COMO POSSO AJUDAR?

Como posso ajudar?

Quase meia-noite de sexta-feira e um amigo meu foi até o aeroporto para buscar o seu irmão. Uma noite de muita chuva. Ele chegou em frente a cancela, aproximou a mão do sensor e o ticket não saiu. A cancela se levantou. O meu amigo ficou em dúvida por alguns segundos, mas decidiu avançar. Ele parou logo depois da cancela, saiu do carro e foi ver se por acaso o ticket havia caído. Molhou-se com a chuva, mas não encontrou nada. Voltou para o carro, estacionou e seguiu para o guichê onde se paga o estacionamento para informar o ocorrido. Logo depois de relatar o caso, o atendente o olhou com cara de irritado e disse:

– Você deveria ter dado marcha ré e entrado em outra cancela. Agora o que vou fazer se você não tem o ticket?

Meu amigo sentiu a vermelhidão no seu rosto com a indignação pela resposta recebida. Ele somente conseguiu responder, Como? O pior foi ouvir a confirmação da irritação do atendente que seguiu falando de má vontade com ele. Essa história é real e fico pensando como as pessoas podem, muitas vezes, atender mal o cliente que é quem paga o seu salário. Entendo que pode ser falta de preparação por parte das empresas ou falta de vontade dos colaboradores. Naquele dia, acredito que foi uma junção das duas hipóteses porque o colaborador não estava preparado e estava de má vontade. Ele não escutou o cliente, assim como estava sem vontade de resolver o seu problema. A primeira parte deriva da falta de treinamento e de preparação. A segunda parte revela um colaborador com má vontade e, talvez, cansado ou com preguiça. Caso a empresa o tivesse preparado bem, o colaborador teria recebido a informação e teria escutado: (1) o equipamento da sua empresa precisava de manutenção; (2) o cliente estava prestando um serviço para a empresa ao relatar a deficiência ao atendente; e (3) o cliente estava com um problema e poderia estar irritado. O que o atendente fez? Não escutou o cliente e culpou-o por um serviço mal prestado por sua empresa. Caso ele fosse um colaborador de boa vontade, ele teria recebido a informação e poderia ter pensado: o cliente está com um problema, porque sem o ticket não poderá pagar, não poderá sair e pode estar irritado com o transtorno que está passando: como poderei ajudá-lo? A primeira situação pode ser resolvida com treinamento por meio de uma adequada política de acolhimento e de integração, mas, sobretudo, preparando cada colaborador sobre a importância do sentido daquilo que se faz para si e para os outros. Para si, certamente, cada um sabe: o salário permite que se pague as contas e que se siga a vida. Para os outros, por vezes, parece ser mais difícil. Qual o sentido do trabalho do atendente de guichê de aeroporto na vida dos outros? Como ele afeta a vida das demais pessoas? Cabe a empresa deixar isso bem claro para o seu colaborador, valorizando o seu trabalho e a relação com os clientes.

Enfim, depois do choque inicial o meu amigo disse ao atendente que a responsabilidade pelo não funcionamento do equipamento não era sua. De forma pouco educada, o cliente reclamou e se exaltou. O atendente resolveu. Ambos se despediram de maneira mal-humorada. Por fim, o meu amigo pode receber o seu irmão e resgatou o bom humor com o qual havia chegado ao aeroporto. Se você está em algum trabalho exercendo alguma função é para o bem de alguém. O dia em que o teu trabalho não servir para os outros ele deixará de existir. Por isso, faça a pergunta: como posso ajudá-lo? Ela evita problemas, diminui conflitos, dá lucro e mantém o trabalho.

Moacir Rauber

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ECOS DE LA PALABRA EN COMUNICACIÓN NO-VIOLENTA

Luego de compartir algunos talleres, vimos con Miriam, cómo CNV, nos acerca a la mirada compasiva que Jesús nos propone.

Muy alegres, desde Argentina y Brasil, nos lanzamos a compartir éste ciclo de talleres por Zoom.

Si te resuena, sólo tienes que enviar un WP y confirmar. Luego te pasaremos el Link. Inicia 31 de marzo.

Agradecemos difusión!

Miriam 1168493482 (whatsapp)

Moacir 48998578451 (whatsapp)

ATENCIÓN: para el número de Miriam (Argentina) y de Moacir (Brasil). Si el interesado es de otro país hay que agregar 54 (Miriam) y 55 (Moacir).

QUANDO CALAR? QUANDO FALAR?

Quando calar? Quando falar?

Ele estava cansado e irritado. Chegou em casa e encontrou o sobrinho que morava com ele fazendo algo que estava em desacordo com a sua lógica. Começou a proferir impropérios contra o sobrinho. Este se calou. Não retrucou. Retirou-se e foi para o seu quarto. Ambos foram dormir sem se falar. Na manhã seguinte, levantaram-se no horário de sempre e se encontraram na cozinha para o café da manhã. Saudaram-se com um “bom dia”. O tio fez o chimarrão e o sobrinho o café. Sentaram-se à mesa para comer. Nesse momento, o sobrinho disse:

– Tio, queria falar contigo sobre o ocorrido ontem. Você me pareceu irritado, por isso não falei nada. Fiquei magoado, porque a situação não foi bem como o tio acredita… e explicou.

O tio escutou. Sentiu-se envergonhado e triste, por um lado, e tocado e feliz, por outro. A vergonha tinha origem no seu comportamento impulsivo, agressivo e arrogante a partir de suas inferências. Ele havia feito uma interpretação de algo ocorrido que não necessariamente era um fato. Sem fazer uma pausa, ele analisou a situação a partir de sua perspectiva carregado com a sua condição emocional. A partir disso, ele agiu descarregando a sua frustração em forma de agressão verbal. Agora isso o envergonhava. Igualmente, entristecia-se por saber que havia um longo caminho a ser percorrido por ele para saber gerir a suas emoções de forma positiva e saudável para ele e para as pessoas lhe eram importantes. Por outro lado, o tio se punha tocado com a maturidade emocional do seu sobrinho de dezesseis anos que soube fazer uma pausa para não reagir e soube gerir as emoções. E isso, igualmente o deixava feliz por saber que é possível alcançar a gestão emocional para se comunicar de forma autêntica e não-violenta como uma escolha deliberada em qualquer idade. É a autonomia de cada um que permite fazer as escolhas conscientes. É o livre arbítrio em que somos os responsáveis pela gestão de nossas emoções e das ações que delas resultam. Sabe-se que as emoções são naturais e incontroláveis, entretanto, a nossa maturidade emocional é que vai permitir que sentimentos que escolhemos alimentar. O que nos ensinou o sobrinho?

Entendo que o jovem nos ensinou que a pausa em prática é uma grande ferramenta para a gestão de conflitos. Ele demonstrou um alto nível de inteligência emocional na prática para se comunicar de maneira efetiva e não-violenta ao não reagir imediatamente. Ele fez a pausa. O jovem soube identificar os sentimentos de um e de outro, as necessidades de um e de outro e soube se expressar de maneira não-violenta ao falar o que precisava ser falado no momento de ser falado. O sobrinho soube calar no momento apropriado, evitando um conflito em que ambos poderiam falar aquilo que não queriam num momento inapropriado. Muitas pessoas, coloco-me entre elas, falam quando deveriam calar e escutar, exibindo uma arrogância de quem acredita que sabe mais sobre a realidade do que as pessoas com quem interagem. Igualmente, muitas pessoas se calam quando deveriam falar num ato de submissão. Acredito que o grande aprendizado que nos passa o comportamento do jovem é a humildade sem submissão, além da assertividade sem arrogância. Por fim, creio que do equilíbrio entre a arrogância e a submissão vem a humildade que permite que tudo o que precisa ser dito possa ser dito.

Como fazer? A pausa é essencial para avaliar os fatos, reconhecer os sentimentos, explorar as necessidades e fazer os pedidos com a clareza da humildade sem ser submisso e da assertividade sem ser arrogante.

Moacir Rauber

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DIREITOS E DEVERES: UMA LIGAÇÃO INTRÍNSECA

Fonte da imagem: https://turismoadaptado.files.wordpress.com/2010/12/vaga-para-deficiente.jpg

DIREITOS E DEVERES: UMA LIGAÇÃO INTRÍNSECA

Lembro-me de um período em que trabalhei numa universidade, na qual dava aulas três vezes por semana. Nesses dias, quase sempre estacionava no mesmo lugar, usando uma das vagas reservadas para pessoas com deficiência, uma vez que sou cadeirante. Logicamente que a vaga não estava reservada exclusivamente para mim, mas para todas as pessoas com deficiência, desde que disso dessem visibilidade identificando o carro com o selo apropriado. Numa determinada noite cheguei ao trabalho para aplicar uma prova. As vagas estavam todas ocupadas. Observei os veículos que ocupavam as duas vagas reservadas e pude identificar um como sendo de um aluno da universidade, igualmente cadeirante. O outro carro era de uma empresa conhecida na cidade. O vigia da universidade, que me conhecia, aproximou-se e disse:

– Olha, eu não sei quem é esse cidadão, mas ele não tem deficiência. Eu disse que ele não poderia estacionar nessa vaga, mas ele não me deu a mínima!

Depois dessa informação estacionei tão próximo da traseira do carro que estava na vaga de maneira imprópria que não haveria como ele manobrar para sair antes de mim. Desembarquei, dirigi-me a sala de aulas e comecei a aplicar a prova. Passados uns 20 minutos o vigia bateu na porta da sala para me avisar que o dono do carro havia voltado e gostaria de sair. Respondi que assim que os alunos terminassem a prova eu iria tirá-lo. Passaram-se mais de 30 minutos até que, finalmente, todos os alunos terminaram a avaliação. Somente então voltei até o carro. De longe, observava o dono do carro. Lá estava ele com sua pasta executiva numa mão e na outra o celular, falando com alguém. Ele caminhava de um lado para o outro, aparentemente, nervoso. Aproximei-me em minha cadeira de rodas. Ao me ver ele se acercou e pediu-me mil e uma desculpas, dizendo que havia chegado atrasado para uma reunião da universidade que deveria ter sido rápida e que agora já estava atrasado para outra reunião. Cumprimentei-o, embarquei no carro, carreguei minha cadeira e fui embora.

Certamente que os compromissos desse senhor eram importantes para ele, assim como os meus são para mim e os seus são para você. Entretanto, isso não dá o direito para quem quer que seja de invadir o direito do outro. E mais. A reserva de vagas para as pessoas com deficiência representa um aspecto legal, proposto, discutido, debatido e regulamentado em lei, além do bom senso comum indiscutível. Em muitas situações não faço questão de me beneficiar das “vantagens” destinadas às pessoas com deficiência, mas especificamente no caso da reserva de vagas de estacionamento sempre busco esses espaços, porque senão meu veículo ocuparia dois lugares. Explico. Os cumpridores das leis sem deficiência não estacionam em vagas reservadas para pessoas com deficiência. Dessa forma, se eu, pessoa com deficiência, estacionar numa vaga convencional e deixar uma vaga reservada sem uso, ocuparei dois espaços. E isso também não é justo, assim como não foi a situação exposta acima.

Enfim, por isso entendo que direitos e deveres estão tão intrinsecamente ligados, reforçando o dito popular que o direito de um vai até onde começa o direito do outro. Nem um centímetro a mais!

Moacir Rauber

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QUEM SÃO ESSES VELHOS DAS FOTOS?

Quem são esses velhos das fotos?

Foi criado um grupo de whatsapp para resgatar as histórias, as amizades e as boas lembranças daqueles que foram seminaristas. Entrei num grupo com mais de sessenta integrantes. Pensava: “É só pra perder tempo…”. Vejo um nome e vejo outro. As boas lembranças me vêm à mente. Leio as memórias trazidas por diferentes pessoas no grupo com fotos amareladas. Abro o perfil de um e de outro nome que reconheço. Vejo um velho aqui e outro ali com filhos e netos que não reconheço. Pergunto-me:

– Quem são esses velhos nas fotos dos meus amigos seminaristas?

Fui seminarista na década de 70 e 80 como alternativa para estudar. Era uma época em que poucas pessoas tinham acesso aos estudos depois da quarta série. O Estado ainda não supria a demanda, assim os pais enviavam os filhos para que estudassem nos seminários. Os padres recebiam os garotos, entre 10 e 15 anos, na esperança de que se revelassem algumas vocações. Saíamos de nossas casas para ir ao seminário em fevereiro e até as férias de julho podíamos visitar os nossos pais uma ou duas vezes. Era um tempo sem telefone, sem internet e, para alguns, até sem energia. Durante o semestre se escreviam algumas cartas para os pais e o restante do tempo era gasto para estudar muito, rezar com intensidade, praticar esportes diariamente e trabalhar um pouco. Com isso, se criavam fortes laços de amizade com os outros garotos com quem se dividiam os medos e as ansiedades. Estudar para ser padre? Era uma hipótese, porém não a primeira. E os padres sabiam disso. Lembro-me de uma fala do Dom Egídio: “Aqueles que forem se casar, lembrem-se de encontrar alguém com quem vocês gostem de conversar, porque quando ficarem velhos…”. Parecia tudo tão distante, porém o tempo passou.

Pelo que sei, de todos os seminaristas que estiveram no seminário foi ordenado apenas um sacerdote. Para as pretensões dos padres o resultado talvez não tenha sido o esperado. Para as pessoas que foram seminaristas o impacto foi enorme, uma vez que os nossos “heróis” não tinham os pés de barro. Os padres que nos receberam eram exemplos de correção. Os professores que nos ensinaram eram e são admirados. Assim, sempre que se encontra com alguém que teve a experiência de ter estudado no seminário as lembranças são fortes e positivas. Mais de quarenta anos depois não reconheço os “velhos” que vejo nas fotos. E eles, igualmente, não devem me reconhecer. Por que perder tempo com “velhos”?

O Papa Francisco em sua catequese ressaltou a importância de se “perder tempo” com as pessoas mais velhas que, às vezes, já não raciocinam bem, assim como com as crianças, que ainda não compreendem o todo. Nas famílias, “perder tempo” com as crianças e com os idosos nos caracteriza como humanos, dando-nos uma perspectiva ampliada da vida para adultos acelerados que tem uma visão limitada. Nas organizações, “perder tempo” com aqueles que chegam e com aqueles que estão por se aposentar permite que a experiência seja aproveitada no presente, garantindo-nos o futuro. Nas relações pessoais as conversas que desconversam são as que revelam os laços mais profundos. Lembro que o grupo de seminaristas a quem me refiro não é exatamente de idosos, mas acredito que resgatar as amizades com boas conversas nos fará usar o tempo com o que importa. Idosos ou crianças? São pessoas.

Quem são os “velhos” no perfil do whatsapp? Quem são os garotos nas fotos amareladas? Não importa, porque a jornada iniciada vai ser terminada. Assim, fica o convite: vamos “perder tempo” juntos?

Moacir Rauber

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Seminário Santo Américo – Nova Santa Rosa-PR

COMO VOCÊ CONVERSA COM QUEM IMPORTA PARA VOCÊ?

Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/pai-filho-pai-e-filho-filho-de-pai-2695667/

Como você conversa com quem importa para você?

Escutava o jovem de 20 anos que falava do pai com a sensação de que ele reclamava de tudo. Quais eram as reclamações mais comuns? O pai reclamava quando ele sujava algo e não limpava. Quando ele ligava a luz e não desligava. Quando ele usava uma ferramenta e não guardava. E por aí seguiam os pequenos grandes problemas. Admitiu que, muitas vezes, o pai tinha razão. Porém, havia outras questões que o incomodavam, como as diferenças sobre sair de casa para as festas, os horários de estudo e a rigidez para se levantar, almoçar e jantar. O jovem argumentava que trabalhava e estudava, por isso podia se encarregar de sua própria vida. Era verdade. Contudo, o jovem não se lembrava de que ele vivia na casa de seu pai, assim, não pagava aluguel, água, luz, ITPU, internet, comida ou a roupa lavada. Portanto, naquela casa quem estabelecia as regras era o pai. Lembrei-o disso e emendei uma conversa que tive com o meu pai. Numa discussão, rebati verbalmente um comentário e o acusei de reclamar de tudo. Ele fez silêncio e logo disse:

– Moacir, eu tenho 44 e você tem 20 anos. Tem algumas coisas que ainda que você queira não pode saber porque são coisas que só a experiência pode ensinar. Pode parecer que reclamo de ti, mas são orientações! Às vezes, me exalto porque repito e repito as mesmas coisas. Agora quero te dizer para você se preocupar o dia em que eu não reclamar mais contigo, porque a partir desse dia o que você fizer ou deixar de fazer já não me importará mais porque eu não me importarei mais contigo.

O meu sangue gelou. Senti o peso das palavras no meu coração. A tranquilidade e a segurança com que foram ditas penetraram na alma. Ele prosseguiu:

– E isso se aplica na empresa em que você trabalha. Aproveite quando alguém fizer um comentário sobre o teu trabalho para escutar, analisar e absorver o que interessa. Comece a se preocupar quando o teu chefe, superior ou mentor não falar mais contigo…

Ele tinha razão. Acredito que tudo o que precisa ser dito possa ser dito sem ser ofensivo ou invasivo e sem ser assédio moral. Esse equilíbrio deve ser encontrado pelos pais, chefes, superiores ou mentores. Aquele que está do outro lado deve exercer a humildade para escutar e se abrir para aprender. Via de regra, um pai quer o bem do filho, razão dos comentários que se propõe a corrigir. Um chefe, um superior ou um mentor deve querer o bem da organização, o que exige que o colaborador desempenhe bem o seu papel. Como fazer? A Comunicação Não-Violenta (CNV) propõe quatro passos para diminuir a tensão nas relações. Ater-se aos (1) fatos: eventos que podem ser observados de maneira similar pelos envolvidos. Entender os (2) sentimentos: qual o sentimento que o evento desperta nos implicados. Identificar as (3) necessidades: o que cada um necessita naquela situação. Fazer os (4) pedidos: como cada um se expressa a partir dos fatos, considerando as necessidades e os sentimentos. Fácil? Não. Possível? Sim.

Na situação entre o pai e o filho, provavelmente, existem diferentes necessidades envolvidas. De um lado, o pai necessitava de ordem e de colaboração: como ele poderia se expressar? Por outro lado, o filho tinha a necessidade de autonomia e de reconhecimento: como ele poderia pedir? As necessidades de cada um são diferentes, por isso geram sentimentos distintos. As necessidades são conciliáveis? Aparentemente, sim. Entretanto, a comunicação entre as partes exibe uma tensão emocional que descamba para a quase violência. O lado positivo é que a tensão revela que eles se importam um com o outro. Adotar os passos da CNV pode contribuir para que você converse como quer conversar com quem você se importa.

Como você conversa com quem importa para você?

Moacir Rauber

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OCIDENTE OU ORIENTE: QUEM É MELHOR?

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Oriente ou Ocidente: quem é melhor?

Ela estava sentada havia horas esperando passar os efeitos da bebida em seu corpo e em sua mente. No corpo sentia náuseas. A mente parecia que se expandia. Ao comentar comigo ela disse:

– É impressionante, saio revigorada! Os nativos sabiam muito mais do que nós com nossa racionalidade…

O discurso da minha amiga seguia ressaltando as maravilhas das experiências que vivia. Criticava abertamente os cristãos, como seus pais e amigos, e ao ocidente com sua busca material. Sobravam louvores ao oriente, aproximando as culturas nativas das américas a este. Eu a escutei por vários anos, porém nada em sua vida havia mudado. A sua busca era genuína. A sua vida era caótica. O que faltava à minha amiga?

Em tempos de mudança cultural e comportamental são inúmeras as possibilidades que nos levam para novas direções, entre elas, outras culturas. Muitos, tratam essas culturas como a sua tábua de salvação. Não me parece real. Outros, buscam as diferentes perspectivas das religiões, da filosofia e de vida presente nas outras culturas. Parece-me muito bom. A tecnologia nos possibilita o acesso. Entretanto, quero destacar que …

é a curiosidade da aprendizagem, e não a comparação entre as culturas, que pode criar um mundo equilibrado com pessoas em equilíbrio.

Qual é o caminho?

Conhecer para aprender e, ao ser conhecido, ensinar. Teoricamente é simples propor.

Faticamente é difícil implementar. O ritmo frenético imposto pela produtividade e competitividade tem gerado conflitos internos que leva muitas pessoas a buscar alívio sem saber exatamente o que busca. A espiritualidade é uma saída e o conhecimento da cultura oriental tem destaque. Textos e metáforas com mensagens circulam pelas redes, assim como periodicamente um escritor, um estudioso ou mesmo um executivo relata suas experiências inovadoras. Todas elas trazem ensinamentos valiosos. O pensamento Hindu promove a tolerância entre as diferentes crenças, entendendo que nenhuma delas é a verdade absoluta. No Budismo os ensinamentos têm como princípios básicos o cultivo da própria mente, vivendo com moderação, preservando a vida ao fazer o bem. Sobre o Taoísmo pode-se dizer que ele dá ênfase a liberdade e a espontaneidade sociocultural. E o Confucionismo ensina que “uma pessoa deve tornar sua própria conduta correta antes de tentar corrigir ou mandar nos outros”. Certamente os ensinamentos de cada uma dessas filosofias espirituais são muito mais extensas e profundas, assim como o Cristianismo, base da cultura ocidental. Como cristão sou orientado a “amar o próximo como a mim mesmo”. Caso o fizesse, provavelmente o que está acima também se cumpriria, assim como se os princípios de cada uma das religiões, como o Judaísmo e o Islamismo, entre outras, fossem seguidos. Por isso, não há nada a comparar. Entendo que seja importante aprender e ensinar para equilibrar.

Muitas vezes, a questão é a falta de sabedoria para pôr em prática os princípios dessas filosofias, porque são desvirtuadas a partir de interesses humanos. Em nenhum lugar se criou uma ordem social que possibilitasse o equilíbrio espiritual e material. Na Índia, onde temos a predominância do Hinduísmo e do Budismo, o modelo de organização tem mantido o fosso social em que milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza. Na China, onde o Confucionismo e o Taoísmo predominam, há trabalhadores que cumprem jornadas sobre humanas de 70 horas semanais. O ocidente tem as suas próprias misérias. Enfim, toda a sabedoria oriental, assim como a ocidental, não foi capaz de equilibrar essa busca.

Por fim, destaco que não tenho nada contra a difusão e a busca do conhecimento e da sabedoria presentes no pensamento oriental, mas tenho ressalvas quando se rivalizam as culturas, ao sobre valorizar uma em detrimento da outra. E a minha amiga que detestava a forma ocidental de viver? Não alcançou o equilíbrio que tanto buscava. Não conseguia manter um relacionamento afetivo, que considerava importante. Tinha desentendimentos fortíssimos com o filho, que era o seu tesouro. Não era capaz de progredir em sua profissão, que era a fonte de sustento e aspiração pessoal. Enfim, entendo que não há que comparar. Há que ser firme, tolerante e flexível para mudar e ser mudado, transformando para ser transformado. Por isso, o equilíbrio está na soma sem rivalizar, comparar ou dividir.

Moacir Rauber

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Somos únicos. Somos múltiplos.