Líder de quem?

Na reunião foram apresentados os Programas de Desenvolvimento de Lideranças que as organizações promovem para estimular as competências, as habilidades e as atitudes associadas ao tema nos seus colaboradores. Foram três programas de empresas diferentes em tamanho, área de atuação e abrangência de mercado. Durante as apresentações comecei a me indagar: as pessoas estão sendo preparadas para serem líderes de quem?

No primeiro caso, uma organização com aproximadamente mil colaboradores exercendo funções de liderança, o programa de desenvolvimento de liderança foi desenvolvido pensando na rotatividade natural de colaboradores. Com tantas pessoas em posição de liderança, as saídas são inevitáveis. Por isso, o desenvolvimento de lideranças no ambiente interno é uma estratégia proativa e preventiva do RH, disse a apresentadora. Assim, foram criados os critérios e as condições de participação para selecionar os colaboradores para o programa, bem como foram identificadas as competências, as habilidades e as atitudes a serem desenvolvidas. Destaque-se que a construção do programa foi realizada entre a instituição de ensino e a organização promotora para alinhar os interesses da organização com as necessidades do indivíduo. Ponto fundamental!

O segundo caso apresentou um programa de desenvolvimento de lideranças que trabalhou a proposta de que o líder deve ser um guardião da missão, da visão e dos valores da organização. Assim, o programa foi desenvolvido internamente, aproveitando para incentivar a que cada um dos líderes identificasse a sua própria missão, visão e valores. Pode ser um tiro no pé, porque algumas pessoas saem da empresa após descobrirem que não era bem aquilo que queriam, comentou a idealizadora do programa. Entretanto, ficou evidente de que se não há um alinhamento entre aquilo que a organização precisa com aquilo que o indivíduo quer é melhor para ambos que cada um siga o seu caminho. Ponto indispensável!

Por fim, o terceiro caso relatado ocorreu numa organização em que o programa de desenvolvimento de lideranças foi desenvolvido conforme os módulos se sucediam. A preocupação com um fio condutor para o programa esteve presente na construção da sequência de módulos no seu período de duração. Porém, cada módulo era concluído com o foco em conceber o módulo seguinte. A pergunta que finalizava cada módulo era, Qual é o próximo passo?  A partir daí os conteúdos eram construídos de acordo com aquilo que se levantava na inteligência coletiva do grupo. Também esse programa considerou as demandas individuais e organizacionais. Ponto essencial!

Volta-se a pergunta do título: os programas de desenvolvimento de liderança preparam líderes, mas líderes de quem? Entendo ser importante que sejam considerados o alinhamento entre os interesses individuais e organizacionais na construção de programas que trabalhem com o aperfeiçoamento de comportamentos em função de liderança. Porém, entendo que se deveria ser fundamental, indispensável e essencial levar a que cada candidato a líder olhe inicialmente para dentro de si e se avalie: qual é a minha real intenção? O que eu posso contribuir de fato numa posição de liderança? Entendo que cada líder ou futuro líder deve saber liderar a si mesmo antes de liderar os outros. É o desenvolvimento das competências comportamentais para ser um InLíder. Entende-se que o InLíder é aquele que antes de exibir a iniciativa como uma competência externa, pratique a iniciativa dentro de si mesmo. Quem decide a hora de levantar? O InLíder, então levante-se e exiba um Propósito, a Disciplina e a Liberdade para demonstrar a intrainiciativa. Quem decide a sua agenda? O InLíder, então organize-a e exiba a Flexibilidade mental, a Confiança e a Autoconfiança e a Organização para demonstrar o intraplanejamento. Quem manda em você? O InLíder, então siga-o e exiba Desempenho e Gratidão para demonstrar ser um Líder para conduzir a equipe na melhor direção. Por fim, entendo ser o principal que cada líder saiba que o seu papel não lhe dá direitos e prerrogativas, mas lhe exige o compromisso de permitir que os outros se desenvolvam na plenitude, levando a que a organização seja competitiva.

Por isso a pergunta: líder de quem? O InLíder lidera dentro de si mesmo para depois ser um líder dos outros de forma natural.

E o Brasil, tem jeito?

Cheguei com bastante antecedência no aeroporto de Brasília para o voo que me levaria até Florianópolis. Despachei a mala e segui para o controle da Polícia Federal onde tirei os documentos do bolso, o relógio e o celular. Passei tudo pelo Raio-X, juntamente com a mochila de mão. Logo adiante recolhi tudo e fui para o portão de embarque que era bem distante no aeroporto. Lá chegando, como hábito, bati com a mão no bolso da calça para conferir se a minha carteira estava ali. Ela não estava. O susto que levei foi imediato. Instintivamente passei as mãos pelos bolsos da camisa e do paletó procurando-a. Não encontrei nada. Refiz o movimento. Nem sinal da carteira. A realidade era a de que havia perdido a minha carteira com os documentos pessoais, além do cartão de crédito e de mais ou menos quatrocentos reais. O diálogo mental era o pior possível. Os palavrões não foram verbalizados, mas foram ditos. Passado o impacto inicial comecei a pensar, O que posso fazer? O caminho de volta, óbvio. Retornei ao controle da PF. Não estava. Um oficial de controle foi até o balcão da companhia, mas também não encontrou a minha carteira. O extravio de documentos sempre gera um grande transtorno. Não havia mais nada que eu pudesse fazer, a não ser registrar o ocorrido e tomar providências sobre tudo aquilo que envolve quando se perdem os documentos. Devagar fiz todo o caminho de volta até o portão de embarque. Eu estava aborrecido comigo mesmo. Também lamentava o fato de que no Brasil a devolução daquilo que se perde é algo raro, porque afinal somos o país em que se acredita que aquilo que é achado não é roubado. Na realidade se é achado, e não é seu, é roubado. O ditado representa uma justificativa para aqueles que querem se apropriar daquilo que não lhes pertence. Eu estava desolado. A semana não começaria bem.

Ao retornar para o portão de embarque ouço alguém da companhia me chamar pelo nome. Era um funcionário da empresa de aviação. Como usuário de cadeira de rodas que sou, pensei que se tratava do fato de eu ser prioridade no embarque. Para minha surpresa, ele se aproximou de mim e disse:

– Esta carteira é sua? Alguém a encontrou e me entregou. Conferi o seu nome no sistema e por coincidência você vai voar conosco.

A expressão “o queixo caiu” estava materializada na minha cara, porque a surpresa foi grande. Todos aqueles pensamentos negativos foram substituídos e acompanhados por várias emoções positivas. O azar se transformou em sorte. A tristeza em alegria. A revolta em gratidão. Agora era a hora de agradecer mentalmente aquele sujeito anônimo que devolveu a minha carteira para o colaborador da empresa aérea, a quem agradeci efusivamente. Agora era o momento de comemorar uma excelente semana que terminava e outra melhor ainda que estava para começar. Agora era a hora de pensar que o Brasil tem jeito, porque as pessoas na sua maioria são do bem. Agora é a hora para que as pessoas de bem tomem as rédeas desse país a partir da mudança de conceitos, da cultura e até de simples expressões que balizam comportamentos. Achado não é roubado? Por que não, achado deve ser devolvido? A ocasião faz o ladrão? Por que não, a ocasião mostra o caráter?

E o Brasil tem jeito? O fato aqui contado prova isso. Simbolicamente este episódio ocorreu em Brasília, uma cidade marcada pela corrupção. Porém, com a exposição de comportamentos honestos podemos mostrar a cara de um Brasil em que a grande maioria das pessoas é do bem. Ficou evidente na conduta daquele anônimo e do colaborador da empresa aérea que me devolveram a carteira sem querer nada em troca. Eles fizeram aquilo que o caráter deles determinou. Eles fizeram o que todos devem fazer. Eles fizeram o que é normal fazer. Muito obrigado por serem normais!

Muito obrigado,

Amilton Rodrigues de Oliveira

Colaborador da AVIANCA

Lúcifer, divinamente diabólico ou diabolicamente divino?

Assisti a primeira temporada do seriado Lúcifer que para mim foi a melhor de todas as séries que já assisti. Envolve humor, drama, amor, maldade, raiva, intriga, inveja, bondade, confiança, lealdade, entre outras tantas emoções e sentimentos humanos, que também podem ser divinos ou diabólicos. O personagem principal é Lúcifer, o Anjo Caído, que depois de uma eternidade cuidando dos portões do inferno decide tirar férias em Los Angeles. Nada mais apropriado, pois LA pode ser considerada a Sodoma da atualidade. Em muitas situações, referem-se a Lúcifer como o Filho predileto do Pai caído em desgraça e relegado ao trabalho árduo de cuidar das portas do inferno. Ele carrega em si a mágoa, mas revela a necessidade de ter a aprovação do Pai. No transcorrer dos episódios, Lúcifer exibe os comportamentos associados à luxúria, à inveja e à crueldade, mas também tem atos de clemência e de bondade. Em seu período de férias do inferno Lúcifer entende que as pessoas o culpam por tudo, mas na realidade ele sabe que cada um é responsável pelos próprios atos, assim como ele próprio.

Lúcifer também revela as suas lutas íntimas que podem ser comparadas com aquelas que cada ser humano carrega em si, porém, assim como nós, humanos, coloca nos ombros do Pai a culpa pela própria infelicidade. Lúcifer parece ser divinamente diabólico ou diabolicamente divino quando deixa transparecer que todos nós podemos simplesmente ser manipulados pelo Pai. Nesse momento, entendo que Lúcifer está sendo simplesmente Lúcifer!

Será preciso reeducar as pessoas para que se sintam bem sucedidas sem passar os outros para trás?

ESARH 2018:

Inspirar pessoas para potencializar o coletivo!

O momento atual revela a inexistência de escrúpulos de muitas pessoas na busca daquilo que se entende como ser bem sucedido. As pessoas desviam e roubam. É uma realidade que está estampada em nossas caras. Porém, cabe perguntar: afinal, quem é o inescrupuloso ladrão? Creio que cada um deveria responder a essa pergunta para saber qual é o próprio grau de contribuição para a existência de um coletivo que não agrada.  No livro Ladrão de Si Mesmo indago: será o ladrão somente aquele que desvia recursos públicos, que rouba da empresa, que afana os pertences do vizinho e que comete toda a sorte de crimes? Com certeza que este é o criminoso clássico. Para evitar que se chegue nesse padrão de comportamento abjeto, acredito sim que se deva repensar a educação e fazer valer os valores nos quais nos pautamos como organizações sociais, familiares e empresariais. Não desempenhar o seu papel com a excelência que a própria capacidade permite é um roubo deliberado com reflexos em si e nos outros. Cabe aos gestores de recursos humanos e a cada um de nós inspirar a que todos entreguem o seu melhor para ser bem sucedido.

Com a consciência de que devemos prender os nossos ladrões internos, acredito que gradativamente podemos nos expressar como uma sociedade de pessoas bem sucedidas.

ESARH 2018:

Inspirar pessoas para potencializar o coletivo!

Como amarrar os cadarços?

O curso começou com uma simples pergunta:

Expliquem-me, como vocês dão o nó nos cadarços dos sapatos?

O facilitador pediu para que nós lembrássemos, entendêssemos e imaginássemos a explicação da operação sendo dada sobre como fazemos os nós dos cadarços dos sapatos para alguém que não sabe fazê-lo. Realmente é interessante. É a síndrome da centopeia aplicada ao ser humano. Pensando sobre como daria uma explicação, senti-me como deveria ter se sentido a centopeia no dia em que ela foi confrontada com a pergunta: como você faz para caminhar e não se atrapalhar com tantas pernas? Assim que ela tentou imaginar como fazia o que fazia ela se enrolou nas próprias pernas e não conseguiu caminhar. Sentia-me enrolado na tentativa de explicar, porém eu sabia como dar os nós nos cadarços. Na vida nós temos muitos tipos de conhecimentos. Existe aquilo que simplesmente sabemos, como amarrar os cadarços ou dirigir um carro. Existe aquilo que sabemos que sabemos, como as atividades de nossa profissão. Existe aquilo que não sabemos que sabemos, como boa parte de nossas reações instintivas e que são base de muitas de nossas intuições. Existe aquilo que sabemos que não sabemos, como por exemplo o ofício de uma profissão diferente. E por fim, existe aquilo que sequer sabemos que não sabemos que, provavelmente seja o maior grupo. Porém, domingo é o dia dos pais e por isso vou falar sobre como se amarram os sapatos.

Acredito que boa parte daquilo que simplesmente sabemos vem da relação com os nossos pais. Foi na infância que aprendi que estudar era um dos caminhos para a realização. Fazia-se necessário ler, escrever, calcular e se dedicar para que se pudesse aprender. Foi assim que estudar se tornou um prazer e entendi que aquele que estuda é o primeiro beneficiário daquilo que aprende. Foi na adolescência que aprendi que o trabalho era outro caminho para a realização. Era importante assumir compromissos consigo mesmo, com os outros, sendo desde muito jovem autossuficiente e um contribuidor da sociedade. Entendi que trabalhar como ofício deveria ser prazeroso e que ao entregar o melhor de mim na minha profissão eu recebo o melhor dos outros. Demorei para distinguir essa verdade. Foi somente na idade adulta que pude reconhecer tudo isso no meu pai e que para isso o respeito era fundamental. Reconhecer no outro um verdadeiro outro faz com que o respeitemos como ele deve de ser respeitado, para que eu também possa ser respeitado como mereço ser. Dessa forma, o comportamento ético pautado em bons valores como a honestidade, a lealdade, a integridade, a amorosidade e o respeito são valores que aqueles que os detêm os aprenderam dentro de casa pelo exemplo recebido. E o exemplo continua sendo a melhor maneira de se ensinar algo para alguém que não sabe. Quem hoje é pai deve ter em mente que é o seu exemplo que pode determinar o que os seus filhos vão ser e fazer de suas vidas. Como disse Madre Teresa de Calcutá, A palavra convence, mas o exemplo arrasta. Não se preocupe porque seus filhos não te escutam, mas te observam todo o dia. Isso vem de berço!

O fruto nunca cai longe do pé, entre outros tantos ditados populares, expressa uma verdade incontestável. Por isso, não tem jeito. Carregamos conosco muito daquilo que aprendemos com os exemplos de nossos pais. E eu somente tenho a agradecer àquele que passou por esta terra sendo meu pai: muito obrigado por me ensinar a amarrar os meus cadarços!

Homenagem aos pais que ensinam o filhos

a amarrar os seus cadarços!

 

http://juizgabriel.blogspot.com.br/2011/10/estorinha-de-crianca-2.html

De onde tirar forças para a motivação e vontade diante de tantas injustiças?

De onde tirar forças para a motivação e vontade diante de tantas injustiças?

Acredito que o mundo não é justo, porém nada impede que eu o seja. Atuar efetivamente no ambiente em que eu tenho autonomia é atuar em mim mesmo identificando e prendendo os meus ladrões interiores ao minimizar as minhas autossabotagens. É o desafio de fazer o melhor, ser justo e ser fonte de inspiração individual para que se tenha um coletivo mais equilibrado. Creio que essa autonomia de ser justo pode ser a fonte da força e da motivação para seguir adiante.

ESARH 2018:

Inspirar pessoas para potencializar o coletivo!

Somos únicos. Somos múltiplos.