O jovem estava certo de que tinha uma grande ideia de negócio. Conversava com um e abordava outro, mas parece que as pessoas não conseguiam captar a verdadeira dimensão da sua proposta. Todos concordavam que parecia ser um bom negócio, mas ninguém se dispunha a investir verdadeiramente nele. Algo não estava funcionando na abordagem e, consequentemente, o negócio estava parado. Ou a ideia não era tão boa assim? Aquilo que ele imaginava que poderia ser um ponto de viragem na sua vida e na vida de muitos outros começava a se perder no tempo. Mais de dois anos já se haviam passado desde que ele tivera a ideia. O que faltava para que o negócio decolasse?
Era sobre isso que conversávamos em nossas sessões de Coaching. Foram vários encontros em que se debateu a ideia, também se falou sobre o seu desenvolvimento e sobre as possibilidades de expansão do negócio, que para o meu cliente pareciam infindáveis. Porém, todas as vezes que o assunto nos levava para detalhes mais específicos do negócio ele ficava reticente para não revelar algum segredo que pudesse expor demasiadamente a ideia. Ele sentia-se inseguro com a possibilidade de que alguém pudesse lhe roubar o negócio.
Numa de nossas conversas ele, em tom de desabafo, exclamou:
– Eu preciso de alguém que acredite em mim!
Fiquei em silêncio. Ele também. Depois perguntei:
– E você, em quem você acredita?
Ele me olhou com um misto de sorriso e ironia. Não disse nada por um longo tempo. Eu fiquei pensando sobre o tema. Trouxe o tema para a minha realidade e me questionei sobre quantas vezes eu também gostaria que tivessem acreditado em mim. Creio que essas questões se estendem a muitas outras pessoas. Foram vários os momentos em que senti que tinha potencial para dar mais, mas que faltava alguém que acreditasse em mim e que me ajudasse a atingir um novo patamar. Isso aconteceu na minha juventude quando acreditava que poderia ser um grande jogador de futebol, mas não encontrei ninguém que me pegasse debaixo do braço e me fizesse o jogador que eu acreditava que poderia ser. Agora via que isso não era algo só meu. O jovem à minha frente vivia o mesmo drama. A minha pergunta sobre em quem ele acreditava tinha a intenção de despertá-lo sobre ele mesmo.
Particularmente, acredito que o primeiro passo é que cada um acredite em si, no seu potencial e que tenha a confiança para compartilhar as próprias ideias. Parece-me importante que cada um acredite em si e que também acredite nos outros, partindo do pressuposto de que são os bons valores que nos norteiam,. Não quer dizer ser trouxa e sair por aí revelando todos os seus segredos, mas ter a percepção necessária para compartilhar e estar disposto a mudar. Riscos? É óbvio que existem. Possibilidades? Muito maiores uma vez que você acredita em si a tal ponto de não ter medo do outro. Desse modo, se você está procurando alguém que acredita em você, eu acredito que o primeiro passo seja o de olhar para dentro de si mesmo para avaliar se você acredita em você. Com isso você acreditará nos outros e, cedo ou tarde, eles acreditarão em você.
Você precisa de alguém que acredita em você? Sim, todos nós precisamos de que acreditem em nós, mas primeiro é preciso que cada um acredite em si mesmo.
Tem sentido querer dar sentido para todas as coisas num mundo gerido pela certeza da insegurança e da incerteza com origem em relacionamentos, por vezes, sem sentido aos quais os seres humanos buscam dar importância?
Aceitar a sombra, o nosso lado escuro, é apropriar-se dela para não ser dirigido por ela. O vídeo abaixo explora de maneira clara e didática como as nossas zonas ocultas podem nos impedir ou podem nos impulsionar a ser tudo aquilo que podemos ser. A escolha é de cada um. Qual é a sua escolha?
VALE A PENA ASSISTIR!!!
Temas que estarão presentes no Workshop de Autoconhecimento
Na última semana presenciei um exemplo de que a honestidade tem um preço a ser pago e pode ser o da liberdade. O exemplo vem do ambiente organizacional em que se criou uma lanchonete dentro da empresa para o consumo responsável por meio da autogestão. O planejamento foi feito. O projeto foi implantado. Um sonho realizado das pessoas e da organização.
A empresa de tecnologia trabalha num ambiente bastante descontraído, sem horários fixos para a equipe de criação e de desenvolvimento. Por isso, muitas vezes essa equipe avançava noite adentro quando começavam num processo de criatividade. Nesses dias não havia hora para acabar. Por isso, a área de gestão de pessoas propôs criar um bar em que se ofereceriam comidas saudáveis, lanches, frutas e refrigerantes para o momento de finalização dos trabalhos. Os produtos estariam disponíveis para serem consumidos por quem quisesse a preço de custo. Cada usuário seria o responsável por passar o cartão para lançar o débito na sua própria folha de pagamento. O primeiro mês foi um sucesso. Tudo certo. O segundo, o terceiro e quarto meses também. Todos felizes e os produtos lançados nas respectivas contas dos usuários. Lá pelo final do primeiro semestre aconteceu uma pequena diferença entre o consumo real e o consumo lançado. Tudo bem, alguém deve ter esquecido, pensou o responsável pelo fechamento das contas da lanchonete. Porém, ao final do primeiro ano o déficit já era algo esperado e se repetia mensalmente em valores cada vez maiores. Quando a experiência atingiu dois anos quase ninguém mais lançava os produtos que consumia. O déficit era gigantesco!
O que aconteceu nesse caso? A liberdade é uma dádiva daqueles que sabem vivê-la com sabedoria e para isso é preciso lembrar que aquilo que se faz AFETA a própria vida, mas também AFETA a vida de outros. Com a consciência do AFETO a liberdade é efetiva! Não foi o caso, A liberdade e a confiança foram dadas, mas o seu uso não produziu o resultado esperado. O que vocês fariam? No exemplo em questão, os mesmos funcionários continuam a trabalhar em horários extraordinários na empresa. Quando o trabalho avança noite adentro, eles continuam a sentir sede e fome. Porém, agora eles compram os mesmos produtos que tinham à disposição internamente pelo dobro ou triplo do preço de empresas externas. O projeto foi encerrado, porque a liberdade sem responsabilidade cobrou o seu preço. É importante entender os benefícios que a liberdade nos proporciona para que se tomem as atitudes e se adotem os comportamentos que ela nos cobra, sob pena de pagar um preço que não gostaríamos: a sua perda. E a perda da liberdade não necessariamente quer dizer estar atrás das grades num presídio, mas estar num ambiente em que se tem a confiança daqueles com quem se convive.
Como vai a sua honestidade? A quem ela AFETA? Ela pode custar a sua liberdade.