ESCOLHA A SUA LUA!

Professora Edir Böhme na Escola Cura D’Ars, Toledo-PR, 1976 e em 2024 na sua casa

Escolha a sua lua!

A inauguração da escola rural estava marcada para o domingo, 10h da manhã, com a celebração da missa e a presença do prefeito. Um evento importante para a comunidade. A professora estava encarregada de organizar a solenidade. A ideia era escolher um dos sete alunos da quarta série para fazer uma das leituras. Eu estava entre eles na torcida para não ser o escolhido. Afinal, para um menino de nove anos imaginar-se falando em público na presença de uma centena de pessoas era amedrontador. Agitam-se os papeizinhos, tira-se um nome e, contra a minha sincera torcida, fui o sorteado. O coração dava saltos de ansiedade, mas não havia nada a fazer. A professora vendo a aflição se aproximou e disse:

– Você sabe ler bem. Vai dar tudo certo!

Escutei as palavras de incentivo. Eu sabia que sabia ler bem, porém não estava seguro de que tudo sairia bem. O que aprendi naquele dia há quase 50 anos? Foram algumas aprendizagens que me acompanham até os dias de hoje, entre elas: os (1) desafios são constantes e nos acompanham por toda a vida; a (2) coragem é uma competência que se desenvolve; e as (3) palavras de incentivo devem ser autênticas. Fazer uma leitura em público pode parecer algo insignificante para muitas pessoas, porém para aquele menino o desafio era gigante. Naquele tempo, e por muito tempo, eu tinha receio de me manifestar em sala de aula para responder a uma pergunta feita por um professor, mesmo que eu soubesse a resposta, assim como tinha vergonha de fazer uma pergunta sobre uma dúvida que tivesse. Desse modo, imaginar-me frente a um público de adultos, entre eles os pais, os irmãos, os amigos, os pais dos amigos e as autoridades do município era simplesmente assustador. Entretanto, era um desafio que estava posto e não havia como dar um passo atrás. Quem não enfrenta quase diariamente diferentes desafios na esfera pessoal, profissional e social? O que fazer? É preciso desenvolver a coragem como uma escolha de atitude frente ao medo, ao receio, à vergonha ou à covardia. São todas emoções naturais nos seres humanos em seus contextos de vida e cabe a cada um ter a coragem de reconhecer o medo, com suas derivações, para fazer a escolha de vencê-lo. A coragem de sentir medo, porque sem medo não há coragem. Sem medo se manifesta a loucura. E as palavras de incentivo? Naquela semana, foram as palavras de incentivo da minha professora que fizeram a diferença para que eu pudesse reconhecer a competência que havia em mim. Por que elas foram importantes? Porque foram autênticas e verdadeiras. Quem não traz na lembrança as palavras de um professor ou de uma professora que fizeram ou fazem a diferença na sua vida? Nem sempre fiz boas escolhas, mas aquelas palavras despertaram em mim as possibilidades de encontrar os recursos para fazer as melhores escolhas na vida. A minha professora, com a sua dedicação e as palavras de incentivo, me deu a convicção de que eu poderia chegar à lua. As escolhas que eu fizesse poderiam me levar para onde eu quisesse, desde que eu acreditasse em mim e me desenvolvesse. Não cheguei à lua, mas muitas foram as boas escolhas que me mantiveram no caminho da busca pelo conhecimento e que me apresentaram a um mundo inimaginável. As palavras de incentivo, quando autênticas, nos dão a dimensão das nossas competências e possibilidades que são infinitas!

Enfim, o domingo chegou e era a hora da leitura. O desafio deveria ser cumprido. As pernas tremiam. A voz não queria sair. Um leve titubeio e finalmente a leitura começou, fluiu e terminou. O desafio fora vencido. A coragem se sobrepôs ao medo. As palavras de incentivo da minha professora me acompanham até os dias de hoje. Posso não ter chegado à lua, mas posso escolher exatamente onde quero estar.

Que em 2024 você escolha a sua lua!

Moacir Rauber

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Inspirado: Professora Edir Böhme (Escola Cura D’Ars, Toledo-PR, 1976)

É FINAL DE ANO: VOCÊ ESTÁ CANSADO?

É final de ano: você está cansado?

O final de ano se aproxima e ela está assoberbada de tarefas com a impressão de que o ano não quer acabar nunca. Ao longo do ano ela aceitou participar dos diferentes grupos de trabalhos voluntários a que a empresa incentiva que os colaboradores se engajem. Um grupo para distribuir quem trabalha com o Natal Solidário. Outro grupo de atenção a saúde mental daqueles que se afastaram por algum distúrbio de ordem emocional. Mais um grupo que contribui com os dependentes químicos do bairro onde está localizada a empresa, além de iniciativas da comunidade onde ela vive. Os compromissos se sobrepõem e o trabalho se acumula. Os resultados mensuráveis do seu desempenho diminuem. Na última semana ela explode ao ser confrontada com uma demanda profissional no mesmo horário de um compromisso voluntário incentivado pela organização:

– Não aguento mais!!!

Foi um acesso de cólera seguido de uma crise de choro. O diretor fica calado frente ao desespero da colaboradora mais prestativa e menos conflituosa. Depois de um período de tempo ele pergunta:

– O que está acontecendo?

Ela se acalma e busca explicar:

– É que eu estou cansada. Passei o ano ajudando por todos os lados e agora eu não consigo concluir as minhas atividades.

Você já passou ou presenciou uma situação semelhante? Trata-se de pessoas que se sobrecarregam de atividades que as levam a exaustão física e emocional. O que fazer para evitar o cansaço da sobrecarga que pode nos conduzir a um estado de quebra emocional ou de esgotamento? O sentido comum sempre nos avisou para “contar até dez” antes de responder, seja para dizer “sim” ou “não”. As principais correntes religiosas e filosóficas indicam a oração e a meditação para alinhar as intenções com as ações. A Ciência Comportamental criou metodologias que nos auxiliam nesse processo, como a Comunicação Não-Violenta (Rosenberg) e a Inteligência Positiva (Chamine). Uma nos diz para observar sem julgar ante qualquer situação para escolher com a consciência de quem é livre. A outra nos alerta para o conjunto de sabotadores internos que nos levam a fazer o que não queremos. Entendo que no atual cenário o cansaço e a sobrecarga são mais intensos porque nos afastamos de nossa essência ao viver num mundo dividido entre o virtual e o físico, fonte de estímulos que favorecem o fenômeno.

Voltando ao caso da nossa amiga que teve uma crise de choro ao entender que não conseguiria realizar tudo o que se propôs a fazer, depreende-se que ela foi vítima de dois de seus sabotadores internos: o prestativo e o esquivo (Chamine). O prestativo procura angariar a atenção e o reconhecimento dos outros ao estar sempre disponível para os demais. Termina por se sobrecarregar de trabalhos que geram um cansaço excessivo. O esquivo evita as situações que possam produzir um desconforto, mantendo o foco no agradável. Por isso, muitas vezes diz “sim” para evitar o suposto incômodo que poderia resultar ao dizer “não”. Some-se a isso a necessidade do sabotador prestativo que busca a aceitação e o reconhecimento e rapidamente você estará sobrecarregado de tarefas e compromissos que se tornam inexequíveis ao longo do ano. Talvez, o primeiro passo seja fazer uma pausa para identificar a razão que o leva a dizer “sim” para aquilo que não quer e a dizer “não” para o que quer. Você fez isso em 2023?

Por isso, nesse tempo de final de ano aproveite para fazer uma Pausa consciente para observar com clareza e evitar juízos de valor; analisar quais os sentimentos envolvidos que cada situação desperta em você; identificar quais as necessidades serão cuidadas e quais não ao dizer “sim” ou “não”. Com essa consciência entre em 2024 com a certeza de fazer aquilo que você escolheu fazer. Assim, desejo que você chegue ao final do ano com a sensação do cansaço do bem, que é quando se vive a plenitude das suas capacidades.

FELIZ 2024!!!

“Vinde a mim, todos os que estão cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”

(Mateus, 11:28-29).

Moacir Rauber

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FÉRIAS EM FLORIANÓPOLIS

Perto da praia oferece os benefícios de quem quer se conectar consigo mesmo e com a natureza: pode-se ouvir o som do mar e sentir o cheiro da maresia; basta caminhar alguns metros para sentir a água, a areia na pele e ver o vaivém das ondas arrebentando na praia. É lindo! Essa beleza faz com que cada um possa se perceber como um verdadeiro milagre da natureza em que o privilégio da vida é valorizado.
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O espaço

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Acesso do hóspede

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Outras observações

Estacionamento dentro de um espaço murado.

POR QUE É TÃO BOM ESTAR COM AS CRIANÇAS?

Por que é bom estar com as crianças?

Estava no restaurante do hotel para tomar café. Pego um suco, algumas frutas, um iogurte e também um pão de queijo. Ao lado, havia um menino de aproximadamente oito anos que me esperou para depois se aproximar do prato. Ao estender a sua mão para apanhar um, ele me olhou e perguntou:

– Você gosta de pão de queijo?

Fiquei surpreso com a naturalidade e a espontaneidade do menino. Logo respondi divertido com a situação:

– Sim, eu gosto muito! E você, gosta de pão de queijo?

O menino me escutava atentamente com um sorriso no rosto de quem estava por desfrutar de um grande prazer antecipando o deleite que aquela guloseima traria. Afastei-me e voltei para a minha mesa com uma sensação de alegria no coração e de algumas reflexões na cabeça. Perguntei-me: por que é tão bom estar com as crianças? Não sei bem, mas creio que é porque eles nos permitem resgatar a criança que habita em cada um de nós, conectando-nos com a nossa essência que está carregada de atenção, curiosidade, abertura, encantamento e justiça (Pedro Opeka).

Uma criança presta atenção naturalmente nas conversas que mantém. Isso estava claro em como o menino interagiu comigo naquele curto espaço de tempo. Ele não estava pensando nas possíveis mensagens que entrariam em seu celular. O menino estava 100% presente na conversa comigo. Você consegue ficar presente nas suas conversas?

Uma criança tem uma curiosidade instintiva para explorar o mundo e suas possiblidades. Em sua cabeça estavam as sensações do paladar que viriam com o degustar do pão de queijo, além da curiosidade natural na conversação com um adulto. Problemas? Não, ele somente via a possibilidade de exploração de algo novo. A curiosidade era o seu motor. O que move você?

Uma criança tem a abertura genuína de se conectar com o outro. A sua abordagem revelava essa abertura, porque ele não se importava de eu ser um cadeirante ou não. Olhava com curiosidade para a cadeira, mas via a pessoa que estava nela sem julgar. Você observa sem fazer juízos de valor?

Uma criança traz no olhar o encantamento das descobertas que se sucedem no dia a dia. Um pão de queijo, uma conversa com outra pessoa e as maravilhas que o mundo proporciona a cada nova experiência. Com o que você ficou maravilhado no ano que termina?

Uma criança tem de forma inata o senso de justiça. Esperou a sua vez e cumprimentou com naturalidade. Certamente que isso tem a ver com a família na qual está crescendo esse menino, que reforçou o lado bom que trazemos na nossa concepção. O mundo pode não ser justo, mas você pode ser!

Enfim, na minha mesa do café da manhã com a minha esposa indagávamos: por que perdemos essa alma de criança? Em que momento da vida nos distanciamos daquilo que é essencial? Qual a razão que nos leva a ser adultos, muitas vezes, pomposos e pretensioso ocultos por detrás de papéis sociais? Como, por vezes, somos arrogantes e soberbos congelados por dentro? Não sei a resposta, mas sei que naquele dia, o contato com aquele menino resgatou a minha alma de criança. Respondi a ele com a naturalidade e a espontaneidade de uma criança.

Ria da situação com a minha esposa. Alguns minutos mais tarde vejo que o menino e a sua família se levantaram para sair. O menino fez o caminho próximo da nossa mesa e na passagem por nós disse “Tchau e Feliz Natal!” Igualmente desejamos um Feliz Natal para ele e a sua família. Seguia completamente surpreso com o resgate da minha naturalidade; plenamente consciente da existência do menino em mim; totalmente maravilhado com a vida e as suas possibilidades. Por fim, observar as crianças e como elas estão maravilhadas com o mundo pode nos dar a dimensão de uma vida plena nesse Natal, que é marcado pela chegada de um Menino que mudou a história da humanidade ao dizer, “Ame ao próximo como a si mesmo” (Mt, 22, 39). Esteja perto desse menino!

FELIZ NATAL EM 2023!

Moacir Rauber

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Inspirado: Romina Perluzky

É NATAL: VOCÊ ESTÁ CANSADO?

É Natal: você está cansado?

Mais um final de ano com os compromissos de sempre: confraternizações, última reunião dos grupos, jogo de despedida com os amigos e as festas em família. Deveriam ser expectativas boas, porém, ao conversar com algumas pessoas percebo que muitos já não desfrutam das socializações que estão por vir. Falava com um casal de amigos e eles relataram todos os compromissos que os esperavam até final de ano. O cansaço que se refletia na fala:

– Estamos cansados!

A continuação os dois comentaram das dificuldades do ano que termina, que gerava toda essa sensação de cansaço e de sobrecarga que igualmente transmitiam na expressão do rosto e na postura do corpo. Algumas questões: o que está cansando você? Você está sobrecarregado com o quê?

Num momento em que estamos expostos a tantos estímulos que se desdobram em mundo virtual e físico, ambos reais, cansar-se e sobrecarregar-se pode acontecer rapidamente. Algumas pessoas se cansam, porque gostam que tudo esteja ordenado da sua maneira, os perfeccionistas. Outras pessoas se cansam ao não fazer o que precisa ser feito no momento que se deveria fazer, os procrastinadores. O que fazer para evitar o cansaço da sobrecarga? Antes de mais nada, faça uma Pausa. A Pausa, ainda que por alguns segundos, é uma estratégia que permite a que cada um tome consciência da melhor escolha a ser feita. A Pausa como ferramenta está presente no sentido comum com a indicação de contar até dez antes de responder; na espiritualidade ao propor as orações e as meditações para alinhar as intenções com as ações; e, por fim, a ciência comportamental cria metodologias que estrutura aquilo que já se sabia. Na situação descrita, pode-se usar a Inteligência Positiva ao identificar alguns sabotadores que nos levam a fazer escolhas que geram o cansaço e a sobrecarga. A primeira razão revela o sabotador nominado como “insistente”, traduzido como perfeccionista, fonte do cansaço e da sobrecarga. Ele se cansa porque se sobrecarrega ao querer que tudo esteja organizado, limpo e ordenado da sua maneira. Trabalha, retrabalha, sobrecarrega-se, irrita-se e se cansa. Na segunda razão, o cansaço que gera esgotamento revela o sabotador chamado de “esquivo”, que deixa de fazer o que precisa ser feito no momento adequado. É o procrastinador que vai deixando para mais tarde os compromissos livremente assumidos. Sofre porque não fez e se esgota ao fazer atropeladamente o que já deveria ter feito. Por isso, para identificar os sabotadores é preciso uma Pausa, pois ela permite que se use a Comunicação Não-Violenta para saber o que é fato ou interpretação; quais os sentimentos que isso gera; quais as necessidades que busco atender; e a expressar-me de forma assertiva sem ser mal-educado. Nessa pausa, aparece o sábio com os recursos internos que nos permitem ser empáticos; explorar o caminho a ser escolhido; navegar por alternativas; inovar nas respostas; e ativar as intenções alinhadas com as ações. Portanto, ao usar os recursos descritos na Inteligência Positiva e na Comunicação Não-Violenta se pode viver plenamente sem o cansaço oriundo da sobrecarga. Com isso, provavelmente, o meu cansaço virá de escolhas que fiz com a consciência de que era a opção a ser feita. É o cansaço do bem!

Por fim, a Pausa pode oferecer a cada um o tempo necessário para saber se é o perfeccionismo ou a procrastinação que está me sobrecarregando e gerando um cansaço que não preciso. É através da pausa que posso deixar de ser prisioneiro dos comportamentos sabotadores, porque sempre temos uma escolha. Desse modo, a vida pode ser vivida com os cansaços vindos das escolhas que façam sentido e não de uma sobrecarga que nos cansa e, provavelmente, cansa aos demais.

Finalmente, que neste Natal o meu cansaço seja razão de bem estar para os que me rodeiam e de felicidade para mim.

“Vinde a mim, todos os que estão cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”

(Mateus, 11:28-29).

Moacir Rauber

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Inspirado: Frei Nelson Medina

VOCÊ QUER CRUZAR A RUA?

Fonte: IA BING

Você quer cruzar a rua?

Estava eu, um dia desses, no centro de Florianópolis aguardando um amigo. Havíamos marcado nosso ponto de encontro no cruzamento bem em frente ao seu prédio, que não era acessível para cadeirante, meu caso. Como sou meio ansioso cheguei antes do horário. Fiquei ao lado do semáforo, olhando para o relógio e para o outro lado da rua de onde ele viria. O sinal estava fechado para pedestres. As pessoas foram se aglomerando ao meu lado e em seguida deu sinal verde. A movimentação foi intensa e eu fiquei ali, esperando. Vi meu amigo começar a cruzar do outro lado da rua para o meu lado. De repente chegam dois sujeitos correndo e me perguntam já empurrando minha cadeira de rodas:

– Você quer cruzar para o outro lado? Nós te ajudamos…

Não tive tempo de reagir ou responder, pois estava tentando não cair da cadeira ou não perder a minha pasta que estava sobre as minhas pernas. Aos trancos e barrancos chegamos ao outro lado enquanto o meu amigo se dirigiu para onde eu havia estado. Logo, os dois bondosos proativos soltaram a minha cadeira e um deles perguntou:

– Tudo certo? Tá beleza?

Olhavam com a cara de quem pede um “muito obrigado”, porque afinal haviam feito a boa ação do dia.

Respondi:

– Comigo tá tudo bem, o único problema é que eu não queria cruzar a rua…

O queixo de um e do outro quase que caiu. Entreolharam-se sem saber o que dizer. Comentei que estava tudo bem, mas que de uma próxima vez, antes da ação, deveriam eles saber se o outro quer ser ajudado e como fazer para ajudar.

O mundo organizacional pressiona-nos para que sejamos proativos e que tenhamos iniciativa nas diferentes esferas das nossas vidas, seja ela pessoal ou profissional. Queiramos ou não dificilmente consegue-se separar uma da outra. Entenda-se proatividade como a característica de quem identifica e consegue antever as situações antes que sejam um problema, desenvolvendo uma diligente e de presteza. Desse modo, as pessoas que exibam um comportamento proativo vão ter espaço nas empresas ou nas organizações que compõem a nossa forma de sociedade. Isso se reflete no comportamento do cidadão comum. Porém, há que se destacar a importância de saber dirigir a proatividade com a constante iniciativa com o respeito ao objeto da ação. Portanto, a proatividade também tem a ver com entender e colocar-se no lugar de quem é o objeto da iniciativa. Indagar, consultar e planejar uma ação não o impede de continuar sendo proativo. Ao indagar sobre uma iniciativa você se aprofunda no conhecimento necessário para que o resultado seja o esperado. Ao consultar a parte envolvida o respeito ocupa o espaço devido em qualquer ação. E ao planejar uma ação que antecipa a resolução de um problema se consegue envolver outras pessoas na sua realização.

Por isso, antes de empurrar alguém para cruzar a rua procure saber se é isto que a pessoa deseja. A ajuda deve ser dada a quem quer ser ajudado. A antecipação da resolução de um problema deve contar com a aceitação de quem seria o seu objeto. Na área secretarial a capacidade de antever um problema é essencial para o desempenho da função, uma vez que as questões que demandam tempo e diminuem a produtividade daquele a quem servimos se refletem diretamente no nosse desempenho. Por isso a pergunta: na tua função vocês estão empurrando os diretores para onde vocês querem ou para onde eles pretendem ir? Se não for por escolha própria, para que cruzar a rua?

Moacir Rauber

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JÁ QUE INSISTE…

Fonte: IA DALL-E

Já que insiste…

Minha família vivia no campo. Pela manhã o trabalho começava cedo com a ordenha das vacas, a recolha dos ovos das galinhas e o alimento dos porcos. Todos participavam. A vida no campo tem seu lado idílico, porém o cotidiano exige disciplina e dedicação em que feriados ou férias praticamente inexistem. Não se pode deixar de alimentar ou de cuidar dos animais de um sítio somente porque estamos no Natal ou é dia de Ano Novo. Depois era a hora do café da manhã. Em seguida a rotina da roça para nós, os filhos com o pai, que podia ser capinar, preparar a terra, plantar ou colher. Para a mãe vinha o trabalho doméstico de cuidar das roupas, da horta e da comida. Próximo ao horário do meio dia voltávamos para casa. Tomávamos algumas cuias de chimarrão e às 12h nossa mãe servia o almoço. Para nós que tínhamos entre 9 e 10 anos a fome era gigante. Muitas vezes, porém, aparecia um dos vizinhos justamente nesse horário. Sentava-se na roda do chimarrão. A hora do almoço chegava e ele não fazia menção de ir para a sua casa. Minha mãe com o almoço na mesa. Nós, os filhos, com as barrigas roncando. O pai, num gesto de educação, fazia um convite:

– Almoça conosco?

O vizinho prontamente respondia:

– Já que insiste… e se dirigia à mesa.

A cena se repetia a cada duas ou três semanas a ponto de gerar um desconforto para a nossa família. O que revelam o convite e a resposta?

Por um lado, a resposta do vizinho inconveniente revela a falta de capacidade de interpretação do ambiente relacional em que a oferta não era exatamente um convite. É essencial desenvolver a habilidade social para entender cada contexto. Como no caso da nossa família, o convite feito pelo meu pai para o vizinho se tratava de uma estratégia para que ele desse o espaço que necessitávamos para cumprir com a rotina do almoço. Isso porque, após o almoço viria o trabalho da tarde. Por outro lado, o convite não tão autêntico feito pelo meu pai revelava a escolha de uma estratégia comunicacional que não surtia o efeito desejado. Desse modo, após os constantes reveses, qual a estratégia que poderia meu pai ter adotado?

A Inteligência Positiva mostra os sabotadores que cada um de nós carrega dentro de si, entre eles o Crítico como sabotador principal. Porém, existem outros sabotadores que aliados a ele estimulam a que se adote uma estratégia que não produz o resultado esperado. Creio que o meu pai exibia o sabotador denominado de prestativo, que busca agradar e não melindrar o sentimento dos outros, perdendo de vista as próprias necessidades. Desse modo, a partir do momento em que os resultados começaram a gerar um desconforto, seria natural que meu pai mudasse de estratégia. Nesse ponto, a Comunicação Não-Violenta oferece um passo a passo que permite mudar a estratégia a partir dos fatos. Primeiro, o fato observável é que convite era único, não havia insistência. Segundo, o sentimento gerado pela presença repetitiva do vizinho no almoço familiar era de incômodo. Terceiro, a necessidade de ordem, ao almoçar no horário pretendido, e a necessidade de intimidade familiar não estavam sendo satisfeitas. Quarto, como poderia meu pai fazer um pedido claro sem ser agressivo com o vizinho? O que você faria? Não tenho uma resposta certa, mas mudar de estratégia era importante. Há que se lembrar que um “não” para o outro, sem deixar a gentileza de lado, representa um “sim” para as minhas necessidades.

Enfim, a cena se repetiu ao longo do ano até que o vizinho foi viver na cidade. Entre nós o fato virou piada. Até hoje, mais de quarenta anos depois, quando um dos irmãos oferece algo ao outro que aceita, termina-se com a frase, “Já que insiste…”, ainda que tenha sido oferecido uma só vez.

Aproximamo-nos das festas de Natal e final de ano: você tem recebido convites?

Moacir Rauber

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CONVERSA DIFÍCIL?

Fonte: IA BING

Conversa difícil?

Para a minha amiga estar no trabalho era difícil. Não se tratava da síndrome do domingo à noite que incomoda a muitas pessoas quando se lembram que tem horário de trabalho a cumprir. O incômodo era constante, porque estar no trabalho fazia com que ansiedade tomasse conta dela. Para ela, o problema tinha nome e sobrenome. Tratava-se de sua chefe direta com quem a relação não era nada boa. A seu ver, a chefe sempre discordava dela e a sua presença fazia com que sentisse um embrulho no estômago. Alguém vive, viveu ou presenciou uma situação parecida? O que fazer diante de uma situação como essa?

A sabedoria presente no senso comum nos ensina que sou responsável pelo que alimento em mim e a ciência comportamental desenvolveu técnicas e tem indicações de estratégias para resolver questões, aparentemente, difíceis no trabalho, na família e nas relações sociais. Não se trata aqui de comportamento abusivo ou de assédio moral. A questão relatada se situava em diferenças interpretativas de uma mesma realidade. A Inteligência Positiva orienta a que cada um identifique os sabotadores internos para dar a oportunidade de resgatar o sábio que existe em nós. De forma complementar, a Comunicação Não-Violenta oferece um passo a passo para se posicionar nas diferentes situações com cuidado e autocuidado. A questão exposta pela amiga, era de que as soluções propostas por ela no trabalho nunca eram aceitas por sua chefe. Assim, a ansiedade a acompanhava constantemente. Era difícil suportar a ideia de que a crítica seria a resposta recebida por suas iniciativas. Tinha vontade de pedir demissão, entretanto, o trabalho representava o seu sustento, além de ser resultado de uma escolha de exercer a profissão sonhada. Ela compartilhou a história comigo ao final da oficina que explorava os recursos da Inteligência Positiva com a Comunicação Não-Violenta. Em seguida me perguntou, “o que fazer?”. Respondi com outras perguntas numa conversa de quarenta minutos, “Qual é a situação?” “Que sentimentos você registra?” “Quais as necessidades atendidas ou não, tuas e da outra pessoa?” “O que você quer fazer?”. As perguntas lançadas, visivelmente, ecoaram nela. Ela fez algumas Pausas. Devagarinho, a minha amiga soube diferenciar o que é fato daquilo que era a sua interpretação da realidade. Soube reconhecer os seus sabotadores internos ao discernir que a chefe não a criticava “sempre”. Ela diferenciou que, por vezes, a chefe tinha outra solução para um problema comum. Ela começou a diferenciar que os sentimentos que ela registrava e alimentava eram seus e não responsabilidade de outra pessoa. Discordar era normal, alimentar os sentimentos era escolha sua. A minha amiga identificou que tinha a necessidade de reconhecimento não satisfeita quando algo proposto por ela não era implementado, porém entendeu que as soluções propostas por outra pessoa igualmente resolviam o problema. Por fim, decidiu ter uma conversa com a chefe para esclarecer pontos que desencadeavam o processo de ansiedade que ela vivia constantemente. Desse modo, durante três encontros consecutivos acompanhei a minha amiga que preparou a abordagem, escolheu o local e marcou a conversa com a chefe que supostamente era a fonte de sua ansiedade. O que aconteceu?

Depois da conversa com a chefe, a minha amiga me disse, “ela é uma boa pessoa…” e seguiu descrevendo como se desenrolou o encontro. Ela comentou das suas necessidades com a chefe e fez um pedido claro e positivo com a promessa de que assim seria. A não escolha, por vezes, das suas sugestões, não era uma rejeição a ela, era apenas uma visão diferente de uma mesma questão. Não havia nenhum sentimento de rancor ou raiva, porque a chefe apenas escolhia a solução que parecia ser a melhor. A minha amiga concluiu que durante os meses que havia sofrido ela havia sido sequestrada pelos seus sabotadores internos. A conversa parece ser difícil? Provavelmente, a conversa mais difícil é aquela que você não tem. Faça uma pausa, prepare-se, reconheça as intenções e estabeleça uma ação. Lembre-se, do outro lado tem uma pessoa como você!

Moacir Rauber

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QUEM ESTÁ SE METENDO NA SUA VIDA?

Quem está se metendo na sua vida?

Ouvi parte de um diálogo telefônico entre um pai e um filho já adulto. Não houve como evitar, porque eu estava no mesmo ambiente. Quando isso acontece, escutamos sem querer e interpretamos de acordo com as nossas crenças e valores. Não falei nada, mas deduzi algumas coisas.

Ouvi do pai a resposta:

– Não, meu filho, não acho que valha a pena você mandar fazer tudo isso antes de vender o carro. Se a pessoa quiser ela vai comprar do mesmo jeito…

Do outro lado deve ter havido alguma argumentação para fundamentar uma ideia para a qual ele pedia a opinião. Mais uma vez do lado de cá ouvi:

– Fazer por fazer não adianta. Fazer o que precisa ser feito não vale a pena. Você vai gastar um montão de dinheiro e o carro não vai valorizar tudo isso. Mostra pra pessoa e fala o que aconteceu. É muito mais fácil.

A conversa seguiu nesse rumo por mais uns instantes, até que desligaram. O pai, que é meu amigo, olhou-me e disse:

– Se não quer a minha opinião por que me pede? E ainda por cima ficou irritado…

É uma situação comum. Muitas pessoas pedem uma opinião sobre algo, embora não a queiram verdadeiramente porque já decidiram o que vão fazer. Deduzo que talvez apenas queiram ter a confirmação de que a sua decisão é boa. Ao receber uma opinião diferente daquela que haviam imaginado como a melhor resposta, muitas vezes, incomodam-se com a pessoa a quem solicitaram a opinião. Por isso, se você pedir uma opinião, considere-a. Há que se desenvolver a humildade para saber que uma mesma situação pode levar a diferentes interpretações. É essencial entender que se alguém interpreta uma situação de maneira diferente há a possiblidade de que ele esteja certo e você não. Contudo, creio que na soma das interpretações se encontram as melhores soluções. Dos otimistas há que se extrair a energia e os conselhos do que se pode fazer. Dos pessimistas há que se aproveitar a experiência, a indicação dos possíveis percalços e o que não se deve fazer. Sempre se pode aprender, porque tanto o otimista como o pessimista ensinam.

Em muitos casos, as pessoas que pediram uma opinião passam a reclamar que todos querem dar palpites em suas vidas. Mesmo assim, não deixam de pedir a opinião de pai, de mãe, de amigos, do cachorro e do papagaio até para decidir qual a cor do tênis que vão comprar. No momento em que você pediu a opinião a alguém sobre qualquer assunto, está autorizando o outro a se pronunciar sobre o tema. No instante em que você formulou e dirigiu a pergunta para alguém você lhe deu o direito de opinar sobre o que foi perguntado. Sempre que o que foi indagado se tratar de uma questão pessoal, você autorizou o outro a se meter na sua vida. Depois não reclame. Se não quiser que se metam na sua vida, não autorize. Não peça a opinião.

Você poderia dizer, É, mas eu não autorizei ninguém a dar palpites na minha vida e mesmo assim eles dão… E isso te incomoda? Em caso afirmativo, você pode não ter dado a autorização explicitamente, mas de forma implícita você a deu, simplesmente pelo fato de que isso o atinge. Não autorizar também significa pouco se importar com aquilo que vão falar de você.

Por fim, se não quiser uma opinião, não peça. Se você já tem uma decisão, caso julgue necessário, informe. Ao adotar essa postura você vai ver que os outros não podem se meter na sua vida. A menos que você os autorize…

Moacir Rauber

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QUERIA ESTAR COMO VOCÊ!

Queria estar como você!

Na última semana tive que fazer uma parada programada e obrigatória num centro de reabilitação que trata de pessoas com lesão medular, meu caso como cadeirante. Retorno depois de quase trinta anos para uma reavaliação da minha condição com as suas particularidades e, por vezes, complicações. No andar do hospital em que estava internado havia mais de 30 pessoas com algum tipo de lesão medular, sendo a maioria homens jovens, com algumas mulheres e pessoas com mais idade. Pela manhã levantei-me com a força dos meus braços e fui para a minha cadeira de rodas. Olhei para a minha esquerda e vi o meu agora amigo tetraplégico que me disse:

– Eu gostaria de estar assim!

Não havia inveja nem maldade em seu comentário, talvez um momento de nostalgia. Aprendi que ele é uma pessoa emocionalmente forte e uma inspiração para qualquer pessoa que se deixa levar pelo pessimismo, tristeza, frustração ou qualquer outro sentimento não produtivo. A alegria era parte de sua natureza ou era uma escolha sua. Ele não reclamava, apenas admirava. Ele se referia a minha ainda capacidade de sair sozinho da cama. Ele, naquele momento, não podia. Após o comentário, olhei para a direita e vi outra pessoa com lesão medular que se levantava da cama com a força das pernas. Ele caminhava devagar, porque a sua coordenação motora havia sido afetada. Pensei: Eu queria estar assim! Tive que rir, porque parece que sempre estamos buscando fora a solução que está dentro de cada um.

Muitas vezes, olhamos para o lado e pensamos que as nossas dificuldades e os nossos problemas são os mais difíceis. Pode até ser verdade, porque eles são nossos e somente nós os podemos resolver ou não. Não resolver também é uma maneira de resolver. Por isso, algo não indicado a fazer é comparar-se ou comparar problemas o que tende a gerar competição. A competição pela comparação, por vezes, começa no seio familiar que se replica no ambiente escolar e, posteriormente, nas organizações. Consequentemente vigora na sociedade, onde é reforçado pelo uso indiscriminado das redes sociais que valorizam o que pareço ser e não o que sou. Desse modo, para parecer ser eu preciso consumir o que não posso e que não precisaria comprar. As pessoas se envolvem num movimento desordenado por conquistas materiais e de imagem que produz infelicidade. Há uma busca insana em comparação com o vizinho, com o irmão ou com o colega de profissão em que competem por dinheiro e poder, além da ostentação de bens de consumo como carros, joias, viagens ou outros itens de consumo. Comparam-se. Frustram-se. São infelizes.

Não há como desejar estar onde o outro está. Você está onde deveria estar pelas escolhas que fez ou pelo acaso que o levou até aí, mas somente você pode decidir ficar ou seguir. Comparar-se, seguramente, não é o melhor caminho, porque somos únicos e singulares, assim como somos plurais e múltiplas. Por fim, entendo que a comparação pode acontecer, porém ela somente é legítima caso sirva de inspiração para que você construa o seu caminho.

Em seguida ao meu riso comentei com os amigos de hospital o pensamento. Ambos riram, porque eram pessoas com deficiência física com uma saúde emocional e espiritual invejável. Enfim, deixar de olhar somente para o próprio umbigo num movimento vitimista de acreditar que o mundo não é justo, pode fazer a diferença para que cada um seja justo no mundo. A comparação acontece? Dê um passo a mais: admire, aprenda e aplique aquilo que serve em sua vida. Mais uma vez olhei para eles e soube naquele momento que eles são e continuariam sendo inspiração para que eu siga a minha trajetória.

Essa situação, naquele dia, mostrou-me que eu não posso estar onde o outro está. Estou onde devo estar. Por isso, o ambiente em que fiz a minha parada obrigatória programada, além dos benefícios do tratamento, equivaleu a muitos anos de terapia.

Aquilo que você compara serve de inspiração?

Moacir Rauber

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Somos únicos. Somos múltiplos.