BEM AVENTURADOS OS MANSOS… TOLERANTES

Bem-aventurados os mansos…

quando eles são tolerantes!

O tempo havia passado e ela havia superado uma série de emoções e sentimentos controversos pelo fim do casamento. A minha amiga havia sentido culpa, mas se havia perdoado. Havia sentido raiva, mas se havia acalmado. Havia sentido tristeza, mas já havia passado. Entretanto, relações pessoais tão íntimas como um casamento produzem sentimentos em outras pessoas que vão além do casal. Existem os filhos, parte importante que não está aparte. Existem os pais de um e de outro que se envolvem de uma forma ou de outra. Existem os irmãos e os amigos que se aproximam por intermédio de um do outro. Um casamento ultrapassa o conceito de um compromisso social, porque ele compromete pessoas com todas as suas relações e sentimentos. Ali estava ela em sua casa com os seus filhos sem o pai que, depois da separação, desapareceu. Um irmão mais novo de seu ex-marido esteve muito presente com os sobrinhos, porém o tema da separação não fazia parte das conversas entre eles. Um dia, contudo, ele falou:

– A separação de vocês fez o meu irmão sofrer muito e a mim também. Fiquei muito magoado…

Ele seguiu com outros comentários, entre eles a acusação implícita de que ela fora a culpada disso tudo. Ela ruborizou-se, porque lhe veio à mente todo o sofrimento passado no tempo da culpa, da raiva e da tristeza, assim como da ausência do ex-marido para os filhos. Entretanto, ela não disse nada, porque conseguiu parar, observar e reconhecer do que e a quem ele se referia. Não era dela que o seu ex-cunhado falava. Foi um momento fundamental que mudou o desfecho daquilo que poderia ter sido o início de um conflito. E o que isso tem a ver com ser manso? Onde está a tolerância nessa história? Como isso pode me ajudar nas relações pessoais e profissionais? “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” não é um convite para ser passivo ou submisso. É um convite para a ação consciente, porque manso é sinônimo de gentil, tranquilo ou sereno, necessitando um alto nível de inteligência emocional. É o desenvolvimento dessa qualidade que permite não reagir numa situação de conflito ou frente a uma acusação num ambiente hostil, mantendo a capacidade de fazer a melhor escolha. Ser gentil, tranquilo e sereno quando tudo está calmo é fácil. O desafio é demonstrar a qualidade da mansidão sob pressão e para isso é preciso ser tolerante ao admitir que alguém se expresse, faça ou interprete algo de forma diferente da sua. Para ser tolerante é fundamental estar tranquilo e sereno, o que o leva a exibir a gentileza natural de quem é manso. “Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” prometida, um estado de satisfação e de realização sem que seja necessário conquistar. Para isso é essencial parar, observar e atuar com mansidão para alcançar o “Céu” que é a nossa herança. Não sei quais foram os pensamentos da minha amiga nesse momento, porém ela teve a capacidade de entender que a “bronca” exibida pelo ex-cunhado não era com ela. A dor e o sofrimento eram dele pela sua interpretação da realidade. Para o bem de todos, ela já havia internalizado a mansidão.

“Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra” é um convite para aceitar e integrar os acertos e os erros que compõem o que cada um é para evoluir rumo a um mundo de gentileza, tranquilidade e serenidade. A minha amiga conseguiu exibir a mansidão, porque ela havia integrado o seu ser, criando internamente a tranquilidade e a serenidade que a fizeram gentil. A sua família, a sua organização e o mundo são melhores com gentileza. Com a não reação característica dos mansos ela foi conscientemente tolerante, respeitando o outro que cedo ou tarde terá que resolver os seus conflitos internos. Para esse fim, ele terá que aceitar e integrar as suas partes para desenvolver a mansidão. 

Enfim, espero que em 2022 cada um possa parar, observar dentro de si e reconhecer-se como ser Humano e Divino para aceitar e integrar as suas partes com mansidão. Desejo que cada um “herde a sua terra prometida!”

Moacir Rauber

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Bebe surda: https://youtu.be/GY1lA7JqfgM

Bem-aventurados os que choram… quando eles escutam!

Veja o vídeo!!!

FELIZ NATAL!!!

Bem-aventurados os que choram…

quando eles escutam!

A bebezinha havia nascido surda (https://youtu.be/GY1lA7JqfgM). Com alguns meses de vida, fizeram-lhe uma cirurgia para que pudesse ouvir. Ao ligar o aparelho auditivo ela moveu os olhinhos de maneira mais viva. A mãe a segurava no colo, olhava-a nos olhos e começou a falar com ela de forma suave e carinhosa. A mãe dizia, “Eu te amo, filha, eu te amo”. A bebê se contorcia, movia os olhos, sorria e chorava. É um vídeo de um minuto que me tocou profundamente, porque mostra o choro de agradecimento ao descobrir um mundo até então inalcançável ao ouvir pela primeira vez. Sim, bem-aventurados os que choram, quando eles não só ouvem, mas escutam.

O último ano foi difícil. Muitos de nós choramos a perda de amigos e de pessoas próximas. Outros choraram a perda do trabalho, dos negócios, do casamento ou de relacionamentos. Entretanto, o fato de ter sido um ano difícil o faz importante.

Chora-se a perda de alguém, agradece-se o período de convívio.

Chora-se a perda do trabalho ou dos negócios, agradece-se o aprendizado.

Chora-se o fim de um relacionamento, agradece-se a possibilidade de estabelecer novos.

Desse modo, “bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” é um convite para uma viagem interior em que podemos curar as nossas feridas ao nos escutar para depois escutarmos o mundo. O exemplo da bebê traz uma mensagem poderosa em diferentes perspectivas. Primeiro, ela sorriu com a conquista de algo que nem sabia que era possível no momento que ligaram o aparelho auditivo. Aqui, porém, trata-se da escuta para além da audição em que se observa e se entende a importância da própria atividade para si e para o outro. Escutar dessa maneira permite que se entenda a importância do trabalho do outro para ele e para você. Essa escuta abre possibilidades no trabalho e na vida. Depois a bebê chorou de agradecimento ao escutar o mundo que a colocou em contato com a própria essência. A voz da mãe, na verdade, ela já a conhecia desde o ventre. Ao obter a audição para um ambiente externo, a bebê se conectou com uma infinidade de oportunidades. Pode-se chorar de alegria com a perspectiva de aproveitá-las. Pode-se chorar de tristeza quando não desenvolvemos a consciência da interdependência com aquilo que nos rodeia. A escuta nos permite fazer escolhas.

  1. Quantas vezes, nós ficamos presos na nossa incapacidade de escutar a nós mesmos, deixando de aproveitar as possibilidades do mundo
  2. Quantas vezes nós somos incapazes de escutar o outro, fechando-nos em nós sem escutar o mundo?

Escutar, no sentido mais profundo da palavra, nos permite a tomada de consciência daquilo que podemos e não fazemos; daquilo que vemos e não ajudamos; daquilo que sentimos e não expressamos.

É importante chorar, reconhecer e se mover para obter o consolo dos bem-aventurados que fazem o que podem; que ajudam quando veem; e que expressam o que sentem.

Enfim, “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!” se volta para dentro ao fazer silêncio para receber a voz que você vai seguir. A bebezinha escutou, sorriu e chorou com a segurança da voz que escutava. Cabe a cada um de nós tomar consciência daquilo que busca a partir do silêncio para exercer a escolha com a beleza da escuta. Choro de tristeza ou de alegria? Depende da voz que escolher escutar.

FELIZ NATAL, É TEMPO DE FAZER ESCOLHAS!!!

Moacir Rauber

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Bebe surda: https://youtu.be/GY1lA7JqfgM

BEM-AVENTURADOS OS POBRES DE ESPÍRITO… COM MENTALIDADE DE CRESCIMENTO!

Bem-aventurados os pobres de espírito… com mentalidade de crescimento!

A obra havia começado na data marcada, porém estava atrasada. O Engenheiro que a conduzia visitava o local de duas a três vezes por semana e não entendia a razão do atraso. Um dos pedreiros, que escutava a conversa do engenheiro com o dono da obra, fez um comentário com sugestões sobre os próximos passos. O engenheiro retrucou:

– Quem é o engenheiro aqui? Se quiser tocar a obra vai fazer um curso de engenharia…

E seguiu com uma ladainha de autoafirmação que revelava o ego e o orgulho feridos de quem acredita que não tem nada a aprender com o outro. O pedreiro baixou a cabeça e voltou ao trabalho. Da situação se podem extrair algumas aprendizagens, entre elas a diferença entre pobres de espírito e espírito pobre (Sermão da Montanha), que se alinham com a mentalidade de crescimento e a mentalidade fixa (Carol Dweck). Por fim, pode-se propor uma solução a partir da CNV – Comunicação Não-Violenta (Marshall Rosemberg) para a gestão de conflitos. Ao olhar para a afirmação bíblica “Bem-aventurados os pobres de espírito”, pode-se pensar que se trata apenas de uma visão religiosa de interpretação da realidade com uma chamada ao vitimismo. Nada mais equivocado. A complexidade da afirmação começa com o entendimento de que “pobres de espírito” são aqueles que estão abertos para a aprendizagem e evolução ao reconhecer as infinitas possibilidades que a humildade traz. Os pobres de espírito se conectam com as pessoas sabendo que podem aprender com elas. A bem-aventurança citada traz em si muitas das constatações da neurociência e exibe a mentalidade de crescimento como um caminho evolutivo que pode nos levar ao paraíso. Aceitar a pobreza de espírito faz com que a minha fragilidade não seja vista como uma ameaça, mas uma oportunidade que se manifesta na interdependência com o outro. Não importa o cargo ou a função, porque não se trata de julgar. Por outro lado, alguém com espírito pobre não está aberto à aprendizagem. Ele crê que precisa provar para os outros que sabe, característica de alguém com mentalidade fixa. Trilha-se o caminho de ver ameaças em quem pensa diferente, passando a odiar a própria fragilidade na agressividade com o outro. Dessa maneira, “Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus!” é um convite à evolução por meio da humildade que permite explorar as possibilidades presentes na aprendizagem contínua. Qual a ação que o coloca no caminho da evolução na sua organização e na sua vida? Qual foi e qual poderia ter sido o resultado da conversa entre o engenheiro e o pedreiro?

No final daquele dia, o pedreiro com seus trinta anos de experiência se demitiu, atrasando ainda mais a obra. Ele tinha escolhas. O engenheiro teve a sua capacidade questionada pelo dono da obra que entendeu a sugestão do pedreiro como boa. A CNV como ferramenta de desempenho poderia ter sido usada pelo engenheiro, caso ele estivesse conectado com os “pobres de espírito” da humildade com abertura para aprender. Ele poderia ter reconhecido o (1) fato de que a obra estava atrasada, o que gerava nele o (2) sentimento de ansiedade, porque tinha a (3) necessidade de cumprir com os seus compromissos, um valor. Qual a (4) estratégia a ser adotada para atender a sua necessidade? Ofender o pedreiro não o ajudou. O convite do Sermão da Montanha para nos reconhecermos como pobres de espírito não é fácil, porque somos humanos e falíveis. O ego, o orgulho e o medo estão presentes em nós, características de espírito pobre. A CNV pode nos ajudar ao propor que pausemos (Miriam Moreno), observemos, sintamos, identifiquemos as necessidades para adotar uma estratégia que seja solução para ambos. Eis os pobres de espírito que com humildade optam por aprender pela curiosidade e criatividade sem julgar. Pobres de espírito ou espírito pobre? Uma reflexão para o NATAL. A escolha é de cada um.

Moacir Rauber

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BEM-AVENTURADOS OS ALINHADOS NAS INTENÇÕES E NAS AÇÕES…

O Natal se aproxima e muitas intenções são reveladas. Para mim, é inspiradora a energia que emana desse movimento. A compaixão e a bondade fazem parte do espírito cristão e acredito ser isso que nos leve a um processo evolutivo de nossa condição humana por meio de ações. O Sermão da Montanha nos faz diferentes convites de ação. Quais são as suas ações? Estão elas alinhadas com as intenções?

Nós cristãos, às vezes, não damos a devida atenção ao convite de ação presente no Sermão da Montanha que, para Gandhi, era o texto espiritual mais relevante já escrito. Ele acreditava na verdade amorosa com força e firmeza que se sobrepõe ao domínio pela força usada pelo homem. Uma posição ativa que visa despertar a consciência em si mesmo e nas pessoas com as quais se convive. É o espírito cristão! Destaque-se que o Sermão da Montanha é um convite a um aprofundamento espiritual por meio de ações que nos levem a sermos melhores pela não-violência ativa, a intenção. O alinhamento entre as ações e as intenções vai produzir resultados nas organizações, nas relações, na vida e na sociedade. As oito bem-aventuranças são muito mais do que parecem ser: (1) “Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos Céus!” é um convite a humildade de quem se identifica com a simplicidade e o despojamento que permitem a evolução. Qual a ação que o coloca no caminho da evolução na sua organização e na sua vida? (2) “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!” se volta para dentro, explorando a aflição de uma dor interior que pode ser sanada na relação com o próximo. Qual ação que o aproxima do outro em sua frágil humanidade como colega, diretor ou cônjuge? Eles têm as mesmas necessidades que a suas. (3) “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!” ao herdá-la pela gentileza e não-violência que se manifestam ativamente em momentos de conflito. O que você faz para transformar os conflitos em momentos de crescimento e evolução? Não importa o ambiente, porém tudo que precisa ser dito pode ser dito, apenas depende de como é dito. (4) “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!” que se reflete numa sociedade que busca a equidade e a justiça social a partir de cada um. As suas ações refletem essa busca na sua função e nos seus diferentes papéis como um ser social? (5) “Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia!” fala da reciprocidade, lembrando-nos para que não julguemos para não sermos julgados. A misericórdia faz parte da sua atitude na vida? É o reconhecimento da diversidade como uma condição natural humana em nossa singularidade e multiplicidade. (6) “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!” em si mesmos, na natureza e no próximo com a maturidade espiritual conquistada. As suas ações permitem ver a Deus ou a uma realidade maior? Nós fazemos parte, não estamos aparte de anda. (7) “Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!” ao promoverem a abundância, a prosperidade e o bem-estar a partir de uma tranquilidade interior ativa. Você está entregando o seu melhor na sua organização, nas suas relações e na sociedade? O resultado de entregar o melhor de cada um vai produzir os resultados esperados. E (8) “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos Céus!” que começa na terra ao agir e fazer as escolhas em conformidade com as demais bem-aventuranças. A suas intenções e as ações estão alinhadas? São o BEM-AVENTURADOS que sabem que o mundo pode não ser justo, mas que cada um pode ser. Enfim, creio que a não-violência está explícita como uma intenção no Sermão da Montanha, assim como um convite para a ação que nos leve a evolução da nossa condição humana pela espiritualidade. A produtividade, a prosperidade, a abundância e o bemestar serão o resultado natural dessa tomada de consciência.

Enfim, acredito que a Comunicação Não-Violenta de Mashall Rosemberg oferece um passo a passo ativo de construção de uma sociedade espiritualizada que começa a cuidar de si mesmo e do próximo mais próximo. Os desafios: (1) observar sem julgar? (2) Sentir com o outro? (3) Atender as necessidades de um e do outro? (4) Pedir e dar ao respeitar um e outro? Fácil? Não. Possível? Sim. Basta reconhecer a nossa centelha divina expressa nas bem-aventuranças que ganham mais relevância no período natalino. As pessoas querem exibir as ações que revelam as suas intenções de compaixão e de bondade, basta lembrar que elas são características inatas dos seres humanos. É preciso deixar aflorar as intenções por meio de ações produtivas para que se crie um mundo de abundância e de prosperidade. Alinhe-se: seja compassivo, seja bondoso, seja HUMANO, porque também somos DIVINOS. É NATAL!!!

Moacir Rauber

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O QUE VEM A SEGUIR?

O que vem a seguir?

O nosso grupo de estudos avalia o estudo da INOVA com base na pergunta: o que vem a seguir? Fala-se da criação de máquinas e humanos superinteligentes, a singularidade, num ambiente de revoluções tecnológicas e biológicas impulsionadas por um grupo de forças motrizes nem sempre visíveis. Saí da última reunião com a cabeça fervilhando de ideias positivas, por um lado, e de medos subjetivos, por outro, e uma pergunta na cabeça: para quem haverá espaço nesse novo cenário? No sábado seguinte, almocei com um grupo de pedreiros numa obra. Expediente terminado, churrasco e conversa. Falar sobre singularidade, revoluções e forças motrizes? Nem pensar. No dia a dia deles isso não teria nenhum sentido, porém, o impacto disso tudo era visível, porque discutiam o andamento da obra por meio de aplicativos. Cada um deles contando das suas experiências de vida. O primeiro tinha 25 anos e um filho a caminho. Estava feliz com o trabalho na obra e com os bicos que fazia como artesão. O segundo tinha 33 anos, uma filha de 7 e saía de um divórcio, mas agradecia o fato de estar trabalhando como carpinteiro. O terceiro tinha 49 anos, filho agricultor que era mestre de obras. Contava com orgulho que estava casado há 25 e tinha seis filhos com a mesma esposa. Ele lembrava de um conselho de seu falecido pai:

– Estudo não posso te dar, mas te dou três ferramentas que se você as souber usar nunca lhe faltará o pão na mesa.

Em seguida lhe entregou um martelo, um serrote e uma enxada. O martelo está associado a profissão de pedreiro, assim como a colher e o prumo. O serrote está relacionado a profissão de marceneiro e carpinteiro, assim como o esquadro e a plaina. A enxada está ligada a profissão de agricultor, assim como a pá e a tesoura de poda. Esse pai não podia imaginar as mudanças que viriam, entretanto tive que reconhecer que os seus conselhos trazem muita sabedoria. É uma realidade vivida por bilhões de pessoas. Comparativamente, o que nós discutimos no nosso grupo é uma projeção de realidade. A pesquisa parte do conceito principal do que vem a seguir, a SINGULARIDADE, que é entendida como a hipotética criação futura de máquinas e humanos superinteligentes. A singularidade está apoiada em duas revoluções simultâneas, a INFOTECH, o uso de computadores para armazenar, recuperar, transmitir e manipular informações, e a BIOTECH, o uso de sistemas vivos e organismos para desenvolver produtos. Revoluções essas impulsionadas pelas FORÇAS MOTRIZES da (1) Tecnologia e Conectividade; (2) Ambiente e Clima; (3) Política e Economia; (4) Social e Humano; (5) Saúde e Bem-estar; e (6) Educação, Empresas e Negócios. Desse conjunto resultam 18 megatendências, 30 tendências comportamentais e 30 tendências de negócios. As discussões sobre as mudanças que virão com os benefícios e os riscos inerentes produzem sensações distintas. Entusiasma-se com as inúmeras possibilidades. Amedronta-se pela imprevisibilidade de mudanças tão radicais. Alguma diferença entre as projeções de realidade e a realidade dos obreiros?

Particularmente, entendo que as três profissões citadas nos conectam com as necessidades básicas do ser humano, trabalhando com o essencial. Sem pedreiros não há casas, ficamos sem abrigo. Sem carpinteiros não há camas, ficamos sem descanso. Sem agricultores não há alimentos, ficamos com fome. As projeções de que humanos e máquinas superinteligentes vivam interconectados vão ocorrer com a minha concordância ou não, entretanto, seria importante considerar que nós não poderemos nos abrigar do frio e do calor na internet; nós não poderemos dormir na “rede” de computadores; e nós não poderemos nos alimentar com a tecnologia que produzimos. Enfim, entendo que se a singularidade for tratar com máquinas e pessoas superinteligentes, as revoluções infotech e biotech e as grandes forças motrizes devem se conectar com o mundo que mantém a vida. Enfim, para que o superinteligente seja verdadeiro é preciso fazer sentido. As revoluções que vêm a seguir fazem sentido? Se não fizerem, para que revolucionar?

Moacir Rauber

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What’s next 2021 – Tendências e impactos da Mudança

Pesquisa realizada por: INOVA CONSULTORIA

DE GESTÃO E INOVAÇÃO ESTRATÉGICA LTDA.

UMA MOSCA TE INCOMODA? QUAL?

Uma mosca te incomoda?

A mosca voava de um lado a outro, incomodando-me. Eu tentava manter a concentração para poder terminar um trabalho que tinha hora e prazo para ser entregue, mas a mosca insistia em me distrair. Sentava-se na tela do computador, lugar que não podia bater para matá-la. Ela voava e se sentava num livro ao lado em que batia, mas o golpe chegava atrasado. Ela voava para outro lado onde os meus olhos a seguiam e eu começava a esbravejar mentalmente contra aquela mosca que me irritava. Isso já aconteceu contigo? Falo de uma mosca, mas poderia ser um ruído, um motorista que não respeita os sinais de trânsito ou um atleta que compete na mesma categoria que o tira do sério. Em cada uma das situações citadas, o que está no seu controle? Acredito que se possa atuar em duas frentes: (1) fazer o que pode ser feito e (2) escolher a atitude emocional sobre aquilo que não pode ser mudado.

Uma mosca ou um ruído (há uma obra aqui na minha janela) podem ilustrar como damos poder a situações que não deveriam ter poder sobre aquilo que sentimos ou deixamos de sentir. Ao analisar essa sensação incômoda no dia a dia ou numa realidade competitiva, pode-se saber quem e o que controlam as escolhas de cada um. O trânsito é um exercício de paciência, porque parece que quanto mais atrasado alguém está mais os “outros” motoristas fazem manobras que o atrasam ainda mais. Parece que os semáforos se fecham quando não deveriam fechar, levando muitos a se enfurecerem fazendo do trânsito um espaço de loucura compartilhada. Nos esportes individuais de alto rendimento são inúmeros os atletas que desviam o foco de sua atenção para quem está ao seu lado, esquecendo-se de atuar onde podem atuar. No trânsito e nos esportes as situações podem ser estímulos, mas não são a causa de quem se sente atingido por elas. O que o motorista pode fazer com relação aos outros motoristas ou aos semáforos? Provavelmente, nada! Parar frente a cada um que parece estar desrespeitando as leis e armar uma confusão não vai ajudar. Ligar para a companhia de trânsito para que os semáforos se abram para ele passar não vai acontecer. Assim, ele pode (1) sair mais cedo no próximo dia e (2) mudar sua atitude interior ao aceitar o que não pode ser mudado. Para os atletas de alto rendimento que se amedrontam com o seu competidor, o que está a seu alcance fazer? Eles têm as suas escolhas: (1) observar e aprender com o outro para melhorar e (2) treinar ainda mais para aperfeiçoar o próprio desempenho, atuando sobre si, o único lugar sobre o qual se tem autonomia. Enfim, em cada uma das situações o importante é atuar sobre o que está ao seu alcance e aceitar o que não se pode mudar. Trata-se de migrar do reino da loucura ao querer mudar o que não se pode e entrar no reino da sabedoria para fazer o que se pode com aquilo que se tem.

E uma mosca te irrita? A ilustração da mosca serve apenas como ponto de partida para que cada um reflita: qual é a sua mosca? Eu tenho as minhas. Hoje, logo que comecei a escrever, o ruído de uma construção aqui ao lado me deu a exata noção de como cada um pode fazer a escolha da atitude interior sobre os eventos que estão fora do controle. Não quero dar poder a situações externas e aos outros para que eles definam como vou viver o meu dia. Irritei-me ao princípio, depois fechei a janela e escolhi sentir-me bem. Enfim, a obra vai melhorar a calçada da rua que eu uso.

Moacir Rauber

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DE ONDE VIRÁ O CISNE NEGRO?

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De onde virá o próximo Cisne Negro?

Não havia lido um livro com argumentação tão boa e tão bem estruturada como O Cisne Negro, de Nicholas Nassim Taleb, que demonstrasse que nós não somos tudo aquilo que pensamos ser, nem para mais, nem para menos. Eu o li em 2008, mas o reencontrei entre meus livros na semana passada. A teoria do Cisne Negro é fascinante, porque ela trabalha sobre aquilo que nós desconhecemos, portanto, não se poderia trabalhar. Se nós não conhecemos algo como podemos trabalhar com essa hipótese? O que virá depois da pandemia? Os especialistas (como podem ser?) podem nos orientar?

Ao esclarecer que antes da descoberta da Austrália pelos europeus todos os cisnes eram brancos, deu-nos a certeza de que existem muitos outros cisnes negros a serem descobertos em diferentes áreas. Podem surgir ou não. Por isso, sempre (já é um problema dizer “sempre”) que acreditamos ter chegado ao final de algo; que concluímos uma etapa esgotando todos os recursos; que descortinamos a última fronteira das novas descobertas; e que exaurimos todas as possibilidades de encontrar uma solução, surge-nos a imagem do Cisne Negro. Uma justa metáfora para expressar a nossa incapacidade de prever, planejar, projetar, traçar, planificar ou qualquer outro sinônimo que nos remeta a um futuro que desconhecemos, composto por variáveis que não estão sob nosso controle e que dificilmente um dia estarão. O autor conduz o texto de forma brilhante, transformando assuntos duros numa forma palatável de leitura interessante e entretida. A teoria do Cisne Negro fundamenta-se por ser (1) altamente improvável, por isso dificilmente previsível; por ter (2) grande impacto, causado por sua imprevisibilidade; e (3) facilmente explicável, depois de ocorrido o fato. Com essa abordagem o livro descreve fatos históricos e nos remete a outros do dia a dia, fazendo as ligações com as bases da sua teoria. Tudo nos parece tão óbvio, depois de acontecido, por mais espetacular que tenha sido quando visto pela primeira vez. Acontece isso no mercado, na economia e no trabalho? Improvável, impactante e espetacular no início, simples, previsível e decadente. Desse modo, o autor consegue demonstrar a incapacidade da humanidade de prever grandes eventos. A pandemia que o diga.

Por isso, o livro nos leva a questionar a função do planejamento, que não deveria ser encarado de forma tão contundente, uma vez que ele dificilmente é exato. Leva-nos a contestar as opiniões dos supostos especialistas das mais diversas áreas, que normalmente usam o passado para nos passar a falsa a impressão de que sabem algo sobre o futuro. E se cada “especialista” em economia, mercado ou saúde fosse responsabilizado sobre as previsões que não se realizaram? Por fim, o autor destaca a importância de sermos críticos com relação ao nosso conhecimento, para que não sejamos presunçosos, e a ser maleáveis com a nossa ignorância, sem, contudo, que ela seja fonte de acomodação. Tem-se, assim, um livro que nos alerta para a possibilidade do surgimento de inúmeros Cisnes Negros em nossa existência. Não é necessário “caçar” um cisne negro, a sugestão é estar preparado para o altamente improvável, para o fortemente impactante e para o óbvio, depois de sucedido.

Ficam as perguntas: de onde virá o teu Cisne Negro? Ainda bem que não se sabe. Será que a pandemia foi ou é um Cisne Negro? Sobre ela, o que é que se sabe?

Moacir Rauber

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Somos únicos. Somos múltiplos.