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Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

Cidadão útil ou inútil?

Cidadão útil ou inútil?

Toda terceira quarta-feira do mês eu não ia ao trabalho, porque era o dia em que eu participava das atividades do grupo de idosos da comunidade. O local era lindo e situava-se à beira de um pacato arroio. Nele viam-se muitos idosos desfrutando do sol e das caminhadas. Muitos estavam sentados juntos às suas mesas jogando baralho, dominó ou outro jogo de tabuleiro qualquer. Outros circulavam de um lado a outro, serelepes e faceiros. Alguns andavam devagarinho e com todo cuidado. Entre eles, estavam os voluntários que ajudavam, serviam e organizavam. Enfim, era uma festa da experiência, da alegria e, porque não, da teimosia e das birras, porque nem só de maturidade se vive na terceira idade.

Tudo misturado naquele grupo de pessoas em que ter setenta anos significava estar entre os mais jovens. E lá estava eu com meus trinta anos participando do encontro. Gostava daquilo. Observava-os divertindo-se como crianças. Muitas risadas, gargalhadas e abraços. Aquele ambiente dava-me a impressão de que realmente não envelhecemos. Para cada idade há uma atividade.

Naquele dia não fui ao trabalho, mas ele veio até mim. Por ser um homem “útil” no meu escritório, marquei para que um cliente fosse até o recanto onde eu ajudava como voluntário. Logo que vi o homem de terno entrar no ambiente deu para perceber que ele estava deslocado. Não pela vestimenta, porque muitos idosos também faziam questão de estarem bem trajados, mas pela expressão do rosto. O executivo deveria ter uns quarenta anos e eu o conhecia há algum tempo. A sua postura sempre indicava força e vigor, parecendo que tudo estava ao alcance da sua vontade. Ali pareceu-me constrangido, inseguro até. Talvez viesse do fato de ele ter se deparado com o futuro de todos aqueles que nele chegam, a idade avançada. Assim que ele chegou até mim, cumprimentou-me. A nossa negociação seria rápida, mas antes de entrarmos nos assuntos profissionais o meu cliente disse:

– Não sei por que você vem sempre aqui. Olha, não é por falar, mas só de olhar esses velhotes fico meio triste. Imagina você a gente chegar nessa idade e não servir mais pra nada? Deve ser triste demais não ser útil…

Fiquei em silêncio. Não havia nada que eu pudesse falar que faria ele mudar a sua visão de mundo, esperava que o tempo se encarregasse de fazê-lo. Em seguida tratamos dos nossos negócios e ele foi embora.

Voltei a olhar para as pessoas e para o ambiente. Fiquei pensando comigo mesmo, “Ah, como eu gostaria de ter noventa anos. Poder ficar aqui, jogar meu baralhinho e mais nada…”. Alguém poderia me perguntar, “Como assim? Por que você gostaria de ter noventa anos?”. Sim, realmente gostaria. Talvez o motivo principal não seja o de desfrutar o prazer de não fazer nada, mas a certeza de ter chegado até os noventa anos. Quem me garante que eu chegarei até eles?

Escrevo este texto vinte anos depois da cena com o executivo. Na última semana conversei com alguém sobre o tema do envelhecimento e isso fez me lembrar daquele meu cliente que não gostaria de viver sem ser “útil”. Realmente não foi preciso, porque no auge da sua utilidade, cerca de dez anos depois daquele nosso encontro, ele morreu de infarto.

Muitas vezes reflito sobre a questão de sermos úteis ou não. Realmente gosto de fazer coisas, de trabalhar e de me sentir parte de algo, “útil”. Aí me pergunto: será isso o mais importante?

Talvez essa ideia utilitarista das pessoas deva ser repensada, porque não é só disso que a vida é feita. Podemos não ser “úteis” quando nascemos ou quando nos aproximamos da morte, mas somos cidadãos em ambas as situações. Creio que devemos lembrar que, muitas vezes, o inútil existe até para que o útil possa ser útil.

Portanto, inútil o inútil não é!

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

O que é Secretariar

Dia 30 de setembro é o dia do Profissional de Secretariado.

Por isso, a pergunta: o que é Secretariar?

Descubra em poucas palavras uma possibilidade de resposta!!!

Adquira o livro:

 

Perguntar não ofende… Uma abordagem de coaching para o profissional de Secretariado

 

O livro discorre sobre o poder, a influência e a articulação no ambiente do profissional de Secretariado para depois introduzir aspectos do coaching. Também apresenta a principal ferramenta usada num processo de coaching, a pergunta, mostrando como o profissional de Secretariado pode fazer uso dela para mover a organização e o indivíduo na direção pretendida. Perguntar não ofende, desde que se tenha habilidades para fazer a pergunta de maneira apropriada.

Usar ferramentas de coaching sem efetivamente estar no processo é uma inovação.

É isso que se propõe no livro! Clique aqui!

Qual é a prática da sua teoria?

O curso começa e o ambiente fica na penumbra. O apresentador surge em meio a efeitos especiais de luzes, som e imagens. O mistério continua, porque ainda não se consegue ver a pessoa que fala com uma voz profunda e maviosa. Cria-se uma expectativa que leva a plateia a ficar completamente extasiada. Finalmente, o oráculo da fartura e da fortuna aparece e revela como o sucesso virá para cada um já nos próximos dias, semanas, meses e anos. Ele reforça que o evento marca o início de uma nova vida para os mais de 10 mil expectadores. São histórias e frases que se sucedem: “As palavras têm poder”, “Os pensamentos desenham a tua realidade”, “As doenças são resultado de uma realidade criada por cada um” ou ainda, “Os recursos são abundantes e estão disponíveis para todos” e “A pobreza é uma escolha”. São frases que impactam ainda mais pelos efeitos do show que se arma em torno da presença daquela estrela que ensina a todos como ser e criar a realidade desejada. Todos têm a certeza que sairão dali e irão mudar o mundo! Eles são os ungidos que receberam a chave do sucesso. O evento termina. Cada um daqueles participantes pega o seu carrinho, a sua bicicleta ou o seu coletivo e vai para casa. Passam-se os dias e a realidade da grande maioria continua a mesma. Por outro lado, a estrela que ensina como viver em abundância pega os seus milhares de dólares, o seu jatinho e vai para casa viver a abundância que ele tanto ensina. Por fim, ele pensa, “É tão simples!”.

Penso que se vivem dias interessantes. São muitas as pessoas dispostas a ensinar aquilo que não aprenderam.

Penso que aprender não é somente saber, porque para dizer que se aprendeu algo é preciso exibir competência sobre aquilo que se diz saber.

Por isso, para ser competente é preciso saber, saber fazer, querer fazer, poder fazer e saber ser / estar. Somente depois disso é que se poderia ensinar sobre o objeto daquilo que se diz ser competente. Porém, o que se encontra hoje em dia é muita gente disposta a ensinar sem entender que a opção está no aprender. Questiono o oráculo da abundância descrito: “Se você não fosse pago para ensinar sobre abundância, o que você faria?”, ele poderia dizer, “É, mas é isso que eu faço”. Porém, quero destacar que não é possível que todos vendam conselhos sobre aquilo que não fazem como se fizessem. Conheço a peça. Fala-se de meditação, porém a única meditação que fazem é na apresentação. Fala-se de foco, mas o único foco que se mantém são os eventos. Fala-se de inteligência emocional, porém coitado daquele colaborador que cometer um erro nos efeitos do seu show. E essa realidade se repete em outras áreas. Podemos ver terapeutas que não cumprem com aquilo que pregam em sua terapia. Nutricionistas malnutridos. Videntes que não veem nada além do próprio umbigo.

Particularmente, acredito que existem recursos abundantes para todos. Não acredito que para alguém ter mais é necessário que o outro tenha menos. Porém, fico um pouco constrangido com pessoas que ensinam aquilo que não vivem. Gosto e participo de inúmeras palestras, eventos e cursos que levam os participantes à reflexão sobre como cada um pode ser o protagonista da própria vida. Concordo com isso. Porém,

É importante que aquele que se propõe a ensinar também viva aquilo que ensina, ainda que não seja pago para isso.

O oráculo descrito no início viveria aquilo que ensina sendo um cidadão comum? Perfeito! O terapeuta pratica a sua terapia? Ótimo. O nutricionista se alimenta conforme as suas indicações? Sou cliente! Por isso a pergunta inicial: qual é a prática da sua teoria? Ela existe? Parabéns, sou seu fã!

Moacir Rauber

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Hoje eu sentei e chorei… O que me faz levantar?

Há trinta e dois anos uso uma cadeira de rodas, depois de uma capotagem de carro. Tinha então 19 anos e ontem tudo mudou. Recebi visitas aqui em Florianópolis e fizemos um passeio turístico pela ilha usando um ônibus com vista panorâmica. Foi sensacional. Voltamos às 18h e desembarcamos do ônibus a uns 300 metros de casa. Havia uma pequena elevação no caminho. Os meus amigos perguntaram se eu precisava de ajuda, porém eu neguei, sempre orgulhoso da minha autonomia. Na brincadeira, eles saíram correndo e eu fiquei para trás. Movi-me o mais rápido que pude, porém via-os lá na frente. A elevação da rua exigiu mais esforço, mas não pude alcançá-los. Nesse momento, ocorreu-me algo que nunca mais vou esquecer. Senti uma estranha contração nas pernas. Pude perceber meus músculos se moverem. As coxas se retesaram e uma vontade tremenda de levantar da cadeira de rodas que já me carregava por tantos anos se manifestou em mim. “E por que você não se levanta?” disse-me uma voz. Fiz um esforço e com um salto consegui sair da cadeira de rodas. Foi sensacional! Levantei-me e comecei a empurrar a cadeira e logo havia alcançado os meus amigos. Eles me olharam de maneira muito estranha. Acredito que não me reconheciam. Depois exclamaram, Meu Deus, você está caminhando!!! Nesse momento eu também me dei conta de tudo o que estava acontecendo. Parei. Apalpei as minhas pernas. Eu finalmente sentia as minhas mãos nas pernas e não somente as pernas nas mãos. Que alegria caminhar depois de tanto tempo. Uma sensação indescritível! Abracei os meus amigos. As lágrimas de alegria escorriam pelo meu rosto. Foi maravilhoso. Dei um salto e saí correndo para desfrutar da sensação que há tanto tempo não sentia. Todos nós corremos e saltamos feito malucos. Aproximamo-nos da entrada do meu prédio na maior alegria. Estava quase escuro e eu, na minha alegria, não vi um pequeno degrau. Tropecei nele e caí sentado. Foi quando acordei.  Estava sentado na minha cama. Quando entendi o que estava acontecendo ou aquilo que não acontecera, chorei. Chorei copiosamente num misto de frustração e de alegria. Havia sido apenas um sonho. Frustração e alegria? Como assim?

Crédito da Imagem: Rastro Selvagem

A frustração pode-se entender, mas a alegria? Sim, a frustração veio ao constatar tantas possibilidades não realizadas: o futebol que não mais joguei, as caminhadas que não fiz ou as valsas que não dancei. Isso me fez perceber que voltar a caminhar não aconteceu e, provavelmente, não acontecerá como num passe de mágica. Eu sei que estar numa cadeira de rodas era resultado de uma escolha equivocada e as escolhas que fazemos nos afetam e afetam outras pessoas, muitas vezes, de forma contundente. Por isso, a responsabilidade de pensar nas consequências das escolhas que fazemos.

E a alegria? Em primeiro lugar, a alegria veio pelo prazer do sonho. Foi muito bom ter tido a sensação real de ter caminhado e corrido mais uma vez. Para mim foi muito mais do que um sonho. Foi real. Foi maravilhoso. Depois,

A alegria veio pela certeza de que posso continuar vivendo bem com as possibilidades que tenho:  a lembrança de todas as vezes que viajei, dos amigos que fiz e das remadas que dei. Quais são as possibilidades que você tem?

Ainda é possível dançar!

Ainda sinto vontade de voltar a caminhar e a correr como fiz um dia? Claro que sim, porém não fiquei e não ficarei preso a esse sonho. Trata-se de um desejo que não está mais sob meu controle, por isso o foco se mantém nas minhas possibilidades.Quais são as minhas possibilidades com as capacidades que tenho? Quais são as possibilidades que tenho com as capacidades que ainda posso desenvolver? O que está no meu controle escolher e fazer? Sentar e chorar faz parte da nossa humanidade, mas são as possibilidades daquilo que está ao meu alcance que me fazem enxugar as lágrimas e levantar sempre que caio.

Caí muitas vezes e, provavelmente, outras quedas virão. Porém, a decisão de levantar e de seguir em frente é individual.

Foi assim que, com uma cadeira de rodas, pude rodar o mundo. É assim que ainda tenho muitas possibilidades pelas quais levantei hoje e vou levantar todos os dias que a vida me deixar.

E você, o que o faz levantar todos os dias?

Crédito da Imagem: Virgiane Lima Knorr
Crédito da Imagem: Rastro Selvagem
Crédito da imagem: Rastro Selvagem

Quais são as suas possibilidades?

Moacir Rauber

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