ELA NÃO É POLLYANNA

Capa do livro de Eleanor H. Porter

Ela não é Pollyana…

Ela era jovem e com muitas expectativas para a sua vida. Queria deixar um legado! Porém, o seu trabalho estava longe de a aproximar do sonho de deixar uma marca no mundo. Era o duro trabalho de ser garçonete num bar e restaurante que abria no final de tarde com atendimento que se estendia até à madrugada. Na chegada os clientes aparentavam estar alegres e contentes. Com o passar das horas muitos se transformavam. Alguns ficavam mais alegres, às vezes abusados. Outros se punham tristes, até deprimidos. Outros ainda se mostravam corajosos, por vezes agressivos. Sabia-se que por trás da transformação estava o efeito do álcool consumido pelos clientes. Como a maioria dos bares, ele servia de muleta psicológica para muitos dos seus frequentadores. Os medos, os anseios e as pressões do trabalho e dos diferentes papéis sociais de cada um dos clientes, por vezes, eram liberados naquele ambiente. Cabia a ela e aos seus colegas garçons atender aos clientes com as suas fragilidades expostas. Ela não bebia, porque sabia que álcool e trabalho não combinavam. Os seus colegas de trabalho, quase todos, bebiam e consumiam outras drogas para manter a motivação e conseguir lidar com as carências dos clientes. Nesse cenário, ela conseguia manter o sorriso e a atenção para com os clientes. Um de seus colegas se aproximou e perguntou:

– O que você tá tomando pra tá sempre desse jeito?

Ela disse que nada. Ele não acreditou. Ela respondeu que sabia que o seu trabalho ali era temporário, mas ela acreditava que podia fazer a diferença para um ou outro. O que ela havia entendido que os demais ainda não? O sentido daquilo que se faz. Ela entendia que se muitos que ali estavam exageravam nas bebidas e nas comidas era simplesmente uma fuga para problemas não resolvidos ou não enfrentados. Não importa a função, o cargo, o glamour ou a posição que você ocupa em seu trabalho. O importante é entender que se o trabalho existe ele existe para atender alguém. Saber que você vai afetar a vida de outra pessoa impacta diretamente na maneira como você faz aquilo que faz ou deixa de fazer. A viagem é para dentro. Não, a pessoa de quem falo não é uma versão moderna da Pollyana, a menina órfã que ensinava o “Jogo do Contente”. Ela tinha todos os problemas que muitos jovens têm na sua relação com os pais. Nem sempre fazia a sua parte em casa. Porém, destaque-se que ela havia entendido que se estava onde estava era para o outro que estava. A sua alegria? Uma escolha deliberada.

O seu colega voltou a insistir que não acreditava que ela conseguia trabalhar tanto tempo com um sorriso no rosto sem ter algo a mais. Ele queria saber. Ela o olhou e respondeu:

– Eu tenho uma família que me ama e sabe que eu quero fazer deste um mundo melhor. Começo com o meu trabalho!

Simples assim. Fazer bem o que se faz, faz com que outras coisas boas aconteçam. Não tardou muito e uma nova oportunidade de trabalho apareceu que a aproximou um pouco do seu objetivo. Entendo que tudo começa ao entender o sentido do trabalho ao se colocar a serviço do outro, o que faz com que o serviço deixe de ser pesado para si mesmo. Não é preciso ser Pollyana, mas é fundamental se importar com o outro, respeitando-se. Você realmente se importa com o outro?

Moacir Rauber

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Inspirado por: Barby Perluzky

QUAL É A PARTE BOA DOS HOMENS MAUS?

Qual é a parte boa dos homens maus?

Os homens maus existem e são reais as maldades que fazem. As prisões estão cheias de homens que roubaram, estupraram, mataram, extorquiram, sequestraram ou assediaram. Nas prisões têm algumas pessoas que desviaram dinheiro, subornaram ou manipularam na gestão pública ou privada. Nessas mesmas prisões têm outras pessoas que estão nelas por um equívoco da justiça. Acompanhei a história de um homem que foi preso, injustamente acusado de ter matado a esposa. A justiça seguiu o seu ritual. Alguns elementos do processo não faziam sentido, mas tudo indicava que ele seria o criminoso. Ordem de prisão expedida e prisão efetuada. Sete anos se passaram até que apareceu o verdadeiro criminoso. Soltaram quem injustamente fora preso e lhe perguntaram como havia sido. Ele respondeu:

– Pude conhecer a parte boa de homens maus!

Escutar a sua história sem ser atingido por uma enxurrada de lamúrias pela perseguição sofrida é um alívio para a alma e traz esperança na humanidade. Não quer dizer aceitar as injustiças. Quer dizer aceitar o que não pode ser mais mudado e aproveitar para mudar o que pode ser mudado. Ele teve a sua vida dilacerada, como então se pode dizer “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça”? Parece incabível, mas quantas outras situações nos revoltam e que são igualmente injustas? Nas empresas, pessoas que se apropriam das realizações de colegas num movimento de roubo e extorsão. Nas relações, pessoas que subornam e manipulam emoções em benefício próprio. São inúmeras as situações em que alguém pode ser perseguido pela justiça ou pela injustiça. Acredito que o próprio personagem nos dá a resposta. Ao sair da prisão ele poderia dar ênfase naquilo que já não poderia ser mudado e seguir no papel de vítima. Entretanto, ele escolheu focar naquilo que aprendeu no período em foi alvo de injustiça pela justiça. Ele aproveitou para conhecer pessoas que, por suas razões, optaram pelos caminhos da violência, do roubo e das violações. Ele conseguiu encontrar nessas pessoas a bondade, a compaixão e a esperança de que poderiam ser melhores. Ele conseguiu ver o lado bom das pessoas más. Considere-se que não se trata de alguém religioso ou espiritualizado, entretanto, o seu comportamento foi uma demonstração da espiritualidade na prática. Pode-se encontrar nesse comportamento muito daquilo que nos querem ensinar com os livros de Inteligência Emocional, Psicologia Positiva, de Programação Neurolinguística ou de toda literatura que dá roupagem científica as escolhas que fazemos. Assim, bem-aventurados os perseguidos pela justiça ou pela injustiça que conseguem fazer escolhas que fazem bem a si mesmo e aos demais.

Enfim, as bem-aventuranças levadas para o ambiente organizacional e relacional extrapola qualquer dogma religioso. As bem-aventuranças são fonte de inspiração para que possamos fazer deste um mundo melhor. Ser pobre de espírito e se abrir para a aprendizagem; chorar as dores do mundo para consertá-las; ser manso e forte; ter fome e sede de evolução; ser misericordioso com a nossa humanidade; e trabalhar pela paz a partir da inquietude pode fazer com que alguém seja perseguido no ambiente social ou organizacional. Sabe-se que o mundo não é justo, mas que eu posso escolher ser justo. É isso que importa. Afinal, cabe a cada um escolher se vai manter o foco na injustiça, lamentando-se, ou se vai tomar as ações cabíveis e seguir com a aprendizagem da vida, inclusive a de ver o lado bom de homens maus.

São os homens maus ou são homens que cometem maldades?

Quais as tuas maldades?

Qual é o teu lado bom?

Moacir Rauber

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Baseada em fatos

PALESTRA: “AÇÃO E INTENÇÃO PRODUZINDO RESULTADOS!”

VOCÊ EXISTE e está no mundo. Isso é FATO! Pergunto: O MUNDO É MELHOR POR ISSO? A SUA ORGANIZAÇÃO EXISTE e está no mundo: ELA É MELHOR PORQUE VOCÊ ESTÁ NELA? As revoluções da Tecnologia da Informação e de Biotecnologia impactam você e a sua organização. Isso não é escolha. O que você vai fazer nesse cenário? Essa é a escolha!

APLICAÇÕES E USOS:

  • Superação e Motivação.
  • Formação de equipes.
  • Empreendedorismo e Intraempreendedorismo.
  • Inclusão e Diversidade.

A partir de conceitos como Singularidade promovida pelas Revoluções Biológicas e Tecnológicas, impulsionadas pelas Grandes Forças Motrizes, serão exploradas as megatendências de negócios e as tendências comportamentais que impactam a sua empresa e a sua vida. Por isso, fala-se de Ação e Intenção que produzem resultados a partir do AFETO. Pode parecer utópico, porém faz todo o sentido. Fala-se aqui do AFETO substantivo, intenção, e do AFETO verbo, a ação. Nós somos substantivo e intenção. Nós somos verbo e ação. Nós somos emoção e podemos escolher o sentimento que nos move. Cabe a organização permitir e incentivar que cada colaborador olhe para dentro para descobrir o caminho e olhe para fora para escolher as ferramentas com as quais vai AFETAR O MUNDO NA ORGANIZAÇÃO. Os resultados irão aparecer. Por isso, ao aprender a gestão socioemocional de conflitos se trilhará o caminho da satisfação pessoal e resultados ao potencializar as competências técnicas. Considere a Singularidade em que cada vez mais homens e máquinas mais inteligentes interagem.

Na talk / palestra / oficina os participantes são levados a se apropriarem das responsabilidades de um mundo frágil, ansioso, não-linear e incompreensível de uma perspectiva volátil, incerta, complexa e ambígua. Entender que o caos não é a desordem, mas a existência de várias ordens permitirá orientar as intenções e as ações para produzir os resultados esperados. Qual é a missão organizacional e qual é o seu propósito? Quais são os valores organizacionais e qual é a sua relação com esses valores? Estão eles alinhados? Aqui volta-se para o AFETO substantivo que é a INTENÇÃO e fala-se do AFETO verbo que é a AÇÃO.

Com isso em mente, trabalha-se para desenvolver competências de conduta, competências de desempenho e competências relacionais unindo a intenção à ação para produzir os resultados esperados.

VOCÊ QUER PAZ? PREPARE-SE PARA A GUERRA…

Você quer paz? Prepare-se para a guerra…

Chegar no local de trabalho requer mais do que saber fazer. Participar de uma família exige mais do que compartilhar o sobrenome. Manter uma relação conjugal pede mais do palavras bonitas. É essencial saber se relacionar e para isso é fundamental estar em paz e preparado para a guerra. Parece contraditório? Não é. Imagine que você terá uma reunião de trabalho em que existem diferentes pontos de vista. Não se fala aqui de certo ou de errado, mas de uma diferente visão que propõe uma solução com o mesmo objetivo. Parece cenário de guerra, mas se os que defendem ideias diferentes estão numa mesma organização o ideal é encontrar a paz. É preciso força para defender o que se acredita e muito mais para aceitar aquilo que é diferente. No Sermão da Montanha a sétima bem-aventurança fala “Bem-aventurados aqueles que trabalham pela paz, porque serão chamados filhos de Deus” vai muito além do entendimento religioso. Mais uma vez, é um convite para olhar para dentro, reconhecer as inquietudes e mover-se com a força de quem luta para manter a paz. O que é paz para você? E guerra?

O ditado do romano Flávio Vegécio Renato dizia que se você quer paz, prepare-se para a guerra em que ele acreditava que a paz vem através da força. Uma sociedade forte não seria atacada, portanto poderia desfrutar da paz. O que é guerra? Guerra é todo tipo de batalha que envolve armas ou não a partir de um conflito de interesses entre duas ou mais pessoas. A partir de seu conceito se tem a impressão de que a guerra é algo externo onde há o anseio de eliminar aquilo que se entende por inimigo. O que é paz? Ao escutar a palavra Shalom em hebreu,a paz se relaciona com o desejo de uma vida plena, próspera e bela seguindo os preceitos da verdade e da justiça. Há uma ideia predominante atual em que a paz é associada a harmonia e um equilíbrio interior que transforma o indivíduo num poço de tranquilidade. Entende-se que as ideias predominantes de guerra e paz estão incompletas ao se pensar na bem-aventurança como um convite para aqueles que trabalham pela paz. Uma guerra se inicia no interior de alguém muito antes de se transformar num evento externo, seja ele um líder político, um gerente de empresa ou um pai de família. Trabalhar pela paz igualmente está no interior de alguém muito antes de ser uma realidade externa, exigindo movimento, esforço e uma escolha deliberada. É esse trabalho pela paz que entendo ser vital levar para as organizações e para as relações. É o reconhecimento da inquietude interior que pode desencadear uma guerra, mas que é o trabalho pela paz que nos permite evoluir. Divergências? São esperadas.  Diferenças? São óbvias. Diversidade? Condição natural de seres humanos que são únicos e são múltiplos. Guerra ou paz? Uma escolha a partir da inquietude individual que nos move como seres humanos.

Portanto, nas suas interações como pessoa esteja preparado para a “guerra” de ideias, mas vá com a intenção da paz de quem é criativo por natureza. Estamos na mesma organização? É unidade, não há motivo de guerra. Somos da mesma família? É um núcleo, não é um grupo de guerra. Somos um casal? É união, não estamos numa relação de guerra. O trabalho pela paz do Sermão da Montanha convida ao amor que é criativo e que reconcilia para que se possa caminhar juntos. Somos amor, trabalhemos pela paz!

Moacir Rauber

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FOME E SEDE DE VIVER OU MEDO DE MORRER: O QUE TE DEFINE?

Paulinho Scarduelli: um brinde!!! – Café Lamiró – Açores, Florianópolis-SC

Bem-aventurados os puros com fome e sede de viver!

Tomar um café numa praia de Florianópolis é sempre um programa especial. Na presença de um amigo faz valer cada segundo ao conversar sobre os projetos iniciados e não finalizados do ano anterior e fazer projeções sobre ideias para realizar no ano corrente. Nossa idade? Bem acima dos 50 anos falando sobre a importância de cada um no mundo e a contribuição para que cada espaço onde se esteja seja um pouco melhor com a própria presença. Se não for assim, para que estar presente? Com relação ao meu amigo eu sabia que os lugares por onde andava eram melhores com a sua presença. E, talvez, a reflexão mais linda do dia:a

– Eu tenho fome e sede de viver. Gosto de levantar pela manhã e ter a consciência do privilégio da vida…

Podia ver a sua mente fervilhando ao desfrutar da consciência da vida.

– E ela (vida) vai acabar. Se acabasse hoje eu olharia para trás e diria: que bela jornada.

Fiquei feliz ao escutar alguém que não tem medo de morrer. Acredito que esse seja um ponto de vista que dá outra perspectiva sobre a vida. É muito diferente viver com medo de morrer do que com fome e sede de viver. Foram muitas as pessoas que conheci que vivem com medo de morrer. O medo as paralisa, assim não se arriscam em um novo projeto ou um novo empreendimento. O medo as assusta, assim sempre fogem diante de um desafio ou de uma oportunidade. O medo produz raiva, assim elas agridem aos que estão ao seu redor. Fiquei pensando, “bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” a partir das intenções que se transformam em ações sem medo. Desse modo, cabe destacar que é da intenção que surge a possibilidade da mudança que melhora. “De boas intenções o inferno está cheio” é uma expressão verdadeira, mas é a intenção que define a pureza de coração que vai nortear a ação. Por isso, a mudança de olhar sobre as possibilidades que a vida nos dá representa a pureza de coração que fará com que cada um seja mais criativo, mais produtivo e mais competitivo a partir daquilo que pode fazer de melhor para si e para os demais. É fundamental não ter medo de morrer para que não se deixe de viver. É indispensável ter fome e sede de viver para alimentar a vida sem medo de morrer. Não é um convite a irresponsabilidade, mas para assumir o controle da perspectiva sobre a vida, porque ela vida vai nos deixar um dia. Porém, para aqueles que são puros de coração vai ter valido a pena ter vivido.

“Muitas pessoas podem viver mais tempo, mas não vivem tanto pelo medo de morrer” disse o meu amigo. Nossa conversa se estendeu por mais um tempo e ele voltou para o seu papel organizacional para onde levará a sabedoria da bem-aventurança de um puro de coração que tem fome e sede de viver sem medo de morrer. O meu amigo vive bem dentro de si com ele mesmo, por isso é bom estar com ele. Gandhi comentava da relevância do Sermão da Montanha ao se tratar de espiritualidade e a pureza de coração é a intenção que vai definir a ação para que tenhamos um mundo melhor. Qual é a tua intenção? Quais as tuas ações?

Moacir Rauber

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Inspirado por: Paulinho Scarduelli.

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles terão lucro!

A volta do filho pródigo – Henri J. M. Nouwen

Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles terão lucro!

A vida havia sido dura para ele, porque parecia que de tempos em tempos ela lhe dava uma rasteira ou um castigo. Com o passar dos anos, quase sempre, apercebia-se que se tratava de um empurrão. Essa situação ficou evidente quando ele foi demitido depois de trinta anos na empresa por ser considerado velho e “demasiadamente honesto” (https://facetas.com.br/2022/01/10/bem-aventurados-os-que-sao-demasiadamente-honestos/). Os anos se passaram e a pessoa que o demitiu, batia-lhe a porta. Ele vira crescer o homem que o despediu e que estava diante dele, porque era filho do seu falecido amigo. A conversa entre os dois começou com amenidades, lembranças dos tempos em que o amigo de um e o pai do outro estava vivo. Era a conversa que desconversa preparando para a conversa que revela. E a revelação veio. Depois de cinco anos conduzindo a sólida empresa herdada de seu pai, o filho estava com dificuldades. A segurança que se revelava nas atitudes arrogantes de demitir pessoas que eram parte da história da empresa tinham como base a sólida situação econômica. Isso tudo desaparecera juntamente com os recursos financeiros. O filho era o tipo de pessoa que precisava ter para ser, menosprezando quem não tinha. Por anos fora arrogante, prepotente e nada misericordioso. A ideia de ser compassivo gerava aversão ao filho que dirigia a empresa, porque acreditava que era uma emoção ou um sentimento para os fracos que não tinham espaço em seu mundo de certezas. Hoje, o filho sentado diante do amigo do seu pai, homem que ele demitiu, se sentia diminuído por já não ter os recursos que garantiam a força de seu ser. Depois da conversa inicial, finalmente, reconheceu a sua fragilidade, dizendo:

– Primeiro, peço desculpas pelas minhas atitudes que em nada honraram a visão, os valores e as crenças do meu pai…

Todo o discurso que se seguiu gerou uma satisfação inicial nele que se sentira humilhado ao ser demitido há cinco anos. Para muitos, viria a ideia da vingança ou da revanche, uma vez que a antiga empresa estava em dificuldades e ele poderia cumprir o papel de a ajudar ou não. Para ele, inicialmente, não foi diferente. Pensou “A vida dá voltas…” com certo desdém. A sensação de vitória lhe passou pela mente, porém logo mudou o rumo dos seus pensamentos e sentimentos. Não se tratava de uma vitória dele. Tratava-se de uma oportunidade para demonstrar ser quem ele era, sem julgar ou se satisfazer com as dificuldades do outro. Ele poderia trabalhar inúmeras faces positivas da situação, começando pela misericórdia. “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles encontrarão misericórdia” fala de reciprocidade a partir daquilo que cada um carrega dentro de si. Qualquer um poderia dizer que isso é lindo, mas no mundo dos negócios não se aplica. O que importam são os números. Concordo em gênero, número e grau com a importância dos números para os negócios, porém eles acontecem entre pessoas. Por isso, quem perdoa será perdoado. Os bondosos encontrarão bondade. Os compassivos descobrem a compaixão. Os humanos se deparam com a humanidade do outro. As relações humanas falam de reciprocidade, assim os que dão lucro obterão lucro. Agora falamos de negócios.

Enfim, entendo que o Sermão da Montanha ao falar que são “bem-aventurados os misericordiosos, porque encontrarão misericórdia” fala das relações entre pessoas que fazem negócios e que para evoluir precisam da reciprocidade. A colaboração motiva a colaboração. A cooperação desperta a cooperação. A reciprocidade promove a reciprocidade. Pergunta: mas se ele pensasse em reciprocidade, por que ele exerceu o perdão? Nesse momento, há que ser inteligente para ver e dar a oportunidade de perdoar que faz com que o outro tenha a oportunidade de melhorar e de crescer. Com isso todos ganham e quando todos ganham aparece o lucro. Reciprocidade? O lucro impulsiona mais lucro. O que é lucro para você? É a reciprocidade dos bem-aventurados que tem inteligência, coração e humanidade para ser misericordioso.

Moacir Rauber

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BEM-AVENTURADOS OS QUE SÃO “DEMASIADAMENTE HONESTOS”!

Bem-aventurados os que são “demasiadamente honestos”!

Fazia trinta anos que ele repetia um ritual: levantava-se pela manhã, preparava o seu café, vestia-se apropriadamente e seguia de metrô para o trabalho numa empresa que ele viu nascer, uma vez que foi o seu primeiro funcionário. Agora era uma empresa gigante com um dono que se orgulhava de defender valores como a honestidade, a integridade e a justiça. Com o passar dos anos o dono se tornou seu amigo, por isso ele viu o seu filho crescer, fazer faculdade e se tornar adulto. Pela primeira vez, em todos esses anos, ele não cumpriria o seu ritual. Levantou-se no mesmo horário, foi para a cozinha, fez o café, mas não se vestiu e nem saiu para trabalhar. Isso porque no dia anterior havia sido demitido pelo filho do dono que assumira o controle da empresa. Foi um choque que ele não sabia como e nem quando iria se recuperar. Primeiro, veio a morte de seu amigo e dono da empresa. Em seguida o filho assumiu o controle. Logo, ele foi comunicado de que ele não fazia mais parte do quadro laboral da organização e que podia desocupar a sua sala, limpando a sua mesa. Entre as novas diretrizes da empresa estava o entendimento de que era necessário rejuvenescer o quadro de colaboradores. Nos corredores da empresa circulava a conversa de que alguns dos que estavam sendo dispensados eram “demasiadamente honestos”. Ele era um deles. “Bem-aventurados os que tem sede e fome de justiça, porque eles serão saciados”, como fica? Onde está a justiça na situação contada que não é nova e segue se repetindo?

A sua demissão havia ocorrido há oito anos. Ele agora contava com setenta anos e relembrava essa história com a sua esposa. Ao ser demitido se sentiu injustiçado e teve vontade de se vingar, de ofender e de castigar o responsável por ele perder o chão. Ficou somente na vontade, porque quem tem fome e sede de justiça não pratica a vingança. Após sair da empresa ele entrou num profundo período de recolhimento, beirando a depressão. Não sabia o que fazer com o seu dia. Lembrava-se da acusação de ser “demasiadamente honesto” como uma das razões para a sua demissão. Não podia acreditar. Os dias se passaram e ele saiu do recolhimento. Foi procurar os demais colaboradores que saíram da empresa, todos com mais de cinquenta anos. Alguns já estavam recolocados. Outros ainda procuravam uma nova oportunidade. Falou com estes. Uniram as suas competências e iniciaram um novo negócio em formato de cooperativa. Hoje eles conduzem uma organização promissora que conta com um quadro de colaboradores comprometidos, tendo entre os seus valores a honestidade, a integridade e a justiça. Quem tem sede e fome de justiça não precisa de vingança para fazer vingar a prosperidade. E a empresa do seu falecido amigo?

A empresa controlada pelo filho do seu amigo segue a sua vida, porém com muitas dificuldades. O capital representado por ser conhecida como uma empresa honesta, íntegra e justa que a tornava confiável, em parte, se havia perdido. Com isso, muitos contratos desapareceram e com eles grandes clientes se foram. O filho lutava para manter a empresa em pé, recorrendo a cooperativa de consultores presidida pelo seu antigo primeiro colaborador. “Bem-aventurados os que tem sede e fome de justiça, porque eles serão saciados” não se trata de vingança nem de revanche e muito menos de religião. Refere-se a um convite para sermos honestos, íntegros e justos em nossas decisões, intenções e ações para que se construa um mundo melhor com pessoas “demasiadamente honestas”. Além do mais, no longo prazo a honestidade, a integridade e a justiça são lucrativas. Por isso, o mundo pode não ser justo, mas cada um pode ser.

Moacir Rauber

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