Na última semana presenciei um caso em que a responsabilidade tem um preço e pode ser o da liberdade. O exemplo se refere a história de um jovem que recebeu a oportunidade de somente estudar morando sozinho num apartamento numa cidade diferente daquela em que a família morava. Era tudo o que ele sempre sonhara.
O jovem tinha como grande sonho fazer uma faculdade. Passou no vestibular para um curso em período integral na cidade vizinha a que seus pais moravam. Perfeito! Seria possível ele continuar morando em casa e fazer o curso na cidade vizinha, porém seriam necessários vários deslocamentos de ônibus para a faculdade. Alguns dias ele teria que ir duas vezes. Os pais felizes pelo acesso do filho à faculdade alugaram um apartamento bem em frente à universidade para ajudar o filho, que assim não perderia tempo e poderia se dedicar integralmente aos estudos. Para facilitar ainda mais, quase sempre o filho tinha um carro à disposição, podendo ir na segunda-feira e retornar para casa na sexta ou no sábado ao final das aulas. Tudo parecia bem. O filho tinha a confiança dos pais e a liberdade que sempre quisera. Para a surpresa dos pais, ao final do terceiro ano o filho não passou de ano.
O que aconteceu no exemplo descrito? A liberdade e a confiança foram dadas, mas o seu uso não foi responsável para que se produzisse o resultado esperado. O que vocês fariam? Ao entender que ser responsável por algo significa responder pelos seus atos, os pais fecharam o apartamento e retiraram o carro do filho. Ele teve que responder pela falta de responsabilidade. Assim, o jovem perdeu a liberdade de morar sozinho e para continuar a estudar ele terá que se deslocar de casa para a universidade de ônibus todos os dias, em alguns casos, duas vezes. A responsabilidade no uso da liberdade não foi usada com sabedoria para que o jovem pudesse continuar a desfrutar da confiança recebida. Assim, a falta de responsabilidade cobrou o seu preço que foi a perda da confiança e da liberdade.
Desse modo, no nosso dia a dia, a responsabilidade sobre os nossos atos significa o exercício da liberdade com a consciência de quem tem a confiança daqueles com quem convive. Mais. É a responsabilidade que faz com que se entenda que aquilo que se faz no mundo afeta a própria vida e também a vida dos outros. Isso porque nós somos parte do mundo e não estamos aparte dele. Portanto, se você faz parte do mundo, e faz, o mundo o AFETA e é sua a responsabilidade de saber como o mundo o afeta. Da mesma forma, se você existe, e existe, você também AFETA o mundo e igualmente é sua a responsabilidade de saber como você o afeta. Como você AFETA o mundo?
Enfim, a responsabilidade é algo a ser exercido com a consciência de quem quer continuar a ser livre, entendendo que se afeta e se é afetado pelo mundo. Como vai a sua responsabilidade no mundo? Com AFETO o mundo será melhor!
O jovem estava certo de que tinha uma grande ideia de negócio. Conversava com um e abordava outro, mas parece que as pessoas não conseguiam captar a verdadeira dimensão da sua proposta. Todos concordavam que parecia ser um bom negócio, mas ninguém se dispunha a investir verdadeiramente nele. Algo não estava funcionando na abordagem e, consequentemente, o negócio estava parado. Ou a ideia não era tão boa assim? Aquilo que ele imaginava que poderia ser um ponto de viragem na sua vida e na vida de muitos outros começava a se perder no tempo. Mais de dois anos já se haviam passado desde que ele tivera a ideia. O que faltava para que o negócio decolasse?
Era sobre isso que conversávamos em nossas sessões de Coaching. Foram vários encontros em que se debateu a ideia, também se falou sobre o seu desenvolvimento e sobre as possibilidades de expansão do negócio, que para o meu cliente pareciam infindáveis. Porém, todas as vezes que o assunto nos levava para detalhes mais específicos do negócio ele ficava reticente para não revelar algum segredo que pudesse expor demasiadamente a ideia. Ele sentia-se inseguro com a possibilidade de que alguém pudesse lhe roubar o negócio.
Numa de nossas conversas ele, em tom de desabafo, exclamou:
– Eu preciso de alguém que acredite em mim!
Fiquei em silêncio. Ele também. Depois perguntei:
– E você, em quem você acredita?
Ele me olhou com um misto de sorriso e ironia. Não disse nada por um longo tempo. Eu fiquei pensando sobre o tema. Trouxe o tema para a minha realidade e me questionei sobre quantas vezes eu também gostaria que tivessem acreditado em mim. Creio que essas questões se estendem a muitas outras pessoas. Foram vários os momentos em que senti que tinha potencial para dar mais, mas que faltava alguém que acreditasse em mim e que me ajudasse a atingir um novo patamar. Isso aconteceu na minha juventude quando acreditava que poderia ser um grande jogador de futebol, mas não encontrei ninguém que me pegasse debaixo do braço e me fizesse o jogador que eu acreditava que poderia ser. Agora via que isso não era algo só meu. O jovem à minha frente vivia o mesmo drama. A minha pergunta sobre em quem ele acreditava tinha a intenção de despertá-lo sobre ele mesmo.
Particularmente, acredito que o primeiro passo é que cada um acredite em si, no seu potencial e que tenha a confiança para compartilhar as próprias ideias. Parece-me importante que cada um acredite em si e que também acredite nos outros, partindo do pressuposto de que são os bons valores que nos norteiam,. Não quer dizer ser trouxa e sair por aí revelando todos os seus segredos, mas ter a percepção necessária para compartilhar e estar disposto a mudar. Riscos? É óbvio que existem. Possibilidades? Muito maiores uma vez que você acredita em si a tal ponto de não ter medo do outro. Desse modo, se você está procurando alguém que acredita em você, eu acredito que o primeiro passo seja o de olhar para dentro de si mesmo para avaliar se você acredita em você. Com isso você acreditará nos outros e, cedo ou tarde, eles acreditarão em você.
Você precisa de alguém que acredita em você? Sim, todos nós precisamos de que acreditem em nós, mas primeiro é preciso que cada um acredite em si mesmo.
Tem sentido querer dar sentido para todas as coisas num mundo gerido pela certeza da insegurança e da incerteza com origem em relacionamentos, por vezes, sem sentido aos quais os seres humanos buscam dar importância?
Aceitar a sombra, o nosso lado escuro, é apropriar-se dela para não ser dirigido por ela. O vídeo abaixo explora de maneira clara e didática como as nossas zonas ocultas podem nos impedir ou podem nos impulsionar a ser tudo aquilo que podemos ser. A escolha é de cada um. Qual é a sua escolha?
VALE A PENA ASSISTIR!!!
Temas que estarão presentes no Workshop de Autoconhecimento