de simplesmente não saber algo. Aparecem as oportunidades!

Enfim, na conversa privada o jovem, ao ser confrontado com a pergunta o que faria se não tivesse medo, finalmente parou e chorou. Ele começava a entender que durante a sua vida os elogios foram à sua inteligência e não ao seu esforço e era enaltecido pela sua aparência sem valorizar a sua essência. No seu íntimo ele não era medroso, mas sentia medo. É natural. Da mesma forma, ele não era arrogante, prepotente ou soberbo, mas vivia um momento de agressividade que não valorizava o conhecimento e a sagacidade, prejudicando a sua capacidade  de raciocínio pelo medo de não ter coragem de não saber. Agora entendia que não precisava saber tudo, assim como não precisava agradar a todos. Porém, era importante ser humilde para respeitar o outro e reconhecer o medo sem ficar paralisado. Para isso é essencial a coragem, a confiança e a curiosidade para servir e se comunicar com os outros.

Depois do choro veio o alívio: ele teve a coragem de ter medo para não ter medo de ter coragem. E você?

Moacir Rauber

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SÁBIO OU SABOTADOR 2?

Sábio ou sabotador?

Conversava com um jovem de 20 anos sobre como estava a relação em casa, especialmente com o seu pai. Ele me disse:

– O pai é um chato. Ele sempre reclama de tudo!

Perguntei sobre quais eram as queixas de seu pai e o jovem disse:

– Ahh, de qualquer coisa. Diz que não limpo as coisas, que não apago as luzes e até quando deixo uma gaveta aberta. A bronca maior vem quando uso as ferramentas dele, “Guarda esse martelo, você sempre deixa tudo fora do lugar, seu desorganizado!”

– E isso é verdade?

O jovem admitiu que, muitas vezes, o pai tinha razão, porque ele saía do seu quarto e esquecia a luz ligada; ao passar pela cozinha, por vezes, deixava os armários abertos; e, igualmente, acontecia que arrumava algo em sua bicicleta e saía com ela antes de guardar as ferramentas, deixando sujo o lugar. Ao relembrar tais situações a sua expressão se suavizou um pouco e admitiu que tampouco era “sempre” que o pai reclamava. Em seguida, o jovem voltou a ficar sisudo, porque havia outras questões que o incomodavam.  Comentou sobre as discordâncias para sair de casa para festas, os horários de estudo e a rigidez para levantar, almoçar e jantar.

Ao falar com o pai sobre o filho, ficava evidente o amor e a admiração existente.Ele tinha a consciência de que seu filho era um bom rapaz e com bons valores, além de ser trabalhador e estudioso. Entretanto, ao falar do convívio diário a irritação apareceu em seus olhos. Ele disse que o filho “sempre deixava tudo sujo e tudo fora do lugar”, além de não respeitar os horários da casa. Ao ser indagado se era sempre, o pai se pôs a pensar e sabia que não era “sempre” que não guardava as ferramentas, assim como não era “sempre” que não apagava as luzes, que não limpava os lugares que sujava ou que não cumpria os horários da casa. Ao entender a diferença a irritação em seus olhos diminuiu.

O que se pode aprender com a situação desse pai e seu filho? Alguém de nós já experimentou algo semelhante, seja como pai ou como filho? E como situações semelhantes se manifestam na vida cotidiana?

No relacionamento entre pai e filho, ou em qualquer outro que surja um conflito, provavelmente uma (0) Pausa, a escolha de quem tem audomínio,contribuirá para poder (1) Observar e se ater aos fatos com a clareza de que uma interpretação acontece na mente. Com os fatos em mente, a violência interior diminui para então registrar quais os (2) Sentimentos surgem no coração  frente a situação em função de (3) Necessidades que não estão sendo atendidas. Até aqui estamos no ambiente interno de quem se defronta com a situação. A partir daí, o comportamento de cada um pode ser sábio, não-violento, ou sabotador, violento (Rosenberg, 2006, Chamine, 2012). É importante indagar: quais eram necessidades do pai e do filho ocultas nas suas reclamações? Existiam necessidades comuns?

Por último, vem (4) a expressão que pode ser feita com a sabedoria da não-violência ou com a agressividade dos sabotadores: quem vai se manifestar, o sábio ou o sabotador? Posso fazer a pausa e ainda assim entrar em conflito, entretanto, com a pausa, mais facilmente, posso evitar as palavras avaliativas que julgam, apontam e rotulam. O pai ao dizer que o filho “sempre deixa tudo fora do lugar, seu desorganizado” se manifesta a partir de uma interpretação da realidade que rotula o outro, ainda que dentre as últimas cinco vezes que ele tenha usado uma ferramenta as tenha guardado três vezes. É uma comunicação violenta e interpretativa que sabota a relação, desconetando as pessoas. O pai, igualmente, pode dizer:

– Quando vejo o martelo fora da caixa de ferramentas, fico frustrado porque necessito de ordem. Será possível que depois de usá-lo você o guarde novamente?

Assim, o pai fala de fatos, responsabiliza-se pelos sentimentos, aponta as necessidades e sugere uma estratégia.

Qual é a manifestação da sabedoria e da não-violência?

Moacir Rauber

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