Todos os posts de Moacir Rauber

Moacir Rauber acredita que tem "MUITAS RAZÕES PARA VIVER BEM!" porque "MELANCOLIA NÃO DÁ IBOPE". Também considera que a "DISCIPLINA É A LIBERDADE" que lhe permite fazer escolhas conscientes, levando-o a viver de forma a "QUE POSSA COMPARTILHAR TUDO COM OS PAIS E QUE TENHA ORGULHO DE CONTAR PARA OS FILHOS".

Na hora da raiva…

Na hora da raiva…

Escutar o desabafo de uma enfermeira revela como não controlar as emoções pode afetar a própria saúde física e mental. Ela dizia que estava finalizando o seu árduo dia de trabalho e teria um atendimento ainda por fazer. Diagnóstico? Covid. Sintomas? Nenhum. Ainda assim, ela deu uma aula sobre a transmissão e os cuidados para evitá-la, destacando a importância do isolamento. A enfermeira alertava sobre os riscos para si e para os outros na atual situação de falta de leitos para internamento. Por fim, a pessoa agradeceu e saiu. A enfermeira encerrou o trabalho e fez todo o procedimento de higienização com o máximo de cuidado para evitar qualquer possibilidade de contagiar-se ou de contagiar a outros. Agora ela iria para a sua vida familiar. Assim, ela passou pelo supermercado e qual não foi a sua surpresa ao se deparar com a pessoa que ela recém havia atendido, diagnosticada com COVID? A pessoa estava no quiosque do supermercado tomando um sorvete, conversando com o atendente e com as pessoas a sua volta. Foi então que a enfermeira não se conteve. Explodiu:

– Irresponsável!!! Criminoso!!! Não acabei de lhe falar para ficar em casa? Quem você pensa que é?…

Confusão armada. Outras pessoas intervieram para acalmar a enfermeira, enquanto se afastavam do portador do vírus. Provavelmente eu faria o mesmo, porém a enfermeira se colocou em risco físico ao perder o controle de suas emoções. A raiva venceu. A ira a dominou. O resultado? Ela se exaltou, a cólera governou, a indignação a arrebatou e, certamente, o seu corpo e a sua alma sentiram os efeitos negativos desse comportamento. A enfermeira terminou por se prejudicar e por não adotar a melhor estratégia para resolver a situação. A gestão das emoções é um dos grandes desafios individuais e organizacionais, porque elas são naturais e nos acometem em diferentes situações. Não se pode saber qual o momento que seremos confrontados com algo que vai nos provocar raiva. Entretanto, cabe a cada um de nós saber gerir a raiva ou a ira para não nos deixarmos dominar por elas. Ira ou raiva, sentimentos de ódio, fúria, cólera ou indignação dirigido a uma pessoa ou a uma situação, tendem a produzir resultados trágicos quando não controlamos as ações resultantes deles. Ressalte-se que a solução não está no seu extremo, onde se posiciona a passividade. Passivo é aquele sujeito que já não se indigna, não se incomoda e não se mobiliza por nada. É alguém que não age e nem reage frente aos maiores descalabros que estão ao seu alcance resolver. O que fazer frente as situações extremas? Respirar fundo para temporizar. Oxigenar o cérebro para avaliar sem julgar. Ser tolerante e agir com a firmeza de quem ainda se indigna com as situações absurdas. Frente as situações extremas, quase sempre, a melhor saída está no equilíbrio.

Ao se deparar com um paciente infectado em público a enfermeira explodiu de raiva e de indignação. Estou seguro de que manter o equilíbrio diante de uma situação tão revoltante é um desafio emocional extremo. Não sei qual seria a minha reação. Entretanto, a enfermeira reagiu dominada pela emoção e colocou em risco a sua própria vida. Talvez, o mais apropriado seria ter denunciado a pessoa por comportamento criminoso, além de alertá-la outra vez. Desse modo, ela não exporia o outro e muito menos a si mesma. Entre a ira e a passividade está a tolerância com ação firme que revela o cuidado e o autocuidado. E na hora da raiva? Respira fundo e conta até dez…

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

O preço do orgulho!

O preço do orgulho

 A vida era dura e as coisas não aconteciam com facilidade para ela. Cada sonho, toda busca ou qualquer conquista exigia um grande esforço. No entanto, ela se orgulhava de lutar pelo que queria com autonomia. O tempo passava rápido e ela não havia conseguido realizar uma de suas grandes ambições: a faculdade. Para conseguir ingressar numa universidade pública o conhecimento adquirido no Ensino Médio já estava muito distante. Dinheiro para fazer um cursinho nem pensar. Entrar numa universidade privada era uma possibilidade, porém a parte financeira era um empecilho. Ela vivia sozinha com a sua filha e o salário que recebia apenas cobria as necessidades básicas das duas. No seu trabalho, ela era dedicada, além de se envolver em atividades de voluntariado. Ela se orgulhava de poder ajudar. Um dia, conversando com a sua chefe, comentou sobre o sonho não realizado. A chefe disse que pagaria a universidade. Rapidamente ela recusou, dizendo que não era necessário, ao que a chefe respondeu:

– Não saber receber ajuda é uma das manifestações do orgulho…

Uma constatação verdadeira, porque o orgulho não somente se manifesta pela arrogância na interação com os demais. Ele está presente no excesso de autonomia e de independência que nos impedem de receber ajuda, um gesto de soberba ao crer que não se necessita dos outros. O provérbio português, “ninguém é tão pobre que não possa dar, nem tão rico que não precise receber”, retrata bem a interdependência humana. Todos podem dar algo. E ela entregava as suas competências no trabalho ao estar disponível para as atividades que eram parte de sua função. O ambiente que ela criava era positivo e propositivo. Ela ainda fazia os trabalhos voluntários ao ajudar a cuidar de idosos num lar próximo da sua casa. Não era porque a sua condição financeira não fosse das mais favoráveis que ela não poderia contribuir com algo além do seu trabalho. E ela o fazia acompanhada de sua filha. Porém, ao não querer ajuda, o orgulho se manifestava pela altivez ligada a soberba de se crer autônoma num mundo interdependente. Por que ela não queria que alguém lhe pagasse um curso universitário? Não saber receber ajuda pode ser soberba, orgulho ou arrogância e não sempre um exemplo de determinação pela autonomia. Dessa forma, muitos acreditam que se o orgulho de lutar pela autonomia pode representar a soberba, a virtude deve estar em seu antônimo, o outro extremo. Porém, o antônimo pode ser a submissão, o servilismo e até o puxa-saquismo, comportamentos que tampouco são positivos. Volta-se para o caminho do meio. Entre os extremos de orgulho e de submissão está a humildade, que é a virtude de saber se autoavaliar para reconhecer as fortalezas e as limitações, agindo em conformidade com elas. É a humildade no comportamento que permite que se interaja com os outros sem querer sobrepor-se ou se mostrar superior a eles. Enfim, creio que a virtude está no equilíbrio entre ser assertivo sem ser arrogante e ser humilde sem ser submisso. Assim, chega-se à harmonia.

Depois da conversa com a sua chefe, ela travou uma luta interna porque não havia gostado de ouvir que poderia estar sendo orgulhosa, arrogante e soberba ao não querer receber ajuda. Ela sempre lutara para manter a sua dignidade e se orgulhava disso. Entretanto, após os diálogos internos profundos ela conseguiu ver que a chefe tinha razão. Ela estava disposta a abrir-se para receber ajuda, porque o preço do orgulho, da soberba e da arrogância seria a não realização do sonho de fazer uma faculdade. Foi assim que ela se formou aos quarenta anos de idade.

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Só o tutorial não basta!

Só o tutorial não basta!

Escutava as instruções do coordenador do retiro. Era um retiro de silencia, mas no final do dia tinha um momento de interação. Ele falava da importância dos exercícios mentais, conduzia dinâmicas de meditação e explorava técnicas para que cada um pudesse assumir o controle da própria mente. Reforçava que a mente nos mente e pode nos levar para lugares que não queremos ir. O coordenador ressaltava a importância de fazer as leituras orientadas e os exercícios programados para o dia seguinte, sob pena de apenas conhecer o conteúdo sem nos beneficiarmos da atividade. Por fim, ele disse:

– Muitas pessoas conhecem os tutoriais das aulas virtuais de atividades físicas, mas não fazem o exercício. De nada serve. A analogia se aplica para a mente…

Faz sentido. Ler os melhores livros sobre os benefícios da meditação ou da atenção plena e não praticar é similar a assistir aos tutoriais das academias de educação física sem fazer o exercício. Depois do tutorial é preciso fazer a atividade. Porém, muitas vezes, a preguiça vence e a pessoa fica no tutorial. A nossa mente, igualmente, precisa por em prática o conhecimento adquirido nas leituras, nos seminários e nos retiros para incorporar hábitos e comportamentos desejados. A reflexão do coordenador seguia no ritmo do retiro e ele se aprofundava em temas para que cada um se responsabilizasse pelas suas escolhas. Estar no ambiente que estávamos, com o dia todo voltado para as leituras e a meditação, fazia com que fosse relativamente fácil manter uma rotina com as suas práticas. Ainda assim, quase todos caíamos na tentação de não seguir o programa do silêncio e de não fazer todas as atividades propostas. Faltava-nos a disciplina para exercer a escolha feita. Portanto, imagine o tamanho do desafio de levar a prática proposta para o dia a dia. Como faríamos os nossos exercícios de meditação no mundo real? O que fazer para incluir uma prática de mindfulness nas 24h que cada um tem, as quais, muitas vezes, não bastam para as atividades correntes? Caso pensemos no antônimo da preguiça chegamos ao workaholic, o sujeito que não se cansa de sempre fazer mais. Notadamente a proposta dos retiros, da meditação e da atenção plena não é essa. Os extremos não são o caminho. Se de um lado está a preguiça e de outro lado o excesso de trabalho, entre eles nós encontramos a diligência, o equilíbrio. A diligência se refere a fazer aquilo que se escolheu fazer com cuidado, interesse e zelo por si e pelos outros, com a urgência e a presteza necessárias. Para ser diligente é preciso discernimento, a capacidade de avaliar as situações com o bom senso e a clareza necessárias para fazer uma boa escolha. Manter-se em movimento ao renegar a preguiça sem comprometer a sua busca de equilíbrio  e harmonia pelo excesso de atividade. É o equilíbrio que leva a pessoa à harmonia. Provavelmente, ao incluir um período de meditação ou de prática de mindfulness no seu dia a dia será necessário deixar algo para trás. Inicialmente poderá parecer difícil fazer a escolha, porém com a prática o menos será mais. Menos estresse e mais resultados. Menos trabalho e mais produtividade. Menos horas e mais conteúdo. Menos aflição e mais fruição.

Por fim, o coordenador disse que a preguiça é parte da natureza humana. Por isso, lembrei-me de um conselho de um empreendedor que dizia: “Preste atenção no preguiçoso. Quando ele procura um atalho vai ter mais trabalho. Muitas vezes, porém, ele usa a sua inteligência para propor uma solução que economiza recursos e esforços!”. Eis o ponto. Ficar somente no tutorial não basta. Depois da ideia é fundamental a atividade. É preciso ter o discernimento para agir com diligência e fazer o que deve ser feito.

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Hoje eu caí em tentação!

Fonte imagem: ceagespoficial.blogspot.com

Hoje eu caí em tentação!

Encerrávamos um dia de intenso trabalho pessoal. Muitas leituras, reflexões e silêncio exterior. Internamente, cada um com os seus ruídos. Estávamos no alto do Morro das Pedras em Florianópolis, um lugar idílico em que os sons da natureza favorecem a que nos conectemos com o Eu mais profundo de cada um. No final do dia um momento de partilha em que cada um relatava as reflexões que havia feito. Dois ou três minutos de troca em que cada um dava e recebia; compartilhava e acolhia; ensinava e aprendia. Uma senhora pede a palavra para compartilhar com o grupo a experiência do dia:

– Acredito que com a meditação, com a preparação emocional e com o apoio do Ser Supremo nós conseguimos tudo o que queremos…

E relatou a sua luta contra a obesidade que acreditava finalmente estar vencendo. Ela disse que durante toda a sua vida sofrera com o seu peso corporal, que a afligia emocionalmente. A condição de obesa gerava nela desconforto e um sentido de inadequação. Assim, sempre que surgia um novo regime, uma nova técnica ou um novo e revolucionário medicamento para emagrecimento ela era a primeira candidata. Entrava num regime, parava de comer por completo e emagrecia. Em pouco tempo voltava a querer comer tudo, por isso engordava. Foram tantas as idas e vindas do seu peso entre um regime e outro que ela havia perdido as contas. Ela variava entre a anorexia e a gula. Internamente, acreditava que o seu desejo quase incontrolável de gosto pela comida, a gula, encontraria a solução no seu oposto ao bloquear esse desejo, a anorexia. Racionalmente, sabemos que a vida não é tão simples. Emocionalmente os desafios são muito mais complexos. Quase sempre, entre os antônimos encontramos o equilíbrio que pode nos levar a harmonia. Gula ou anorexia? Entre eles está a saciedade ou a temperança que se aplica à comida, assim como serve de analogia com os demais comportamentos. A gula por conhecimento não deveria desembocar na anorexia da arrogância de se crer melhor, mas na sabedoria de contribuir efetivamente para aqueles que não tiveram a oportunidade de se desenvolverem. A gula por desempenho não deveria nos levar para a anorexia da competição com o outro, mas para a competitividade de entregar o seu melhor para beneficiar o outro. A gula por manter o foco não deveria provocar a anorexia da falta de visão sistêmica, mas a entender o impacto daquilo que se faz no todo de que se faz parte. Desse modo, o excesso em cada uma das competências exigidas pelo mercado de trabalho pode produzir o seu efeito contrário, uma vez que a solução não está nos extremos, mas no caminho do meio, no equilíbrio. O equilíbrio traz a harmonia que revela um ser humano competente emocionalmente. Por fim, se são as competências socioemocionais que validam as competências técnicas, a meditação e a oração podem ser um bom caminho.

Depois da exposição da senhora sobre a sua convicção de que venceria os seus desafios a partir da internalização de uma nova imagem sobre si mesma, apoiada na oração e na meditação, ela fez um comentário sobre as comidas oferecidas no evento. Disse que tudo estava muito delicioso no café, nos lanches, no almoço e no jantar, mas que ela havia resistido bravamente. Todos ficamos felizes por ela, até o momento que ela complementou:

– Mas hoje eu caí em tentação. Quem é que pode resistir aos churros?

Rimos, porque todos havíamos nos empapuçado com os churros. Quem é que nunca caiu em tentação? Afinal, não somos tão racionais assim. Ekman diz que “somos seres emocionais que raciocinam”, muitas vezes, travando uma dura luta interna. Parece ser verdade!

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Essa vaga deveria ser minha!!! Inveja ou inspiração?

Essa vaga era minha!!!

Estavam os dois amigos esperando o resultado da entrevista para a mesma vaga de trabalho. Haviam estudado juntos no ensino fundamental. Reprovaram no mesmo ano do ensino médio, porque optaram por cair na gandaia. E, por fim, fizeram a mesma faculdade que concluíram juntos. Uma amizade a toda prova que teve uma festa de formatura merecida. Agora era a hora de cada um buscar o seu espaço no mercado de trabalho. Os sonhos de trabalhar em determinadas empresas eram comuns. Por isso, no momento que foi aberta aquela vaga ambos se candidataram. O processo fora bastante competitivo, porém havia somente uma vaga. A quem caberia a oportunidade de realizar o sonho? A porta se abre e a resposta do processo seletivo é dada. O escolhido vibra. O preterido murcha. O que fazer? O amigo que não obteve a vaga reúne as suas forças, aproxima-se do outro, abraça-o e diz:

– Parabéns!!! Tudo de bom pra você!!!

O sorriso no rosto, entretanto, ocultava outra emoção. Ele não estava feliz. Sentia raiva, tristeza e inveja, porque acreditava que aquela vaga deveria ser sua. Ele lutou, estudou e fez o que estava ao seu alcance para conquistar o trabalho na empresa dos seus sonhos. Para ele, agora, os sonhos se desmoronavam. Ele tinha consciência de que deveria ficar feliz pelo seu amigo, porém, naquele momento não dava. Ele não conseguia parar de sentir inveja. Inclusive, desejava que o seu amigo não se saísse bem no trabalho. Sentia-se mal pelos seus pensamentos e se perguntava: “será que sou uma pessoa tão horrível assim?”. Particularmente entendo que não, esse jovem não é tão horrível assim. Ele é normal. Nunca sentir inveja é que não seria humano. Contudo, a diferença está com o que ele vai fazer com essa emoção surgida frente a um fato. Caso ele continue nutrindo a inveja inicial, ela se transformará em sentimento que poderá despertar novas emoções negativas. Por isso, a importância de tomar consciência daquilo que desencadeou a emoção para poder assimilar, entender e modificar o sentimento que dela será gerado para que surjam novas e boas emoções. Aquele que continuar nutrindo a inveja vai convertê-la em sentimento que o transformará num invejoso, tornando-o numa pessoa “horrível”. O que fazer? Muitas vezes se acredita que se algo não é bom o seu contrário deveria ser. No entanto, a vida não é tão linear. O antônimo de inveja é o desinteresse, uma percepção tampouco apropriada para o convívio e para as boas relações. Por isso, a busca do equilíbrio entre inveja e desinteresse é o caminho que nos leva à inspiração. Por fim, se a inveja é desejar possuir aquilo que o outro possui, o desafio é observar, reconhecer, assimilar e transformar essa emoção inicial em admiração e que sirva de inspiração para trilhar o próprio caminho. Desse modo, pode-se falar em desenvolvimento humano.

A quem nunca lhe pareceu que a grama do vizinho era mais verde? Quem nunca sentiu uma dorzinha de cotovelo porque o outro é um sortudo? Isso, é normal. Por isso, não se trata de negar a nossa dualidade humana entre boas e não tão boas emoções. Trata-se de encontrar alternativas para observar fatos sem julgar as pessoas; de sentir sem se culpar para transformar; de entender para afetar com afeto ao fazer as escolhas que o tornem melhor. Esse caminho vai permitir que cada um encontre a sua vaga. Aquela vaga era do amigo!

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Pão duro ou mão aberta? No equilíbrio a Generosidade!

Pão duro ou mão aberta? No equilíbrio a Generosidade!

A vida estava por terminar. Ele trazia em suas lembranças a luta, o trabalho e a abnegação presente em sua jornada para poder acumular uma riqueza que nem os seus filhos conseguiriam gastar. Agora ele se retorcia de dor na cama, porém a sua preocupação continuava dirigida para a sua fortuna. O que faria com os imóveis? Qual o destino das suas empresas? Como seria administrado o seu fundo em ações? Enquanto estava nesse dilema outra vez tiveram que chamar a enfermeira de plantão que controlou a situação. Entretanto, todos ali sabiam que a sua partida era uma questão de tempo. Não havia mais o que fazer. Ainda assim, ele não conseguia se desconectar das suas riquezas materiais. Sabia que trabalhara muito para juntar a fortuna que não queria abandonar. Tinha noção que havia feito coisas que até Deus duvidava para fazer “bons negócios”. Nunca gastara um centavo com algo que não fora obrigatório. Por isso, estava ali no leito de hospital sem direito a acompanhante. Pensava:

– Não vou gastar meu dinheiro com isso. Pago impostos…

Do lado de fora, os filhos esperavam as notícias. Nenhum deles estava preocupado com as preocupações do pai. A avareza do pai sempre fora questionada pela mãe, pelos filhos e pelas pessoas com as quais convivera. Muitas vezes lhe haviam dito para fruir um pouco daquilo que acumulara, mas ele era um pão duro. Um dos filhos, notadamente um folgazão, sempre vivera como um nababo. Adulava o pai para obter as vantagens da sua riqueza. Ele era um verdadeiro mão aberta com o dinheiro que o pai se recusava a gastar. A situação pode parecer caricata, porém é verdadeira e se repete em diferentes famílias, organizações e culturas. De um lado, existem os avarentos. De outro, os esbanjadores. O avarento pode estar no papel de um líder, de um cônjuge, de um amigo ou de um colega de trabalho. São pessoas que não dão, não ensinam e não compartilham. Eles não confiam em ninguém e guardam para si as informações para manter a sua relevância pelo que possuem. Assim, podemos ter chefes mesquinhos, cônjuges miseráveis, amigos sovinas e colegas fominhas que apenas querem ganhar da posição, receber do amor, tirar das amizades e exaurir dos colegas. O esbanjador não se importa com aquilo que recebe e com aquilo que dá ao desperdiçar os recursos, os amores, as amizades e as relações. Não sabe o valor de se comprometer consigo e com o outro. O esbanjador não aprecia o esforço do líder para fazer com que a organização se mantenha; não reconhece a força de uma amor; não considera os benefícios de uma amizade; e não entende a interdependência com os colegas. Por isso, o desafio para se manter a esperança está no equilíbrio entre a avareza e o desperdício que se entende como generosidade. O que é generosidade?

No equilíbrio entre os antônimos da avareza e do desperdício surge a generosidade que é a capacidade de entender a importância de dar e de receber; de compartilhar e de acolher; e de ensinar e de aprender. Com a generosidade brotando do fundo de nosso ser podemos viver sem ser pão duro, em que acumular seja um meta e sem desperdiçar os recursos recebidos com a irresponsavelmente de um mão aberta. No equilíbrio da generosidade se manifestam as vozes da esperança de que podemos afetar o mundo com afeto, fazendo dele um lugar melhor para se viver.

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Vozes da Esperança: a Força da Esperança no trabalho Orientado para o Amor

Você ama o próximo? É bom e importante amar o próximo, esteja ele longe ou próximo. Porém, é indispensável amar o próximo mais próximo, porque só assim todos os próximos serão amados pelos próximos, incluindo cada um. E amar o próximo que está próximo exige esforço e dedicação. É uma construção.

O que você está construindo?

A Força da Esperança do Trabalho Orientado para o Amor não é utopia. É uma necessidade!!!

Participe: dia 05-2-2021 no FACEBOOK do Instituto Cecília Costa – Educação & Desenvolvimento do Potencial Humano | Facebook

Verdade mais verdadeira do mundo?

Verdade mais verdadeira do mundo?

Quase cinquenta anos depois, numa conversa de final de ano entre um causo e outro, entre fatos e exageros um dos irmãos questiona:

– Verdade mais verdadeira do mundo?

Não era necessário dizer mais nada. Imediatamente voltamos a nossa infância. O nosso código de honra fora acionado como nos tempos em que a ele recorríamos para tirar uma dúvida sobre uma situação não tão bem explicada.

Início da década de 1970. Vivíamos os três irmãos uma realidade que a nós nos parecia ser a única possível na face da terra. Tínhamos entre 4 e 8 anos e cumpríamos a rotina dos filhos de agricultores: ajudar na lida diária, ir à escola e frequentar a catequese. No dia a dia tínhamos que tirar leite, tratar os porcos, cuidar das galinhas e capinar na lavoura. Além disso, caminhávamos por quase quatro quilômetros até a escola. Aos sábados tínhamos a catequese e uma vez por mês íamos à missa no domingo. Na catequese aprendíamos os mandamentos cristãos e um deles dizia que não se pode usar o Santo Nome de Deus em vão. Dessa forma, quando estávamos diante de uma situação que exigia confirmar se fosse verdade ou não estávamos tentados a dizer “Eu juro por Deus!”. Entretanto, não era recomendável porque confrontava um dos mandamentos. O que fazer? Qual seria a solução para saber quando alguém estava dizendo a verdade ou poderia estar sonegando alguma informação sobre “a importante tarefa” de quem era a vez de secar a louça naquele dia? Ou como fazer para saber se realmente um dos irmãos havia feito ou deixado de fazer algo ordenado pelos pais? Responder em nome de Deus não era permitido. Assim, criamos um código que deveria ser usado com cuidado, porque jamais deveria ser quebrado. Era um tratado de honra. Desse modo, surgiu a expressão “Verdade Mais Verdadeira do Mundo” para mediar e garantir que a verdade estava sendo dita sem que um mandamento estivesse sendo quebrado.

Ao escutar a pergunta “Verdade mais verdadeira do mundo?” rimos a plenos pulmões, porque lembramos imediatamente do que se tratava. Destaco aqui a importância da estratégia criada e dos valores subjacentes ao código de honra. Estabelecemos normas, condições e um formato para usar um recurso que tratava com o outro, mas principalmente desafiava a relação de cada um consigo mesmo. Quando a pergunta era dirigida a você por um dos irmãos, ele o instigava, o provocava e o experimentava, levando o indagado a uma conversa interior profunda. “Estou sendo verdadeiro?”, “estou me aproveitando de alguma situação?” ou ainda, “sou de confiança?”. Ao ser confrontado com a pergunta a conversa era íntima. Enquanto não se proferia a resposta, o diálogo interno fazia com que cada um se questionasse e avaliasse os reflexos da situação na sua relação consigo mesmo e com os outros. O código de honra criado e estabelecido entre os irmãos tinha a capacidade de estimular o comportamento verdadeiro, mantendo a motivação para cumprir com aquilo que foi escolhido livremente por cada um. Os códigos de honra podem ser explícitos ou podem estar implícitos no ambiente em que circulamos ou nas relações que estabelecemos. Eles estão presentes e, quase sempre, sabemos como nos comportar para que se mantenha a coerência interna que traz em si os princípios e os valores individuais.

Qual é o seu código de honra? Qual é a sua “verdade mais verdadeira do mundo”?

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br

Radical e Resignado: no equilíbrio as vozes da esperança!

Radical e Resignado: no equilíbrio as vozes da esperança!

Escutava o meu amigo que dizia viver um momento de descrença muito grande. Uma desesperança com o ser humano. Para ele, participar de reuniões, grupos de trabalho ou uma roda de amigos (quase todos virtuais) era um martírio. Parecia-lhe que ao menor sinal de discordância, divergência ou de uma posição que pudesse parecer politicamente incorreta os olhares acusadores surgiam. Nas reuniões e nos grupos de trabalho ele optou por se calar. Nas rodas de amigos ele escolheu sair. Numa de nossas conversas ele me disse:

– Parece que se vive numa ditadura da harmonia…

Ao escutá-lo tive que lhe dar razão. Por mais que se fale em respeito às diferenças e ao acolhimento da diversidade numa repetição de lindos discursos, a prática tem se mostrado perversa. Nessa reflexão comentou que para ele

…as pessoas defendem que é importante pensar diferente, desde que todos pensem iguais.

Ele disse, “É por isso que cansei de tudo. É a ditadura da falsa harmonia!”. Sorri, porque concordei. Harmonia pode ser entendida como a presença da paz e da concordância no ambiente por meio da ausência de conflitos. Acredito ser fundamental haver harmonia, entretanto, há que se lembrar que a harmonia necessita que haja a sensação de prazer e a ausência de tensão no ambiente, por isso entendo que o conflito pode estar presente. Caso assim não seja assim, é a ditadura da harmonia, porque alguém teve que se calar em nome dela. Esse raciocínio me levou para um texto lido sobre o radical e o resignado. Explora-se a ideia da existência predominante de dois tipos de pessoas: os radicais e os resignados. Ele dizia que há um grande grupo de radicais que buscam se afastar daquilo que é tradicional, conservador ou usual, extremando-se no movimento de fazer com que o outro mude. Muitas vezes, são agressivos, ofensivos e hostis, porque se creem os justos num mundo de injustiças. Também há um grupo significativo de resignados que aceitam as situações sem que haja um movimento para mudá-la, conformando-se. Quase sempre, são submissos, obedientes e dependentes. Igual aos radicais, acreditam que o mundo não é justo. E, por fim, há um grupo de pessoas que se equilibram entre os radicais e os resignados que mantém a esperança. E o que é esperança? É esse sentimento de acreditar ser possível mudar algo com a força da própria existência, juntamente com a fé e a caridade nas ações. Utópico? Não, possível.

A esperança é o entendimento de que o mundo não é justo, mas que eu posso ser justo.

A esperança é a compreensão de que eu posso ser firme sem ser agressivo ou submisso; que eu posso ser coerente sem ser ofensivo ou obediente; e que eu posso ser colaborativo sem ser hostil ou dependente.

O equilíbrio entre os extremos vai criar a autêntica harmonia com a esperança de que a existência dos conflitos nos fará melhores.

Enfim, a esperança numa autêntica harmonia não necessita de radicais nem de resignados. Ainda assim pergunto: o que há de positivo no radical? Ele não é resignado. O que há de positivo no resignado? Ele não é radical. Por isso,

…a esperança da autêntica harmonia necessita de pessoas que atuem dentro das suas áreas de influência sabendo que o mundo não é justo, mas que cada um pode ser.

Caso haja confronto, há radicalismo. Caso não haja nenhum conflito, há resignação. São as vozes equilibradas da esperança que resultarão na autêntica harmonia.

Moacir Rauber

Blog: www.facetas.com.br

E-mail: mjrauber@gmail.com

Home: www.olhemaisumavez.com.br