Ocultar-se na multidão: como?

Os eventos de autoconhecimento têm sido cada vez mais comuns, porque as pessoas estão buscando conhecer-se. Por vezes, cria-se um alvoroço em torno do tema, autoconhecimento, como sendo a solução para todos os problemas. Até me incomoda, porque ao observar aqueles que ministram os cursos, parece ser tão simples o caminho para o autoconhecimento. De vez em quando, tenho a impressão de que eles têm o conhecimento e as estratégias para fazer com que o universo trabalhe a seu favor. Inclusive, exibem a calma de quem confia em si, nas escolhas feitas e que o resultado será positivo. Provavelmente é assim mesmo, porém como chegar lá se me parece tudo tão difícil? Mesmo assim, lá estava eu para o curso. Não conhecia ninguém, mas cumprimentava as pessoas, afinal, o foco do curso era na comunicação para construir um mundo melhor. O local isolado em que nos encontrávamos e os acordos de confiança estabelecidos para o convívio permitiam que cada um revelasse as suas dores e os seus mais íntimos sonhos. Olhar para dentro de si era o caminho para o autoconhecimento, porém, logo percebi que seria fácil percorrer uma trilha conhecida: fugir e ocultar-me na multidão. Como assim?

No primeiro dia, estabeleci um contato autêntico com uma pessoa ao realizarmos um trabalho juntos. Senti que poderia ser eu mesmo na sua presença. A pessoa conquistou a minha confiança ao exibir a sua vulnerabilidade. Uma sensação maravilhosa a de expor com franqueza todos os medos sem medo de ser julgado por isso. Algo difícil de fazer no nosso ambiente profissional ou familiar. Muitas vezes, não podemos exibir vulnerabilidade alguma sob risco de perdermos o nosso papel. Você pode imaginar um gestor inseguro com relação a uma decisão a ser tomada? A prática mais comum é a sua substituição. O que dizer de um pai que não sabe o que fazer para orientar os seus filhos? O respeito se dissipa tão logo os integrantes da família se apercebam disso. Porém, naquele lugar pude exprimir as minhas inseguranças e a pessoa do outro lado simplesmente me ouviu, sem emitir nenhum julgamento. O dia terminou, o dia seguinte chegou e reencontrei aquela pessoa. Fiquei um pouco tenso, porque ela sabia das minhas vulnerabilidades. Ela não exibiu nenhum traço de que estava me julgando, porém, eu sim. Não julguei a outra pessoa, julguei a mim. Fiquei envergonhado pela exposição das minhas fragilidades. Apesar do seu cumprimento afetuoso, eu fui frio. Afastei-me dela e comecei a procurar outras pessoas. Abraçava um. Ria com outro. Sentia-me fragilizado pela minha vulnerabilidade exposta. Passei a buscar relações que fossem superficiais a ponto de não precisar olhar para dentro de mim. Mais uma vez, a saída que eu procurava me levava para fora de mim. Nos dois dias seguintes não permiti que ninguém se aproximasse, usando a estratégia de aproximar-me de todos. Começava a me ocultar na multidão.

Num encontro fortuito não pude fugir e a pessoa para quem eu havia revelado as minhas vulnerabilidades me perguntou:

– Como você está?

Com aqueles olhos profundos fixos nos meus, senti que ela enxergava a minha alma. Mais uma vez o meu medo desapareceu. Tivemos uma conversa esclarecedora em que ela revelou não ter medo de expor a sua vulnerabilidade, porque era nesse reconhecimento que estava a sua força de ser humano. Disse-me ela que ao reconhecer as suas fragilidades, os seus sentimentos, as suas necessidades e os seus desejos ela se sente forte, porque sabe que do outro lado há alguém igual. “Reconhecer a minha vulnerabilidade é parte da minha humanidade e é parte da minha força”, finalizou. Pude reconectar-me com ela. Nos demais dias conectei-me profundamente com as pessoas que se aproximavam de mim. Sem medo e sem julgamentos entendi que a saída é para dentro.

As festas de Natal e de Final de Ano são um bom momento para se conectar com pessoas. Porém, também são um bom momento para se ocultar na multidão ao não precisar se comprometer com ninguém. Muitos abraços e muitos beijos para fugir das conexões verdadeiras. Manter contatos superficiais e passageiros com muitas pessoas permite a que qualquer um se oculte na multidão e isso é fácil. O desafio é olhar para dentro, comprometer-se consigo mesmo e com quem está próximo de forma autêntica e afetuosa. Você consegue? É preciso força de caráter para reconhecer-se frágil e vulnerável. São características humanas recebidas como dons divinos.

Moacir Rauber

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Yo duermo en mi y me despierto en ti

El curso sobre Comunicación No Violenta con el aporte de la antroposofia ha comenzado. Las presentaciones de los participantes eran basadas en la pregunta: ¿quién eres tú, humano? No importaba la profesión o el estatus social. Era importante lo que cada uno esperaba de su vida y lo que estaba dispuesto a contribuir a la vida de los demás. La facilitadora presentó el programa del día y los cuatro pilares defendidos por ella e inspirados por la comunicación no violenta: (1) aprender a observar; (2) hacer espacio para sentir; (3) reconocer las necesidades; y (4) hablar unos a los otros para cuidarse unos a otros, sirviendo como un estímulo para la cultura de la paz. La idea sería definir y practicar cada uno de estos pilares en un proceso circular y evolutivo, integrándolos para que haya sentido. Estaba muy claro, principalmente porque en la facilitadora había una forma muy especial de comunicarse. Ella enseñaba no violencia en su tono de voz, el modo en que articulaba las palabras y el uso de la lengua con sus expresiones. Desde el principio, una de las expresiones me llamó la atención:

– ¡En la comunicación no violenta duermo en mí y me despierto en ti!

La expresión me pareció hermosa e incluso vi cierto romanticismo en ella, pero no pude comprender su significado. La facilitadora continuó explorando algunos temas existenciales de la propuesta de Comunicación No Violenta que subyace a la pregunta: ¿quién eres tú, humano? De ahí deriva otra pregunta: ¿quién es el outro, humano? Y en estas preguntas de ida y vuelta, la propuesta de comunicación no violenta tiene mucho sentido. Si en mi respuesta de quién soy humano hay evaluaciones y observaciones, sensaciones y sentimientos y deseos y necesidades, también habrá solicitudes de aquí y de allá. O sea, del Yo Humano y del Otro Humano. Por lo tanto, la comunicación no violenta es este movimiento circular y evolutivo que ocurre más productivamente en un ambiente donde la armonía está presente. Y este movimiento se revela en nuestra humanidad. Somos humanos porque tenemos la libertad de elección, que puede definirse como autonomía para algunos o libre albedrío para otros, pero en esencia sigue siendo la libertad que nos hace pensar, sentir y desear libremente, un punto igualmente respaldado por la antroposofia, una de las bases influyentes de la facilitadora. Sin embargo, en la comunicación no violenta, el primer desafío es pensar sin etiquetar, sin juzgar y sin evaluar. Pero por solo pensar: “¡Él es demasiado amable!” Ya hemos etiquetado, juzgado y evaluado desde una perspectiva individual, aunque positivamente en el ejemplo anterior. ¿Y con qué frecuencia son negativas las etiquetas, los juicios y las calificaciones? El segundo desafío es sentir sin simpatizar o disgustar, ofreciendo empatía en un movimiento de interés genuino en el otro. Y el tercer desafío es mostrar una voluntad sin reacción y sin conflicto en la búsqueda de un compromiso de acción responsable consentida que genere fraternidad al satisfacer las necesidades de quienes se comunican sin violencia.

Nuestra clase estaba absorta en los reflejos dirigidos por la facilitadora. Ella señaló que es muy difícil poder pensar, sentir y querer de esta manera porque no se nos han enseñado. En la base de nuestras convenciones sociales están la disputa y la búsqueda de recursos aparentemente limitados. En este entorno, se valora la agresividad. Sin embargo, es en la armonía a través de un proceso de comunicación no violenta que las posibilidades se expanden y los recursos se multiplican, que de hecho son infinitos. Entonces ella dijo:

“¡Es crítico que uno duerma en uno mismo para despertarse en el otro!”

Una vez más, utilizó la frase pronunciada al principio y fue en ese momento que la expresión se me reveló. Sí, eso tenía mucho sentido. Necesito silenciar todo mi ser para escuchar con quien me comunico. De esa manera puedo pensar sin etiquetar, juzgar o evaluar. Puedo sentir con genuino interés por el otro. Y, ojalá, yo pueda querer al querer del otro.

Es la belleza de la comunicación no violenta con la profundidad de la antroposofía.

Inspirado por Gleice Marote

Keea Yuna

Moacir Rauber

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Qual é o tamanho do seu forno?

A mulher se orgulhava de fazer o melhor pernil inteiro que alguém já provara. Tinha ela os seus segredos que aprendera com a sua mãe. Um deles era recortar as extremidades do pernil, deixando-o um pouco mais curto. Um dia o seu marido lhe disse que as pontas não deveriam ser cortadas, que com as extremidades ele seria ainda mais saboroso. Tiveram um impasse, porque ela havia aprendido assim e assim seguiria fazendo. Para tirar as dúvidas, ao visitar a mãe, indagaram o motivo por que ela cortava as extremidades do pernil. Ela lhes respondeu que aprendeu assim com a mãe dela. Os dois foram visitar a avó, já bem idosa, lhe fizeram o mesmo questionamento e obtiveram a seguinte resposta:

– Eu precisava cortar as extremidades do pernil para que ele entrasse no forno, que era muito pequeno.

Como está o seu forno? A reflexão foi adaptada do livro “La Corazón – el arte de poner en orden sin dar órdenes (Roxana Cabul & Raed El-Younsi) que nos leva a questionar os nossos padrões. Não se trata de descartar as heranças recebidas, porém de questionar segundo o nosso contexto cultural, tecnológico e evolutivo.

Defende-se que com a curiosidade e a capacidade de questionamentos é que se pode romper com padrões pré-estabelecidos que, muitas vezes, mantêm-nos presos em comportamentos contraproducentes.

Questionar para avaliar e avançar em direção a um mundo melhor. E muitos dos questionamentos que produzem melhorias passam por caminhos ainda desconhecidos.

O aspecto cultural tem sido afetado diretamente nas novas formas de relações humanas que partem de um pressuposto de respeito a individualidade. Questionar os padrões coletivos para respeitar o indivíduo é fundamental, assim como ter a percepção de que os interesses individuais não se sobreponham ao coletivo.

Como está o tamanho do seu forno cultural?

Na área tecnológica as mudanças são intensas e é quase certo que os fornos que atendiam as demandas de outrora estão hoje obsoletos. Quais são as mudanças tecnológicas que posso implementar para que o mundo seja melhor? Estou usando a tecnologia simplesmente pela tecnologia ou há um benefício na adoção de uma nova forma de se fazer as coisas? As crenças podem e devem ser questionadas para que as experiências passadas que foram negativas não se repitam. O que você está cortando em nome de costumes estabelecidos sem nexo nos dias de hoje? Desse modo, é importante que as mudanças culturais e tecnológicos passem por questionamentos para que não se corra o risco de “jogar fora o bebê juntamente com a água”. Isso quer dizer reconhecer o que há de bom em nossa escalada evolutiva e descartar aquilo que já não se aplica mais considerando o contexto atual. Ter o discernimento que nos permita decisões acertadas nos fará melhores num mundo melhor.

O capítulo do livro “La Corazón” termina com uma frase bastante significativa que diz:

“Apoiar-se nas certezas é importante, desde que elas contribuam para o nosso bem-estar. Ao mesmo tempo, se algo não funcionar, é natural que desejemos alterá-lo. Essa é a atitude que gostaríamos de cultivar” (tradução minha – Roxana Cabul & Raed El-Younsi).

Essa reflexão nos leva a que questionemos padrões de comportamentos que nos limitam e que geram desperdícios, seja nos relacionamentos ou nos processos organizacionais. Assim, volta-se a pergunta: como está o seu forno hoje? Pensar nos próprios modelos mentais com relação a realidade permite que nos questionemos para questionar: está o meu forno ajustado à realidade ou você está ajustando a realidade a ele? Está você repetindo comportamentos sem questioná-los?

Em tempos de Natal é um bom momento para refletirmos sobre o que estamos desperdiçando em nome de fornos obsoletos, porque se Deus nos deu o livre arbítrio deve ser para usá-lo…

 

Moacir Rauber

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A finitude é uma benção: a comunicação é uma ferramenta para (Re) Criar a Humanização!

A IMAGEM DE UMA EXPERIÊNCIA!

“Além do que é certo ou errado se estende um campo. Ali nos encontraremos (Rumí)” reflete a ideia de que o que fazemos por aqui um dia vai acabar. Particularmente entendo que ao ter essa consciência, abrem-se as oportunidades de desenvolver competências que nos permitam (Re) Criar a Humanização, tema central do ESARH 2020, e a comunicação é uma delas. O que vemos, o que sentimos, o que precisamos e o que pedimos? Como comunicamos e o que queremos comunicar? Como nos comunicamos e com quem nos comunicamos? São perguntas que nos permitem comunicar de uma forma mais humana, respeitando-nos e respeitando-os.

Na última semana participei de um programa chamado IIT – International Intensive Training promovido pela CNVC (Centro de Comunicação Não-Violenta) na Argentina que explora as ferramentas da proposta de Marshall Rosenberg sobre os princípios da Comunicação Não-Violenta. Foi uma experiência impressionante. O envolvimento das pessoas e a sua entrega na busca por um mundo melhor em que a partir da comunicação se comecem a diminuir os conflitos intrapessoais e interpessoais com reflexos em todos os níveis da sociedade. Quais são as suas dores? Quais são as suas celebrações? O mundo externo, notadamente, é reflexo daquilo que carregamos dentro de nós. Não há como ser diferente, entretanto, percebe-se uma grande dificuldade em reconhecer que o mundo é resultado das interações humanas e que está muito mais próximo de ser como cada um o vê do que algo homogêneo resultado daquilo que cada um acredita ver. Ahh, então tudo é diferente para todos? Não e Sim. Não, porque essa percepção não revoga as leis da física, da química e a exatidão da matemática. Uma tábua de madeira com dois metros continua sendo uma tábua de madeira de dois metros. Um fato reconhecido por todos continua sendo um fato. Por outro lado, sim, porque começam a ser criados mundos a partir das interpretações dos fatos e o que eles geram em cada um. São esses mundos que se inter-relacionam.

Portanto, ao observar um fato e o sentimento que esse fato gera em quem o vê, fica mais fácil identificar o que se precisa para então se comunicar com clareza por intermédio de um pedido. Aquela mesma tábua pode despertar nas diferentes pessoas diferentes reações. Para um pode ser ponte, para outro barreira. E são esses mundos das percepções e interpretações dos fatos que são fontes de conflitos e podem ser fontes de conexões. Entender as próprias dores para reconhecer as dores do outro. Assim, a comunicação pode reconectar cada um consigo mesmo, bem como permitir a conexão com o outro. A conexão entre esses mundos é que pode (Re) Criar a Humanização, resultando em indivíduos mais felizes e em organizações mais produtivas por meio de seres Humanos mais Humanos.

Foi essa experiência que vivi na Argentina. Pessoas se conectando com pessoas com respeito e auto respeito por meio de um processo humanizado de comunicação. Isso é parte do processo de (Re) Criar a Humanização em tempos da Era Digital, em que a percepção cria mundos individuais que, de uma forma ou de outra, se inter-relacionam. Esse é o nosso desafio como pessoas que tem diferentes papéis sociais, considerando-se que um dia tudo aquilo que se vê deixará de existir. Enfim, “além do que é certo ou errado se estende um campo. Ali nos encontraremos (Rumí).”

 

Moacir Rauber

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Tenho que fazer…

Tenho que fazer…

O que nos revelam as pessoas que sempre nos dizem que “têm que fazer isso ou aquilo”? Serão elas desorganizadas, incompetentes ou carentes?

No intervalo do evento fui tomar o cafezinho e escutei uma conversa paralela:

– Nem te falo, o dia de hoje ainda me mata. Ainda tenho que fazer um relatório hoje, depois tenho que atender dois clientes e no final do dia ainda tenho que buscar as crianças… e blá blá blá.

Registrei o diálogo. No início até me senti um pouco consternado e solidário pela dura rotina de trabalho daquela pessoa e que pode expressar a realidade de muitos ao redor do mundo. Em seguida comecei a pensar sobre o que levaria alguém a criar uma agenda com tantos compromissos que a poderia matar? Além disso, ao escutá-lo tive a impressão de que ele se orgulhava da sobrecarga de sua agenda, por isso me fiz duas perguntas: (1) manter uma agenda com mais compromissos do que é saudável cumprir poderia revelar falta de organização e a incompetência? E (2) relatar o excesso de compromissos com orgulho revelaria uma necessidade de atenção e de reconhecimento? Acredito que situações semelhantes possam trazer elementos que respondam as duas perguntas.

Para mim, chega a ser inquietante responder: (1) manter uma agenda com mais compromissos do que é saudável cumprir poderia revelar falta de organização e a incompetência? Do meu ponto de vista sim, porque tenho desconfianças com relação a alguém que tem dificuldades de gerir seu próprio dia, porque me parece que será difícil que ela exiba as demais competências relevantes para ser competente em outras áreas. Entenda-se organização como o processo de observar e entender determinados cenários para assumir responsabilidades que sejam factíveis. Com essa capacidade é que se cria uma agenda de responsabilidades e de compromissos compatíveis com as próprias competências, respeitando as limitações de tempo e espaço existentes na busca pelos resultados a que se propõe. Da mesma forma, é por meio da organização que se consegue identificar o que é importante aprender e o que é necessário desaprender para desenvolver as competências que o levem para onde se quer ir. Portanto, a capacidade de criar realidades imaginadas do ser humano permite que se simulem e antecipem situações, exercendo a organização um papel importante para que a realidade imaginada se aproxime da realidade concreta. Por isso, é essencial que alguém seja organizado para ser competente.

E a segunda questão é igualmente inquietante: (2) relatar os compromissos com orgulho revelaria uma necessidade de atenção e de reconhecimento? Lembro-me de um diretor que conheci há mais de 30 anos que dizia, “Se alguém me diz que está se matando de trabalhar acredito que a pessoa seja incompetente ou precisa de um abraço”. Particularmente, concordo com ele. Ninguém “tem que fazer” nada. Nós escolhemos fazer e poderíamos verbalizar isso de maneira diferente: ao invés de dizer “eu tenho que fazer…” pode-se dizer, “eu escolho fazer o relatório”, “eu quero atender os meus clientes” e “estou feliz em buscar os meus filhos”. Muda-se a perspectiva e se assumem as responsabilidades sobre a própria vida, inclusive a de transformar um dia pesado e desgastante num dia produtivo e energizante.

E você, tem muito o que fazer ou precisa de um abraço?

 

Moacir Rauber

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Onde está o abridor?

Dois cadeirantes num carro só é algo meio fora da caixa, porém as situações inusitadas são cada vez mais comuns. Por isso as organizações e os empreendedores devem estar preparados para elas.

Outro dia um amigo meu, igualmente cadeirante, e eu saímos no mesmo carro. É uma manobra e tanto para entrar e sair. Ele entrou primeiro e eu carreguei a cadeira dele no porta-malas. Depois eu entrei, porque naquele dia eu era o motorista. Quando eu fui carregar a minha cadeira, o meu amigo, que estava no banco do caroneiro, teve que se colocar todo para frente para que eu tivesse espaço para colocá-la no banco de trás. Em seguida fomos visitar uma praia, que tem acesso para veículos. Andamos de carro na areia dura e apreciamos lindas paisagens. Chegada a hora do almoço fomos procurar um restaurante. Manobrei para estacionar o carro bem próximo ao meio-fio para facilitar a saída do meu amigo para a cadeira de rodas. Em seguida, comecei a montar a minha cadeira. Neste momento alguns curiosos já se aproximaram para ver o que estava acontecendo. Mentalmente, devem ter criticado o meu amigo por ele não descer do carro para me ajudar. Depois, fui até a traseira do carro e retirei dali a cadeira do meu amigo. Era visível a cara de espanto dos curiosos. Podia-se ouvir a voz surda dos comentários murmurados entre os espectadores. Enquanto nos deslocávamos até o restaurante, conversa e muita curiosidade. Um deles se acercou e fez a pergunta que qualquer cadeirante já respondeu centenas de vezes: “Foi acidente?”, recebendo do meu amigo a concordância como resposta. Na sequência fez uma dedução “lógica” muito engraçada:

– Vocês se acidentaram juntos? Obtendo mais uma vez a concordância do meu amigo que riu.

Entramos no restaurante, nos servimos e nos dirigimos para uma mesa. A garçonete se aproximou, perguntando se queríamos beber algo. Dissemos que sim. Eu pedi um suco e o meu amigo queria uma cerveja. Pediu uma garrafa. Depois da escolha ficamos esperando. Percebemos que a garçonete se movimentava de um lado ao outro atrás do balcão. Saiu, passou por nós com uma garrafa de cerveja na mão. Foi até o gerente. Retornou com a garrafa ainda na mão e uma expressão de angústia no rosto. Ouvimos o barulho de gavetas e de talheres. Passaram-se mais alguns minutos até que a garçonete se aproximou da mesa dizendo:

– Desculpe-me, eu não encontro o abridor de garrafas. Não consigo abrir a cerveja…

Nós nos entreolhamos espantados. O meu amigo disse:

– Então traga-me um refrigerante. Em lata, por favor!

E a sua empresa mantém o abridor de garrafas sempre à mão? É uma ferramenta óbvia para a atividade a que um restaurante se propõe. A situação é emblemática porque não são poucas as organizações que não estão aptas a satisfazer os seus clientes na atividade central de seu negócio. As razões são as mais diversas, desde a falta de treinamento dos colaboradores até a falta de entendimento do propósito do negócio. Muitas delas, simplesmente, não conseguem resolver o problema dos clientes.

Pergunto: a sua empresa e a sua equipe estão aptas a atender as necessidades óbvias dos clientes? E quando o que os clientes querem não é tão óbvio assim? Você está preparado? É parte do trabalho de um bom gestor e de um empreendedor manter o Abridor Sempre à Mão!

 

Moacir Rauber

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Somos únicos. Somos múltiplos.