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CONVERSA DIFÍCIL?

Fonte: IA BING

Conversa difícil?

Para a minha amiga estar no trabalho era difícil. Não se tratava da síndrome do domingo à noite que incomoda a muitas pessoas quando se lembram que tem horário de trabalho a cumprir. O incômodo era constante, porque estar no trabalho fazia com que ansiedade tomasse conta dela. Para ela, o problema tinha nome e sobrenome. Tratava-se de sua chefe direta com quem a relação não era nada boa. A seu ver, a chefe sempre discordava dela e a sua presença fazia com que sentisse um embrulho no estômago. Alguém vive, viveu ou presenciou uma situação parecida? O que fazer diante de uma situação como essa?

A sabedoria presente no senso comum nos ensina que sou responsável pelo que alimento em mim e a ciência comportamental desenvolveu técnicas e tem indicações de estratégias para resolver questões, aparentemente, difíceis no trabalho, na família e nas relações sociais. Não se trata aqui de comportamento abusivo ou de assédio moral. A questão relatada se situava em diferenças interpretativas de uma mesma realidade. A Inteligência Positiva orienta a que cada um identifique os sabotadores internos para dar a oportunidade de resgatar o sábio que existe em nós. De forma complementar, a Comunicação Não-Violenta oferece um passo a passo para se posicionar nas diferentes situações com cuidado e autocuidado. A questão exposta pela amiga, era de que as soluções propostas por ela no trabalho nunca eram aceitas por sua chefe. Assim, a ansiedade a acompanhava constantemente. Era difícil suportar a ideia de que a crítica seria a resposta recebida por suas iniciativas. Tinha vontade de pedir demissão, entretanto, o trabalho representava o seu sustento, além de ser resultado de uma escolha de exercer a profissão sonhada. Ela compartilhou a história comigo ao final da oficina que explorava os recursos da Inteligência Positiva com a Comunicação Não-Violenta. Em seguida me perguntou, “o que fazer?”. Respondi com outras perguntas numa conversa de quarenta minutos, “Qual é a situação?” “Que sentimentos você registra?” “Quais as necessidades atendidas ou não, tuas e da outra pessoa?” “O que você quer fazer?”. As perguntas lançadas, visivelmente, ecoaram nela. Ela fez algumas Pausas. Devagarinho, a minha amiga soube diferenciar o que é fato daquilo que era a sua interpretação da realidade. Soube reconhecer os seus sabotadores internos ao discernir que a chefe não a criticava “sempre”. Ela diferenciou que, por vezes, a chefe tinha outra solução para um problema comum. Ela começou a diferenciar que os sentimentos que ela registrava e alimentava eram seus e não responsabilidade de outra pessoa. Discordar era normal, alimentar os sentimentos era escolha sua. A minha amiga identificou que tinha a necessidade de reconhecimento não satisfeita quando algo proposto por ela não era implementado, porém entendeu que as soluções propostas por outra pessoa igualmente resolviam o problema. Por fim, decidiu ter uma conversa com a chefe para esclarecer pontos que desencadeavam o processo de ansiedade que ela vivia constantemente. Desse modo, durante três encontros consecutivos acompanhei a minha amiga que preparou a abordagem, escolheu o local e marcou a conversa com a chefe que supostamente era a fonte de sua ansiedade. O que aconteceu?

Depois da conversa com a chefe, a minha amiga me disse, “ela é uma boa pessoa…” e seguiu descrevendo como se desenrolou o encontro. Ela comentou das suas necessidades com a chefe e fez um pedido claro e positivo com a promessa de que assim seria. A não escolha, por vezes, das suas sugestões, não era uma rejeição a ela, era apenas uma visão diferente de uma mesma questão. Não havia nenhum sentimento de rancor ou raiva, porque a chefe apenas escolhia a solução que parecia ser a melhor. A minha amiga concluiu que durante os meses que havia sofrido ela havia sido sequestrada pelos seus sabotadores internos. A conversa parece ser difícil? Provavelmente, a conversa mais difícil é aquela que você não tem. Faça uma pausa, prepare-se, reconheça as intenções e estabeleça uma ação. Lembre-se, do outro lado tem uma pessoa como você!

Moacir Rauber

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QUEM ESTÁ SE METENDO NA SUA VIDA?

Quem está se metendo na sua vida?

Ouvi parte de um diálogo telefônico entre um pai e um filho já adulto. Não houve como evitar, porque eu estava no mesmo ambiente. Quando isso acontece, escutamos sem querer e interpretamos de acordo com as nossas crenças e valores. Não falei nada, mas deduzi algumas coisas.

Ouvi do pai a resposta:

– Não, meu filho, não acho que valha a pena você mandar fazer tudo isso antes de vender o carro. Se a pessoa quiser ela vai comprar do mesmo jeito…

Do outro lado deve ter havido alguma argumentação para fundamentar uma ideia para a qual ele pedia a opinião. Mais uma vez do lado de cá ouvi:

– Fazer por fazer não adianta. Fazer o que precisa ser feito não vale a pena. Você vai gastar um montão de dinheiro e o carro não vai valorizar tudo isso. Mostra pra pessoa e fala o que aconteceu. É muito mais fácil.

A conversa seguiu nesse rumo por mais uns instantes, até que desligaram. O pai, que é meu amigo, olhou-me e disse:

– Se não quer a minha opinião por que me pede? E ainda por cima ficou irritado…

É uma situação comum. Muitas pessoas pedem uma opinião sobre algo, embora não a queiram verdadeiramente porque já decidiram o que vão fazer. Deduzo que talvez apenas queiram ter a confirmação de que a sua decisão é boa. Ao receber uma opinião diferente daquela que haviam imaginado como a melhor resposta, muitas vezes, incomodam-se com a pessoa a quem solicitaram a opinião. Por isso, se você pedir uma opinião, considere-a. Há que se desenvolver a humildade para saber que uma mesma situação pode levar a diferentes interpretações. É essencial entender que se alguém interpreta uma situação de maneira diferente há a possiblidade de que ele esteja certo e você não. Contudo, creio que na soma das interpretações se encontram as melhores soluções. Dos otimistas há que se extrair a energia e os conselhos do que se pode fazer. Dos pessimistas há que se aproveitar a experiência, a indicação dos possíveis percalços e o que não se deve fazer. Sempre se pode aprender, porque tanto o otimista como o pessimista ensinam.

Em muitos casos, as pessoas que pediram uma opinião passam a reclamar que todos querem dar palpites em suas vidas. Mesmo assim, não deixam de pedir a opinião de pai, de mãe, de amigos, do cachorro e do papagaio até para decidir qual a cor do tênis que vão comprar. No momento em que você pediu a opinião a alguém sobre qualquer assunto, está autorizando o outro a se pronunciar sobre o tema. No instante em que você formulou e dirigiu a pergunta para alguém você lhe deu o direito de opinar sobre o que foi perguntado. Sempre que o que foi indagado se tratar de uma questão pessoal, você autorizou o outro a se meter na sua vida. Depois não reclame. Se não quiser que se metam na sua vida, não autorize. Não peça a opinião.

Você poderia dizer, É, mas eu não autorizei ninguém a dar palpites na minha vida e mesmo assim eles dão… E isso te incomoda? Em caso afirmativo, você pode não ter dado a autorização explicitamente, mas de forma implícita você a deu, simplesmente pelo fato de que isso o atinge. Não autorizar também significa pouco se importar com aquilo que vão falar de você.

Por fim, se não quiser uma opinião, não peça. Se você já tem uma decisão, caso julgue necessário, informe. Ao adotar essa postura você vai ver que os outros não podem se meter na sua vida. A menos que você os autorize…

Moacir Rauber

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QUERIA ESTAR COMO VOCÊ!

Queria estar como você!

Na última semana tive que fazer uma parada programada e obrigatória num centro de reabilitação que trata de pessoas com lesão medular, meu caso como cadeirante. Retorno depois de quase trinta anos para uma reavaliação da minha condição com as suas particularidades e, por vezes, complicações. No andar do hospital em que estava internado havia mais de 30 pessoas com algum tipo de lesão medular, sendo a maioria homens jovens, com algumas mulheres e pessoas com mais idade. Pela manhã levantei-me com a força dos meus braços e fui para a minha cadeira de rodas. Olhei para a minha esquerda e vi o meu agora amigo tetraplégico que me disse:

– Eu gostaria de estar assim!

Não havia inveja nem maldade em seu comentário, talvez um momento de nostalgia. Aprendi que ele é uma pessoa emocionalmente forte e uma inspiração para qualquer pessoa que se deixa levar pelo pessimismo, tristeza, frustração ou qualquer outro sentimento não produtivo. A alegria era parte de sua natureza ou era uma escolha sua. Ele não reclamava, apenas admirava. Ele se referia a minha ainda capacidade de sair sozinho da cama. Ele, naquele momento, não podia. Após o comentário, olhei para a direita e vi outra pessoa com lesão medular que se levantava da cama com a força das pernas. Ele caminhava devagar, porque a sua coordenação motora havia sido afetada. Pensei: Eu queria estar assim! Tive que rir, porque parece que sempre estamos buscando fora a solução que está dentro de cada um.

Muitas vezes, olhamos para o lado e pensamos que as nossas dificuldades e os nossos problemas são os mais difíceis. Pode até ser verdade, porque eles são nossos e somente nós os podemos resolver ou não. Não resolver também é uma maneira de resolver. Por isso, algo não indicado a fazer é comparar-se ou comparar problemas o que tende a gerar competição. A competição pela comparação, por vezes, começa no seio familiar que se replica no ambiente escolar e, posteriormente, nas organizações. Consequentemente vigora na sociedade, onde é reforçado pelo uso indiscriminado das redes sociais que valorizam o que pareço ser e não o que sou. Desse modo, para parecer ser eu preciso consumir o que não posso e que não precisaria comprar. As pessoas se envolvem num movimento desordenado por conquistas materiais e de imagem que produz infelicidade. Há uma busca insana em comparação com o vizinho, com o irmão ou com o colega de profissão em que competem por dinheiro e poder, além da ostentação de bens de consumo como carros, joias, viagens ou outros itens de consumo. Comparam-se. Frustram-se. São infelizes.

Não há como desejar estar onde o outro está. Você está onde deveria estar pelas escolhas que fez ou pelo acaso que o levou até aí, mas somente você pode decidir ficar ou seguir. Comparar-se, seguramente, não é o melhor caminho, porque somos únicos e singulares, assim como somos plurais e múltiplas. Por fim, entendo que a comparação pode acontecer, porém ela somente é legítima caso sirva de inspiração para que você construa o seu caminho.

Em seguida ao meu riso comentei com os amigos de hospital o pensamento. Ambos riram, porque eram pessoas com deficiência física com uma saúde emocional e espiritual invejável. Enfim, deixar de olhar somente para o próprio umbigo num movimento vitimista de acreditar que o mundo não é justo, pode fazer a diferença para que cada um seja justo no mundo. A comparação acontece? Dê um passo a mais: admire, aprenda e aplique aquilo que serve em sua vida. Mais uma vez olhei para eles e soube naquele momento que eles são e continuariam sendo inspiração para que eu siga a minha trajetória.

Essa situação, naquele dia, mostrou-me que eu não posso estar onde o outro está. Estou onde devo estar. Por isso, o ambiente em que fiz a minha parada obrigatória programada, além dos benefícios do tratamento, equivaleu a muitos anos de terapia.

Aquilo que você compara serve de inspiração?

Moacir Rauber

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A REPETIÇÃO É A LINGUAGEM DA VIDA!

Fonte: IA BING

A repetição é a linguagem da vida!

A idade estava avançada, mas a memória seguia ativa e trazia a lembrança do primeiro encontro com a sua esposa. Saíram para jantar em seu fusca. A noite fora linda. No retorno ele estacionou em frente à casa dela, num bairro tranquilo, ao lado de uma igrejinha. Ainda era cedo. Ele desceu, foi até o outro lado e, cavalheirescamente, abriu a porta. Ela saiu do carro e pegou na sua mão. Nisso, um transeunte disse:

– Lembrem-se a repetição é a linguagem da perfeição e do amor!

Era o padre que saia da igreja. Lembrava que em seguida pensou: por que a repetição era a linguagem da Perfeição e do Amor? Para ele a repetição estava associada à rotina, à monotonia, ao tédio e ao final do amor. Nada de perfeição. Ele não pensava em ter um matrimônio de rotinas. Entretanto, com o passar dos anos, ele foi se dando conta dos milagres oriundos da repetição como linguagem da perfeição e da rotina como elemento de estabilidade para manter o amor.

Mais de sessenta anos se passaram e ele voltava a essas memórias. Pensava que a repetição e a rotina eram importantes em diferentes áreas da vida. Na (1) área relacional pensava em tantos amigos que terminaram um ou mais matrimônios, porque não tiveram rotina e não criaram rituais significativos que se repetissem para que se mantivessem alinhados em suas escolhas. Desse modo, a rotina de não ter rotina se transformava em algo esgotador. Ele lembrava da (2) esfera organizacional como gestor de processos numa grande organização e ao transformar a sua pequena loja numa empresa sólida que atendia bem aos clientes, remunerava com justiça os colaboradores e sustentava a sua família. Foi da repetição observada que ele estabeleceu a rotina criativa que permitiu que os processos fossem sendo alterados em conformidade com a mudança ambiental sem perder a essência dos valores que trazia consigo. Nesse momento, em que mais uma vez ele descia do carro em frente a sua casa, ele pensava que (3) a vida precisa da repetição: a respiração é repetição, ainda que se possa fazê-la mais longa ou curta. Os batimentos cardíacos são repetição, mesmo que às vezes se acelerem e desacelerem. Alimentar-se é repetição, ainda que se possa escolher diferentes comidas. Hidratar-se é repetição, mesmo que se tenha a possiblidade da escolha. Sem a repetição a vida para.

A espiritualidade encontrada na oração e na meditação exige repetição. E as palavras podem ser repetidas? E quando repetidas, são autênticas? Muitos dizem que palavras repetidas numa oração, por exemplo, se tornam automáticas perdendo sua autenticidade. Entretanto, há que se lembrar que o amor é a repetição que nos leva a dizer “Eu Te Amo” não somente uma vez na vida para aqueles que amamos. Quantas vezes se diz ao filho “eu te amo”? Quantas demonstrações de amor mantém uma amizade? E um matrimônio, se sustenta para aqueles que dizem “Eu Te Amo” somente na hora da benção? “Eu Te Amo” precisa ser dito todos os dias com palavras e ações. É a repetição!

Todas essas reflexões passavam pela cabeça daquele ancião que há tanto tempo havia escutado de um padre que a repetição era a linguagem da perfeição e do amor. Ele cruzava mais uma em vez frente ao seu carro para abrir a porta para a sua esposa. Ela desceu com dificuldade, pegou na sua mão e caminharam juntos rumo a casa. Ele nunca deixou de repetir esse gesto que, para ele, representava a perfeição que o manteve conectado por toda uma vida com a pessoa com quem ele escolheu repetir a rotina de construir o amor. De mãos dadas com a esposa, antes de dormir, começaram, Pai Nosso… e seguiram, Ave-Maria… até que concluíram o rosário numa repetição que era a linguagem da Vida para eles. Por fim, enquanto se preparava para dormir ainda lembrou que o nascer e o pôr do sol são repetições e a lua repete os seus ciclos. Para ele, a repetição é a Linguagem da Vida!

Moacir Rauber

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LEMBRE-SE, VOCÊ VAI MORRER…

Lembre-se, você vai morrer…

Havia um grupo de eremitas franceses, os Paulianos, que viviam reclusos dedicados à oração e ao silêncio. No dia a dia, ao se encontrarem no decurso de suas atividades ordinárias podiam fazer uma única saudação:

Memento Mori!

A tradução da saudação pode ser “lembre-se, você vai morrer” ou próximo a isso. Ainda que pareça uma saudação tétrica, ela traz uma verdade irrefutável, até o momento. Contudo, muito mais do que um recado lúgubre se trata de um convite para aproveitar a vida com a consciência de sua finitude, dando-nos a devida dimensão da importância de vivê-la em sua plenitude. Os romanos igualmente tinham a morte presente. Os generais romanos quando voltavam a Roma após uma campanha vitoriosa, eram saudados numa festa inigualável que poderia fazê-los crer que eram deuses. Desse modo, um grupo de soldados era destacado para sussurrar repetidamente de maneira audível para o general ovacionado, “lembre-se, você é mortal”.  Por isso, memento mori é um convite para o memento vivere, viver o presente sem se esquecer que não se tem garantido nenhum dia mais de vida.

Tendo em mente a inevitabilidade da morte: (1) o que você faria em vida nas suas relações próximas? A consciência da finitude da vida nos dá a real importância do presente, tirando a relevância daquilo que não é. A pessoa com quem você vive está ranzinza? Lembre-se, ela também está a caminho do inevitável. O seu filho não limpou o quarto como você queria? Faça o que for melhor para o outro e para você sem que isso se transforme num problema. Os amigos não te convidaram para a última festa? Convide-os você. Ter presente a finitude da vida nas relações fará de você uma pessoa mais afável, respeitosa, cuidadosa e feliz. (2) Como você atuaria na sua organização como líder, gestor ou outro papel? Ter em mente a finitude da vida pode proporcionar a dimensão da nossa pequenez sem diminuir a importância do papel que exercemos e do impacto na vida das outras pessoas. Sair para o trabalho com essa lembrança fará de você um líder mais humano sem ser condescendente; e um gestor mais efetivo sem ser tirano, porque todos, igual a você, estão no mesmo caminho. (3) Qual seria a sua atuação social? Ao ver as notícias do mundo político, econômico e social se percebe que são poucas as pessoas que estão conscientes da sua mortalidade. Observam-se políticos numa luta insana por migalhas de um poder que não existe. Não há imperador ou general romano e não haverá rei ou presidente do mundo que ficará aqui para sempre. Porém, as decisões tomadas por políticos afetam a vida de outras pessoas para o bem ou para o mal. Testemunhamos artistas e empresários que competem entre si na busca pelos holofotes da visibilidade. Muitos, seriam capazes de matar para figurar na lista dos mais influentes. Influentes no quê? Enfim, não importa o seu papel no mundo, importa a sua escolha. Qual é a sua escolha na vida, uma vez que a morte já está garantida?

Os frades se recordavam mutuamente da inevitabilidade da morte. O general tinha os soldados para o relembrar dessa realidade. E você, quais as estratégias para ter isso em mente? O equilíbrio entre o memento mori e o memento vivere nos brinda a consciência de que o tempo que passou é parte da morte que está por vir. Sêneca dizia “a maioria dos homens minguam e fluem em miséria entre o medo da morte e as dificuldades da vida; eles não estão dispostos a viver, e ainda não sabem como morrer” ressaltando a importância de estar preparado para morrer. Tomás de Kempis nos avisava para viver de uma maneira que “na hora da morte te possas antes alegrar que temer”. Ajoelhar-se diante do desconhecido pode ser um bom começo.

Enfim, não leve a vida tão a sério, porque você não vai sair vivo dela. Assim, viva uma vida mortal e esteja preparado para uma morte vital (Santo Agostinho). Lembre-se, você vai morrer… é um convite para viver!!!

Moacir Rauber

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Qual é o teu ponto de vista na VIDA?

Fonte: IA BING

Pontos de vista na VIDA!

A oficina transcorria normalmente sendo coordenada por dois facilitadores. A primeira parte foi conduzida por um deles. Após o intervalo os papéis seriam invertidos. Todos voltaram, exceto o facilitador responsável por conduzir a oficina. O ambiente virtual é dinâmico, por isso o facilitador que estava online retomou as ações, ainda que não era sua responsabilidade. Alguns minutos depois entra na sala virtual o facilitador encarregado e é recebido com a seguinte frase pelo seu colega:

– É sempre assim. Era tua a responsabilidade de conduzir a oficina e você se atrasa. Você me irrita com essa irresponsabilidade!

As pessoas na sala emudeceram. O clima ficou tenso. O facilitador interpelado, timidamente, respondeu:

– Desculpe-me, eu sempre faço tudo errado. Termino por estragar tudo.

O clima ficou tenso e o mal estar marcou presença na sala. O silêncio gritava.

Pergunta-se: de que formas se posicionar numa situação incômoda? Quais os pontos de vista que se podem explorar numa situação adversa? A Comunicação Não-Violenta identifica quatro formas de interagir e o acrônimo VIDA explica.

O “V” pode ser o ponto de vista de quem se coloca como “Vítima” diante de algo inesperado, agressivo ou incômodo. A pessoa se assume como quem frustra ou prejudica um projeto em andamento num processo de autocrítica e culpabilização. É uma forma vitimista de ver o mundo que gera desconexão consigo e com o outro, como na resposta acima.

O “I” se relaciona ao ponto de vista do “Intimidador” que reage com violência diante do inesperado, agressivo ou incômodo. É a postura de acusar para se escusar e culpar o outro. Na situação acima, a resposta poderia ser “Você não tem o direito de dizer isso! Estou carregando essa oficina nas costas e cuidando das tuas necessidades!”. Igualmente é uma resposta que rompe, desconecta e tende a aumentar o conflito.

A pessoa interpelada pode reagir com o “D” de “Doador” ao escutar e ver a partir da perspectiva do outro. “Entendo que você está irritado porque o compromisso com a pontualidade é importante para você…” seria uma resposta de quem exercita a empatia e surge a possibilidade da conexão. Reconhece-se os sentimentos e as necessidades do outro, porém, sem o cuidado consigo mesmo.

Por fim, o ponto de vista que fecha o ciclo da VIDA é o “A” do “Amor” que reconhece os sentimentos e identifica as necessidades do outro sem descuidar das próprias. “Pecado é a ausência de amor nas ações” (Padre Adroaldo Palaoro) é uma frase que enseja a sabedoria de alinhar as intenções com as ações. É o cuidado e o autocuidado que reflete a empatia e a auto empatia para conectar-se com o outro sem desconectar-se de si. Trata-se de registrar os próprios sentimentos e identificar as necessidades pessoais que estão envolvidas na situação de um potencial conflito. O que é importante para mim e para o outro? Onde podemos convergir para que os meus e os teus sentimentos sejam reconhecidos e respeitados? Como podemos atender as tuas e as minhas necessidades? Portanto, a capacidade de pausar e tomar a consciência da situação pode nos levar a uma resposta como uma escolha deliberada para afetar com afeto. Assim, a resposta poderia ser, “Entendo que você está irritado porque o compromisso com a pontualidade é importante para você, assim como é para mim. Atrasei-me porque minha filha passou mal e tive que atendê-la. Agradeço por haver reiniciado a oficina e comprometo-me em avisar num próximo episódio!” Com isso, conectam-se as necessidades de um e de outro e os sentimentos envolvidos, diminuindo a energia da reação e aumentando a força da conexão. A violência desvanece e o Amor aparece.

Por isso, a Comunicação Não-Violenta acontece com a consciência dos diferentes pontos de vista que podemos adotar na VIDA. A situação tensa relatada no início se desfez tão logo avançamos para a segunda possibilidade de diálogo em que os presentes entenderam que havia sido uma conversa programada. Com isso demonstramos na prática que as respostas dadas na VIDA a partir da perspectiva do AMOR AFETAM COM AFETO.

Moacir Rauber & Miriam Moreno

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QUAL É O SEU ESPAÇO DE TEMPO SAGRADO?

Qual é o seu Espaço de Tempo Sagrado?

Era o ano de 2004 e estávamos em Girona na Espanha, uma cidade de mais ou menos 100 mil habitantes, para participar de uma das etapas do campeonato mundial de remo. Tínhamos nossos treinos pela manhã até às 11h e a tarde depois das 16h. Naquele dia o técnico queria comprar uma peça que havia quebrado no barco. Logo após o almoço ele saiu em busca de uma loja de ferragens, uma casa de parafusos ou uma tornearia qualquer que pudesse resolver o problema da peça. Depois de mais de uma hora perambulando pela cidade ele voltou irritado:

– Não tem nada aberto. Tá tudo fechado!

E era fato. Nos inteiramos que em Girona o comércio estaria fechado até às 16h. Era a hora de “la siesta”, um horário sagrado para os seus habitantes. E você, qual é o seu Espaço de Tempo Sagrado? Não tem? Pois deveria começar a pensar em ter, porque um tempo sagrado é uma excelente estratégia para preservar a saúde mental, melhorar o desempenho e manter o foco naquilo que importa. Em tempos de vida virtual com recursos tecnológicos abundantes, diluíram-se muitos dos limites entre pessoal e profissional. Difundiu-se a ideia, acertada, de que não se pode separar por completo o indivíduo que trabalha da pessoa que vive na sua família, porque um é parte do outro. Por outro lado, entretanto, perdeu-se a noção dos limites daquilo que é íntimo e pessoal para com aquilo que é público e profissional. Com isso, além de transformarem temas íntimos de foro privado em público e de converterem o pessoal em profissional e igualmente público, muitas pessoas se sentem na obrigação de estarem sempre disponíveis. Não há fronteiras. Muitos estão trabalhando o tempo todo e em todo o lugar, aumentando os índices de esgotamento mental, de baixa produtividade e de perda do foco. O que fazer para preservar a saúde mental, melhorar o desempenho e manter o foco naquilo que importa? Os espanhóis de Girona tem a sua “siesta”. A Bíblia e muitas religiões nos brindavam com o Sábado Sagrado ou o Domingo Santo. Cada uma dessas estratégias adotadas ao longo da história é muito mais do que senso comum. Elas preservam necessidades humanas básicas, entre elas a saúde mental derivada do descanso que somente se encontra no mais profundo de cada um. É o espaço da reconexão com o essencial, incluindo a busca pela transcendência. Por isso, definir um Espaço de Tempo Sagrado ou Santo atende as demandas íntimas e pessoais, valorizando aquilo que é público e profissional ao contribuir para se desempenhar aquilo que se quer com o foco naquilo que importa. É o espaço em que cada um pode se encontrar com o seu Eu Sagrado, Eu Santo, Eu Pleno ou Eu Integral. O que fazer? Faça as Pausas e crie seus Espaços de Tempo Sagrados. Nesses espaços de tempo você é inalcançável para os demais para estar ao alcance de si mesmo. Dedique um tempo exclusivo para respirar livre, curando as próprias feridas e clarificando aquilo que está conturbado. É Sagrado (Pe. Anselm Grün). Entretanto, muitos de nós perdemos esse contato com o religioso e o Sagrado e nos perdemos no vulgar e mundano. Para estes a neurociência, cientificamente, comprova que o tempo Sagrado é um excelente recurso que contribui para preservar a saúde mental, a melhorar o desempenho e a manter o foco. Como exemplo, a Comunicação Não-Violenta nos traz quatro passos que podem contribuir nessa busca, sendo a capacidade de observar sem julgar o primeiro que se desenvolve mais facilmente no Espaço de Tempo Sagrado. Igualmente, a Inteligência Positiva nos divide internamente em Sábio e Sabotadores, podendo o sábio ser encontrado com mais frequência no espaço de tempo Sagrado.

Enfim, não importa se você não tem mais o sábado ou o domingo como um tempo sagrado, porém é fundamental que você crie um espaço para chamar de seu. Qual é a sua “Siesta” para conversar consigo mesmo? Se for um domingo Santo para se ajoelhar diante do desconhecido, melhor.

Moacir Rauber

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VOCÊ JÁ DISSE “SIM” QUANDO QUERIA DIZER “NÃO”?

Fonte: IA BING

Você faz o que quer? Deixe-me pensar…

Ela estava por sair da empresa no final de seu horário de trabalho. Arrumava a sua escrivaninha e salvava os últimos arquivos para poder fechar o computador. De repente, toca o celular e uma amiga sua fez um pedido:

– Você poderia buscar o meu pet na saída do trabalho e deixá-lo com minha mãe? Eu tenho um compromisso inadiável hoje à noite.

Ela titubeou, porém disse “sim”. Desligou o telefone e logo se sentiu um pouco irritada consigo mesma. Por que aceitei fazer isso? Eu tenho um compromisso com meu namorado mais tarde… pensou ela em seguida, mas o “sim” estava dito. Agora restava cumprir. Saiu um pouco impaciente, entrou no carro e começou a se deslocar para atender ao pedido da amiga. Não era nada de mais, somente teria que fazer um desvio de sua rota que, dentro da normalidade, não tardaria mais do que dez minutos. Porém, parece que a normalidade desaparece quando se faz algo que não se quer fazer. A impaciência aumentou ao se deparar com um engarrafamento naquela rota. Os previstos dez minutos se transformaram em 20, 30 minutos e, por fim, tardou mais de uma hora. Ela ligou para o namorado dizendo que se atrasaria. A impaciência se transformou em estresse que a deixou furiosa. Como pude ser tão idiota!!!… e o diálogo interno estava agressivo. Você já disse “sim” quando queria dizer “não”? Em situações assim, o que fazer? Não diga “sim” nem “não” muito rapidamente. Não aja por impulso. Faça uma Pausa. Peça um tempo para pensar e organize as emoções e os sentimentos (Anselm Grün). A Pausa é uma estratégia que pode ser adotada de antemão. É importante saber colocar os limites entre as próprias necessidades e as necessidades do outro, porque ao dizer “sim” para o outro você pode estar dizendo “não” para você, assim como ao dizer “não” para o outro você poderá estar dizendo “sim” para si mesmo. Portanto, para ter essa clareza, pergunte-se: tenho tempo e disposição para fazer o que me pedem? No tempo solicitado antes de dar uma resposta imediata a pessoa pode acessar os recursos que tem. É a Pausa que te dá essa possiblidade. A partir dela posso acessar o conhecimento vindo da Inteligência Positiva ao identificar os meus sabotadores internos, sendo um deles o “prestativo”, que tem a necessidade de agradar aos outros na busca por reconhecimento. Além do mais, na Pausa posso trazer os recursos da Comunicação Não-Violenta para identificar as necessidades atendidas e não atendidas frente a resposta “sim” ou “não”. Com esses recursos em mente, caso sinta alguma rejeição ou resistência frente ao pedido você já tem uma resposta para dar passado o tempo solicitado: “não”. Entretanto, após avaliar se tenho tempo e disposição para fazer o que me pedem, posso dar um passo a mais e me questionar: quais as necessidades que atendo ao dizer “sim” ou “não”? Quais as necessidades que deixo de atender com uma ou outra resposta? Posso entender que ao dizer “sim” satisfaço as necessidades de confiança, de conexão ou de aceitação, entre outras, porém descuido da necessidade de harmonia, de afeto ou de celebração. Por outro lado, ao dizer “não” para a amiga a situação se inverte e satisfaço as necessidades antes descuidadas e descuido as necessidades antes cuidadas. O que é mais importante para você? Depois do tempo solicitado, caso você diga “sim”, internalize a escolha, faça e seja feliz. Caso você opte pelo “não”, igualmente. A tua resposta será uma escolha consciente, uma Ação da Pausa.

Enfim, a noite da moça que aceitou buscar o pet da amiga foi um desastre. Ao se encontrar com o namorado ele já estava mal humorado, assim a celebração não aconteceu. A harmonia que ela buscava já não existia e o afeto como necessidade não foi atendido. Além do mais, pergunte-se: será que estão apenas me usando? Isso porque naquela noite a amiga que pediu o favor pode encontrar o seu namorado no tempo marcado passando uma linda e romântica noite.

Moacir Rauber

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CABELO DESARRUMADO?

Fonte: IA BING

Cabelo desarrumado?

Um deles chegou com os cabelos desalinhados, vestindo um paletó de riscas, camisa sem gola e sem gravata, além de estar com um tênis branco. O outro entrou com o cabelo alinhado, vestindo um terno azul marinho, camisa com gola e gravata, além do sapato preto brilhante. Cada um com o seu estilo. O que cada um me transmitiu? Num primeiro momento, imaginei o primeiro rapaz como alguém descontraído e espontâneo pelo aparente relaxamento na forma de vestir. Ao ver o segundo jovem, pensei em seriedade e organização pela aparente formalidade na forma de vestir. Será isso real?

“A primeira impressão é a que fica” é um ditado popular que tem algum fundo de verdade, desde que cada um viva em conformidade com a impressão passada. Caso contrário, há uma demanda de energia e de recursos emocionais internos para manter no ambiente externo algo que não é natural desde dentro. Desse modo, entendo ser essencial que cada um possa se exibir externamente o mais próximo possível daquilo que carrega internamente. Que a forma de se vestir expresse o seu modo de ver o mundo sem gerar um conflito entre o que se exibe e o que se é. Seriam os cabelos desalinhados daquele rapaz que conheci a expressão daquilo que a imagem poderia me passar? A partir da minha perspectiva interpretativa, os fios de cabelo desalinhados davam uma aparência de descontração que me levava a vê-lo como espontâneo e, quem sabe, alguém criativo e inovador. Por outro lado, seria o cabelo alinhado do outro rapaz que conheci a expressão daquilo que a imagem poderia me passar? Mais uma vez, a partir da minha interpretação, o cabelo penteado de maneira alinhada dava a impressão de seriedade que me levava a vê-lo como alguém organizado e, quem sabe, grande credibilidade. Essa foi a primeira impressão que tive, mas que não ficou em pé para nenhum dos dois. Ao conhecer mais profundamente o primeiro rapaz, pude perceber que cada fio de cabelo estava desarrumado ordenadamente. Não havia nenhum cabelo que não estivesse fora de lugar como estrategicamente pensado. E esse ordenamento se refletia na sua organização e, por incrível que pareça, na pouca descontração e na baixa espontaneidade dos seus movimentos corporais e relacionais. De igual maneira, ao conhecer por mais tempo o segundo rapaz, a primeira impressão se desfez. Toda a seriedade se transformou em descontração e a ideia de organização caiu por terra rapidamente. O que ambos tinham em comum? Para mim passavam uma imagem em desconformidade com quem eram na realidade, entretanto esse é um julgamento meu a partir de minha visão de mundo. Porém, ambos eram incríveis, comprometidos, criativos e inovadores no seu dia a dia laboral.

Enfim, não se engane entre alguém que aparece com o cabelo desalinhado rotulando-o de espontâneo, assim como com alguém que está com o cabelo penteado julgando-o como tenso. Pode ser a primeira impressão de cada um, porém elas podem ser desconstruídas no convívio diário. Portanto, roupas coloridas ou terno com gravata são apenas invólucros de algo que não se pode ver que está dentro de cada um. Qual é a diferença entre um e outro? Pouca, porque enquanto um tem o seu cabelo ordenadamente desalinhado o outro aparece com a cabeleira ordenadamente alinhada, internamente trazem os recursos emocionais que precisa de tempo para se desenvolver. O cabelo? Basta chegar em casa e desarrumar. As roupas? Sempre se pode trocar.

E você, o que exibe é aquilo que vem de dentro?

Moacir Rauber

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