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Quem é você na Era Digital? O ESARH ajuda a responder…

Quem é você na Era Digital?

Tenho um amigo que está entre as pessoas mais pacatas, educadas e gentis que conheço. Ele sempre dedica tempo para conversar com ou outros sobre os outros e se coloca à disposição para ajudar. Entretanto, não queira que ele o ajude usando o carro, porque no trânsito ele se transforma. O meu amigo está perfeitamente representado no vídeo da Disney (https://youtu.be/-1TNHmLcEns) que mostra a transformação do Pateta no trânsito. O cidadão de bem, pacato, educado e gentil vira um monstro. E isso é um fenômeno muito mais comum do que se possa imaginar no trânsito. Porém, o que isso tem a ver sobre quem é você na Era Digital? Acredito que ocorre um fenômeno muito similar.

No trânsito a pessoa se transforma ao sentir que está no poder ao conduzir o carro e na Era Digital essa sensação de poder vem do anonimato. Entenda-se a Era Digital, como o período subsequente a Era Industrial, marcada por uma revolução tecnológica a partir de invenções como a rede de computadores, a fibra ótica e os microprocessadores, resultando numa revolução nas comunicações entre organizações e, principalmente, entre as pessoas. Os aspectos culturais de grande parte da população mundial foram afetados. Nos dias de hoje, posso me comunicar em tempo real com pessoas em todos os continentes do planeta. Tenho condições de enviar arquivos, de trocar informações, de fechar negócios, de desenvolver projetos e de estabelecer relacionamentos sem as limitações do espaço existentes antes da Era Digital. O ambiente virtual, resultado da Era Digital, tornou-se algo real e ocupa uma parte importante da vida do cidadão comum. Posso elogiar e posso criticar outras pessoas na rede. Um elogio feito para alguém gera alegria naquele que o recebe. Uma crítica feita no ambiente virtual pode gerar reflexão, dor ou sofrimento, dependendo da forma como ela é feita. O resultado pode ser exatamente igual como num relacionamento cara a cara. A diferença está na possibilidade do anonimato ainda presente no ambiente virtual que criou alguns monstros. Há pessoas, assim como o meu amigo motorista, que se transformam no ambiente virtual. Ao ler um texto com o qual não concordam elas agridem o autor com palavrões e expressões inimagináveis. Ao se defrontar com a opinião política divergente as ofensas são intermináveis. Ao ver uma pessoa na rede com um comportamento diferente daquele que ela considera adequado a maldade no comentário é imediata. E as redes sociais são um campo fértil para a criação de perfis falsos que dá ao cidadão comum o poder de ofender e, na grande maioria das vezes, não ser responsabilizado por isso.

Muitas pessoas falam no ambiente virtual coisas que não falariam cara a cara. E você, expressa-se no ambiente virtual de maneira coerente com aquela usada no ambiente físico? Entendo que este é o passo a ser dado para que possamos (Re) Criar a Humanização das pessoas e, consequentemente, das organizações, independentemente do ambiente ser analógico, digital, físico ou virtual. Vem aí a Era Pós-Digital, em que nós já não nos surpreendemos com o uso da tecnologia, mas com a sua falta, e o anonimato tende a ficar para trás. Por isso a pergunta quem é você? A era e o ambiente pouco importam, porque a escolha é sua: você é o cidadão de bem ou o monstro?

 Quem é você no ambiente virtual? O anonimato permite que você seja quem você quiser, mas é você quem vai revelar quem você realmente é. O ambiente? Pouco importa, a escolha é sua!

 

Moacir Rauber

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Abandonar animais é crueldade… E crianças?

Abandonar cães é crueldade… E crianças?

Na última semana um amigo meu presenciou uma cena revoltante: o abandono de animais. Ele estava estacionado à beira da rodovia quando um carro parou bem à sua frente, abriu a porta e jogou um cão para fora. O cão ainda correu atrás do veículo que se distanciou. Logo ele desistiu. O meu amigo ficou observando o cão em seu desespero. Embora nunca quisesse ter um bicho de estimação, ele decidiu recolhê-lo e levá-lo consigo, porque abandonar um animal domesticado às margens da rodovia era crueldade. Eu concordei e comentei:

– Primeiro vão lá, compram, domesticam e mimam o bicho para depois simplesmente descartá-lo. Não dá para entender o ser humano…

Em seguida, avançamos para as relações humanas.

– As pessoas estão se acostumando a abandonar com facilidade aquilo que lhes parece difícil, disse o meu amigo.

– Como assim? Indaguei

A pergunta foi o estopim para uma reflexão. Ele discorreu sobre como as pessoas estão cada vez menos comprometidas com os seus papéis sociais. Para o meu amigo, as crianças são as primeiras vítimas de pessoas que não assumem as suas responsabilidades. Ele acredita que boa parte das crianças são levadas para serem educadas nas creches, porque os pais querem ser seus “amiguinhos”. “Isso não tem lógica. Amigos eles fazem fora de casa. Em casa eles precisam de pais que sejam seu porto seguro para as orientações”. Depois falamos sobre os idosos. As pessoas estão vivendo cada vez mais tempo e muitos daqueles que envelhecem não querem “incomodar”, por isso se retiram para um lar de idosos. Porém, a grande maioria dos idosos é induzida ou conduzida para o lar de idosos. Os filhos não têm tempo para cuidar dos pais idosos, porque eles dão trabalho com suas ranzinzices. É preferível ter um cão, argumentou o meu amigo. Por fim, falamos dos relacionamentos, como amizades, casamentos e profissionais. Da mesma forma, segundo a nossa conversa, as pessoas não têm mais o sentido da responsabilidade pela construção e manutenção de um relacionamento, seja ele uma amizade, um casamento ou na profissão. Frente às divergências fica mais fácil mudar de turma, de parceiro ou de empresa. Amizades são rompidas por divergências de opiniões, os casais se separam no momento que descobrem que o príncipe não existe e o compromisso com a empresa desaparece por um simples conflito. Daí pulam de galho em galho para o novo melhor amigo e o novo grande amor! Finalizou o meu amigo. Enfim, para manter as relações com os filhos, com os pais, com amigos, com os parceiros e com quem fazemos negócios é preciso se dedicar ao outro como escolha.

Associamos parte desse comportamento à Era Digital em que estamos que tem nos possibilitado conexões com quem não era possível e a desconexão com aqueles que estão ao nosso lado. Digital, analógico, físico ou virtual? Não é essa a questão. Cada um faz a sua escolha. Concordamos que criar relacionamentos, estimular laços afetivos e estabelecer vínculos para depois simplesmente descartá-los não é a parte boa da evolução que acompanha a Era Digital. Particularmente, acredito que toda a tecnologia possa e deva nos gerar conforto, segurança e bem-estar, porém ainda estamos na fase da criança que se lambuza com o chocolate.

Enfim, não abandonem os cães, porque isso é crueldade. Porém, como classificar o abandono das crianças? Não sei o adjetivo, mas bom não é. Portanto, não abandonem as crianças. Cuidem delas! E cuidar quer dizer orientar, amar, incentivar, estimular, nortear e assumir o papel de pais ao se responsabilizar pela sua educação na Era Digital. Só assim para se criar uma geração de pessoas que se ocupe de pessoas, independentemente de serem idosos, pais, amigos, cônjuges ou colegas.  Digital, analógico, físico ou virtual? Pouco importa. Essas crianças irão cuidar de pessoas por meio de relações duradouras e afetuosas.  Isso é que nos faz humanos!

“Cuidem das Crianças para que os adultos não abandonem os Idosos!”

FELIZ DIA DAS CRIANÇAS!

Moacir Rauber

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Não líderes no comando

Futebol é um esporte coletivo e inclusivo, porque independentemente de você ter baixa ou alta estatura você pode ser uma estrela em campo. Além disso, o futebol exige diferentes estratégias para se alcançar bons resultados, como observar os adversários, analisar as condições do jogo, saber o que está em jogo e conhecer os objetivos do clube, de sua torcida e da equipe. Igualmente é fundamental respeitar os interesses individuais daqueles diretamente envolvidos: jogadores e comissão técnica. Para tudo isso, precisa-se de um líder, papel quase sempre designado aos técnicos. Assim, tenho observado o comportamento dos técnicos do futebol brasileiro que, em sua maioria, exibem um comportamento nervoso, agitado e ansioso à beira do gramado. Correm para lá e para cá. Saltam. Fazem caras e caretas. Ofendem o juiz. E, muitas vezes, são expulsos. Demonstram a sua insatisfação com o jogo, com os jogadores e com as injustiças cometidas contra a sua equipe pela arbitragem mal-intencionada. Muitas vezes, são feitos paralelos entre o mundo esportivo e a vida organizacional. Seriam os técnicos de futebol um exemplo de liderança na sua atividade ou na vida organizacional?

No livro “O Monge e o Executivo”, o conceito de líder diz que é aquele que apoia, auxilia, ensina, inspira e motiva a sua equipe para que todos possam se desenvolver plenamente, assumindo cada um a sua parcela de responsabilidade. Ao detalhar o conceito, pode-se entender que o papel do técnico como líder seria o de empoderar os seus jogadores para que eles possam tomar a decisão mais adequada em conformidade com aquilo que foram treinados e os objetivos de todos os envolvidos. Da mesma forma, seria papel do técnico inspirar os seus comandados ao expressar confiança, serenidade e comprometimento com aquilo que foi programado. Igualmente, seria papel do técnico mostrar aos jogadores a importância de cada um no processo e na equipe para o enfrentamento do adversário. Por fim, seria papel de um técnico liderar mudanças de estratégia, caso àquela inicialmente acertada não esteja surtindo efeito. Desse modo, é a postura do líder que vai levar os seus comandados ao empoderamento, à inspiração e à mudança. São essas as competências que o técnico deveria exibir. Seria seu papel de líder. Entretanto, muitos técnicos não me parecem verdadeiros na exibição de emoções que extrapolam o bom senso de um líder. Como é que alguém que está no comando de uma equipe pode exibir tantos descontroles emocionais? Qual é a sensação de um jogador que vê o seu técnico acusar o juiz de os estar prejudicando? É tudo isso comprometimento ou apenas fingimento? Se um diretor de uma organização se comportasse de igual maneira, qual seria o resultado? Por isso, muitos técnicos me parecem atores querendo chamar para si um estrelato que deveria ser dirigida ao campo e aos jogadores, que são as verdadeiras estrelas do espetáculo. O técnico é o líder, o organizador ou o diretor, como queiram, não é o astro principal. Futebol sem técnico existe, técnico sem futebol não.

Portanto, ver todo aquele berreiro feito pelos técnicos à beira do gramado não me parece liderança, parece-me destempero de alguém que não está preparado para enfrentar a pressão de um jogo decisivo. Imagine um diretor de uma empresa se comportando diariamente de maneira similar? Da mesma forma, ao acusar um juiz de interferir no jogo o técnico transfere a responsabilidade de seus comandados para um elemento que não está no seu controle, o juiz. O foco de um líder deve ser atuar naquilo que está ao seu alcance. O que se pensaria de um diretor que sempre transferisse para os outros a responsabilidade por maus resultados? Enfim, muitos técnicos me parecem ser pessoas que querem chamar para si os holofotes que não lhes pertencem e se pudessem manteriam as câmeras sobre si mesmos.

Acredito que um técnico líder deve exibir a qualidade de dar créditos a quem merece os créditos, os jogadores.

De igual modo,

…um diretor líder será reconhecido pelos resultados da organização, mas saberá dar os créditos à sua equipe que os construiu.

Os técnicos não precisam da atenção pela sua performance ao lado do campo, mas dos reconhecimento pelos seus resultados como líderes ao conseguirem extrair de cada um dos seus jogadores o melhor que eles podem dar. É isso que também se espera de um diretor organizacional que queira ser reconhecido pela sua capacidade de liderança. O restante não passa do exercício do egocentrismo de pessoas despreparadas para o papel de líderes que deveriam exercer.

E o futebol? É só uma vítima de não líderes que estão no comando.

E nas organizações, quais são os líderes que se destacam?

 

Moacir Rauber

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A menina que lia um livro só…

A mãe estava maravilhada com o processo de aprendizagem da sua filhinha. Curiosidade, espontaneidade e criatividade com a alegria das surpresas proporcionada pelo prazer de aprender algo novo todos os dias. E as mudanças? Proporcionavam mais curiosidade. Entretanto, a mãe não entendia por que a sua filha se fechava em seu quarto tantas vezes e parecia se isolar em seu mundo. A filha, na verdade, estava diante de um processo novo. Ela estava fascinada com algumas descobertas que lhe pareciam incríveis. A menininha começava a juntar as letras e as sílabas que formavam palavras e que numa frase tinham sentido. Para a menininha isso era impressionante. O sentido das palavras numa frase após a outra continham uma história que estava dentro do seu livro. Aquele dia ela finalmente conseguira ler o seu livro inteiro. Depois leu mais uma vez, outra e ainda outra vez. Era impressionante para aquela menina que o seu livro tinha aquela linda história. O fascínio e o entusiasmo tomavam conta da alma dela. Depois de vários dias lendo o mesmo livro, com a alegria natural de uma criança que entende que está aprendendo e que aprender é um processo de crescimento contínuo que pode lhe ampliar as possibilidades, ela foi contar a novidade para a sua mãe:

– Mãe, eu sei ler. Você quer escutar eu ler o meu livro?

Qual é a mãe ou pai que não quer? Logo, a menina começou a ler as palavras, uma a uma com os sons entrecortados que demonstravam a insegurança de quem ainda não está completamente familiarizado com a nova competência. Porém, ela continuava com a empolgação de quem não tem medo do novo e nem de se expor diante dele. Ela sabia que era ela quem se beneficiava da aprendizagem de uma nova habilidade. Ela captava, intuitivamente, que o seu mundo se ampliava e jamais seria o mesmo. A mãe, pacientemente, a escutava. Na verdade, não se pode dizer que ela precisava de paciência para acompanhar o processo de aprendizagem da filha. Era deleite puro. A mãe estava extasiada. Poderia continuar por horas, dias e por toda a vida a escutar as palavras lidas pela sua filha, admirando o esforço e o prazer dela ao desenvolver essa nova habilidade. Porém, o livro, com suas cinco ou seis páginas e aquelas poucas palavras que formavam uma pequena história infantil, logo acabou. A mãe parabenizou a filha pelo esforço num elogio autêntico, deu-lhe um abraço e disse:

– Que lindo, filha. Agora você vai poder ler outros livros, as placas na rua. Você vai poder ler tudo o que quiser!

A filha arregalou os olhos com um misto de surpresa e felicidade indescritíveis. Em seguida indagou:

– Não aprendi a ler só o meu livro? Vou poder ler todos os livros? Sério, mãe?

A menina vibrava com a possibilidade de que poderia ler e aprender tudo o que quisesse. Era o maior prazer para aquela menininha, porque o seu mundo poderia ir muito além do seu livro. As possibilidades de aprendizagem eram infinitas. A mentalidade de crescimento predominava na alma da menina.

Sim, este é o maior desafio do Ser Humano dos dias de hoje: reencontrar o prazer, a alegria e a felicidade no ato de aprender mantendo a mentalidade de crescimento como algo natural. Aprender é a competência que vai transformar o mundo das mudanças rápidas num campo infinito de oportunidades. Por isso, a pergunta que muitos pais fazem para as crianças quando elas voltam da escola é importante ser feita por cada um para si mesmo: o que eu aprendi hoje? Quem não aprende nada dia após dia vai continuar a ler o mesmo livro todos os dias.

E você? Continua a ler um só livro? Até onde vai o limite do seu mundo? Como anda a sua curiosidade? A aprendizagem é um fardo?

A aprendizagem ao longo da vida é o caminho!

 

Moacir Rauber

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