A REPETIÇÃO É A LINGUAGEM DA VIDA!

Fonte: IA BING

A repetição é a linguagem da vida!

A idade estava avançada, mas a memória seguia ativa e trazia a lembrança do primeiro encontro com a sua esposa. Saíram para jantar em seu fusca. A noite fora linda. No retorno ele estacionou em frente à casa dela, num bairro tranquilo, ao lado de uma igrejinha. Ainda era cedo. Ele desceu, foi até o outro lado e, cavalheirescamente, abriu a porta. Ela saiu do carro e pegou na sua mão. Nisso, um transeunte disse:

– Lembrem-se a repetição é a linguagem da perfeição e do amor!

Era o padre que saia da igreja. Lembrava que em seguida pensou: por que a repetição era a linguagem da Perfeição e do Amor? Para ele a repetição estava associada à rotina, à monotonia, ao tédio e ao final do amor. Nada de perfeição. Ele não pensava em ter um matrimônio de rotinas. Entretanto, com o passar dos anos, ele foi se dando conta dos milagres oriundos da repetição como linguagem da perfeição e da rotina como elemento de estabilidade para manter o amor.

Mais de sessenta anos se passaram e ele voltava a essas memórias. Pensava que a repetição e a rotina eram importantes em diferentes áreas da vida. Na (1) área relacional pensava em tantos amigos que terminaram um ou mais matrimônios, porque não tiveram rotina e não criaram rituais significativos que se repetissem para que se mantivessem alinhados em suas escolhas. Desse modo, a rotina de não ter rotina se transformava em algo esgotador. Ele lembrava da (2) esfera organizacional como gestor de processos numa grande organização e ao transformar a sua pequena loja numa empresa sólida que atendia bem aos clientes, remunerava com justiça os colaboradores e sustentava a sua família. Foi da repetição observada que ele estabeleceu a rotina criativa que permitiu que os processos fossem sendo alterados em conformidade com a mudança ambiental sem perder a essência dos valores que trazia consigo. Nesse momento, em que mais uma vez ele descia do carro em frente a sua casa, ele pensava que (3) a vida precisa da repetição: a respiração é repetição, ainda que se possa fazê-la mais longa ou curta. Os batimentos cardíacos são repetição, mesmo que às vezes se acelerem e desacelerem. Alimentar-se é repetição, ainda que se possa escolher diferentes comidas. Hidratar-se é repetição, mesmo que se tenha a possiblidade da escolha. Sem a repetição a vida para.

A espiritualidade encontrada na oração e na meditação exige repetição. E as palavras podem ser repetidas? E quando repetidas, são autênticas? Muitos dizem que palavras repetidas numa oração, por exemplo, se tornam automáticas perdendo sua autenticidade. Entretanto, há que se lembrar que o amor é a repetição que nos leva a dizer “Eu Te Amo” não somente uma vez na vida para aqueles que amamos. Quantas vezes se diz ao filho “eu te amo”? Quantas demonstrações de amor mantém uma amizade? E um matrimônio, se sustenta para aqueles que dizem “Eu Te Amo” somente na hora da benção? “Eu Te Amo” precisa ser dito todos os dias com palavras e ações. É a repetição!

Todas essas reflexões passavam pela cabeça daquele ancião que há tanto tempo havia escutado de um padre que a repetição era a linguagem da perfeição e do amor. Ele cruzava mais uma em vez frente ao seu carro para abrir a porta para a sua esposa. Ela desceu com dificuldade, pegou na sua mão e caminharam juntos rumo a casa. Ele nunca deixou de repetir esse gesto que, para ele, representava a perfeição que o manteve conectado por toda uma vida com a pessoa com quem ele escolheu repetir a rotina de construir o amor. De mãos dadas com a esposa, antes de dormir, começaram, Pai Nosso… e seguiram, Ave-Maria… até que concluíram o rosário numa repetição que era a linguagem da Vida para eles. Por fim, enquanto se preparava para dormir ainda lembrou que o nascer e o pôr do sol são repetições e a lua repete os seus ciclos. Para ele, a repetição é a Linguagem da Vida!

Moacir Rauber

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LEMBRE-SE, VOCÊ VAI MORRER…

Lembre-se, você vai morrer…

Havia um grupo de eremitas franceses, os Paulianos, que viviam reclusos dedicados à oração e ao silêncio. No dia a dia, ao se encontrarem no decurso de suas atividades ordinárias podiam fazer uma única saudação:

Memento Mori!

A tradução da saudação pode ser “lembre-se, você vai morrer” ou próximo a isso. Ainda que pareça uma saudação tétrica, ela traz uma verdade irrefutável, até o momento. Contudo, muito mais do que um recado lúgubre se trata de um convite para aproveitar a vida com a consciência de sua finitude, dando-nos a devida dimensão da importância de vivê-la em sua plenitude. Os romanos igualmente tinham a morte presente. Os generais romanos quando voltavam a Roma após uma campanha vitoriosa, eram saudados numa festa inigualável que poderia fazê-los crer que eram deuses. Desse modo, um grupo de soldados era destacado para sussurrar repetidamente de maneira audível para o general ovacionado, “lembre-se, você é mortal”.  Por isso, memento mori é um convite para o memento vivere, viver o presente sem se esquecer que não se tem garantido nenhum dia mais de vida.

Tendo em mente a inevitabilidade da morte: (1) o que você faria em vida nas suas relações próximas? A consciência da finitude da vida nos dá a real importância do presente, tirando a relevância daquilo que não é. A pessoa com quem você vive está ranzinza? Lembre-se, ela também está a caminho do inevitável. O seu filho não limpou o quarto como você queria? Faça o que for melhor para o outro e para você sem que isso se transforme num problema. Os amigos não te convidaram para a última festa? Convide-os você. Ter presente a finitude da vida nas relações fará de você uma pessoa mais afável, respeitosa, cuidadosa e feliz. (2) Como você atuaria na sua organização como líder, gestor ou outro papel? Ter em mente a finitude da vida pode proporcionar a dimensão da nossa pequenez sem diminuir a importância do papel que exercemos e do impacto na vida das outras pessoas. Sair para o trabalho com essa lembrança fará de você um líder mais humano sem ser condescendente; e um gestor mais efetivo sem ser tirano, porque todos, igual a você, estão no mesmo caminho. (3) Qual seria a sua atuação social? Ao ver as notícias do mundo político, econômico e social se percebe que são poucas as pessoas que estão conscientes da sua mortalidade. Observam-se políticos numa luta insana por migalhas de um poder que não existe. Não há imperador ou general romano e não haverá rei ou presidente do mundo que ficará aqui para sempre. Porém, as decisões tomadas por políticos afetam a vida de outras pessoas para o bem ou para o mal. Testemunhamos artistas e empresários que competem entre si na busca pelos holofotes da visibilidade. Muitos, seriam capazes de matar para figurar na lista dos mais influentes. Influentes no quê? Enfim, não importa o seu papel no mundo, importa a sua escolha. Qual é a sua escolha na vida, uma vez que a morte já está garantida?

Os frades se recordavam mutuamente da inevitabilidade da morte. O general tinha os soldados para o relembrar dessa realidade. E você, quais as estratégias para ter isso em mente? O equilíbrio entre o memento mori e o memento vivere nos brinda a consciência de que o tempo que passou é parte da morte que está por vir. Sêneca dizia “a maioria dos homens minguam e fluem em miséria entre o medo da morte e as dificuldades da vida; eles não estão dispostos a viver, e ainda não sabem como morrer” ressaltando a importância de estar preparado para morrer. Tomás de Kempis nos avisava para viver de uma maneira que “na hora da morte te possas antes alegrar que temer”. Ajoelhar-se diante do desconhecido pode ser um bom começo.

Enfim, não leve a vida tão a sério, porque você não vai sair vivo dela. Assim, viva uma vida mortal e esteja preparado para uma morte vital (Santo Agostinho). Lembre-se, você vai morrer… é um convite para viver!!!

Moacir Rauber

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Qual é o teu ponto de vista na VIDA?

Fonte: IA BING

Pontos de vista na VIDA!

A oficina transcorria normalmente sendo coordenada por dois facilitadores. A primeira parte foi conduzida por um deles. Após o intervalo os papéis seriam invertidos. Todos voltaram, exceto o facilitador responsável por conduzir a oficina. O ambiente virtual é dinâmico, por isso o facilitador que estava online retomou as ações, ainda que não era sua responsabilidade. Alguns minutos depois entra na sala virtual o facilitador encarregado e é recebido com a seguinte frase pelo seu colega:

– É sempre assim. Era tua a responsabilidade de conduzir a oficina e você se atrasa. Você me irrita com essa irresponsabilidade!

As pessoas na sala emudeceram. O clima ficou tenso. O facilitador interpelado, timidamente, respondeu:

– Desculpe-me, eu sempre faço tudo errado. Termino por estragar tudo.

O clima ficou tenso e o mal estar marcou presença na sala. O silêncio gritava.

Pergunta-se: de que formas se posicionar numa situação incômoda? Quais os pontos de vista que se podem explorar numa situação adversa? A Comunicação Não-Violenta identifica quatro formas de interagir e o acrônimo VIDA explica.

O “V” pode ser o ponto de vista de quem se coloca como “Vítima” diante de algo inesperado, agressivo ou incômodo. A pessoa se assume como quem frustra ou prejudica um projeto em andamento num processo de autocrítica e culpabilização. É uma forma vitimista de ver o mundo que gera desconexão consigo e com o outro, como na resposta acima.

O “I” se relaciona ao ponto de vista do “Intimidador” que reage com violência diante do inesperado, agressivo ou incômodo. É a postura de acusar para se escusar e culpar o outro. Na situação acima, a resposta poderia ser “Você não tem o direito de dizer isso! Estou carregando essa oficina nas costas e cuidando das tuas necessidades!”. Igualmente é uma resposta que rompe, desconecta e tende a aumentar o conflito.

A pessoa interpelada pode reagir com o “D” de “Doador” ao escutar e ver a partir da perspectiva do outro. “Entendo que você está irritado porque o compromisso com a pontualidade é importante para você…” seria uma resposta de quem exercita a empatia e surge a possibilidade da conexão. Reconhece-se os sentimentos e as necessidades do outro, porém, sem o cuidado consigo mesmo.

Por fim, o ponto de vista que fecha o ciclo da VIDA é o “A” do “Amor” que reconhece os sentimentos e identifica as necessidades do outro sem descuidar das próprias. “Pecado é a ausência de amor nas ações” (Padre Adroaldo Palaoro) é uma frase que enseja a sabedoria de alinhar as intenções com as ações. É o cuidado e o autocuidado que reflete a empatia e a auto empatia para conectar-se com o outro sem desconectar-se de si. Trata-se de registrar os próprios sentimentos e identificar as necessidades pessoais que estão envolvidas na situação de um potencial conflito. O que é importante para mim e para o outro? Onde podemos convergir para que os meus e os teus sentimentos sejam reconhecidos e respeitados? Como podemos atender as tuas e as minhas necessidades? Portanto, a capacidade de pausar e tomar a consciência da situação pode nos levar a uma resposta como uma escolha deliberada para afetar com afeto. Assim, a resposta poderia ser, “Entendo que você está irritado porque o compromisso com a pontualidade é importante para você, assim como é para mim. Atrasei-me porque minha filha passou mal e tive que atendê-la. Agradeço por haver reiniciado a oficina e comprometo-me em avisar num próximo episódio!” Com isso, conectam-se as necessidades de um e de outro e os sentimentos envolvidos, diminuindo a energia da reação e aumentando a força da conexão. A violência desvanece e o Amor aparece.

Por isso, a Comunicação Não-Violenta acontece com a consciência dos diferentes pontos de vista que podemos adotar na VIDA. A situação tensa relatada no início se desfez tão logo avançamos para a segunda possibilidade de diálogo em que os presentes entenderam que havia sido uma conversa programada. Com isso demonstramos na prática que as respostas dadas na VIDA a partir da perspectiva do AMOR AFETAM COM AFETO.

Moacir Rauber & Miriam Moreno

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QUAL É O SEU ESPAÇO DE TEMPO SAGRADO?

Qual é o seu Espaço de Tempo Sagrado?

Era o ano de 2004 e estávamos em Girona na Espanha, uma cidade de mais ou menos 100 mil habitantes, para participar de uma das etapas do campeonato mundial de remo. Tínhamos nossos treinos pela manhã até às 11h e a tarde depois das 16h. Naquele dia o técnico queria comprar uma peça que havia quebrado no barco. Logo após o almoço ele saiu em busca de uma loja de ferragens, uma casa de parafusos ou uma tornearia qualquer que pudesse resolver o problema da peça. Depois de mais de uma hora perambulando pela cidade ele voltou irritado:

– Não tem nada aberto. Tá tudo fechado!

E era fato. Nos inteiramos que em Girona o comércio estaria fechado até às 16h. Era a hora de “la siesta”, um horário sagrado para os seus habitantes. E você, qual é o seu Espaço de Tempo Sagrado? Não tem? Pois deveria começar a pensar em ter, porque um tempo sagrado é uma excelente estratégia para preservar a saúde mental, melhorar o desempenho e manter o foco naquilo que importa. Em tempos de vida virtual com recursos tecnológicos abundantes, diluíram-se muitos dos limites entre pessoal e profissional. Difundiu-se a ideia, acertada, de que não se pode separar por completo o indivíduo que trabalha da pessoa que vive na sua família, porque um é parte do outro. Por outro lado, entretanto, perdeu-se a noção dos limites daquilo que é íntimo e pessoal para com aquilo que é público e profissional. Com isso, além de transformarem temas íntimos de foro privado em público e de converterem o pessoal em profissional e igualmente público, muitas pessoas se sentem na obrigação de estarem sempre disponíveis. Não há fronteiras. Muitos estão trabalhando o tempo todo e em todo o lugar, aumentando os índices de esgotamento mental, de baixa produtividade e de perda do foco. O que fazer para preservar a saúde mental, melhorar o desempenho e manter o foco naquilo que importa? Os espanhóis de Girona tem a sua “siesta”. A Bíblia e muitas religiões nos brindavam com o Sábado Sagrado ou o Domingo Santo. Cada uma dessas estratégias adotadas ao longo da história é muito mais do que senso comum. Elas preservam necessidades humanas básicas, entre elas a saúde mental derivada do descanso que somente se encontra no mais profundo de cada um. É o espaço da reconexão com o essencial, incluindo a busca pela transcendência. Por isso, definir um Espaço de Tempo Sagrado ou Santo atende as demandas íntimas e pessoais, valorizando aquilo que é público e profissional ao contribuir para se desempenhar aquilo que se quer com o foco naquilo que importa. É o espaço em que cada um pode se encontrar com o seu Eu Sagrado, Eu Santo, Eu Pleno ou Eu Integral. O que fazer? Faça as Pausas e crie seus Espaços de Tempo Sagrados. Nesses espaços de tempo você é inalcançável para os demais para estar ao alcance de si mesmo. Dedique um tempo exclusivo para respirar livre, curando as próprias feridas e clarificando aquilo que está conturbado. É Sagrado (Pe. Anselm Grün). Entretanto, muitos de nós perdemos esse contato com o religioso e o Sagrado e nos perdemos no vulgar e mundano. Para estes a neurociência, cientificamente, comprova que o tempo Sagrado é um excelente recurso que contribui para preservar a saúde mental, a melhorar o desempenho e a manter o foco. Como exemplo, a Comunicação Não-Violenta nos traz quatro passos que podem contribuir nessa busca, sendo a capacidade de observar sem julgar o primeiro que se desenvolve mais facilmente no Espaço de Tempo Sagrado. Igualmente, a Inteligência Positiva nos divide internamente em Sábio e Sabotadores, podendo o sábio ser encontrado com mais frequência no espaço de tempo Sagrado.

Enfim, não importa se você não tem mais o sábado ou o domingo como um tempo sagrado, porém é fundamental que você crie um espaço para chamar de seu. Qual é a sua “Siesta” para conversar consigo mesmo? Se for um domingo Santo para se ajoelhar diante do desconhecido, melhor.

Moacir Rauber

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VOCÊ JÁ DISSE “SIM” QUANDO QUERIA DIZER “NÃO”?

Fonte: IA BING

Você faz o que quer? Deixe-me pensar…

Ela estava por sair da empresa no final de seu horário de trabalho. Arrumava a sua escrivaninha e salvava os últimos arquivos para poder fechar o computador. De repente, toca o celular e uma amiga sua fez um pedido:

– Você poderia buscar o meu pet na saída do trabalho e deixá-lo com minha mãe? Eu tenho um compromisso inadiável hoje à noite.

Ela titubeou, porém disse “sim”. Desligou o telefone e logo se sentiu um pouco irritada consigo mesma. Por que aceitei fazer isso? Eu tenho um compromisso com meu namorado mais tarde… pensou ela em seguida, mas o “sim” estava dito. Agora restava cumprir. Saiu um pouco impaciente, entrou no carro e começou a se deslocar para atender ao pedido da amiga. Não era nada de mais, somente teria que fazer um desvio de sua rota que, dentro da normalidade, não tardaria mais do que dez minutos. Porém, parece que a normalidade desaparece quando se faz algo que não se quer fazer. A impaciência aumentou ao se deparar com um engarrafamento naquela rota. Os previstos dez minutos se transformaram em 20, 30 minutos e, por fim, tardou mais de uma hora. Ela ligou para o namorado dizendo que se atrasaria. A impaciência se transformou em estresse que a deixou furiosa. Como pude ser tão idiota!!!… e o diálogo interno estava agressivo. Você já disse “sim” quando queria dizer “não”? Em situações assim, o que fazer? Não diga “sim” nem “não” muito rapidamente. Não aja por impulso. Faça uma Pausa. Peça um tempo para pensar e organize as emoções e os sentimentos (Anselm Grün). A Pausa é uma estratégia que pode ser adotada de antemão. É importante saber colocar os limites entre as próprias necessidades e as necessidades do outro, porque ao dizer “sim” para o outro você pode estar dizendo “não” para você, assim como ao dizer “não” para o outro você poderá estar dizendo “sim” para si mesmo. Portanto, para ter essa clareza, pergunte-se: tenho tempo e disposição para fazer o que me pedem? No tempo solicitado antes de dar uma resposta imediata a pessoa pode acessar os recursos que tem. É a Pausa que te dá essa possiblidade. A partir dela posso acessar o conhecimento vindo da Inteligência Positiva ao identificar os meus sabotadores internos, sendo um deles o “prestativo”, que tem a necessidade de agradar aos outros na busca por reconhecimento. Além do mais, na Pausa posso trazer os recursos da Comunicação Não-Violenta para identificar as necessidades atendidas e não atendidas frente a resposta “sim” ou “não”. Com esses recursos em mente, caso sinta alguma rejeição ou resistência frente ao pedido você já tem uma resposta para dar passado o tempo solicitado: “não”. Entretanto, após avaliar se tenho tempo e disposição para fazer o que me pedem, posso dar um passo a mais e me questionar: quais as necessidades que atendo ao dizer “sim” ou “não”? Quais as necessidades que deixo de atender com uma ou outra resposta? Posso entender que ao dizer “sim” satisfaço as necessidades de confiança, de conexão ou de aceitação, entre outras, porém descuido da necessidade de harmonia, de afeto ou de celebração. Por outro lado, ao dizer “não” para a amiga a situação se inverte e satisfaço as necessidades antes descuidadas e descuido as necessidades antes cuidadas. O que é mais importante para você? Depois do tempo solicitado, caso você diga “sim”, internalize a escolha, faça e seja feliz. Caso você opte pelo “não”, igualmente. A tua resposta será uma escolha consciente, uma Ação da Pausa.

Enfim, a noite da moça que aceitou buscar o pet da amiga foi um desastre. Ao se encontrar com o namorado ele já estava mal humorado, assim a celebração não aconteceu. A harmonia que ela buscava já não existia e o afeto como necessidade não foi atendido. Além do mais, pergunte-se: será que estão apenas me usando? Isso porque naquela noite a amiga que pediu o favor pode encontrar o seu namorado no tempo marcado passando uma linda e romântica noite.

Moacir Rauber

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CABELO DESARRUMADO?

Fonte: IA BING

Cabelo desarrumado?

Um deles chegou com os cabelos desalinhados, vestindo um paletó de riscas, camisa sem gola e sem gravata, além de estar com um tênis branco. O outro entrou com o cabelo alinhado, vestindo um terno azul marinho, camisa com gola e gravata, além do sapato preto brilhante. Cada um com o seu estilo. O que cada um me transmitiu? Num primeiro momento, imaginei o primeiro rapaz como alguém descontraído e espontâneo pelo aparente relaxamento na forma de vestir. Ao ver o segundo jovem, pensei em seriedade e organização pela aparente formalidade na forma de vestir. Será isso real?

“A primeira impressão é a que fica” é um ditado popular que tem algum fundo de verdade, desde que cada um viva em conformidade com a impressão passada. Caso contrário, há uma demanda de energia e de recursos emocionais internos para manter no ambiente externo algo que não é natural desde dentro. Desse modo, entendo ser essencial que cada um possa se exibir externamente o mais próximo possível daquilo que carrega internamente. Que a forma de se vestir expresse o seu modo de ver o mundo sem gerar um conflito entre o que se exibe e o que se é. Seriam os cabelos desalinhados daquele rapaz que conheci a expressão daquilo que a imagem poderia me passar? A partir da minha perspectiva interpretativa, os fios de cabelo desalinhados davam uma aparência de descontração que me levava a vê-lo como espontâneo e, quem sabe, alguém criativo e inovador. Por outro lado, seria o cabelo alinhado do outro rapaz que conheci a expressão daquilo que a imagem poderia me passar? Mais uma vez, a partir da minha interpretação, o cabelo penteado de maneira alinhada dava a impressão de seriedade que me levava a vê-lo como alguém organizado e, quem sabe, grande credibilidade. Essa foi a primeira impressão que tive, mas que não ficou em pé para nenhum dos dois. Ao conhecer mais profundamente o primeiro rapaz, pude perceber que cada fio de cabelo estava desarrumado ordenadamente. Não havia nenhum cabelo que não estivesse fora de lugar como estrategicamente pensado. E esse ordenamento se refletia na sua organização e, por incrível que pareça, na pouca descontração e na baixa espontaneidade dos seus movimentos corporais e relacionais. De igual maneira, ao conhecer por mais tempo o segundo rapaz, a primeira impressão se desfez. Toda a seriedade se transformou em descontração e a ideia de organização caiu por terra rapidamente. O que ambos tinham em comum? Para mim passavam uma imagem em desconformidade com quem eram na realidade, entretanto esse é um julgamento meu a partir de minha visão de mundo. Porém, ambos eram incríveis, comprometidos, criativos e inovadores no seu dia a dia laboral.

Enfim, não se engane entre alguém que aparece com o cabelo desalinhado rotulando-o de espontâneo, assim como com alguém que está com o cabelo penteado julgando-o como tenso. Pode ser a primeira impressão de cada um, porém elas podem ser desconstruídas no convívio diário. Portanto, roupas coloridas ou terno com gravata são apenas invólucros de algo que não se pode ver que está dentro de cada um. Qual é a diferença entre um e outro? Pouca, porque enquanto um tem o seu cabelo ordenadamente desalinhado o outro aparece com a cabeleira ordenadamente alinhada, internamente trazem os recursos emocionais que precisa de tempo para se desenvolver. O cabelo? Basta chegar em casa e desarrumar. As roupas? Sempre se pode trocar.

E você, o que exibe é aquilo que vem de dentro?

Moacir Rauber

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VOCÊ ESTÁ REPETINDO A MESMA PIADA?

Você está repetindo a piada?

A cada dia o sábio recebia pessoas diferentes que vinham buscar os seus conselhos. Ele escutava, conversava e as pessoas, aparentemente, saíam melhores do que quando haviam chegado. Entretanto, algumas pessoas, repetidamente, voltavam. O sábio as recebia e escutava os mesmos problemas. Naquele dia, logo após a fala das pessoas, ele contou uma piada. Todos riram. Em seguida, o sábio repetiu a piada. Alguns riram e outros não. Por fim, ele contou a piada mais uma vez. Ninguém mais riu. Um deles, aparentemente decepcionado, indagou por que o sábio repetia a mesma piada.

O sábio respondeu:

– Não se pode rir da mesma piada repetidamente, não é? Pergunto: e por que vocês seguem chorando pelo mesmo problema?

Ninguém mais disse nada. As reflexões do Pe. Jorge Nardi sobre o tema a partir dessa fábula podem ser levadas para qualquer área de nossas vidas. Na esfera profissional, quantas vezes ruminamos sobre uma avaliação de desempenho? As avaliações de desempenho são momentos delicados no ambiente profissional em que o avaliado escuta um ponto a ser melhorado e segue repetindo o comentário mentalmente como uma crítica, gerando um sofrimento não necessário. Nas relações pessoais, por que sofremos por uma ação ou por um comportamento alheio? Na vida familiar, muitas vezes, esquecemos de valorizar todo apoio, suporte, amizade e amor do outro para sofrermos por um hábito que não nos agrada. No ambiente social, qual a razão de voltarmos para as mesmas conversas sem nada fazer para mudar a realidade? As conversas com os amigos se repetem e a irritação por problemas insolúveis também.

A mesma piada contada várias vezes deixa de ser engraçada, por isso, da mesma forma a mesma situação de dor não deveria provocar novo sofrimento. Entretanto, aqui as pessoas não desapegam, elas voltam a pensar e a falar sobre um momento de dor gerando nova onda de sofrimento. A dor é natural e passa. O sofrimento é escolha e o tempo de duração é você quem determina. Desse modo, no ambiente profissional, ainda que você tenha recebido uma avaliação insatisfatória sobre determinado desempenho, escute, aprenda e melhore. Doeu? É normal, porém não se sabote a ponto de seguir sofrendo por isso. Na tua relação familiar tem algo no outro que não o agrada, então converse e exponha baseado em fatos, sentimentos e necessidades. Dói? Pode ser, mas se lembre, é o outro. Não sofra por isso. No ambiente social a conversa se volta uma e outra vez sobre aquilo que não se pode resolver, diante disso mude o tema e o humor. É difícil? Talvez, mas a escolha de sofrer ou não por isso é tua.  A vida é feita de momentos lindos com alegria e felicidade, assim como de situações de dor e de sofrimento. O período de duração dos eventos posteriores está nas tuas mãos.

Por fim, para não repetir a piada é importante buscar na memória se você a contou ou não e com isso não fazer um papel ridículo. Para não sofrer duas vezes é indispensável desapegar do passado para não viver deprimido no presente, o que é insensato. Desse modo, busque conhecimento, métodos e ferramentas para aprender e desenvolver habilidades de soltar o passado para poder viver o presente de estar no presente. Por exemplo, a Inteligência Positiva é uma metodologia que te ensina a prender os teus sabotadores que te levam a sofrer duas vezes. Da mesma forma, a Comunicação Não-Violenta é um passo a passo para não dar poder ao outro sobre você. E a Espiritualidade? Na minha concepção, é a sabedoria que te permite usar as ferramentas vindas do conhecimento para ter uma vida plena.

Dessa forma, antes de sofrer outra vez, assegure-se de soltar o passado porque a dor já não existe mais. A espiritualidade o apoia na sua escolha!

Ahh, se possível, não repita as piadas!

Moacir Rauber

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O QUE VOCÊ TEM NO CORAÇÃO?

Fonte: IA BING

O que você tem no coração?

Naquele dia, o meu amigo teria uma reunião com o gestor de outro departamento sobre um tema comum para a organização. Um dia normal, porém, a sensação de esgotamento pela atividade que estava por vir o atingia. Ao imaginar a reunião a sua energia mudava. O ânimo se transformava em apatia, a disposição em abatimento e o entusiasmo em desinteresse. Ele o considerava uma pessoa tóxica. De todas as formas pensava, Faz parte. Lá vou eu! Talvez essa seja uma situação recorrente para muitas pessoas no ambiente organizacional, social e familiar. Quantas vezes nos encontramos com pessoas que sugam a nossa energia? O que fazer para evitar que o outro roube o seu bem estar? Há formas de fazê-lo.

Nos últimos anos a neurociência tem buscado compreender a estrutura do cérebro e o seu funcionamento, que se reflete no comportamento humano em áreas da memória, do humor e da atenção. Entende-se que a neurociência constata os fenômenos, porém não os muda. Ao analisarmos os comportamentos e os rituais ancestrais, pode-se deduzir que o remédio já existe e que ao resgatar certas práticas podemos nos reconectar com a nossa essência. Parece-me que percebemos que tanto aceleramos e nos expusemos a todo tipo de estímulo externo que nos desconectamos de nossa energia vital e espiritual. Por isso, o retorno ao essencial é uma necessidade para que nos reconectemos com aquilo que importa. O que fazer? Faça uma Pausa. Exercite a (1) empatia e a auto empatia. Igualmente, (2) explore a situação para entender o que é real. Em seguida, (3) capte se há uma oportunidade nela. (4) Mova-se pela situação para descobrir o que é importante no que está acontecendo. Por fim, (5) provoque-se para alinhar a sua intenção com as suas ações. Passos semelhantes estão presentes nos estudos de neurocientistas expressos em inúmeros livros atuais, com uma diferença de dois, três ou quatro mil anos para algumas das práticas propostas por antigas correntes filosóficas ou religiosas. Constatações a parte, antes de se reunir com alguém que você considera tóxico, indague-se: qual é a minha intenção ao reunir-me com ele? Quais são as ações que estão ao meu alcance? Não é analisar o comportamento e as ações do outro, analisar as próprias. Finalmente, ao tomar consciência da situação, desassociando a interpretação da realidade, a pessoa começa um processo de cuidado. Portanto, saber fazer as pausas é um movimento de autocuidado, assim como de cuidado com o outro. Isso muda algo? Não, porque o antipático seguirá sendo antipático, porém sabemos que é normal. De igual forma, as pessoas que pensam e agem de forma diferente vão continuar pensando e agindo diferente, contudo, aceitamos que é natural. Você consegue respeitar isso? Se sim, mais uma vez, respeite-se e cuide-se ao se preparar antes de ir à reunião. E o que fazer durante a reunião? Esteja preparado e faça o exercício de contato com o coração.

Nos ambientes em que circulamos nem sempre convivemos com pessoas agradáveis para nós. Algumas podem estar passando por momentos difíceis e outras parece que emanam uma energia que turva todo o ambiente. Em contato com tais pessoas, imediatamente a gente se põe triste ou incomodada, como no caso da reunião em questão. Por isso, antes da reunião, prepare-se. Durante a reunião, esteja preparado para contatar com a sua essência. São os chamados exercícios de contato com a realidade propostos na Inteligência Positiva ou simplesmente Mantenha Contato com o Coração (Anselm Grün). Portanto, durante a reunião no momento em que você sentir que a sua energia está mudando, faça uma Pequena Pausa. Feche os olhos por um ou dois segundos. Reconecte-se com as intenções para as quais você se preparou antes da reunião. Apoie a sua mão suavemente sobre o seu coração. Faça um movimento de contato dos dedos com o seu peito. Cuide-se. Não dê poder ao outro de determinar os teus sentimentos.

O que você tem no coração? Aí está a resposta!

Moacir Rauber

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NÃO DURMO COM O MEU CURRÍCULO!

Não durmo com o meu currículo!

Antes que se comece um evento, o conferencista, o palestrante ou o facilitador que vai conduzir os trabalhos é apresentado com a leitura de parte de seu currículo. Normalmente, são currículos extensos, relevantes e com muitas realizações, fazendo parecer que se está diante de uma super pessoa. Acredito ser importante destacar o caminho percorrido por quem estará encarregado de coordenar as ações sobre determinado tema nas próximas horas, dias ou semanas. Quem será o conferencista responsável por me introduzir aos novos fundamentos da economia, por exemplo? Quais as credenciais do palestrante que falará sobre as tendências da logística aplicada ao dia a dia, em outra hipótese? O que pode agregar o facilitador na oficina sobre o comportamento humano, as suas buscas e as necessidades da sociedade, em outra conjectura? Fundamental ter tais informações para poder checar a validade daquilo que será compartilhado nas áreas exatas. Os conhecimentos sobre a economia e suas tendências podem fazer que alguém tome uma ou outra decisão sobre um investimento, podendo resultar em lucro ou prejuízo. As informações de novos modelos de logística podem melhorar ou piorar um processo, gerando acertos ou erros na sua adoção. E sobre comportamento humano, qual a importância do currículo de quem fala (conferencista, palestrante ou facilitador) sobre buscas, escolhas e caminhos individuais de um ser único, múltiplo, singular e plural? Talvez seja mais relevante ainda, porque ninguém pode dormir com o seu currículo, mas ele deve estar expresso na vida.

Cada Ser Humano tem a sua unicidade refletida na multiplicidade de papéis sociais, assim como a singularidade evidenciada na pluralidade de interpretações da realidade. Difícil estabelecer uma regra. Em outras áreas é mais fácil estabelecer parâmetros. O conhecimento sobre economia é baseado em modelos que apontam tendências que subsidiam os investidores no papel de diretores ou acionistas das corporações, assim como os empreendedores a abrir o seu negócio. Trata-se de conhecimento que, quase sempre, pode ser aferido. As informações sobre um modelo ou outro na área de logística pode ser confirmada com cálculos matemáticos que usam a lógica que considera os fatores que impactam a atividade, entre eles tempo, distância ou nível de ocupação das operações. São informações que podem ser obtidas e conferidas pelos gestores das operações. Entretanto, observo um número cada vez maior de especialistas em comportamento humano que tratam de temas sensíveis ao indivíduo, pode ser o economista investidor ou o gestor de logística, como se houvesse uma equação que nos daria uma resposta exata. Aqui vem o meu espanto e acredito fazer sentido a afirmação de que não se dorme com o currículo na área de comportamento humano. Posso ser um mestre em filosofia e ainda assim não entender o mundo. Posso ser um doutor em psicologia e igualmente não controlar um comportamento obsessivo. Posso ser um professor atuando na área da educação e ser um mal educado. Entendo que na área comportamental o conhecimento é importante, porém é essencial que o caminho percorrido possa servir de inspiração. Não se trata de regra nem de lógica. Trata-se da humanidade compartilhada que nos faz únicos e múltiplos; singulares e plurais.

O comportamento humano individual tem impactado o resultado das organizações e, creio, é por isso que tem sido tão estudado. Porém, estudar pode criar uma base de informações para que alguém saiba que existem ferramentas vindas do conhecimento que o podem auxiliar na jornada. Entretanto, a escolha é individual e autônoma de cada pessoa, que faz com que a lógica do comportamento humano existe até que deixa de existir. Por isso, entendo que não posso dormir com o meu currículo como ser humano, mas toda noite ao recostar a cabeça no meu travesseiro durmo com os resultados produzidos pelo meu conhecimento como economista, gestor de logística, filósofo, psicólogo, professor ou outro papel social que exerça.

Não creio em super pessoas, mas em pessoas que podem viver em conformidade com as suas ações.

O seu currículo está expresso na sua vida? Se sim, durma bem!

Moacir Rauber

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