Participei da oficina com o carismático Moacir Rauber e posso dizer que foi muito enriquecedor, você aprender técnicas para pausar o seu dia, ser mais assertivo e se livrar dos sabotadores, saber lidar com as emoções que nos cercam diariamente e estar com pessoas que podem fazer toda a diferença na sua vida, realmente não tem preço. Os nossos encontros foram cheios de sabedoria. Oficina Comunicação Afetiva para ser Efetivo.
Para pessoas de alto desempenho!
Quatro encontros (04, 11, 18 e 25-04-23) das 19h30 às 21h30
Conhecimento e Metodologias de Aplicação
Quatro Ferramentas práticas de Desempenho e Gestão de Conflitos
EU AFETO O MUNDO. O MUNDO ME AFETA.
COM AFETO O MUNDO É MELHOR!
Tenho uma boa notícia para você: o desconto de 50% foi liberado e permanece até segunda às 23:59. ✨
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O que de pior pode acontecer para um vinho de qualidade?
O diálogo transcorria com as amenidades de uma conversa que desconversa e prepara para uma conversa que revela. “Como você está?” a pergunta que quase sempre tem como resposta, “estou bem” num automatismo que oculta a realidade interna de quem responde. Nesse momento a emoção não aparece, assim como não se revelam os sentimentos. A conversa segue e aparecem as reclamações. Algumas perguntas mais e as respostas já não são tão evasivas. A pessoa está descontente no trabalho porque não recebeu a promoção que esperava; está revoltada com o casamento, porque o outro nunca está contente; e a pessoa entende que os amigos e a família não o valorizam. Parece que o vinho está um pouco azedo ao concluir:
– Tudo dá errado. Não entendo… se eu nunca roubei ninguém…
Eis um ponto de inflexão. Você acredita que porque nunca roubou ninguém merece ser promovido na empresa, aplaudido na rua e reconhecido em casa? A expressão traz à tona pontos fundamentais da nossa vida organizacional, social e familiar em que o nosso melhor e o nosso pior estão lado a lado. Há uma tensão forte e frágil entre o melhor e o pior que pode nos levar de um lado a outro sem que nos apercebamos. São Jerônimo dizia que a “corrupção do teu melhor é o teu pior”, por isso, quando alguém se contenta em simplesmente não roubar ninguém, provavelmente, está próximo do seu pior. Reforçando o pensamento de que as duas versões estão muito próximas, a pergunta é instigante: “o que de pior pode acontecer a uma garrafa de vinho de alta qualidade?” (Pe. Checo). As respostas variavam entre quebrar e azedar. Porém, caso a garrafa se quebre a integridade permanece intacta e o vinho morre como mártir. E, azedar não acontece com um vinho de alta qualidade, porque o tempo o deixa melhor. Assim, o pior que poderia acontecer seria o fato de que pusessem água nele, porque isso representaria a corrupção da sua melhor versão, transformando-o num vinho aguado. Talvez o fato de “não roubar” seja a versão aguada do meu interlocutor que sabe que pode muito mais. Desse modo, para não cair na tentação de se satisfazer em não roubar ninguém surge outra pergunta: o que você sabe que fez bem e, quando quer, faz bem? Responder a essa questão de maneira autêntica vai expor as nossas fragilidades e vulnerabilidades, porém vai nos mostrar que podemos mais na organização, na família e na sociedade. Cada um de nós vai estar sujeito as intempéries de um dia com as variações de clima e temperatura, porém aquele que estiver bem “envasado” com os seus valores, tendo como base a espiritualidade, terá a sua integridade preservada. Essa é a escolha individual. Passadas as intempéries a nossa essência se revela no uso das ferramentas vindas do conhecimento usadas com a sabedoria presente na espiritualidade. Nesse momento, a sua melhor versão aparece e você será promovido na empresa, terá a realização no casamento e será valorizado pelos teus.
O meu amigo, provavelmente, havia sido sequestrado por um dos seus sabotadores, fazendo-se de vítima (Inteligência Positiva). Ele, assim como qualquer um de nós, está exposto as intempéries de um dia que mudam o humor, mas que cabe a cada um de nós não permitir que elas afetem a nossa essência. Nosso papel é preservar a integridade e não corromper o nosso melhor vivendo a plenitude das nossas competências. Não coloque água na sua garrafa. Por isso, é importante manter os sabotadores internos em perspectiva, mas ressaltar os poderes do sábio. A Comunicação Não-Violenta auxilia a desenvolver a capacidade de observar sem julgar; de sentir com interesse pelo outro; de identificar as necessidades próprias e as do outro; para expressar-se com a consciência de que eu AFETO o mundo e com AFETO o mundo é melhor. Por fim, a espiritualidade é um caminho para manter o seu vinho!
A vida é boa quando você está feliz; mas a vida é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa”.
Quatro encontros (04, 11, 18 e 25-04-23) das 19h30 às 21h30
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A Sabedoria é o caminho para usar as Ferramentas vindas do Conhecimento com AFETO.
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Ainda está na dúvida se a Oficina: Comunicação Afetiva para ser Efetivo é para você?
Dá uma olhada no que falaram da Oficina:
Foi uma experiência enriquecedora em minha vida, na qual pude ter contato com técnicas de CNV para ser mais assertiva em minha comunicação, comunicando o que precisa ser comunicado, porém de uma forma afetuosa. Aprendi a importância da pausa, a observar os meus sentimentos, a identificar as minhas necessidades e a fazer pedidos; descobrir quais são os meus sabotadores e como assumir as responsabilidades fazendo com o que o meu sábio tome as “rédeas” da minha caminhada. Tenho muita gratidão pela oportunidade de participar desta oficina.
Katryn Simões
Gostaria de aproveitar esta oportunidade para mais uma vez expressar minha gratidão pela participação na Oficina! Foi uma experiência fantástica para mim esta inteligente combinação conectando a Comunicação Não Violenta, a Espiritualidade e a Metodologia dos Sabotadores. Foi uma elaboração incrível onde nós, participantes, pudemos praticar e refletir coletivamente sobre as relações humanas “afetivas para serem efetivas”. Foi uma jornada incrível que espero que muito mais pessoas possam participar – profissionais e leigos – que certamente vai ampliar os excelentes resultados obtidos. Paz e Bem!
Fernando C. Lima
Ter a oportunidade de participar da Oficina foi incrível e enriquecedor. Aprendi a aplicar a CNV na minha comunicação interpessoal; a importância da pausa; sobre o sábio e os sabotadores mentais(fiz o teste); sobre sentimentos, necessidades e como nos sentimos quando nossas necessidades são atendidas ou não estão sendo atendidas, e a observa a necessidade do outro sem julgar. Gratidão pela troca e compartilhamento de conhecimentos!
Rita Moreira
Se você também deseja ser mais assertiva em sua comunicação, descobrir seus sabotadores e resgatar o sábio dentro de você…
Se inscreva até às 23h59 de 20-03-23 com 50% de desconto na Oficina: Comunicação Afetiva para ser Efetivo.
Dia 16-03-23 o Pepitas Secretaries Club está promovendo mais uma aula gratuita para você!Ela será ministrada pelo Moacir Rauber, um dos grandes parceiros do Clube.Talvez você já tenha visto ele em alguma edição do FISEC ou lido algum de seus artigos publicados no Blog do Clube.Mas, o que você ainda não viu, foi o conteúdo que será entregue gratuitamente ao vivo amanhã.A aula “O Poder da Comunicação Afetiva” vai acontecer amanhã às 20:00 em uma sala exclusiva do Zoom.Por lá será revelada uma forma única para desenvolver a habilidade essencial da Comunicação para trabalhar em equipe, prevenir conflitos e se destacar em seu trabalho!Se você ainda não garantiu sua inscrição gratuita, clique no botão abaixo.
Comecei o dia com a meditação para alinhar as intenções e as ações do dia. Com essa intenção saí de casa. O primeiro compromisso transcorreu como o imaginado, apesar de ter ouvido palavras que poderiam ter gerado em mim uma sensação incômoda. O dia seguiu e os desafios pareciam cada vez maiores. O último compromisso do dia, que para mim seria o mais importante, não aconteceu. A pessoa não apareceu e não avisou. A ira nasceu em mim e quase explodi de raiva. Porém, explodir com o outro como se ele nem apareceu? Fui para casa frustrado, jantei sem falar muito e fomos para cama mais cedo. Minha esposa perguntou:
– O que aconteceu?
Agora já havia processado parte do dia, faltava finalizá-lo. Muito tem se falado dos exercícios de pausa no início de um dia, a meditação, e no seu transcurso, as micro pausas. Porém, acredita-se que tão importante quanto fortalecer as intenções no princípio do dia, é fazer uma revisão ao seu final para avaliar como ele foi vivido. A revisão faz diferença, porque as emoções, os sentimentos, as ações e as intenções ainda estão vivas em cada um de nós. Depois da pergunta da minha esposa, repassei todo o dia baseado em três perguntas: (1) o que fiz hoje contribuiu para uma vida melhor? Responder a essa pergunta me permitiu identificar que fiz bem ao manter o ritual da meditação da manhã, o que me deu forças para fazer a pausa na interação em que pensei ter ouvido críticas e ofensas. A pausa antes de responder me fez perceber que não havia ofensa nem crítica na fala do meu interlocutor e o acréscimo de um ponto importante na ideia. O meu sábio não foi sequestrado pelos meus sabotadores. Responder à pergunta (2) “O que fiz hoje que não contribui para uma vida melhor?” expôs um acentuado incômodo emocional que me infligi pela não presença do outro para um compromisso acordado. Por que o incômodo? Porque o que fiz não contribuiu para melhorar a minha vida, nem a do outro? Porque a ira comandou a minha reação. Não pausei. Explodi ao enviar uma mensagem de texto nada construtiva para a pessoa que não havia comparecido, que revela que os meus sabotadores haviam sequestrado o meu sábio. Por fim, responder a pergunta (3) “O que poderia fazer diferente para que a vida fosse melhor?” pode me preparar para o dia seguinte, servindo de orientação para não repetir ações improdutivas ou para alterar comportamentos que não contribuíram para um mundo melhor. Enviar uma mensagem de texto para cobrar a presença de alguém que optou por não comparecer poderia ser repensado? Sim, com sabedoria tudo o que precisa ser dito pode ser dito, dependendo de como é dito.
Enfim, na conversa de avaliação do dia que terminava seguia incomodado com o que havia passado. Entretanto, o incômodo não se aplicava ao outro, mas ao fato de haver deixado que a ira comandasse a minha reação. Não fiz nenhuma pausa e enviei uma mensagem de texto cobrando o outro pelo seu não comparecimento. A sua ausência era um fato, entretanto as razões que eu atribuí a elas foram interpretações minhas. Essas interpretações me levaram a entender que a minha necessidade de respeito não estava sendo atendida e sob o comando da ira me expressei de maneira agressiva. O resultado de agir sob o comando das emoções, como a ira? Quase sempre termina em conflitos e com pessoas magoadas. O meu interlocutor não compareceu porque a escolha dele estava pautada pelas suas prioridades e, naquele momento, levar a filha para o hospital era insubstituível. Ainda bem que ele teve a sensatez de pausar para exercer a empatia comigo, explorar a situação para reagendar o encontro para inovar, navegar e ativar o sábio.
O que fiz hoje e como fiz faz do mundo um lugar melhor?
Moacir Rauber
Instagram: @mjrauber
Blog: www.facetas.com.br
E-mail: mjrauber@gmail.com
Home: www.olhemaisumavez.com.br
Perguntas inspiradas na conversa com Miriam Moreno
Sabe aqueles dias em que você se levanta sem muita disposição? Pois é, naquele dia havia acordado assim, apesar de ter uma programação prevista que merecia celebração. Seria um dia especial porque meu sobrinho que morava comigo concluía o Ensino Médio com excelente aproveitamento. A conquista era toda dele, mas para mim era motivo de orgulho ter participado do processo. O dia começaria com uma cerimônia religiosa de agradecimento pela manhã, no final da tarde seria a colação de grau e, logo após, a festa de confraternização num dos hotéis da cidade. Eu me havia proposto a participar da cerimônia de agradecimento e da colação de grau. A festa seria dele com os seus amigos com quem havia compartilhado segredos e fofocas; sucessos e fracassos; tristezas e alegrias; amores e desamores, entre outras histórias vividas com o entusiasmo de quem tem 17 anos.
A cerimônia religiosa estava programada para às 10h30 na capela do colégio, que não conhecíamos. Quando a vimos, ficamos chocados com o tamanho da escadaria que dava acesso à capela, que estava abrigada num prédio antigo. Olhei para o meu sobrinho que sempre solícito logo se dispôs a me ajudar. Olhávamos para os obstáculos de longe, faltava cruzar a rua. A movimentação dos amigos e familiares dos demais formandos era intensa em frente a capela. Olhei para o meu sobrinho e disse:
– Vai lá. Aproveita para agradecer a tua conquista. Eu não vou. Dá uma olhada… A escada é tão íngreme que chega a ser perigoso…
Despedi-me e voltei para casa. Inicialmente aliviado. Logo passei a sentir que havia perdido a chance de compartilhar algo relevante com uma pessoa importante. Eu desisti ao ver a escadaria como obstáculo. Não era a primeira escadaria em minha vida e não seria a última. A diferença estava na minha postura diante dela. Criei dificuldades sem ver o quadro completo. O que a Comunicação Não-Violenta (Marshall Rosenberg) poderia nos dizer da situação?E da perspectiva da Inteligência Positiva (Shirzad Chamine), onde estavam o Sábio e os Sabotadores? Antes de mais nada, frente a uma situação difícil, contraditória ou conflitante é importante fazer uma PausaEstratégica para poder abstrair e observar o que está acontecendo de fato. Na Inteligência Positiva se fala em manter contato com a realidade por meio de alguns exercícios, assim como por gerações sempre nos foi dito para que se conte até dez antes de agir por impulso. A Pausa Estratégica permite que se tome consciência da realidade ao seu redor não sendo dominado pela emoção imediata que ocorre ao se enfrentar com a situação, seja ela difícil, conflitante ou desafiadora. A reação sem a pausa pode fazer com que se tome decisões ou se digam palavras que não são as melhores escolhas. Não se trata mais de fugir dos predadores, porque os nossos conflitos ocorrem em ambientes de relacionamento na vida social, familiar e organizacional. É com as pessoas que enfrentamos situações que podem ser interpretadas para além dos fatos, pois envolvem sentimentos e necessidades de um e de outro e permitem a expressão de um e de outro por meio da liberdade de que desfrutamos. Liberdade de expressão? Sim, assumindo as consequências do seu uso, por isso ao não entrar na capela eu me expressei e assumi as consequências disso. Desse modo, ressalte-se a importância da Pausa para não se deixar levar pelos sabotadores que na situação da capela se manifestaram sob a regência do Crítico que não perdeu a oportunidade de tecer comentários negativos sobre a falta de acessibilidade; ele estava certamente acompanhado do Esquivo que traz consigo a preguiça; da Vítima que traz consigo o olhar para as limitações; e do Controlador que traz consigo a necessidade de estar no comando de tudo. Com isso, o meu Sábio foi sequestrado e não aproveitou nenhum dos seus poderes. Não exerci a Empatia com o sobrinho, porque no momento da decisão não levei em conta as suas necessidades e tomei uma decisão baseada numa autoempatia sabotadora. Ele foi sozinho para a celebração. Não Explorei outras possibilidades frente a uma situação que parecia que se repetia, assim não Inovei e não aproveitei os possíveis “presentes” encontrados nas dificuldades. Desistir foi o caminho mais fácil. Com isso, não Naveguei para poder valorizar o que realmente era importante na situação: a presença. Optei pela ausência. Por fim, não Ativei nenhum dos poderes do sábio e permiti que os sabotadores sequestrassem a sabedoria, levando-me para onde não queria ir. Por fim, se eu tivesse feito uma Pausa e Observado com cuidado todo o quadro sem o julgamento precipitado, poderia ter exercido a empatia com o sobrinho para valorizar os seus Sentimentos e as suas Necessidades, que eram minhas igualmente. Com isso poderia ter explorado, inovado e navegado nas possibilidades para ativar o sábio e quem sabe, envolver outras pessoas que circulavam em frente a capela para que me ajudassem a subir as escadas. Com esse movimento, eu teria cruzado a rua e poderia ter visto o quadro completo. Ao cruzar a rua os sabotadores poderiam reclamar, mas eu teria ampliado a visão a tal ponto de poder observar que por detrás das colunas da lateral direita da capela havia uma rampa. A minha expressão teria sido outra.
Assim é que nós desistimos ao não vermos o quadro completo antes de tomar uma decisão. A Pausa consciente nos ajuda a discernir. Quantas vezes você se programou para fazer academia e na hora de começar escolheu não fazer? Quantas vezes você pensou em inserir um momento de oração ou meditação na sua rotina e na hora de levantar ficou na cama por mais alguns minutos? Quantas vezes você se inscreveu num curso e na hora de ir optou por ver um filme? Eu desisti de participar da formatura, mas ela aconteceu igual. Você pode desistir da academia, mas outros igualmente a usam. Você pode desistir da oração ou da meditação, mas aqueles que a fazem se beneficiam delas. Você pode desistir do curso, mas outros o farão. Tudo acontece, com ou sem você. Enfim, desistir qualquer um pode; desistir nos faz menores.
Lembro-me que no momento em que desisti tive a sensação de alívio, justificado pelos obstáculos utilizados como desculpas. Entretanto, ao tomar consciência de que não estaria presente num momento importante para outra pessoa, a sensação de alívio foi trocada pela frustração. Ao desistir se anula a IMAGINAÇÃO por não fazer o MOVIMENTO. Com isso, afetamos o mundo sem AFETO. Ao desistir o outro perde a sua presença, mas quem mais perde é quem não está presente, porque com ou sem você a vida segue.
Naquele dia, eu perdi para mim mesmo…
E você, está perdendo o que ao desistir?
“A presença é o que tenho de mais valioso para dar ao outro.Você está presente com quem diz que está?De que valem as promessas de amizade sem a presença?De que servem as declarações de amor sem a presença?Para que prometer lealdade sem a presença?Como comprometer-se com alguém sem a presença?Quando não dou minha presença plena o que resta?”
Finalizávamos mais um encontro sobre comportamento na busca humana pela realização usando os recentes estudos científicos. Muitos deles apontavam os conceitos e as bases da felicidade em que constatavam os processos químicos presentes no organismo. Encontro após encontro falávamos de um autor, de um estudo e de suas aplicações nas equipes, nas organizações e para cada uma das pessoas. As discussões eram profundas com as teorias que explicavam a felicidade a partir da ciência. Porém, estava presente que a felicidade é uma busca comum do ser humano. Num determinado encontro, uma das integrantes disse que não participaria mais do grupo. Ela explicou:
– Acredito que conhecimento já temos suficiente. Agora é hora de praticar…
O choque pela saída deu lugar as suas razões que faziam sentido. Fiquei com a cabeça cheia de mais dúvidas com as perguntas: o que é ciência?O que é sentido comum? E o que é felicidade? Começava a me parecer que a felicidade estava mais próxima do sentido comum do que da ciência. A ciência pode ser entendida como o conhecimento que proporciona uma explicação para determinados fenômenos apoiada por métodos que permitem observar e experimentar, criando teorias e leis científicas. A ciência se caracteriza por ser objetiva, verificável, controlada e lógica. O sentido ou senso comum é o conhecimento presente no nosso dia a dia, transmitido de geração para geração pelas histórias, cultura e costumes. Muitas vezes, não é aceito pela ciência e tem a sua validade contestada sendo sinônimo de conhecimento vulgar, embora também tenha como sinônimos o consenso e o bom senso. A felicidade, por outro lado, é o estado de satisfação, contentamento, bem-estar e a consciência de plenitude como ser vivo que se estende no tempo. A felicidade está baseada em diferentes emoções e sentimentos sem que haja algum motivo específico.
A partir desses conceitos (limitados) parece haver uma aproximação muito maior entre felicidade e senso comum do que felicidade e ciência. A ciência é objetiva, enquanto a felicidade é subjetiva. A ciência é controlada, enquanto a felicidade nem sempre é. A ciência é lógica, enquanto a felicidade não está sujeita às suas regras. A ciência é verificável assim como a felicidade, mas esta precisa ser sentida muito mais do que medida. Portanto, a ciência pode se originar de uma construção teórica, que termina na identificação de leis, ou da observação de fenômenos cotidianos que estabeleçam padrões verificáveis, lógicos, controláveis e objetivos. A felicidade se encaixaria nesse formato de ciência? Entendo que não. Escutava o Pe. Bertrand que dizia “Toda pessoa deseja ser feliz, não apenas estar feliz agora, ou se sentir feliz, mas ser feliz…” e que o conjunto de ciências humanas, como a psicologia, a sociologia, a medicina, a economia e a educação, podem contribuir nessa busca. A felicidade é, portanto, uma busca comum a todos os seres humanos, isso igualmente é senso comum. Acrescente-se que o Ser Humano existe sem a ciência, embora a ciência sem o Ser Humano não exista. Desse modo, há uma prerrogativa implícita de que as ciências sirvam às pessoas, e que estas buscam a Felicidade, mas que a Felicidade não necessariamente precisa da ciência.
Portanto, no dia que a minha amiga falou que já temos conhecimento suficiente para entender e buscar a felicidade, inicialmente, fiquei um pouco frustrado. Em seguida fiquei maravilhado com as descobertas do dia a dia. Sem nenhuma preocupação com o rigor científico, pude constatar que as pessoas mais felizes não dependiam de que a felicidade fosse uma ciência. Elas simplesmente escolheram ser felizes. Vi jardineiros, carpinteiros, pedreiros, advogados, enfermeiros, psicólogos e engenheiros felizes. Muitos deles se beneficiavam das ciências para aumentar a sensação de felicidade, mas nenhum deles entendia a felicidade como ciência. Pude perceber que a Felicidade é Senso Comum aprendido, ensinado e praticado pelas pessoas, muitas delas conectadas com a espiritualidade.
O que é felicidade para você? Para mim, Felicidade é Senso Comum.
“Cada pessoa com o seu sonho específico de felicidade.”
Na primeira semana de aula, o professor teve uma agradável surpresa. Aquele aluno de quem ele havia construído a imagem de ser preguiçoso e de não se esforçar trouxe uma linda redação sobre as férias. Leu-a em público e disse:
– Parabéns. Você está escrevendo melhor do que nunca!!!
Alguns murmúrios dos colegas, entre as palavras ouvidas estavam “ChatGPT” e “BARD”. O professor logo soube que se tratava de um texto redigido pela inteligência artificial. O que fazer? O trabalho de ser professor sempre foi um desafio e faz parte do desenvolvimento contestar, mudar e evoluir. As gerações acediam ao conhecimento prévio e desenvolviam algo a mais a partir dele. Entretanto, essa tendência começa a mudar ao se constatar que a atual geração deixa de ser mais inteligente que a anterior. Com o advento da revolução tecnológica, ancorada em outros fatores, ensina-se sobre visão sistêmica, porém não se vive e não se aprende como sendo parte do sistema. As gerações em que todos faziam parte do ciclo completo da alimentação, por exemplo, entendiam que caçar todos os animais de uma região faria com que tivessem que migrar dali; sujar a água de onde matavam a sede era um problema quase insolúvel; e que cultivar as plantas somente era possível em determinadas épocas do ano. Não se precisava ensinar sobre visão sistêmica, porque as pessoas se entendiam como parte dele. Com o passar dos séculos, os agrupamentos humanos cresceram e as tarefas começaram a ser divididas por especializações. Cada pessoa já não entendia o sistema inteiro, apenas a parte que lhe cabia no processo. A fragmentação das atividades deu início a fragmentação do indivíduo, que passa a ser muito bom em algo sem entender o seu impacto no todo. Desse modo, ao comer uma beterraba comprada no mercado não se sabe quem, como, quando e onde ela foi produzida. Ao comprar a carne não se tem ideia de que era uma vaca, criada, carneada e vendida por pessoas para alimentar pessoas. Ao abrir a torneira e tomar água não se sabe de qual manancial ela foi extraída. Nos desconectamos da natureza há algumas gerações, entretanto, seguimos desenvolvendo-nos como especialistas em alguma área. Por isso, ainda que ensinemos sobre a importância da visão sistêmica, caso não se viva isso não haverá aprendizado. Enquanto as gerações não aprenderem a limpar o próprio quarto, a lavar a própria louça, a plantar as próprias verduras e a tirar o leite consumido vamos continuar a lutar pela natureza com o celular na mão e as pantufas nos pés, usando apenas dois dedos dos dez disponíveis. Isso reflete igualmente que apenas usamos uns poucos neurônios dos bilhões que temos. Emburrecemos como indivíduos e, consequentemente, a tendência é trilhar o mesmo caminho como humanidade. Por fim, quando nos colocamos como “o homem e a natureza” parece óbvio que não saibamos o que comemos, o que bebemos e, por fim, o que pensamos. Nada mais simples do que usar a inteligência artificial para fazer a melhor redação do mundo. A lei do menor esforço, ou a preguiça, ganhou no sistema de produção de alimentos e agora começa a virar o jogo na arte de pensar.
Finalmente, o professor leu entusiasmado a redação para depois ficar frustrado com a revelação de que o seu aluno não era um gênio. Provavelmente, ele estava entre aqueles que seriam menos inteligentes que os da geração anterior por se achar esperto. Terceirizamos e mecanizamos o ciclo alimentar para fazer menos esforço e sentir menos dor. Pensar, igualmente, pode ser cansativo e até doer, porém transferir a arte de pensar para a inteligência artificial requer cuidado. Desse modo, ao fazer a escolha de usar a inteligência artificial como uma ferramenta vinda do conhecimento exige sabedoria vindas do esforço, da dedicação e do trabalho. Com a Inteligência Artificial podemos afetar o mundo com a Imaginação e o Movimento, mas é preciso ter Afeto para fazer deste um mundo melhor.
Entende-se que pensar, por vezes, dói, entretanto, transferir a capacidade de pensar pode doer muito mais… Enquanto isso, vamos pular Carnaval!!! Para quê pensar?
O Evangelho de hoje, que nos apresenta as bem-aventuranças, convida para uma reflexão sobre algo que pertence à essência de todo ser humano: a busca da felicidade. Toda pessoa deseja ser feliz, não apenas estar feliz agora, ou se sentir feliz, mas ser feliz. Todas as ciências humanas têm por objetivo ajudar nessa busca de felicidade como a psicologia, a sociologia, a política, a medicina e a educação. Todas as religiões e filosofias de vida oferecem caminhos ou receitas. Pessoalmente nos esforçamos para deixar os outros felizes: os filhos, os netos, o esposo, a esposa, aquela visita e muitos outros. A tecnologia e a sociedade de consumo que tudo invade, realça a felicidade como a meta imediata de nossas buscas. Será que existe uma receita única para conseguir a felicidade? Aparentemente não. Cada pessoa tem uma perspectiva diferente, aquele indígena da tribo dos Ianomanis, aquela ucraniana fugida da sua terra massacrada, aquele preso aguardando julgamento, aquela namorada, apaixonada pelo amor de sua vida, aquele doente internado num hospital para uma cirurgia, ou aquele vestibulando aprovado para o ingresso na Faculdade. Cada pessoa com o seu sonho específico de felicidade.
O que Jesus hoje nos oferece através do anúncio das bem-aventuranças, não é apenas uma receita para um resultado imediato, mas abre um caminho, até em meio a todas as adversidades e contradições do tempo. Nas afirmações surpreendentes de Jesus, são chamados de bem-aventurados ou felizes aqueles que vivem em sentido contrário ao que o mundo propõe: pobreza, mansidão, paz, compaixão, sensibilidade solidária. A felicidade evangélica não é como aquela que o mundo vende, ou seja, euforia fácil e prazer imediato. Ela é muito mais um chamado à plenitude e sabe suportar os embates que a vida apresenta. Com frequência, associamos a felicidade à ausência de problemas, ao êxito econômico, à beleza perene ou ao prazer em todas as suas dimensões. No entanto, tudo isso esgota ou é simplesmente insustentável, pois não tem consistência interior. A verdadeira felicidade, que Jesus oferece, coincide com a paz interior; é o prazer de descobrir a cada dia que a vida se inicia novamente a cada amanhecer; é fazer da mesma vida uma grande aventura…
Apresento aqui uma abordagem das bem-aventuranças, a partir de um livro bem interessante da escritora, uma irmã beneditina, Joan Chittister, com o título O Livro da Felicidade. Assim ela as explica na pag. 258 em diante.
Bem-aventurados (felizes) os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. A felicidade, Jesus nos assegura, não está em agarrarmos os bens deste mundo. Nada satisfaz ninguém indefinidamente, por conseguinte, colocar a nossa felicidade na acumulação de bens, serve apenas para acionar a esteira hedônica e lá vamos nós, correndo de uma coisa para outra e nos condenando à desilusão perpétua.
Bem-aventurados (felizes) os mansos, porque herdarão a terra. Cada tentativa de dobrar o mundo ao nosso próprio gosto e desígnios só pode acabar em frustração e resistência. Para viver bem precisamos viver em harmonia com tudo o que existe.
Bem-aventurados (felizes) os que choram, porque serão consolados. Os que se importam com o sofrimento do mundo, os que tomam para si a dor dos destituídos, são aqueles cujo sentido da vida se encontra fora de si mesmos, são aqueles que sabem do que se trata a verdadeira felicidade.
Bem-aventurados (felizes) os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Os que buscam a justiça para os outros e se empenham em construir um mundo justo, vem uma vida plena de significado e propósito, que é a culminância da verdadeira felicidade.
Bem-aventurados (felizes) os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. Aqueles que compreendem o que é ser humano, que valorizam o desenvolvimento humano mais do que imposição de leis sobre os que não tem condições de cumpri-las, não sofrerão a dor do perfeccionismo.
Bem-aventurados (felizes) os puros de coração, porque verão a Deus. Os que não fomentam nenhuma desonestidade, que procuram não prejudicar ninguém, que vivem sem alimentar o mal em seu coração, tornam todo o mundo seguro e impelem todas as pessoas se sentirem bem-vindas na comunidade humana.
Bem-aventurados (felizes) os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. São aqueles que se negam a incitar o ódio entre as pessoas – o que não operam através de quaisquer outras forças que não seja o amor – os que trazem o espírito do amor de Deus para o mundo.
Bem-aventurados (felizes) os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. A felicidade transcende os sentimentos. Se vivemos como devemos e fazemos o que devemos para transformar o mundo num lugar acolhedor para todos, a espeito de qualquer sofrimento, preço ou custo social de agir assim, nossa alma estará em paz.
Bem-aventurados (felizes) quando vos injuriarem e perseguirem, e, mentindo, falarem todo mal contra vós por causa de mim. As coisas que fazem o sofrimento valer a pena e tornam a dor suportável são aquelas que nos levam a viver como Jesus viveu, mesmo em meio à rejeição.
Alegrem-se e regozijem-se, porque grande será a vossa recompensa nos céus. Esta é a fórmula simples para a felicidade. São preceitos que demandam de nós viver com as mãos abertas para o restante do mundo. Que exigem de nós não oprimir ninguém; não ferir ninguém. Que nos pedem para cuidar daqueles que sofrem; socorrer os necessitados; ser gentil com todos; promover a paz; defender a justiça e o que é certo e suportar a perseguição dos que repelem tudo isto em nós sem que nos transformemos, nós mesmos, naquilo que condenamos.
Pe. Bertrand
Paróquia Igreja Nossa Senhora Do Sagrado Coração – Campeche