O mundo que se vê

Quando se olha para fora todos veem as mesmas coisas. As mesmas paisagens, as mesmas construções, as mesmas flores e os mesmos jardins. Porém, cada um os enxerga de maneira diferente.

Quando se olha para dentro também todos são iguais. Os mesmos órgãos, como pulmões, rins e coração. Porém, cada um sente diferente, traz outros desejos e mantém distintos valores.

Aquilo que você enxerga fora depende do que você sente, traz e mantém dentro.

O mundo que se vê está dentro de você!!!

50 ANOS: mais do que esperava

50 ANOS:

Os otimistas diziam que eu chegaria aos trinta. A vida me deu os quarenta e agora os cinquenta. 

Ela me deu mais do que eu poderia imaginar…

A vida me deu pais extraordinários e eu nem sempre retribuí da mesma forma.(Noêmia e Egídio – in memoriam)

A vida me deu irmãos incríveis e eu talvez não tenha sido tão incrível para com eles. 

A vida me deu parentes e amigos inesquecíveis e que muitas vezes eu os esqueci.

Para mim, meu aniversário de cinquenta anos na semana passada foi um marco na trajetória de dias e na lembrança de pessoas especiais.
Alguns dias foram mais intensos, outros menos, mas nenhum foi igual ao outro.
Lembrei de tantas pessoas especiais com as quais tive o privilégio de conviver e de compartilhar momentos únicos. Com algumas convivi e compartilhei mais, com outras menos, mas não encontrei ninguém que fosse igual entre si.
Agradeço por cada dia vivido e a cada pessoa que deixou um pouco de si na minha vida.
É isso que faz a vida valer a pena ser vivida.
Tudo sempre é novo de novo!
Muito obrigado!!!


O seu atendimento é bom ou excelente?

Nos últimos meses, desloquei-me por vários estados, cidades e hotéis, que em geral têm oferecido um bom serviço. Porém, pergunto: qual a diferença entre um bom e um excelente serviço? A diferença pode estar nos detalhes.

Para quem se desloca de um lado a outro com frequência e usa os serviços dos hotéis já existe certa rotina na ausência da rotina. São muitos os profissionais que enfrentam o ritual de arrumar a mala, viajar, chegar ao hotel, preencher e assinar a ficha de entrada na recepção e ir até o quarto desarrumar para arrumar o que será preciso para a curta estada. Depois do compromisso cumprido, retorna para o hotel, arruma a mala, faz o check oute reinicia-se o processo em outra cidade e em outro hotel. Há um desconforto na necessidade de busca pelo conforto. Foi assim a minha rotina. Foram inúmeros os hotéis, diferentes pessoas na recepção e quase sempre uma dificuldade a mais porque sou usuário de cadeira de rodas. Todos os hotéis tinham acessibilidade boa o suficiente para não gerar nenhum constrangimento. Porém, dentre todos eles um se destacou pelo excelente atendimento, uma vez que foi genuinamente humano.
Fui até o quarto acompanhado pelo recepcionista. Boa conversa, orgulho do trabalho, do hotel e da cidade onde mora. Mostrou-me as instalações indicando o banheiro adaptado. Logo perguntou:
– Está tudo ok. Você precisa de algo mais?
Olhei para o banheiro e comentei:
– Se possível prefiro uma daquelas cadeiras de plástico mesmo. Pode ser?
Ele respondeu que sim. Em menos de cinco minutos chegou ao quarto a camareira com a cadeira pedida. Posicionou-a no banheiro. Ela olhou para mim observando a minha condição de cadeirante, olhou para os meus pés e para o chão do banheiro. Logo perguntou:
– O senhor gostaria de um tapetinho para por no banheiro? Para os seus pés?
– Sim, sim. Gostaria muito.
Não sei como ela se apercebeu dessa necessidade. Para mim um tapete emborrachado no chão faz muita diferença. Não tenho força nas pernas, assim sempre que os pés tocam o chão molhado eles escorregam para um lado e outro. O tapete emborrachado evita esse transtorno. Alguns minutos depois ela voltou com o tapete e o colocou no chão do banheiro.
Fiquei dois dias no hotel e fui para outra cidade. Alguns dias depois retorno para o mesmo hotel. Cheguei à recepção e fui atendido pelo nome. Fiz a ficha, subi para o quarto e o recepcionista já disse:
– Ah, a cadeira de plástico, né?
Logo depois chegou a camareira com a cadeira de plástico. Colocou-a no banheiro e, para a minha surpresa, colocou em frente o tapete emborrachado para os meus pés.
O atendimento que já era bom, no meu entendimento, passou a ser excelente. Emocionei-me, porque percebi que eles me trataram como uma pessoa muito além de um cliente. Eles cumpriram com todos os procedimentos padrões que garantem a qualidade do bom serviço. Sabe-se que existem técnicas e método para isso. Mas eles foram além. Eles viram o ser humano e me ofereceram o tapete que lhes garantiu a classificação de um serviço excelente. Eles estão servindo as pessoas!

Qual é o tapete do seu cliente?

Saindo de fininho

Uma mesa com quatro rapazes. Eles já haviam consumido umas quantas cervejas cada um. Não pagaram. De repente vão se levantando um a um e começam a sair de fininho. O que vai pensar o garçom? Chama os seguranças, fala com o gerente. Chama a polícia! Os caras vão dar o nó! Pensa o garçom desesperado. Não. Nada disso. Na verdade todos eles eram fumantes e somente saíram para fumar o seu cigarrinho. Dali a pouco voltaram e pediram mais uma rodada.

Ah, como seria bom se sempre fosse assim…
Fonte: http://www.midiaindependente.org/pt/red/2009/09/453635.shtml

Quem será o próximo peru?

Lá estava o peru confortavelmente instalado no seu espaço. Desde que nascera até o presente instante as suas lembranças eram maravilhosas. Nunca lhe havia faltado água ou comida, além de sempre receber um afago do seu benfeitor. Era uma vida maravilhosa. E lá vinha o seu benfeitor todo sorridente como sempre. O peru viu um objeto reluzente em sua mão direita sem desconfiar do que se tratava. Aquele que ele considerava o seu melhor amigo se aproximou e o peru todo feliz ficou onde sempre ficava. Esperava pela comida ou pelo carinho, mas desta feita nada disso aconteceu. O seu tão querido benfeitor o agarrou pelo pescoço e lhe cortou a cabeça. Era Natal e o peru não sabia que ele seria o prato principal.

Ao ler o livro Cisne Negro, de Nassim Nicholas Taleb, encontram-se muitas ilustrações sobre a capacidade de previsão do homem, entre elas a história do peru, que retrata de forma fácil e didática como são feitas as previsões. Basicamente a capacidade e a forma de previsão do ser humano pode ser comparada a do peru, que se norteia pelo passado para seguir imaginando que está numa posição tranquila e confortável com relação ao futuro. Desse modo, ele segue recebendo a comida todos os dias, crente que essa realidade vai se repetir pelo todo sempre, uma vez que não há nenhum indício no passado que o leve a pensar num futuro diferente. Da mesma forma os especialistas em diferentes áreas fazem suas previsões sem maiores conhecimentos sobre o entorno do que o peru.

Simplesmente o ser humano não consegue abarcar todas as variáveis que influenciam o futuro, assim como o peru não conseguia entender o homem que o alimentava. Quantas previsões de autoridades nas áreas sociais feitas nos últimos anos não se concretizaram? Quantas previsões feitas por grandes executivos sobre a tendência do mercado simplesmente tomaram um rumo completamente diferente? Quantas invenções previstas não aconteceram e a maioria nunca imaginada simplesmente surgiu? Por fim, as previsões dos economistas e dos especialistas em diferentes áreas são baseadas em fatos passados que não necessariamente se repetirão no futuro. Basta reler as páginas das orientações dadas nos últimos meses pelos especialistas em bolsa de valores ou sobre o dólar para se perceber que as suas capacidades de previsão não são melhores do que a do peru. Baseando-se no milho que recebiam com seus ganhos na bolsa ou com a variação cambial acreditavam que tudo seguiria sempre assim, sem nenhum atropelo.

Por isso, visite, relembre, rememore e aprenda com o seu passado. Porém, não queira recriar o passado. Lembre-se que nós mudamos, os outros mudam e os cenários também. Se a história é cíclica os personagens não são. De repente, chega o “Natal” e os perus são comidos. Não seja você o próximo peru…


Vale a pena ler o livro O Cisne Negro, O Impacto do Altamente Improvável de Nicholas Nassim Taleb!!!

Somos únicos. Somos múltiplos.