O que pode nos contar um menino de 08 anos que carrega os seus remos?
Qual a mensagem num adolescente de 40 anos que não arruma a sua cama?
Quem são os ladrões da Autoestima? Quais são os sabotadores do Amor Próprio?
A live vai ensinar sobre autoestima? Não, ensinar nós ensinamos com aquilo que fazemos ou deixamos de fazer. A opção está no aprender que cada um pode escolher!
A minha amiga estava em frente ao portão e não encontrava as chaves para abri-lo. Foi assim que eu a vi chegar pela manhã depois de um ritual de expansão da consciência. Saudei-a. Ela respondeu com o olhar perdido. Ela se dirigiu para o loft onde estava hospedada. Voltei a vê-la no final da tarde, quando ela me explicou sobre a experiência:
– É incrível! Eu saí do meu corpo e pude ver outras dimensões da vida!!!
Expandir a consciência sem esforço, sem dedicação e sem empenho, para mim, não fazia sentido (https://facetas.com.br/2023/05/12/a-expansao-da-consciencia/). Ela comentava sobre o ritual ancestral praticado pelos xamãs em que a ingestão de uma bebida os levava a uma conexão plena com o universo. Durante o ritual o xamã conseguia ampliar a consciência sobre a interdependência entre todos os seres vivos do nosso planeta numa junção perfeita, fazendo com que houvesse uma integração espiritual para além do que os nossos sentidos podem perceber. Era encantadora a forma como ela descrevia os passos dados na busca por essa simbiose do corpo, da mente e do espírito. Era isso que a levava a participar do ritual. Escutava com genuíno interesse, porém concordava somente em parte. Expandir a consciência é uma busca de muitos. O caminho trilhado para alcançar é que faz a diferença. Você acredita que há um atalho para expandir a consciência? Entendo que não, porque o caminho demanda movimento que pede esforço, dedicação e empenho. Estes, exigem renúncia. Renunciar a que? Cada um dos xamãs ancestrais renunciou a uma parte de sua vida para desenvolver as habilidades de ser xamã. Segundo as crenças indígenas o xamã é um sacerdote que tem as capacidades de se conectar com o mundo dos espíritos para encontrar soluções para os problemas de uma comunidade. O mundo era melhor com a sua contribuição. Esse xamã, normalmente, tinha a sua vocação reconhecida quando criança, o que o levava por um caminho de consagração e estudos de anos. Não havia atalho. Essa criança, para ser xamã, renunciava a formar família (quase sempre), às brincadeiras e aos jogos que as demais crianças faziam. Além disso, o papel de um xamã exigia dedicação para aprender os segredos da natureza; requeria esforço para manejar as ervas medicinais; impunha empenho para exibir a aura de respeito que dele se esperava. Hoje, os xamãs urbanos querem expandir a consciência, mas não estão dispostos a renunciar a nada. Um sacerdote, um monge, um cientista, um atleta ou um santo expandem a consciência por meio de renúncias. O sacerdote e o monge renunciam a família para expandir a consciência espiritual e de coletividade; o cientista renuncia as festas para ampliar o seu conhecimento investigativo; o atleta renuncia a dormir até mais tarde para aumentar a sua capacidade física e mental; e o santo, a que renuncia? O santo renuncia aquilo que é impuro, mau e profano que o afasta de sua busca pela plenitude sagrada. E você, a que vai renunciar para expandir a consciência?
Por fim, entendo que sem renúncia não há expansão. Constata-se que as grandes mentes, além de esforço, empenho e dedicação, renunciaram. “Quem busca atalho passa trabalho” é um ditado popular com muita sabedoria. Não há mérito em expandir a consciência sem estar consciente. Por isso, penso que qualquer processo que recorra a estímulos externos para expansão da consciência, como uma bebida, um remédio, uma droga ou mesmo os recursos tecnológicos como a IA, traz como resultado a expansão da não consciência. Tem como resultado a inconsciência!
Desse modo, desejo que a minha amiga escolha renunciar à falta de vontade e volte estudar; que abdique da boemia e passe a trabalhar; que abandone o comodismo e comece a contribuir para que o mundo seja um lugar melhor com a sua presença. Isso, para mim, é expansão da consciência!
Escutava a minha jovem amiga falando da sua preparação para participar de um ritual que a levaria à expansão da consciência por meio de uma bebida. O processo, segundo ela, era uma experiência de “quase morte”, por isso era realizado num ambiente protegido em que eles eram acompanhados por especialistas. Por fim, ela disse:
– A experiência é profunda. A pessoa sai da realidade para ampliar a percepção sobre si mesmo e o seu papel no universo…
Fez mais alguns comentários sobre o processo e a expansão da consciência que permitiria a ela desfrutar da aventura de viver a vida ao máximo. Tive a percepção de que a expansão da consciência buscada pela minha amiga era um movimento egoísta, narcisista e preguiçoso de quem busca a plenitude da vida sem querer fazer o esforço necessário requerido.
A expansão da consciência é a capacidade de se perceber no mundo como um sistema completo, complexo e interdependente com outros indivíduos, que igualmente são sistemas completos, complexos e interdependentes que afetam e são afetados entre si. Essa percepção permite que se saia do modo automático de viver. Desse modo, ter essa consciência possibilita que cada um entenda que as ações individuais impactam a vida de outras pessoas num movimento circular e complementar de expansão da consciência pelo alinhamento das intenções e das ações. Qual é a tua intenção? Quais são as tuas ações? Ao responder essas perguntas pode-se concluir que buscar a expansão da consciência por meio da ingestão de bebidas, chás, ou qualquer outro alucinógeno, é algo: (1) egoísta, porque coloca os desejos e os interesses próprios de desfrutar ao máximo a vida em primeiro lugar. Não há preocupação em criar um mundo melhor para o outro, senão para si mesmo; (2) narcisista, porque não há empatia com ninguém mais do que consigo mesmo e a busca da expansão está ligada ao seu próprio bem-estar; e (3) preguiçoso, porque a expansão da consciência buscada chega num passe de mágica em que se entra em outros mundos sem esforço, dedicação ou empenho, simplesmente por se deixar levar pelos efeitos de uma bebida. Onde está o mérito nisso? Qual seria a expansão da consciência se não estou consciente no processo? Entendo como rituais de não consciência em que a alienação nos permite a sensação de desfrutar de uma realidade que não é a nossa.
Por fim, entendo que a expansão da consciência passa pela necessidade de estar consciente das ações, porque sem consciência não há expansão. Igualmente, a expansão da consciência exige esforço, dedicação e empenho para que seja consciente. A real expansão da consciência se consegue por meio de (1) estudo que exige persistência e aplicação para cumprir com os requisitos do curso escolhido. A minha amiga já havia desistido de dois cursos universitários. A expansão da consciência se consegue por meio das (2) práticas diárias com a disciplina de quem sabe o que faz e quando faz por meio do ato deliberado de cumprir com as escolhas feitas. A minha amiga não tinha horário para dormir ou levantar e a sua rotina era a não rotina. A expansão da consciência se consegue por meio da (3) oração e meditação como exercício vitalício de renúncia e autocontrole, comum entre padres e monges. Muitos deles, ampliam ainda mais a sua consciência por meio de trabalhos voluntários em hospitais, asilos e orfanatos, locais em que dão a presença, o amor e o afeto com a consciência de que o ato realizado faz daquele um lugar melhor. A tua expansão da consciência faz do mundo um lugar melhor?
Vai tomar um chá milagroso, uma cerveja ou um vinho? Não tem problema, porque a escolha é sua. Porém, tenha a consciência de que se trata da expansão da não consciência, porque qualquer movimento que não exige esforço, dedicação ou empenho é apenas um atalho para desfrutar de prazeres imediatos da vida.
O grupo fazia uma peregrinação para resgatar a espiritualidade presente na religião recebida das gerações anteriores. Era uma espiritualidade que ela tinha deixado de lado ao longo da vida. Entretanto, chegou um momento em que parecia importante para ela buscar a reconexão com aquilo que a havia acompanhado na sua chegada ao mundo. Ela precisava de sentido, de segurança e de direção. Finalmente, ela havia entendido que se estava onde estava era porque aqueles que a antecederam tinham entregado algo de bom para ela. Dessa forma, nessa busca por reconexão ela se indagava:
– O que eu devo entregar para alcançar o que busco?
A reposta veio na voz interior que dizia que ela não tivesse medo de se reconectar com a espiritualidade recebida de seus pais, porque havia sabedoria nela. O seu diálogo interno a levou a pensar que deveria “entregar o seu espírito crítico” e ser mais acolhedora. O que representaria para ela “entregar o espírito crítico”? Não queria dizer deixar de lado a sua jornada, mas saber aceitar as coisas boas que a antecederam, entre elas a Espiritualidade. Para a Inteligência Positiva (IP), é importante não se deixar levar pelos sabotadores, sendo o principal deles o Crítico que: (1) critica a situação; (2) critica o outro; e (3) critica a si mesmo. Era esse o crítico que ela deveria deixar para entender a espiritualidade que acompanhava a sua família a centenas de anos. O crítico como sabotador acusa, com isso não reconhece a contribuição do outro e limita a própria capacidade ao não aproveitar o conhecimento acumulado no caminho percorrido pelos outros. Para romper com o ciclo de acusação, seja ela organizacional, familiar, social ou espiritual, é preciso humildade para resgatar o sábio que está dentro de cada um. O sábio nos leva a (1) empatizar, (2) explorar, (3) inovar, (4) navegar e (5) ativar as ações que aproveitem e mantenham o que já foi construído num processo evolutivo de acúmulo de experiências que gerem conhecimento para uma vida melhor. Nas organizações é assim. Nas famílias deveria ser assim. E com a espiritualidade não é diferente. Portanto, ela poderia usar os passos da Comunicação Não-Violenta (CNV) para: (1) observar sem julgar os rituais espirituais dos quais ela havia se afastado; (2) registrar os sentimentos que o observado provoca nela; (3) identificar as necessidades que a moveram por diferentes caminhos e quais eram as que a traziam de volta; e, por fim, (4) escolher com sabedoria as estratégias que a permitissem atender as necessidades identificadas num processo de respeito de si mesma, da sua história e da do outro. Para isso, a (0) Pausa é um ponto de partida. Ela fez uma Pausa para percorrer o seu caminho de reconexão com a sua essência e conseguiu perceber que a própria inteligência positiva e a CNV estavam presentes na espiritualidade de seus pais que ela havia abandonado. Ela criticava, porém sentia falta porque encontrou o que buscava naquilo que havia deixado. Pergunte-se: por que você critica aquilo que critica?
Enfim, ao silenciar o crítico ela resgatou o sábio na interação entre inteligência positiva e o passo a passo da comunicação não-violenta. Eram os recursos que ela tinha na linguagem que agora conhecia. Ao final do processo ela se apercebeu que nada começa do zero. A família não começa do zero, porque outra a antecedeu; a organização não começa do zero, porque outros prepararam o ambiente que a estabeleceu; um processo não começa do zero, porque alguém um passo já deu; a espiritualidade não começa do zero, porque outros antes de nós a viveram e, inclusive, houve quem por nós já morreu. Ela até descobriu que a IP e a CNV estavam presentes na espiritualidade que ela abandonou. Portanto, reconectar-se com a nossa trajetória humana é um caminho de humildade que pode nos levar a uma melhor humanidade.
O que te trouxe até aqui? Há sabedoria no caminho, porque nada começa do zero…
Tenho conduzido as oficinas Comunicação Afetiva para ser Efetivo e Ecos da Palavra com frequência. A maioria das vezes, com a participação de pessoas do mundo corporativo. Outro dia, porém, a oficina aconteceu numa comunidade religiosa que se dedica ao voluntariado que também sentiu a necessidade de melhorar a comunicação ao usar outras ferramentas, como a Comunicação Não-Violenta e a Inteligência Positiva. Senti a diferença.
Durante a oficina, usa-se um vídeo em que se mostra a situação de interação de um senhor de idade com uma mulher grávida no ponto de ônibus. Os dois estão sentados um pouco distantes um do outro. De repente o senhorzinho pergunta à mulher de quantos meses ela está grávida. A mulher o olha com certo estranhamento na expressão que poderia ser de diferentes sentimentos. Em seguida ela responde e o diálogo entre eles começa. Em um momento, ela comenta que está com medo porque terá que passar sozinha pela gravidez e que a única companhia que tem é a de seu pai que está doente. Ele fala para ela não se preocupar que tudo vai dar certo. Encerra-se o vídeo nesse ponto para indagar aos participantes: o que viram, escutaram, pensaram e sentiram? As respostas obtidas no meio organizacional e na comunidade de voluntariado são quase iguais ao falar sobre o que viram e escutaram, entretanto são muito diferentes ao se falar sobre o que pensaram e sentiram. No meio organizacional aparecem com mais frequência as palavras invasivo, intrometido ou enxerido quando se referiam ao idoso. Ao se referir à mulher grávida a maioria das respostas se voltavam para incomodada, desconfortável e até irritada. As respostas obtidas na oficina realizada na comunidade religiosa de voluntários, ao se referir ao senhor que começou o diálogo com a mulher grávida, revelaram que ele parecia um homem terno, solidário e interessado. Por outro lado, as palavras mais ouvidas para a reação da mulher foi de surpresa, agradecida e acolhida. O vídeo, os diálogos e as perguntas são as mesmas, assim qual é a razão da diferença nas respostas? Resposta exata não há, mas algumas conjecturas surgiram.
A situação pode parecer que reforça que “o homem é resultado do meio”, em que cada pessoa atua alinhada ao comportamento predominante no grupo. Entretanto, creio na possibilidade de mudança e não no determinismo limitante do grupo. O meio organizacional pode ser mais competitivo em que as pessoas veem, com mais frequência, algo não bom numa situação interpretativa. O meio religioso e voluntário pode ser mais colaborativo em que as pessoas veem, com mais frequência, algo bom numa situação interpretativa. Cabe ressaltar aqui que boa parte das pessoas que se encontram nas instituições que praticam o voluntariado fazem parte de uma organização empresarial. O desafio talvez seja levar a visão predominante de um indivíduo ao meio para transformar o meio em conformidade com aquilo que temos de melhor. Podemos ser ternos, solidários e interessados, assim como nos surpreender, agradecer e acolher no meio organizacional mantendo a produtividade exigida? Sinceramente, acredito que sim e que a melhoria do meio resultará em ainda mais produtividade.
O final do vídeo (https://youtu.be/mprOUI6EBlU) inverte a lógica daquilo que acreditamos ter visto, prevalecendo a importância de que se pode ver algo bom numa situação inconclusiva. Cada pessoa escolhe, independentemente do grupo. Nas organizações, um grande número de pessoas escolhia fazer selfies e postar nas redes. Parecia que precisavam parecer. Na comunidade de voluntários a presença se sentia com a força da conexão entre todos. Estavam onde escolhiam estar e podiam ser quem eles realmente eram: ternos, solidários e interessados e se permitiam estar surpresos, agradecidos e acolhedores. Era o que estava vivo neles. Você consegue exibir o que está vivo em ti na organização em que você está? Se sim, parabéns. Se não, transforme-a!
Como você pede o que quer? Como você lida com o que não quer?
A vida não havia sido fácil e as marcas da jornada apareciam no corpo. O rosto exibia os sinais de que os anos passaram. A cabeça quase sem cabelos testemunhava que a vida se encaminhava para a parte final. Entretanto, ele havia percorrido um belo trajeto. Há dez anos, porém, uma marca mais foi adicionada com o AVC que deixou sequelas em seu braço esquerdo, agora paralisado. A vida era mais difícil, mas seguia valendo a pena pelo bom humor que ele apresentava. O teatro estava lotado e esperava por uma de suas piadas de humor negro que contava. Quase todos a conheciam, mas queriam ouvi-la outra vez. Ele argumentava que nós não sabemos pedir. Disse:
– Veja só. Estava lá um homem como eu com o seu braço esquerdo paralisado. Ele encontrou uma lâmpada com um gênio e tinha o direito a um pedido. Ele não teve dúvidas, logo pediu ao gênio: “quero que meus braços fiquem iguais…”. “Só isso?”, indagou o gênio. “Sim, só isso”, respondeu o homem que desde então está com os dois braços paralisados.
Ele conta a piada e gargalha, acompanhado pelos presentes. Ao escutá-lo concordei que nós não sabemos pedir porque, muitas vezes, não sabemos o que queremos. Como ser mais claro em nossos pedimos no ambiente organizacional? O que fazer para que o outro escute aquilo que eu falei? São desafios comunicacionais diários numa empresa que geram conflitos e perdas. Portanto, é preciso aprender a identificar o que queremos para pedir o que precisamos. Desse modo, para a Comunicação Não-Violenta um pedido deve ser Claro, Positivo, Factível, no Presente e que revele uma Necessidade. O senhor que encontrou o gênio sabia o que queria? Provavelmente, sim, porém ele se expressou sem clareza, porque o gênio atendeu o que escutou, que era diferente daquilo que o homem havia pedido. O homem foi positivo em seu pedido? Na sua concepção, sim, na escuta do gênio, não. O pedido era factível? Para o gênio, sim, porém o resultado não atendeu as expectativas de quem pediu. O pedido estava no Presente? Sim, e uma vez realizado terá consequências para o futuro. O pedido revelou uma necessidade? Não, apenas que queria que os braços estivessem iguais e foi atendido. Portanto, cumprir com o passo a passo de maneira metodológica contribuirá para a diminuição de conflitos e a minimização de perdas pelas falhas na comunicação.
Enfim, como poderia o homem ter sido atendido naquilo que ele verdadeiramente queria? Primeiro, é fundamental identificar o que se quer. Você sabe o que quer? Provavelmente, o homem queria que o seu braço esquerdo, afetado pelo AVC, tivesse as mesmas funcionalidades do braço direito, ainda saudável. Tendo clareza naquilo que se quer se torna mais fácil entender qual a necessidade será atendida, assim como a expressar-se de forma positiva, factível e no tempo presente. Se ele tivesse dito: “ao ver o meu braço esquerdo paralisado, sinto-me frustrado. Tenho a necessidade de mobilidade de ambos os braços para trabalhar. Gênio, o senhor poderia restituir as funcionalidades do meu braço esquerdo para que ele possa cumprir com as suas funções?” Nesse pedido encontra-se um fato, registra-se o sentimento gerado e a necessidade que seria atendida. Porém, se o homem do braço paralisado tivesse aprendido o passo a passo da Comunicação Não-Violenta para fazer um pedido nós não teríamos a piada.
Você sabe lidar com o que não quer? Ressalte-se que o contador da piada não pediu o AVC, porém era uma realidade. O que fazer com os reveses da vida que revelam as nossas fragilidades e vulnerabilidades? Aceitá-los para convertê-los num presente é um recurso apresentado pela Inteligência Positiva. Esse é o verdadeiro poder da sabedoria.
Como você lida com as suas fragilidades e vulnerabilidades?
Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas,
e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus.
A Meditação e o Movimento: Silêncio, Escuta e a Justa Acolhida
Outro dia, durante um encontro da oficina Comunicação Afetiva para ser Efetivo, iniciamos com uma meditação de oito minutos tendo como de fundo a expressão “você está no comando”. A meditação explora a percepção do próprio corpo, começando pela cabeça, pescoço, braços e mãos, passando pelo tronco com o peito e a barriga, terminando nas pernas e pés. Sempre se pede que a pessoa tensione, sinta e relaxe desfrutando das sensações que o corpo produz e que, no dia a dia, nos esquecemos de sentir. Destaca-se, durante o processo, de que pensamentos aleatórios vem e cabe a cada deixa-los ir. Afinal, é você quem está no comando. No final da medittação uma das participantes comentou:
– É muito bom!!! Mas é difícil manter os pensamentos sob controle…
Fez mais alguns comentários sobre essa dificuldade e a inquietude do seu cérebro com relação aos pensamentos que vem e vão. Outras vezes vem e ficam. E você, como trabalha o seu cérebro? O que você faz com os seus pensamentos?Você, verdadeiramente, está no comando? A inquietude mental que alcança as pessoas, tem origem nos estímulos externos, normalmente detectados pelos nossos sentidos, como a visão, a audição, o tato, o paladar e o olfato. Sempre foi assim. O livro “A nuvem do não saber” escrito no século XIV por um monge inglês explora a inquietude da mente com maestria. Entretanto, nunca estivemos expostos a tantos estímulos: a visão está sobrecarregada com imagens não naturais das cidades e das telas de celulares, PCs e TVs. Aumenta a inquietude. A audição está super exposta aos ruídos da tecnologia que consumimos. Cresce a inquietude. O tato, por vezes, pode ser menos exigido, porque não podemos tocar o que vemos na tela. Gera inquietude. O paladar e o olfato estão expostos a um número de sabores e odores inimagináveis há alguns anos. Intensifica a inquietude. Era essa a inquietude da participante e é a minha inquietude. Com isso, falta-nos o silêncio, escasseia a escuta e desvaloriza-se a acolhida. Perde-se o comando. Particularmente, vejo o silêncio, a escuta e a acolhida como competências de desempenho em ambiente organizacional e como promotor de harmonia nas relações pessoais. O silêncio estimula a capacidade de escuta. Com a escuta valoriza-se a acolhida. Um colaborador que em silêncio é escutado se sente acolhido e propõe novas soluções. Você está no comando do Silêncio e da Escuta que gera a sensação da Justa Acolhida. O silêncio não é passivo, ele pede o movimento de escutar ativamente para que o outro se sinta acolhido. Organizações que acolhem escutam. Organizações que escutam, precisam de silêncio. No silêncio as escolhas são conscientes. Com a consciência somos produtivos, efetivos e afetivos. Assim, estamos no comando!
Portanto, ao identificar a inquietude de sua mente a participante deu o primeiro passo rumo a escolha dos pensamentos que vão direcionar as suas ações. Por isso, o silêncio da meditação é essencial. Ele permite que eu me escute e com isso escute ao outro. Abrem-se os canais de comunicação, alinham-se as intenções com as ações e o alto desempenho será o resultado de pessoas que se sentem acolhidas. Desse modo, a consciência da inquietude vai permitir que ela direcione a sua IMAGINAÇÃO; que ela escolha o seu MOVIMENTO; e que ela afete o seu mundo com AFETO. É ela que está no comando!
Enfim, a meditação que leva ao movimento passa pelo Silêncio presente na Escuta que se transforma numa Justa Acolhida. SEJA aquilo que você escolher. É você que está no comando!
Escutava as dicas para se ter uma vida saudável a partir das pesquisas das neurociências que mostravam a importância de alguns hábitos, entre eles: (1) agradecer e celebrar as conquistas; (2) praticar mindfulness; (3) encarar os desafios com alegria; (4) adotar o lifelong learning; (5) preparar-se para o trabalho. Em tempos de pós-pandemia o tema era importante, assim, inseriram (6) manter os cuidados com o corpo. As pesquisas feitas com metodologia científica, revelavam a atual preocupação com a saúde do corpo e da mente. Saí do seminário empolgado com as descobertas e comprometido em adotar as dicas. Cheguei em casa e minha esposa queria ler um texto judaico que explorava conselhos para uma vida plena. Fiquei perplexo com os conselhos dados, entre eles, (1) agradecer e ser caridoso; (2) orar e meditar diariamente; (3) fazer as coisas com alegria; (4) estudar rotineiramente; (5) vestir-se antes de sair do quarto; e, sempre, (6) lavar as mãos. Aos conselhos se seguiam as razões para praticá-los. Qual é a diferença entre as dicas das neurociências e os conselhos do judaísmo? Há uma diferença de 4000 anos.
Qual é a questão que se propõe aqui? A humildade para reconhecer que se nós chegamos até aqui é porque determinadas práticas nos trouxeram até aqui. Com menos tecnologia e menos recursos foram os hábitos e os costumes que preservaram a espécie. Por isso, não precisamos jogar o bebê com a água fora, porém é essencial lavar o bebê para que ele cresça saudável. Com isso, se cumpre a sexta dica de neurocientistas e judeus que se fundamenta nas rotinas que nos preservam a vida. Atividades físicas, alimentos e rotinas saudáveis são os cuidados com o corpo que está representado em lavar as mãos. Os judeus têm como hábito de lavar as mãos ao levantar, antes das refeições e das orações, depois das refeiçõess, depois do uso dos banheiros, após tocar qualquer região privada do corpo ou de partes expostas como os pés. Onde está a novidade nas orientações da pandemia para lavar as mãos? O item cinco do grupo das neurociências fala da preparação para o trabalho por meio da mudança de ambiente ou de roupas para que o cérebro saia da letargia de quem descansa para o foco de quem produz. Os judeus ensinavam que não se podia sair do quarto de pijama, indicação mais do que apropriada em tempos de home office. O item quatro para os judeus é um mantra que os transformou no povo dos livros. Eles praticavam o lifelong learning antes de ele ser identificado como necessidade pelas mudanças tecnológicas. No tópico três, tanto as neurociências como o judaísmo, se incentiva a busca pelo sentido daquilo que se faz, transformando a escolha em alegria. O item dois destaca a necessidade de se alinhar as intenções com as ações por meio de práticas meditativas e de orações que contribuam para que se mantenha o foco naquilo que é importante. Por fim, a primeira dica ressalta a importância de agradecer e de celebrar as conquistas para as neurociências, enquanto no judaísmo se agradece e se é caridoso. É importante o que nos traz a neurociência? É, justamente porque foi isso que nos trouxe até aqui antes da existência da neurociência.
Por fim, vivemos a Páscoa que para judeus e cristãos tem o sentido de passagem. Para os judeus a passagem fala da libertação da escravidão terrena, enquanto para os cristãos representa a transcendência das amarras corpo. Todos precisamos dos cuidados indicados pelas neurociências para manter o corpo e a mente saudáveis, historicamente praticados pelos judeus. Entretanto, o cuidado com a dimensão espiritual nos dá o verdadeiro sentido de (1) agradecer e ser caridoso; (2) orar e meditar; (3) fazer com alegria; (4) estudar; (5) preparar-se para a vida; e (6) lavar as mãos para também limpar o espírito. A humildade faz a diferença, por isso, valorize a sua tradição familiar, religiosa e espiritual. Com esses cuidados, nunca morreremos.
Lá estava o pai sem saber o que fazer com o filho de dois anos. Ele chorava, esperneava e gritava que queria o celular. O pai relutava porque sabia que não era algo positivo para a idade. Buscava oferecer alternativas para o filho que não aceitava nada daquilo que ele propunha. De repente o pai exclama:
– Não sei mais o que fazer… e entrega o celular.
Assim que recebe o celular o filho se acalma e o rosto do pai se tranquiliza. Foi assim que criamos as primeiras gerações menos inteligentes que as anteriores, simplesmente pela falta de coragem de ser adulto. Além de gerações menos inteligentes, em que implica a nossa falta de coragem de ser adulto? Particularmente, entendo que implica em pessoas com (1) deficiência emocional; (2) pessoas com pouca capacidade de entender a interdependência; e (3) pessoas, organizações e sociedade desconectadas entre si. O que é ser adulto? Biologicamente é estar na plenitude das funções biológicas; legalmente é quem atingiu os dezoito anos; senso comum é aquele que vive a sua própria vida. Dessa forma, para viver a própria vida assumindo as consequências legais de seus movimentos na plenitude de suas forças é essencial se responsabilizar com a sensatez de quem tem equilíbrio e autonomia para decidir sobre as suas escolhas. É fácil? Não. É importante? Sim. Gera incômodo? Certamente. Abre alternativas de movimento? Todos. Porém, é preciso coragem para ser adulto. É indispensável entender que se eu estou na plenitude da minha trajetória como ser humano biológico, é preciso assumir a responsabilidade das orientações sobre outro ser humano que biologicamente, legalmente e, obviamente, ainda não tem autonomia para ser adulto. Eis a importância de saber o que fazer frente a uma criança que não tem como sabê-lo. O pai sabe, mas a criança não que o uso indiscriminado vai produzir malefícios a longo prazo frente a uma aparente tranquilidade no curto prazo. O resultado será um Ser Humano biologicamente pleno sem a capacidade de assumir o comando da própria vida pela (1) deficiência emocional gerada por pais que não tiveram a coragem de orientar. Um Ser Humano biologicamente pleno que não entende (2) que as suas ações afetam os outros na interdependência da qual fazemos parte. Um Ser Humano biologicamente pleno (3) desconectado dos demais que entra no ambiente organizacional, deixando-o volátil e incerto. Com isso, as organizações e a sociedade passam a ser ambientes obscuros com pessoas que sentem medo das relações porque acreditam ser um risco. De pessoas que não entendem a interconexão com os demais num processo de interdependência natural. De pessoas que tem em mente “eu peço, eu ganho” e que no confronto com outras pessoas que sempre ganharam o que pediram surge o conflito que expõe uma fragilidade perversa oriunda da ansiedade individual. Por fim, são criados ambientes em que as necessidades não entendidas e nem atendidas são expressadas de forma, muitas vezes, equivocada. Por isso, ao dar um celular para quem não sabe as consequências do seu uso implica em pessoas com tendência para a baixa produtividade, a infelicidade e a não autonomia.
Enfim, você tem coragem de ser adulto? Ser adulto implica na responsabilidade familiar de educar e de oferecer a alternativa de que cada um pode assumir o comando da própria vida na interdependência com os demais. Ser adulto implica na responsabilidade organizacional de acolher e escutar para orientar os colaboradores no processo de se tornar um adulto organizacional pleno. Isso pode doer, porém é fundamental desenvolver a IMAGINAÇÃO para encontrar alternativas que pelo MOVIMENTO nos levem a afetar o mundo com AFETO. Com as fronteiras cada vez mais diminuídas pela tecnologia existente, ser adulto, além de oportuno, é uma necessidade. Entretanto, exige a determinação de desfrutar da plenitude das competências biológicas, legais e emocionais que nos levem a uma velhice segura, pacífica e equilibrada de ter vivido com a coragem de ser adulto.
Talvez seja o momento de não dar o celular para o filho!
Seria a quinta intervenção cirúrgica do meu amigo, agora para reparar as orelhas que insistiam em parecer disformes. Já havia feito outras cirurgias plásticas estéticas para amenizar as rugas, para levantar as pálpebras e para diminuir o nariz. Porém, sempre que ele se olhava no espelho podia ver em destaque as orelhas que destoavam de todo o restante. “Elas não se encaixam, preciso fazer uma plástica”, pensava ele. A esposa não estava completamente convencida, porque lhe parecia que os sacrifícios feitos com os cuidados pré-operatórios e as dores do pós-operatório eram demasiados. Ele retrucou:
– É, mas quem se sente mal com essas orelhas sou eu…
E ele tinha razão, porque era ele quem tinha a percepção de que as orelhas precisavam ser corrigidas. A autoestima afetada era a dele, assim como as dores e os cuidados a serem tomados seriam dele. Há que se entender que saúde e beleza caminham juntas e que muitos dos procedimentos contribuem de forma significativa para melhorar ambas. Destaque para as cirurgias plásticas reparadoras que tem como objetivo reconstituir parte do corpo para aprimorar ou recuperar funções, melhorando a qualidade de vida e a autoestima. A cirurgia plástica opcional é aquela ligada a aparência, muitas vezes, conectada aos sinais do tempo. Estas últimas servem para amenizar rugas ou linhas de expressão e são indicadas para deixar a pele mais viçosa. As cirurgias ressaltam a importância da recuperação da autoestima, do aumento da qualidade de vida e da elevação do bem-estar pessoal. A questão: qual é o limite entre o bem-estar e a obsessão que faz com que se vejam problemas em todo o seu corpo? Não tenho nenhuma resposta para a pergunta, porque acredito que recorrer a tecnologia cirúrgica desenvolvida é de foro íntimo e, caso creia que seria importante implantar cabelos, eu o faria. Entretanto, penso que para ver com mais naturalidade a beleza exterior, um dos caminhos, seria trabalhar a beleza interior. Fazer uma plástica da alma para embelezar e harmonizar o interior!
Entendo que a cirurgia plástica reparadora na alma vai amenizar rugas e linhas de expressão da tristeza; vai deixar a pele da alma mais flexível evitando julgamentos; e vai eliminar as manchas da alma deixando-a mais limpa e leve. Como fazer uma cirurgia plástica reparadora da alma? As dificuldades são muitas, porque estamos expostos a tantos estímulos externos que o ambiente interno fica em segundo plano. Inverter essa ordem é parte da preparação pré-operatória da alma. Para isso, é essencial fazer jejum dos estímulos sensoriais das redes sociais. É indispensável abster-se das propagandas, publicidades e influências repetitivas que nos levam a consumir o que não precisamos. É fundamental incluir atividades físicas regulares no dia a dia. É primordial redescobrir os valores que nos reconectam com o espírito e a alma. Compreendo ser um passo a passo para o pré-operatório da alma. Depois vem o maior desafio, o pós operatório da alma que é um exercício para a vida toda. Os cuidados para criar, fortalecer e manter uma nova rotina exige atenção, assim como cautela para não incorrer em movimentos que prejudiquem o pós-operatório. As tentações e as provocações para não respeitar os limites da cirurgia da alma são uma constante, contudo, vale a pena, porque com a descoberta das belezas da alma não vai precisar fazer uma cirurgia no corpo.
Enfim, o meu amigo do início do texto fez a cirurgia das orelhas e já fez implantes de cabelo. O que vem a seguir? Não sei. Entretanto, sei que ele segue angustiado, insatisfeito e triste buscando soluções externas para questões, aparentemente, internas. Os procedimentos e as intervenções cirúrgicas do corpo são importantes? É óbvio que sim, entretanto, harmonizar o ambiente interno pode evitar que façamos cirurgias que não precisemos. Reconectar com valores, práticas e costumes espirituais e religiosos que nos trouxeram até aqui pode nos levar adiante com uma alma mais alegre e com um espírito mais festivo num mundo melhor.