Você se incomoda com a programação da TV?

A discussão seguia acalorada sobre como a programação da televisão brasileira é de baixo nível. Os participantes da conversa citavam as novelas que não retratavam a verdade como deveria ser. Eles falavam dos telejornais que somente apresentavam cenas de violência. A conversa também falava de filmes, de programas de auditório e dos reality shows, com especial destaque para o BBB. De forma exaltada, um dos integrantes da conversa disse:

– O BBB é uma vergonha. Vocês viram aquela cena… e descreveu com detalhes o que somente quem assistiu poderia saber.

Os demais concordavam identificando outros pormenores. A exaltação indignada de um levava a que os outros também se mostrassem cada vez mais indignados com a baixa qualidade daquilo que se vê na televisão brasileira. Eles estavam visivelmente incomodados com a situação. Acompanhei a discussão durante um bom tempo e até concordei. Depois saí dali e fui para outro grupo de amigos em que a conversa era outra. Na verdade, a baixa qualidade da programação da televisão brasileira não me incomoda nada ou muito pouco. Como assim? Você acaba de dizer que concorda que a programação não é boa, mas que isso não o incomoda?

Confesso que a programação da televisão brasileira me incomoda muito pouco. Os telejornais que somente retratam cenas de violência com a exploração da miséria humana não me incomodam, porque eu sequer sintonizo um canal que os transmitam. Os programas de auditório que brincam com a inteligência do espectador não me incomodam, porque eu não os assisto. As novelas, que são uma expressão cultural brasileira, também não me incomodam. E eu gosto delas. Sempre que começo a assistir a uma novela eu avalio a sua proposta e caso ela me pareça muito fora daquilo que acredito que mereça ser questionado ou retratado por uma peça de ficção, eu paro de assistir. Assim, as novelas não me incomodam. Gosto muito de filmes, sejam eles de ficção, românticos, dramas ou comédias, nacionais ou estrangeiros. Leio e escuto muitas críticas ferozes contra as grandes produções hollywoodianas. Concordo com muitas delas, porém os filmes não me incomodam. Sempre que começo a assistir a algum filme que, no meu entendimento, não é bom, paro. E os inúmeros reality shows exibidos pela televisão não te incomodam? Não, realmente eles não me incomodam. O BBB talvez tenha me incomodado um pouco durante a primeira semana da primeira edição, porque foi a única que assisti.

Por outro lado, confesso que não entendo porque as pessoas gastam tanto tempo assistindo a filmes que elas não gostam; vendo novelas que consideram fora da realidade; testemunhando as mazelas humanas dos telejornais sensacionalistas que dizem causar horror; e o pior, para mim não faz sentido que as pessoas participem de reality shows que elas dizem abominar. Enfim, acredito que os programas somente são feitos em razão das pessoas que os assistem, ainda que os incomode.  Isso porque na televisão é a audiência que faz com que se produzam os programas. Defendo que caso você não goste de um programa exibido, simplesmente exerça a sua autonomia de trocar de canal ou de desligar a televisão. Que tal ler um livro? E se não gostar ou se o livro for ruim? Escolha outro. Sempre há uma alternativa. Simples assim!

Moacir Rauber
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Seres humanos: somos ou não somos insanos?

Insanidade orgulhosa

Para muitas pessoas há um orgulho insano no fato de viver numa cidade grande. Quantas vezes você já se confrontou com o “importante” morador de uma capital dizendo para o “pouco importante” morador de uma cidade do interior:

– Mas lá não existe nada para se fazer?

Essa relação se dá frente a praticamente todas as grandes cidades, supostamente mais “desenvolvidas”, com relação as pequenas cidades, supostamente “menos desenvolvidas”. São muitos dos habitantes de São Paulo ou Rio que não se imaginam vivendo fora da “loucura” da vida moderna que esses centros lhes proporcionam; são muitos dos habitantes de Curitiba que não se imaginam vivendo em cidades com cem, cinquenta ou dez mil habitantes. E assim sucessivamente até se chegar ao morador rural. E, sempre a principal argumentação de um com relação ao outro continua sendo que nas povoações menores não há nada para se fazer.

Muitos dos habitantes de cidades grandes vivem em bairros mal iluminados, violentos e, muitas vezes, com pouca infraestrutura básica. Além disso, estão distantes do trabalho, entre uma e duas horas, que os obriga a se levantar praticamente de madrugada. A partir desse momento, começa toda a movimentação. Toma-se um banho rápido, pega-se um ônibus, enfrenta-se um engarrafamento e depois de toda essa agitação chega-se ao trabalho, muitas vezes atrasado. Depois de um dia tumultuado, no qual não se tem tempo sequer para pensar nos familiares e amigos, retorna-se para casa. Logicamente, depois de enfrentar novo engarrafamento, completamente exausto. Em função da “importância que a pessoa tem para o sistema”, cada vez menos se tem noção do que seja um final de semana ou domingo completamente sem nada para fazer. E cada cidadão tem a impressão de continuar sendo imprescindível para que todo o sistema continue funcionando.

Essa rotina se repete em cidades como Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte entre outras tantas capitais brasileiras, onde as pessoas são apenas mais uma no meio da multidão. Quando, por fim essas pessoas têm uma semana de folga ou mesmo um mês de férias, vão buscar suas origens nos parentes das cidades pequenas. Nesse passeio os encontram morando na mesma rua, na mesma casa ou no mesmo sítio, com a mesma rotina de 10, 15 ou 20 anos atrás.

Após o importante morador da cidade grande explicar com orgulho a sua rotina enlouquecida, vem a pergunta:

– E aqui, o que vocês fazem?

A melhor e mais prazerosa resposta somente poderia ser, Nada! Isso porque nas cidades menores e no campo ainda se tem tempo para não se fazer Nada. Ainda se tem tempo para admirar uma linda paisagem, ouvir o canto de um pássaro ou para tirar o leite de uma vaca sabendo que ele vai servir de alimento. Tudo isso porque nas cidades pequenas ainda resta tempo para não fazer Nada. Na vida no interior ainda se reserva tempo para lembrar que as atividades de qualquer pessoa são perfeitamente substituíveis por qualquer outra pessoa que as execute da mesma forma, mas que as pessoas são únicas e insubstituíveis. Somos ou não somos insanos? E ainda nos orgulhamos disso.

Moacir Rauber

Somos únicos. Somos múltiplos.